domingo, 4 de novembro de 2012

No ar


Eram os anos de 1997 a 2001 e a internet a todo o vapor mexia com a cabeça de todos, ainda nem se falava na bolha e eu vendendo um canal local em São Paulo, o 21.
Imagine, levei muita porrada! Mas foi lá que fiz e inventei coisas que hoje fazem diferença na minha revolução interna, na minha reinvenção.
Estes dias, a Kaká, a Maria do Carmo Kozma, me disse no chat do Facebook:  “Hélcio você deveria falar como é se posicionar neste mundo diferente de hoje”. E, hoje, minha crônica vai falar um pouco dos loucos por tecnologia e das histórias engraçadas que presenciei e vivi na era digital, até agora, 2012. E nas entrelinhas falar um pouco sobre este novo mundo que estamos vivendo, principalmente para aqueles que trabalham nas chamadas velhas mídias – para as quais, muitas vezes, parece que o mundo vai acabar mesmo em 21 de dezembro.
Vamos começar por 1998. A Adriana Carreiras, hoje, VP da TV+... (Ah! Fui eu que montei a TV+ no ABC para o irmão dela que, com o Galeb do Shoptour, me deu um balão. Depois, o Carreiras deu um balão no Galeb, e, aí, o Di Genio – do Objetivo e Mix TV – deu um balãozaço nos dois, rsrsrs...  Conto tudo isso em outra história.).Quando isso aconteceu chamei o Rubens de Carvalho o Rubão para almoçar e quando acabei de contar ele me disse “ mexer com dono de escola sua nota pode ser zero”.rsrsrsrsrs
A Adriana era a atendente do telefone do Mesa Redonda da TV Gazeta e irmã de um de nossos maiores clientes, sem falar no mulherão que ela era. Tinham já passado muitos contatos no Canal 21, e eu experimentava tudo, até, um dia, duas gostosas. Guerra é guerra! Eu nunca usei desses artifícios, mas já fazendo terapia por causa da globalização, e eu vendendo localização, contratei a Adriana e a Fabiana Baltazar – hoje, ela mora na Canadá e é nossa leitora.
Lógico que tinha experiência! O Alexandre Borttolai, o Ricardo Viscondi e o Marcelo Capassi, um tempo, e o Marcio Loducca, o Zeca Pinto. A Tatiana Carvalhinha e a Danielle Barros, meninas ainda na época. Foram muitos executivos lá. A coisa era difícil, mas faturávamos.
Tentei de tudo e, como já disse, tivemos vitórias, muitas delas só entendidas hoje, mas tivemos: a primeira ação de transmissão usando a internet como link; cross mídia TV e internet; o ônibus do programa Circular com as logos dos patrocinadores;  os carros do SP digital com as logos dos patrocinadores, transmitindo com um computador da Apple.
E uma das grandes proezas foi a transmissão ao vivo da campanha “McDonald’s Feliz”, de duas ou três lojas, com nossos jornalistas cobrindo a chegada das pessoas e celebridades que passavam nas lojas na cidade, de graça, sem dinheiro, em prol dos pacientes de câncer e suas instituições. Em um almoço com o diretor do McDonald’s da época, ele me disse na frente do Juca Silveira que seu presidente achava que o hambúrguer sairia do computador (brincando, é lógico), mas que ele não sabia para onde ir. Outra, foi ali no circo do Beto Carreiro, onde pusemos duas mil crianças de orfanatos no Natal de 1999, que ganharam brinquedos da Estrela, lanches e um mega-show com a participação do próprio Beto. Foram duas ações de chorar é todos que participaram choraram.
Há doze anos, já fazíamos o social, o tecnológico. Muitas dessas ações trazidas pelo comercial; juntamente com Operações e Jornalismo, não tínhamos limites e ciúmes, fazíamos acontecer, mas o mercado não enxergava e os donos da emissora também não .
O que quero deixar claro aqui é que a vida continuou depois do 21, e continua hoje com os diversos recursos novos que temos à disposição. Precisamos, sim, entendê-los e não falar que nossa geração passou ou que entender as tecnologias digitais é coisa para jovens.
Lembre que para um computador ou celular funcionar um ser humano tem que ligá-lo; sozinho, ainda não funciona.
As ideias são nossas. O computador na era digital faz contas, procura clientes, filma , fotografa , mas o indivíduo ainda é quem o programa.
Lembro de uma estada minha no Buscapé, o Romero Rodrigues  tirando os moveis da caixa, eu como diretor do Canal 21. Quase fui mandado embora de lá; eles, meninos de bermuda, me falaram que tudo iria acabar em cinco anos – isso era 1998 ou 1999, e eles estão vivos e eu também.Eu acertei quantos anos iriam demorar mas ele acertou na grana.rsrsr  
Ou de uma entrevista que dei para a revista da ABA (Associação Brasileira dos Anunciantes), em 1997. Quando me perguntaram sobre a TV Digital, falei que ela ainda ia demorar uns 15 anos – e ela ainda não está na sua totalidade.
Amigos, voltando para o que a KaKá me disse dias atrás, a publicidade não é mais a mesma, os profissionais se misturam entre as novas mídias e as velhas mídias. E quem me diz que nós profissionais, que vemos essa transformação na pele, não somos capazes de nos reinventar e fazer do computador uma ferramenta maravilhosa para continuar pagando as contas de casa? 
Eu mesmo, depois de 30 anos, fazendo mestrado em audiovisual (cinema) e escrevendo. Ah, e o melhor, inventando ferramentas junto a muitos jovens amigos, usando o computador e o digital sem a menor ideia de como se programa uma máquina desta, do futuro que já vivo há uns 34 anos – desde 1978, quando entrei na Globo São Paulo, na equipe do André Barroso, para implantar as reservas digitais nos breaks da Rede Globo. Igualzinho as companhias aéreas já faziam para reservas de passagens .Ali já eram dois setores da economia que precisavam colocar no ar seus produtos.     

domingo, 28 de outubro de 2012

Um passarinho me contou...


Normalmente, comento que estive na CNT-Gazeta por três vezes, mas em uma delas houve uma crueldade: saí com as tralhas na mão e nem mandei minha carteira de trabalho. Foi a segunda vez, que durou só três meses.
Saí da Band SP1 (só Capital SP) com a equipe toda – acho que já falei isso em outra história. Ninguém queria ficar, pois dei ordem para usarmos da mesma tática que usaram quando entramos. Quando chegamos, quase tudo estava vendido, e para ter espaço fiz um conchavo com as outras praças do SPE (SP estado) que consistia em liberar espaços não vendidos até as 15h do dia anterior, além do SP1, para as outras praças/emissoras de São Paulo. Foram uns quatro meses sem bater meta, mas, como parodio sempre meu amigo Gerson Alvin, o pau muda de cu.
As dificuldades durante a estada na Banda SP1 foram muitas, mas quanto mais difícil, mais gratificante era vencer as barreiras impostas – e normalmente elas estavam dentro e não fora, no mercado.
Quando saímos, demos o troco. Tudo vendido até o fim do ano. Quem entrou não tinha nada para vender pelo menos por seis meses. Ah, e nós que saímos recebemos as comissões na hora!
Mas esta história foi na CNT-Gazeta e não na Band, e aconteceu comigo, o segundo do Geraldo Leite como diretor de publicidade, nos primeiros dias de minha segunda chegada à Fundação Cásper Líbero. O Geraldo me convoca para uma reunião com o comitê organizador da “Corrida Ciclística 9 de Julho”.
Éramos nós da Fundação, as confederações de ciclismo, atletas que participavam da organização, o pessoal da Caloi; não sei por que o Geraldo me deu a incumbência de atrapalhar a reunião para aguardarmos uma pendência sobre a prova naquele ano junto à Globo ou à Prefeitura de São Paulo.
A reunião estava tensa e eu, sem saber de nada, para acatar a ordem do Geraldo, fui escutando e tentando arrumar um álibi para jogar a reunião para outra data e chegarmos onde queríamos.
E em um determinado momento, alguém me dá um gancho e falo: “Um passarinho me contou que tem mais gente sabendo de nossas intenções e poderíamos verificar isso e marcarmos para 15 dias adiante esta decisão”. Na hora, ficou um silêncio incrível, mas todos concordaram rapidamente, levantaram-se e foram embora. Eu não entendi nada; ninguém da Fundação me falou nada, e achei que tinha feito algo bom (rsrsrs...).
Dias se passaram, a decisão com a Globo ou Prefeitura saiu e, então, poderíamos tomar as decisões sobre o evento tão tradicional no ciclismo brasileiro.
A reunião começou e, de primeira, a representante da Caloi me indaga sobre minha desculpa da reunião anterior e diz: “Aqui está o presidente da Confederação Nacional de Ciclismo, o ‘Passarinho’.  Pronto! O que foi que ele falou?” (rsrsrs...). O desconforto foi geral até que eu explicasse que nem imaginava que existisse realmente um “Passarinho” naquele imbróglio e que tinha usado a expressão “um passarinho me contou” como forma de falar.
O rolo não foi maior porque tínhamos as soluções para aquele dia, coisa difícil na Fundação. Mas dei sorte e virei amigo do “Passarinho”, o verdadeiro (rsrsrs...).
Como já disse lá em cima deste texto, minha estada daquela vez na Gazeta foi rápida, só três meses. O Geraldo e eu batemos de frente e voltei depois de um ano e meio no lugar dele.
Ah, só então assinaram a baixa da minha carteira de trabalho! E eu e o “Olha o Geraldo....” musica da banda dele no passado; nos cruzamos e nos cumprimentamos como conhecidos da vida toda e nunca falamos sobre nenhum dos fatos aqui relatados. 

 

domingo, 21 de outubro de 2012

Menas , não não Mais


Nas décadas de 1980 e 1990, o mercado de revistas tinha um diretor, o Antonio Sabino, que era da Abril/ “Veja”,  mandava muito no meio.
A equipe da “Veja” sempre foi muito respeitada e todos diziam que trabalhar com o Sabino era ainda pior que com o Orlando Marques. Quando perguntávamos a alguém da Abril, na época do Orlando, se estava vendendo, a resposta era: “Sim! O telefone, o carro, as joias da sogra”. Imagine a barra com o poderoso Sabino!
Os concorrentes todos se respeitavam e o mercado era outro. Marcávamos jogo tipo Editora Globo X Abril. Lembro-me de um deles, ali perto da rua do Curtume. Demos uma surra enorme na Abril. Até apelidei um deles de Buneco Nuguete, o Robson Monte. Ele pulava como aquele bonequinho no meio de dois palitos em um elástico, igualzinho! O apelido acabou pegando.  Cheguei a contratá-lo na Gazeta (rsrsrs...).
Trocávamos até informações sobre clientes nas recepções e nos happy depois do expediente, na Berrini ou no bar do Zeca Pinto, lembra?
Imagine, um contato da “Exame” pegava a “Imprensa” para ver os anúncios e correr atrás. Eu era diretor na “Imprensa” e o Reinaldo Ramirez me convidou para ser contato na Abril. Agradeci muito, mas declinei; nunca mais me convidaram.
Mas esta história ainda tem o Rene Cassetari,  diretor de publicidade da “Veja”, subordinado abaixo do Sabino. Dizem que o Rene era duro na queda também. Nunca trabalhamos juntos, mas sempre gostei muito do cara.
A equipe da “Veja” era grande; lembro-me do Pedro Barbastefano, Giovani Espósito, Dario, João, Rosa, Jeferson Fulen, Enio Vergueiro, Celso Marche, Claudio Ferreira, Donato Ponzio, Carlos Adorian, Paulo Vinheta e muitos outros, que, desculpe-me, não vou lembrar.
Era um mês difícil para bater as metas e a reunião tinha toda a equipe da “Veja”, “Vejinha”, projetos especiais, e a cobrança, dizem, era forte e sem meias palavras.
O grande diretor comercial da Abril presente e, aí, as cobranças eram até maiores. O Rene pede a um dos presentes para confirmar as dificuldades que todos estavam expondo e pergunta-lhe como estavam as vendas dele naquele mês.
Ele, novo na “Vejinha”, responde que naquele mês tinha “menas” páginas que no mês anterior. O Rene, puto com o “menas”, pergunta de novo, quase gritando, e o contato responde outra vez que tinha “menas” páginas. O Rene, mais puto e quase sem fôlego, grita mais alto ainda: “Que porra de ‘menas’!”  E o contato, sem saber o que falar, responde: “Tá bom Rene! Este mês foi ‘mais’, vai!”.
Dizem que o silêncio foi mortal na sala de reunião, e ninguém abriu a boca com a situação.
O mercado naquela época era rápido como a internet, quando se tratava de fofocas e gafes como essa. À noite, foi o assunto na “coxinha” da rua João Moura quase  av. Sumaré, reduto também de contatos da Abril, e em todos o happys do mercado.
Caro leitor, não vou falar o nome do autor do “menas”. Tenho absoluta certeza de que ele foi o inspirador das brincadeiras que fazemos até hoje sobre “menas” para tirar uma em roda de amigos.
Vou até pesquisar o nome de mais gente na equipe para pulverizar os atores da reunião.
Ele faz parte do grupo e pode se entregar (rsrsrs...). E eu que não vou perder o amigo. As melhores histórias são as de perder amigo como diz meu amigo Stein, mas estou ficando bom e preservando muitos deles.

 

sábado, 13 de outubro de 2012

Mcdonald's em Verde


Perto da Eco 92 ainda nem sabíamos direito o que era reciclável, reciclado e termos que hoje são tão conhecidos de todos nós.
Fiquei um pouco preocupado dias destes, quando descobri que perto de 70% dos brasileiros não sabem o que é atitude sustentável ou ação sustentável, mas chegaremos lá. As empresas e  as pessoas estão melhorando o entendimento do que o planeta necessita .
Dois dos personagens desta história são o Rogério Ruschel e a Vera Giangrande. Ele, hoje, consultor de Sustentabilidade, mas na época era planejamento  de uma grande agência de Relações Públicas , a AAB, do grupo Ogilvy, e a competentíssima Vera, já falecida, mas a personagem pioneiríssima de Relações Públicas no Brasil.
Era 1991 e eu, publisher da revista “Imprensa” no auge de sua credibilidade e da minha  como profissional. As ideias eram tantas e com os personagens  eram bem mais fácil de falar e  apresentar  nossas ideias -- não como hoje, que há dias tento marcar uma reunião com um profissional da publicidade;  já falei com o cliente dele e vou acabar mostrando o projeto antes ao cliente que a  ele. Mas a vida parece que anda rápido só para alguns e não para todos nós mortais  (rsrsrs...). 
Voltando à Eco 92 ,tive uma ideia maravilhosa para a época:  encartar na revista “Imprensa” um glossário de termos ecológicos em português e distribuirmos na Eco em inglês .  Convidamos o Rogério Ruschel para escrever, que atendeu prontamente nosso convite  -- sei que tem um exemplar em sua casa, único, pois nem a própria editora tem um exemplar sequer.
As redações teriam que conhecer aqueles termos tão comuns hoje, mas que na época eram “ecolomês”.
Aprontamos o projeto e lá fui eu vender, mas para minha sorte estávamos fazendo aniversário e na festa comentei com a Vera Giangrande e ela me falou que venderia aquela ideia ao McDonald’s. Eles, em 1991, ainda eram pequenos no Brasil e revista não seria a mídia ideal, mas a Vera era a dona do mercado de RP e fui na dela.
Passaram-se uns dois dias  e a Vera me ligou e me mandou falar com o diretor de MKT do McDonald’s, o Luiz Mario Bilenky, que tinha sido da Fotótica -- ele e o Marcos Gaiarça --  em cuja conta eu havia trabalhado quando era da DPZ e já nos conhecíamos.
Cheguei lá e o Bilenky  olhava, olhava e não falava nada. Ele era metido, mas certeiro, e disse:  “Se você fizer em papel reciclado eu aprovo já”. Disse que iria ver como faríamos e corri para a editora. Quando cheguei lá ainda liguei para perguntar se era reciclável ou reciclado e tomei uma bronca do Bilenky: “Reciclável todos são”,  quase me chamou de burro, o que, na real, eu naquele momento fui.
Corri atrás do fornecedor de papel reciclado, a Tanure, no Rio de Janeiro.  A gráfica Abril me disse que era a primeira vez que eles imprimiam em reciclado, o que foi uma aventura, pois papel rasgava muito fácil.
Fizemos a lição de casa e o cliente fez a dele e aprovou o projeto.
O Luiz Mário Bilenky  era daqueles que inovavam muito imprimiu a marca do McDonald’s  em verde em vez do vermelho -- foi a única vez que vi isso em se falando da multinacional dos sanduíches.
Tudo ia bem até a hora de colocar o grampo. As máquinas da gráfica Abril pipocaram e tivemos que correr para outra gráfica com as máquinas de grampear diferentes e que não rasgariam mais papéis.
Quem trabalha com revista sabe tudo: é na última hora e nós, para variar, estávamos a poucos dias de perder a data de faturamento.
Mandamos uma Kombi com a secretária do Comercial buscar e levar de volta à gráfica Abril. A   Adriana (ver história “Pomba Gira”), que no trajeto pega uma pagina e lê, justamente aquela em que o presidente do McDonald’s fazia a apresentação  --  e não é que havia erros de digitação ou datilografia? E tudo atrasado, ficou pior ainda.
Liguei na fabrica de papel, não tinha mais. Indicaram-me  a João Fortes Engenharia, que comprara um lote há poucos dias. Falei com um dos filhos do João, que me cedeu duas resmas que me salvaram a vida.
A Adriana ainda não era alcoólatra e me salvou a pele diversas vezes nos dezesseis anos que trabalhamos juntos.
Fomos os primeiros na imprensa nacional a imprimir  em papel reciclado. Os créditos são do Mcdonald's , Rogério Ruschel,  Luiz Mario Bilenky, Adriana Batistini, Gráfica Abril e, é lógico, com homenagem especial para Vera Giangrande, que  24 anos atrás já enxergava a importância da sustentabilidade, termo que nem estava no glossário, o ator principal deste texto. 

 

 

domingo, 7 de outubro de 2012

Dia de fúria em uma TV

Sempre digo que me arrependo do que não fiz, do que fiz não me arrependo. E esta história eu tinha que contar, mesmo com alguns nomes ficando de fora. Quem trabalhava neste período no mercado sabe de quem estamos falando.

Era já a terceira vez que o Luiz Fernando Taranto  – superintendente da Fundação Cásper Líbero – me chamava para trabalhar lá. O ano era 1996. Cheguei e fiz uma coisa que o Paulo Saad fez quando substituiu o Orlando Marques na Bandeirantes:  troquei todo mundo de sala e lugar e promovi a gerente três contatos, o Gilberto Corazza, o Marco Piccolo  e o Márcio Loducca – e o Luiz Carlos Stein de diretor, segurando a barra. Eu queria vê-los se matando; um era mais competitivo que o outro. O Piccolo brigava até no par ou ímpar; o Corazza, quem trabalhou com ele sabe; o Loducca também não era bonzinho. No dia seguinte, todos sabiam que a direção havia mudado.
Chegamos à CNT Gazeta o Stein e eu. O Stein quase me mata, pois falei que devia ter de um milhão e duzentos a um milhão e quinhentos por mês e na real tinha quatrocentos mil. Ele ia ganhar menos que na Editora Azul, com o Ênio Vergueiro, mas convenci o moço de que em dias estaríamos com um milhão e oitocentos a dois milhões. E não demorou muito – uns dois meses e já estávamos lá.
Naquela época, as televendas faziam a diferença, e eu era amigo de todos eles, a maioria convencida por mim a entrar no ar. Todos tinham uma cumplicidade comigo não falávamos de espaço, falávamos de dinheiro.
Mas a história foi uns seis meses depois que voltei e já todos estavam familiarizados comigo e com as gerências.  A disputa era ferrenha. O Stein e eu fomentávamos a competição entre as equipes e a coisa funcionava. Éramos um time, fazíamos festa todas as noites no Mexicano e tumultuávamos o mercado com a CNT Gazeta. A diferença eram o atendimento e os projetos. Nós podíamos tudo, era a época em que a Globo e o SBT não podiam nada, a Bandeirantes sempre cheia e não existia mais nada – a Ana Maria dava 1 ponto na Record  .Foi o ano que a J&J ganhou o ouro em mídia em Cannes anunciando no programa Mulheres um projeto nosso.
Em determinado dia, o Gersom Alvin, contato nosso, me diz que conseguira marcar uma reunião com o Rei das Televendas, de quem já falei aqui, numa história só sobre ele. Estava voltando mais uma vez, dentre tantas em que ele quebrava e voltava com outro sócio.
Imagine, ele já até estava anunciando com a gente e eu não sabia, nem ninguém!  Só soubemos quando estávamos com ele na reunião. Cheguei e lá estava seu Honor Rodrigues me esperando (ver O Rei do Televendas).
Pronto como sempre, montamos um plano enorme de veiculação e o Gerson, já contando a comissão. O novo sócio do Honor chama alguém para fazer os mapas e entra uma menina linda, jovem, ainda uns 24 anos e me apresentam a ela. Quando o Honor acabou de falar que eu era o diretor da CNT Gazeta, ela começa a gritar comigo sobre um concorrente dela que estava veiculando um desses pets de parar de fumar antes dela e com mais frequência, e eu, sem saber quem era aquela menina, ia mandar ela... Aí, o sócio do Rei do Televendas levanta e diz: “Não, é minha filha!”. Branco total, a menina gritando e eu nem sabia o porquê. Levantamos e fomos embora. O clima ferveu e a menina descontrolada continuou gritando.
Quando cheguei à Gazeta tinha telefonemas e até umas flores de agradecimento, pois ninguém reparou que eu ia falar um palavrão e passei ileso. Garantimos uma grana enorme no basquete do mês.
Naquela época, o Roberto Avallone estava doente e levava até a médica dele no “Mesa Redonda”, e também andava arrumando confusão no andar do Comercial. Naquele dia, mandei ele, doidão, embora, pois estava falando mau de mim na sala de uma das gerências e, como eram divisórias de biombos, eu estava atrás e escutei tudo. Eram umas 17 horas e, sorte, não havia contatos. O Avallone é amigo meu até hoje naquele momento estava bem doente mesmo.
Aquele dia não devia ter existido. Eram umas 19 horas e no grupo do Gerson o gerente dele ainda não sabia da nossa façanha com o Rei do Televendas. Estávamos conversando, quando ele chegou e falamos do que havíamos faturado. Ele também começou a gritar comigo e eu fui andando para minha sala e fechei a porta. E não é que ele derrubou a porta? Para minha surpresa, o Stein tinha ido tomar café na copa dentro da sala e quando a porta caiu ele estava lá dentro também.
Que merda de dia! Aquela pressão que impúnhamos dava certo no holerite, mas ferrou muitas amizades bacanas. Tudo aquilo foi muito punk. Comenta-se disso até hoje. Quando encontro subordinados de nossos contatos e gerentes, eles me falam sobre os métodos que são comuns até hoje, que seus chefes comentam (rsrsrs...).
A vida em uma televisão é uma tempestade em alto mar o tempo todo ,principalmente se você tem um barquinho para navegar dentro dela( CNT Gazeta) , se tiver um transatlântico como na Rede Globo é uma tempestade também com melhores condições de suportar.
Tive que mandar embora ou degolar, como falo desde o começo da profissão, um dos melhores amigos e profissionais que conheci. E, é lógico, nunca mais fomos amigos como éramos.        

domingo, 30 de setembro de 2012

Quem quer ser um milionário. Atari o 1°


Como muitos sabem, estou me reinventando como produtor de conteúdo, fazendo mestrado em cinema, já que no início era para justificar alguns projetos, estou lendo novos e antigos pensadores num curso tão bem alinhavado como este nos proporciona conhecimento e discussões inteligentes sobre todo tipo de  audiovisual. E agora estou tomando gosto por coisas como o tamanho do digital,  a rapidez que o cinema imprimiu para alavancar muitas das invenções que são fundamentais para se viver nos dias de hoje. E até quem sabe fazer um doutorado futuramente .Dar aula não faz parte dos meus planos pesquisar até que sim.

Neste ano e pouco, depois de trinta anos sem pisar em uma escola como aluno, é dei uns dois anos de aula na Cásper Líbero quando trabalhei na TV Gazeta SP em 1994  na cadeira de mercadologia, a pedido do reitor Amauri.

Às vezes nas aulas do mestrado pareço o personagem do filme indiano “Quem quer ser um milionário”, que ganhou o Oscar de filme estrangeiro. Para quem não viu, no filme o personagem entra num programa de TV com prêmios para quem acertar todas as perguntas. E ele acerta todas, pois viveu e sentiu na pele cada uma das situações perguntadas pelo apresentador do programa, mesmo sendo ele um assistente de telemarketing. E apanha como um cão a mando dos produtores do programa, pois ninguém entende sua vitória. Na universidade também apanho um pouco , o mundo acadêmico é tão estrelado quanto o da publicidade . 

Durante as aulas acontecem coisas como a discussão do porquê da Kodak quebrar. É porque ela não acompanhou a era do digital .Não ou também. Eu atendia a Kodak na época em que o gerente de mkt era o Máximo  1987 ou 88, e pior que isso foi a Fuji montar uma rede de lojas de revelação e a gigante americana ter que acompanhar, o que para as duas foi um tiro no pé – hoje você revela foto em casa na impressora. Ou nem imprime, passa de uma tela para outra – Tudo Tela.
Ou situações de mercado como uma aluna que atua numa grande agência e colocou para a sala toda que um dos maiores clientes do mercado estava investindo em internet 25% de sua verba e eu, dias antes com a bambambã da conta, ouvi que investia 12%.
Ou um aluno que disse que a TNT foi a primeira no cabo a dar um ponto de audiência e eu estava com a Dora Câmara e o Carlos Eduardo Ferrari, pai do Flavio no Ibope quando começaram as medições e o primeiro canal a dar um ponto foi o Cartoon Network para as crianças. Estava lá comprando a pesquisa Monitor, o primeiro depois da Globo que compra tudo, para a equipe de vendas da TV Gazeta.
Na aula de mercado, então, eu parecia um arquivo morto ou, como disse um amigo na internet estes dias, “o passado vive em mim”.  (Luiz Carlos Pereira, não achei assustador, pois alguém tinha que contar as histórias que ando contando para um registro da mídia e mercado, coisa de que não me lembro de outro ter escrito. O Luiz é saudosista mesmo, até com a profissão; nos conhecemos há muito tempo, estudamos juntos na ditadura e montamos o Centro  Acadêmico da Faculdade mesma que hoje faço o mestrado.  Devíamos pedir indenização. Não fomos presos, mas éramos bolinados pela direção. Flávio Cidade, Luiz Carlos Pereira, eu, Celso Cezar  – desculpem-me aqueles de quem não me lembro, ahhh tinham mulheres também rsrsrsr ,estamos falando de 1979. Lembro desta turma fazendo plantão nas esquinas da faculdade me esperando por causa de um manifesto escrito sobre a ditadura; os homens estavam lá para nos prender.)
Em uma das aulas me fez lembrar de fatos engraçados, que também presenciei,  como o lançamento do Atari pela Gradiente , o primeiro vídeo game ( tivemos o Telejogo mas...). Eu era o comprador de mídia na DPZ e o Caubi Vasconcelos, o Biba, se não me engano, o planejador. O mercado de videogames é algo em torno de 25 bilhões de dólares e, é lógico, está em pauta na faculdade de audiovisual tanto quanto os filmes, vídeos e internet.
Ah! Não posso esquecer também a alegria do Fernando Martos irmão do Pedro Barça quando o chamei e compramos seis meses de duplas com aplique de faca que saía para fora da revista Vídeo  da  editora Três , os joysticks – e isso deu problemas em outras revistas –, e também em outdoors. Pena que não tenho as fotos, mas os aplicadores de outdoor colocaram os joysticks na parte de cima em vez de embaixo.
Nem vou contar o que aconteceu na compra dos espaços da TV Globo com o Tarso Madeira. Deu um rolo tão grande que acabei sendo contratado por eles dias depois, e me mandaram para BH. Era muito jovem e, na época, entendi aquilo como uma promoção e não como um castigo?.
Lembro-me de um dia em que o Ricardo Corte Real passou lá na DPZ. Ele vendia uma publicidade nos orelhões da Telesp antes das ligações, imagine! Fomos tomar um café no Gimba e quando voltei parecia que o mundo ia desabar na minha cabeça. Quando alguém erra na mídia que você comprou, você errou. Seu c... é o de plantão, mas me salvei e estou contando a história. Foi quando chegou a foto do outdoor com o aplique na parte de cima. Aí, fizemos uns bonecos e mandamos para as revistas para que não saísse iguais a alguns outdoors.
São tantas as passagens que acabei escrevendo este blog para não ser um chato para os  alunos do mestrado e interromper a todo o momento as aulas de que tanto gostei nestes últimos semestres.  Ah! Quem não tem histórias para contar nesse mercado acaba tendo infarto ou bebendo até se esquecer do passado. Essa parte da história aconteceu em 2012.   

sábado, 22 de setembro de 2012

Ou lia mão ou vendia televisão- em Salvador


Em 2002, fui convidado para montar uma operação em Salvador com a Rede Bahia, afiliada da Globo  com a TV Bahia. O convite foi para um canal em UHF, a TV Salvador, que na época não tinha o menor sucesso comercial e de audiência.
Imagine, quando fui ver no mercado (rua) como era a opinião dos varejistas sobre a TV, de dez visitados, nove me diziam que a TV não existia e que era um golpe de paulista!
E fomos para lá ver como seriam as coisas. Na verdade, o que eles queriam era uma sociedade numa produção de pequenos clientes, pois os grandes ainda não viam o UHF com bons olhos. Acabamos fechando uma sociedade em nove horas de operação diária e as outras nove com programação local, produzida para a TV Bahia, que era reprisada na TV Salvador. Até chegarmos a fazer a gestão das dezoito horas diárias da TV.
Tivemos muita dificuldade até chegar ao fechamento, pois os custos eram muito altos e, quando já achávamos que não aconteceria, fechamos uma permuta com passagens aéreas e viabilizamos o fechamento do contrato.
Eu, como bom exotérico, achei que haveria algo do destino e, já na primeira ida para entrevistar um batalhão de possíveis vendedores, produtores e apresentadores, conheci no avião uma senhora benzedeira que estava se mudando de São Bernardo (SP) para Barreira (BA), de mala e cuia com a família para montar uma pousada. Naqueles papos de avião, me disse para procurar alguém em Salvador que pudesse me dar um panorama astral do porquê estava começando uma jornada em Salvador.
O RH da Rede Bahia, me ajudando, montou uma série de entrevistas com mais de trezentas pessoas. Fiquei quatro dias sem pôr o pé para fora do hotel Othon, do quarto para duas salas no térreo e ao quarto novamente. Eu não conhecia ninguém em Salvador e um amigo, o Luiz Carlos Foz, me indicou uma paulista que em um dos dias foi almoçar comigo e acabou sendo contratada para a produção, a Rita.
Imagine o desgaste que foi! Sozinho, passava um vídeo sobre o que seria nosso projeto para umas quarenta pessoas e contava as condições de contratação. Depois, quem tivesse interesse ficava para uma entrevista pessoal. Cheguei a São Paulo doente, uma loucura! O espiritual na Bahia é sem igual, de dor de barriga a mandingas mil, só morando lá para entender o estado de espírito dos baianos.
Na tardinha do terceiro dia me liga a tal da Rita e me fala de uma amiga dela – que também tinha uma filha hiperativa, sobre quem conversamos no almoço –, que era vidente, morava há anos na Itália e estava de passagens por Salvador. Seu sucesso, me disse a Rita, era enorme como vidente, tanto em Salvador como na Itália.
Eu que já havia no avião ficado interessado, naquela hora liguei para a vidente e marquei um horário para a noite daquele mesmo dia.
A Lúcia me atendeu como todos os videntes, leu os búzios, o tarô e bem no finalzinho da consulta tirou uma carta, dizendo que era um Mago da Lua. Eu perguntei o que era aquilo e ela me disse que eu deveria fazer algo exotérico. E não é que já fazia? Eu lia mão.
Quando sai do Canal 21, fui estudar inglês e MKT na Califórnia e uma aluna brasileira, senhora já, esposa do mestre cervejeiro da Schincariol, ganhou da filha um chaveiro que tinha as linhas da vida e começamos a ler uns a mãos dos outros em inglês. Imagine, até hoje, meu inglês é “meia boca”, e todos diziam que eu acertava tudo sobre a vida dos outros – e em inglês! Li mão de alemão, japonês, suíço.
Quando cheguei dos EUA, comecei a ler a mão das mulheres. Estava separado e isso me ajudou a namorar uma meia dúzia de três ou quatro.
Voltando à Bahia, quando disse à Lúcia, a vidente, que lia mão, ela me pediu que lesse a dela, e também me disse que acertara tudo.
No outro dia, ainda tinha na parte da manhã um papo com os possíveis contratados e à tarde, um encontro com a diretora da TV Salvador, a Cláudia Lima, que eu já conhecia, pois havia feito um estágio comigo em São Paulo no Canal 21 – e foi por isso que as coisas aconteceram em Salvador.
A Cláudia me pegou no hotel e fomos até o apartamento dela e do marido espanhol, diretor da Vivo para o Norte e Nordeste, que estava com uma paulista e a assessora de imprensa. Conversaríamos um pouco, pois eles também estavam indo para o aeroporto.
Cláudia e eu chegamos no mesmo instante em que o grupo que estava com o marido e, por coincidência do destino,  a paulista que os acompanhava era conhecida minha a quem não via há muitos anos, o que facilitou as coisas e as conversas naquele momento.
Contei todas as histórias daqueles dias maçantes, das entrevistas e, é lógico, sobre a vidente e sobre ler mãos.
Ah, todos ali pediram para eu ler as mãos! E não sei como falei para minha conhecida que ela poderia vir a ter uma doença. Ela, pálida, na mesma hora me disse que no carro, vindo para a casa da Cláudia, recebeu uma ligação do médico dela com a notícia de que estava com aquela doença, e todo mundo se calou.
Tomamos um belo vinho espanhol, fumamos um charuto cubano e fomos ao aeroporto. Ninguém mais falou de ler mão. A partir dali, só falamos de coisas leves e para cima com o astral.
Quando voltei a Salvador, quinze dias depois, já era para fazer o start up das vendas e descobri que todo mundo sabia dos meus dotes exotéricos.
Nas reuniões, sempre tinha o cliente, sua mulher, as filhas – e no fim da história acabava lendo a mão de todos e fechando o negócio, é lógico. Como disse acima, a maioria não acreditava no resultado do canal, mas na Bahia o exotérico te impulsiona para o futuro e saí ileso. Sorte, se não poderia ser taxado de charlatão e ser preso! O canal, no início, não dava resultado, mas a leitura das mãos ... (rsrsrs...)
Isso aconteceu durante bastante tempo, até que me casei com uma delas em Salvador.
Foram dez anos de TV Salvador e, se tivesse cobrado cinquenta reais de todas a mãos que li por lá, com certeza estaria rico ou com um turbante na cabeça, agora, em São Paulo.
Antes de começar a fazer sua venda fale de sexo, drogas e rock’n’ roll. Ah, e ler mão também funciona (rsrsrs...)!