sábado, 17 de novembro de 2012

2012 Vivendo a Hipermodernidade (Opinião)


Sempre falando do passado, hoje resolvi falar um pouco do que está acontecendo nesta fase de transição em que as novas mídias passam a significar um papel fundamental e podem lançar-se a qualquer momento  como nova visão à hipermodernidade, sobrepondo-se à pós-modernidade na maioria dos segmentos dos mercados .

A comunicação passa de um setor da economia para aquele que costurará a nova linguagem global.

Alguém aí acha que existe uma possibilidade do retrocesso de algumas das novas invenções tais como o celular ou os computadores? Existe alguém que seria capaz de profetizar: “Isso não vai para a frente.”?

Jamais na história estivemos tão alinhados nos costumes, na moda, na mobilidade, na comida.

Não só os mais ricos querem; os mais pobres também querem os produtos com qualidade, os produtos que significam o luxo. Ninguém tem mais vergonha de consumir. Sejamos realistas!

Não ser social e sustentável começa a fazer a diferença entre muitos, e conectados começam a ser mais exigentes em todos os calcanhares dos mercados, nas questões sociais, sustentáveis, recicláveis.

Dizemos que a comunicação passa de papel importante para papel fundamental – todas as profissões carecem de atitudes de comunicação.

O papel do plástico no dia a dia das pessoas, substituindo o derrubar de árvores – pela própria necessidade, o ser humano está se tornando consciente de suas obrigações com o planeta.

Daqui para frente, ser globalizado está ocupando espaço nas pequenas cidades. Quem se imagina sem um computador em qualquer lugar? E quem ainda não o tem o quer.

Não é são falar que os produtos que utilizam tecnologias digitais não vão causar estragos em alguns segmentos e favorecer outras opções de vida; sempre vivemos assim. É competição desde a revolução industrial; aprendemos a viver competitivamente.

Duzentos e quarenta e seis milhões de celulares; mais de 50% de tudo que se vê na internet são vídeos. A importância do conteúdo bem produzido é a maior commoditie mundial. O cinema americano fatura mais que a Siemens, a Vale, a Boeing.

Fazer o de melhor vai estar nas prime lists e também receber por isso. Vamos nos moldando à nova realidade das coisas; algumas já têm preço, outras estamos fazendo com que eles existam.

O mundo passa a ser capitalista. A China, quando estreou, já veio como potência; quer produzir para todo o mundo industrializado. Nas contas dos bancos centrais mundiais, em quatro anos será a maior potência econômica do planeta.

A indústria do entretenimento é a que fatura mais no mundo e ainda vai caminhar para todas as plataformas, em audiovisuais existentes Tudo Tela.

Posso declarar a todos que se não concordam com o que está acontecendo na Terra, então, tentem mudar de planeta. Para o que está acontecendo com este, agora, como disse a Martha Suplicy, só relaxando e gozando. Não vai diminuir o acesso ao Facebook, nem alguém parar de procurar no Google ou buscador novo que vier a aparecer, ou softwares como os da Microsoft vão parar de surgir. Esqueçam! Não tem volta!

Chegamos à hipermodernidade; somos telespectadores nestes próximos cinco anos da virada nos quais os donos dos melhores conteúdos e marcas serão heróis, e os da tecnologia serão as políticas, pois até Karl Marx, se soubesse que distribuição um dia seria franqueada ao proletariado, não teria perdido tempo escrevendo “O Capital”, aqueles cinco volumes imensos sobre socialismo.      

 

domingo, 11 de novembro de 2012

Toronto deu certo para o Johnny Saad


Tive duas experiências internacionais . Uma, me levou a conhecer o mercado de revistas nos EUA e na América Latina nos anos de 1995 e 1996; e depois, de 2002 a 2010, na revista “AmericaEconomia”. A outra, no Grupo Bandeirantes de Radio e Televisão, que me enviou para conhecer e mapear a City TV canadense, do grupo Dawissonn ( sua origem de negócios era distribuição de remédios receberam uma radio como pagamento de uma divida e montaram um Império em comunicação) , que, em 1997, produzia em um prédio de uns seis andares seis canais de TV. E a CityTV foi o modelo adotado pelo Canal 21 por quatro anos.
Coloquei fim à minha era TV Gazeta SP quando a família Martinez, através da CNT, parceira da Gazeta, alugou para a Igreja da Graça o horário das 20h às 21h. Foi ali a primeira grande investida (fora a Record, é claro) de uma instituição religiosa no prime time de uma TV aberta. Nós já éramos o patinho feio nas agências, e, com uma igreja no horário nobre do canal, nosso discurso ia para o brejo, ou melhor, para a promessa de investimentos em programação hoje ainda atrapalha ser uma TV-igreja. Sorte minha na mesma semana ter recebido uma proposta do Johnny Saad para ir para o 21. Fiquei tão bravo com isso, que acertei com o Johnny que no 21 não haveria igreja – e não tivemos durante os quatro anos em que estive lá.
Esta história conta o mapeamento que eu, o José Occhiuso e o Cesar de Almeida fizemos nas estadas do grupo Band em Toronto. Tínhamos um contrato de consultoria com os canadenses – e olha que pagávamos uma bela grana.
Imagine, na Band, três diretores indo passar dias no Canadá! O ciúme é doentio, e ciúme de homem é pior que de mulher – a família, os outros funcionários, as fofocas lá são terríveis (não sei hoje).
Lembro que o sr. João Saad me chamou na sala dele. Achei que era gozação e liguei para a Neusa, secretária dele, para confirmar. Era a primeira vez que ia à sala do “homem”.
Alguém falou para ele que eu bebia muito e que estaria representando a Band no exterior (olha a do “brimo” que contou isso para ele; eu não bebo praticamente nada, só vinho tinto).  O seu João era “o cara”, nem ficou vermelho. Ele ainda viveu bastante. Passei com ele bons momentos e tomei algumas vezes Romanée-Conti; uma oportunidade, em um jogo da Copa do Mundo, com ele e o Mário Covas, umas outras duas com todos os diretores da Bandeirantes da época. Fora a festa de 80 anos no Fasano, ainda lá no Morumbi.
Teve mais ciúme. Éramos amigos de almoço da administrativa, a Cláudia Alcântara, que emitia as passagens, e fomos de classe executiva com um up grade que ela conseguiu – e foi outra fofoca sobre a viagem, que ainda nem tínhamos feito.
Com certeza, teve alguma outra maldade da qual não ficamos sabendo.
Já em Toronto, fomos superbem recebidos pelo pessoal do grupo  Dawissonn, que tinha um cronograma de trabalho que nos fez mergulhar nas áreas afins naqueles seis andares que respiravam televisão (na velocidade canadense, é lógico).
Dez dias de reuniões e muita diversão à noite. Um dos meus melhores amigos da faculdade morava lá e trabalhava em comunicação, tinha uma empresa de fotolito (imagine, ainda havia fotolito), e fui a festas com ele – um churrasco em um parque na cidade, uma festa privê em um club em downtown;  ainda tinha uns 38 e estava competitivo (rsrsrs...).
O trabalho na TV foi cansativo, principalmente para mim, que não falava inglês ainda e tinha um tradutor ao meu lado em todas as reuniões. Mas o que vou contar é uma história de gastronomia em Toronto, com o VP de criação da emissora o Moses Znaimer, não uma história do marketing, nem das duas visitas a que fui com os executivos deles lá, ou que o assunto do diretor comercial era tudo menos o quanto eles faturavam, nem do pessoal dos outros países que estavam lá com os mesmos propósitos nossos. Vi o site da City TV antes de escrever e eles estão superbem, exportaram seu modelo de negócio para diversos países da Europa, AL, Oriente Médio e Ásia.
 Na MuchMusic TV (uma concorrente ao vivo da MTV), em que aparecemos no ar, depois do ACDC sair do palco giratório, o apresentador disse: “Aqui, visitando nossos estúdios, diretores de uma network brasileira, que faz um intercâmbio com nossos profissionais”. Não é que naquela noite, no jantar, a garçonete nos pergunta se estávamos na MuchMusic à tarde! Lembro até o nome dela Rita (loira linda). Aprendemos muito naquela máquina de fazer TV.
Mas vamos à gastronomia. O VP da empresa nos chamou para jantar num restaurante chinês, superchic, cancelou à noitinha, quase na hora, e remarcou para um almoço no domingo, em outro lugar.
Quando chegamos, era um sujinho com uns asiáticos mal-encarados e umas quatro mesas somente ocupadas.
O “boss” pegou o cardápio e escolheu uns 15 pratos (éramos cinco: nós três, mais o “caneta” e o tradutor). A maioria dos pratos eram marmitinhas trazidas à mesa com hashis grandes, com diversas iguarias maravilhosas, bolinhos, empanados, carninhas, frangos, peixes. A simplicidade era na forma de servir, mas a culinária era maravilhosa.
A conversa rolando solta sobre os tantos dias em que estávamos internados com os diretores do grupo dele. O Zé Occhiuso mandava bem em inglês, o Cesar arranhava e eu com o tradutor.
Íamos bem. Eu tinha a missão de saber o faturamento dos caras e passei um dia vendo como eram os breaks deles, sabia quanto davam de desconto, calculei e sabia quanto eles faturavam. Esqueci-me de falar que o diretor comercial diversas vezes me negou a informação nas reuniões que tive com ele. Eu fiz o cálculo e falei o valor no almoço com o “boss”. O homem até engasgou, surtou e pensou alto. O tradutor traduziu e levou uma bronca na nossa frente. No outro dia, o tradutor foi trocado. Acertei na mosca! O Cesar de Almeida, no Esporte Interativo, e o José Occhiuso, no SBT, estavam na mesa e podem confirmar. Falamos muito sobre isso de depois do almoço entre nós lá no Canadá .
Ah! Depois de umas tantas marmitinhas, chegou a comida. Era um arroz enrolado numa folha de tabaco com mel e umas ervinhas. Uma maravilha! E uma carne de porco, tipo costelinha, de lamber os dedos. Sempre quis saber de onde é aquela comida.
Não vou contar nesta história as fofocas na chegada. Vai ser em outra.
Fizemos um relatório profissional para o Johnny, e isso foi de bom uso. Estão aí Band News, Esporte, Terra Viva, e suas multiplataformas até bem premiadas pela imprensa especializada ultimamente – fazer na mesma planta o que der de subprodutos midiáticos, a transmídia para o mercado publicitário .Precisa é ter conteúdo de primeira qualidade.( CQC, TELEJORNAIS)
Só vou terminar com um fato sobre vegetais com o Cesar de Almeida. Ah, não! Foi em outro jantar; deixo para depois. 

domingo, 4 de novembro de 2012

No ar


Eram os anos de 1997 a 2001 e a internet a todo o vapor mexia com a cabeça de todos, ainda nem se falava na bolha e eu vendendo um canal local em São Paulo, o 21.
Imagine, levei muita porrada! Mas foi lá que fiz e inventei coisas que hoje fazem diferença na minha revolução interna, na minha reinvenção.
Estes dias, a Kaká, a Maria do Carmo Kozma, me disse no chat do Facebook:  “Hélcio você deveria falar como é se posicionar neste mundo diferente de hoje”. E, hoje, minha crônica vai falar um pouco dos loucos por tecnologia e das histórias engraçadas que presenciei e vivi na era digital, até agora, 2012. E nas entrelinhas falar um pouco sobre este novo mundo que estamos vivendo, principalmente para aqueles que trabalham nas chamadas velhas mídias – para as quais, muitas vezes, parece que o mundo vai acabar mesmo em 21 de dezembro.
Vamos começar por 1998. A Adriana Carreiras, hoje, VP da TV+... (Ah! Fui eu que montei a TV+ no ABC para o irmão dela que, com o Galeb do Shoptour, me deu um balão. Depois, o Carreiras deu um balão no Galeb, e, aí, o Di Genio – do Objetivo e Mix TV – deu um balãozaço nos dois, rsrsrs...  Conto tudo isso em outra história.).Quando isso aconteceu chamei o Rubens de Carvalho o Rubão para almoçar e quando acabei de contar ele me disse “ mexer com dono de escola sua nota pode ser zero”.rsrsrsrsrs
A Adriana era a atendente do telefone do Mesa Redonda da TV Gazeta e irmã de um de nossos maiores clientes, sem falar no mulherão que ela era. Tinham já passado muitos contatos no Canal 21, e eu experimentava tudo, até, um dia, duas gostosas. Guerra é guerra! Eu nunca usei desses artifícios, mas já fazendo terapia por causa da globalização, e eu vendendo localização, contratei a Adriana e a Fabiana Baltazar – hoje, ela mora na Canadá e é nossa leitora.
Lógico que tinha experiência! O Alexandre Borttolai, o Ricardo Viscondi e o Marcelo Capassi, um tempo, e o Marcio Loducca, o Zeca Pinto. A Tatiana Carvalhinha e a Danielle Barros, meninas ainda na época. Foram muitos executivos lá. A coisa era difícil, mas faturávamos.
Tentei de tudo e, como já disse, tivemos vitórias, muitas delas só entendidas hoje, mas tivemos: a primeira ação de transmissão usando a internet como link; cross mídia TV e internet; o ônibus do programa Circular com as logos dos patrocinadores;  os carros do SP digital com as logos dos patrocinadores, transmitindo com um computador da Apple.
E uma das grandes proezas foi a transmissão ao vivo da campanha “McDonald’s Feliz”, de duas ou três lojas, com nossos jornalistas cobrindo a chegada das pessoas e celebridades que passavam nas lojas na cidade, de graça, sem dinheiro, em prol dos pacientes de câncer e suas instituições. Em um almoço com o diretor do McDonald’s da época, ele me disse na frente do Juca Silveira que seu presidente achava que o hambúrguer sairia do computador (brincando, é lógico), mas que ele não sabia para onde ir. Outra, foi ali no circo do Beto Carreiro, onde pusemos duas mil crianças de orfanatos no Natal de 1999, que ganharam brinquedos da Estrela, lanches e um mega-show com a participação do próprio Beto. Foram duas ações de chorar é todos que participaram choraram.
Há doze anos, já fazíamos o social, o tecnológico. Muitas dessas ações trazidas pelo comercial; juntamente com Operações e Jornalismo, não tínhamos limites e ciúmes, fazíamos acontecer, mas o mercado não enxergava e os donos da emissora também não .
O que quero deixar claro aqui é que a vida continuou depois do 21, e continua hoje com os diversos recursos novos que temos à disposição. Precisamos, sim, entendê-los e não falar que nossa geração passou ou que entender as tecnologias digitais é coisa para jovens.
Lembre que para um computador ou celular funcionar um ser humano tem que ligá-lo; sozinho, ainda não funciona.
As ideias são nossas. O computador na era digital faz contas, procura clientes, filma , fotografa , mas o indivíduo ainda é quem o programa.
Lembro de uma estada minha no Buscapé, o Romero Rodrigues  tirando os moveis da caixa, eu como diretor do Canal 21. Quase fui mandado embora de lá; eles, meninos de bermuda, me falaram que tudo iria acabar em cinco anos – isso era 1998 ou 1999, e eles estão vivos e eu também.Eu acertei quantos anos iriam demorar mas ele acertou na grana.rsrsr  
Ou de uma entrevista que dei para a revista da ABA (Associação Brasileira dos Anunciantes), em 1997. Quando me perguntaram sobre a TV Digital, falei que ela ainda ia demorar uns 15 anos – e ela ainda não está na sua totalidade.
Amigos, voltando para o que a KaKá me disse dias atrás, a publicidade não é mais a mesma, os profissionais se misturam entre as novas mídias e as velhas mídias. E quem me diz que nós profissionais, que vemos essa transformação na pele, não somos capazes de nos reinventar e fazer do computador uma ferramenta maravilhosa para continuar pagando as contas de casa? 
Eu mesmo, depois de 30 anos, fazendo mestrado em audiovisual (cinema) e escrevendo. Ah, e o melhor, inventando ferramentas junto a muitos jovens amigos, usando o computador e o digital sem a menor ideia de como se programa uma máquina desta, do futuro que já vivo há uns 34 anos – desde 1978, quando entrei na Globo São Paulo, na equipe do André Barroso, para implantar as reservas digitais nos breaks da Rede Globo. Igualzinho as companhias aéreas já faziam para reservas de passagens .Ali já eram dois setores da economia que precisavam colocar no ar seus produtos.     

domingo, 28 de outubro de 2012

Um passarinho me contou...


Normalmente, comento que estive na CNT-Gazeta por três vezes, mas em uma delas houve uma crueldade: saí com as tralhas na mão e nem mandei minha carteira de trabalho. Foi a segunda vez, que durou só três meses.
Saí da Band SP1 (só Capital SP) com a equipe toda – acho que já falei isso em outra história. Ninguém queria ficar, pois dei ordem para usarmos da mesma tática que usaram quando entramos. Quando chegamos, quase tudo estava vendido, e para ter espaço fiz um conchavo com as outras praças do SPE (SP estado) que consistia em liberar espaços não vendidos até as 15h do dia anterior, além do SP1, para as outras praças/emissoras de São Paulo. Foram uns quatro meses sem bater meta, mas, como parodio sempre meu amigo Gerson Alvin, o pau muda de cu.
As dificuldades durante a estada na Banda SP1 foram muitas, mas quanto mais difícil, mais gratificante era vencer as barreiras impostas – e normalmente elas estavam dentro e não fora, no mercado.
Quando saímos, demos o troco. Tudo vendido até o fim do ano. Quem entrou não tinha nada para vender pelo menos por seis meses. Ah, e nós que saímos recebemos as comissões na hora!
Mas esta história foi na CNT-Gazeta e não na Band, e aconteceu comigo, o segundo do Geraldo Leite como diretor de publicidade, nos primeiros dias de minha segunda chegada à Fundação Cásper Líbero. O Geraldo me convoca para uma reunião com o comitê organizador da “Corrida Ciclística 9 de Julho”.
Éramos nós da Fundação, as confederações de ciclismo, atletas que participavam da organização, o pessoal da Caloi; não sei por que o Geraldo me deu a incumbência de atrapalhar a reunião para aguardarmos uma pendência sobre a prova naquele ano junto à Globo ou à Prefeitura de São Paulo.
A reunião estava tensa e eu, sem saber de nada, para acatar a ordem do Geraldo, fui escutando e tentando arrumar um álibi para jogar a reunião para outra data e chegarmos onde queríamos.
E em um determinado momento, alguém me dá um gancho e falo: “Um passarinho me contou que tem mais gente sabendo de nossas intenções e poderíamos verificar isso e marcarmos para 15 dias adiante esta decisão”. Na hora, ficou um silêncio incrível, mas todos concordaram rapidamente, levantaram-se e foram embora. Eu não entendi nada; ninguém da Fundação me falou nada, e achei que tinha feito algo bom (rsrsrs...).
Dias se passaram, a decisão com a Globo ou Prefeitura saiu e, então, poderíamos tomar as decisões sobre o evento tão tradicional no ciclismo brasileiro.
A reunião começou e, de primeira, a representante da Caloi me indaga sobre minha desculpa da reunião anterior e diz: “Aqui está o presidente da Confederação Nacional de Ciclismo, o ‘Passarinho’.  Pronto! O que foi que ele falou?” (rsrsrs...). O desconforto foi geral até que eu explicasse que nem imaginava que existisse realmente um “Passarinho” naquele imbróglio e que tinha usado a expressão “um passarinho me contou” como forma de falar.
O rolo não foi maior porque tínhamos as soluções para aquele dia, coisa difícil na Fundação. Mas dei sorte e virei amigo do “Passarinho”, o verdadeiro (rsrsrs...).
Como já disse lá em cima deste texto, minha estada daquela vez na Gazeta foi rápida, só três meses. O Geraldo e eu batemos de frente e voltei depois de um ano e meio no lugar dele.
Ah, só então assinaram a baixa da minha carteira de trabalho! E eu e o “Olha o Geraldo....” musica da banda dele no passado; nos cruzamos e nos cumprimentamos como conhecidos da vida toda e nunca falamos sobre nenhum dos fatos aqui relatados. 

 

domingo, 21 de outubro de 2012

Menas , não não Mais


Nas décadas de 1980 e 1990, o mercado de revistas tinha um diretor, o Antonio Sabino, que era da Abril/ “Veja”,  mandava muito no meio.
A equipe da “Veja” sempre foi muito respeitada e todos diziam que trabalhar com o Sabino era ainda pior que com o Orlando Marques. Quando perguntávamos a alguém da Abril, na época do Orlando, se estava vendendo, a resposta era: “Sim! O telefone, o carro, as joias da sogra”. Imagine a barra com o poderoso Sabino!
Os concorrentes todos se respeitavam e o mercado era outro. Marcávamos jogo tipo Editora Globo X Abril. Lembro-me de um deles, ali perto da rua do Curtume. Demos uma surra enorme na Abril. Até apelidei um deles de Buneco Nuguete, o Robson Monte. Ele pulava como aquele bonequinho no meio de dois palitos em um elástico, igualzinho! O apelido acabou pegando.  Cheguei a contratá-lo na Gazeta (rsrsrs...).
Trocávamos até informações sobre clientes nas recepções e nos happy depois do expediente, na Berrini ou no bar do Zeca Pinto, lembra?
Imagine, um contato da “Exame” pegava a “Imprensa” para ver os anúncios e correr atrás. Eu era diretor na “Imprensa” e o Reinaldo Ramirez me convidou para ser contato na Abril. Agradeci muito, mas declinei; nunca mais me convidaram.
Mas esta história ainda tem o Rene Cassetari,  diretor de publicidade da “Veja”, subordinado abaixo do Sabino. Dizem que o Rene era duro na queda também. Nunca trabalhamos juntos, mas sempre gostei muito do cara.
A equipe da “Veja” era grande; lembro-me do Pedro Barbastefano, Giovani Espósito, Dario, João, Rosa, Jeferson Fulen, Enio Vergueiro, Celso Marche, Claudio Ferreira, Donato Ponzio, Carlos Adorian, Paulo Vinheta e muitos outros, que, desculpe-me, não vou lembrar.
Era um mês difícil para bater as metas e a reunião tinha toda a equipe da “Veja”, “Vejinha”, projetos especiais, e a cobrança, dizem, era forte e sem meias palavras.
O grande diretor comercial da Abril presente e, aí, as cobranças eram até maiores. O Rene pede a um dos presentes para confirmar as dificuldades que todos estavam expondo e pergunta-lhe como estavam as vendas dele naquele mês.
Ele, novo na “Vejinha”, responde que naquele mês tinha “menas” páginas que no mês anterior. O Rene, puto com o “menas”, pergunta de novo, quase gritando, e o contato responde outra vez que tinha “menas” páginas. O Rene, mais puto e quase sem fôlego, grita mais alto ainda: “Que porra de ‘menas’!”  E o contato, sem saber o que falar, responde: “Tá bom Rene! Este mês foi ‘mais’, vai!”.
Dizem que o silêncio foi mortal na sala de reunião, e ninguém abriu a boca com a situação.
O mercado naquela época era rápido como a internet, quando se tratava de fofocas e gafes como essa. À noite, foi o assunto na “coxinha” da rua João Moura quase  av. Sumaré, reduto também de contatos da Abril, e em todos o happys do mercado.
Caro leitor, não vou falar o nome do autor do “menas”. Tenho absoluta certeza de que ele foi o inspirador das brincadeiras que fazemos até hoje sobre “menas” para tirar uma em roda de amigos.
Vou até pesquisar o nome de mais gente na equipe para pulverizar os atores da reunião.
Ele faz parte do grupo e pode se entregar (rsrsrs...). E eu que não vou perder o amigo. As melhores histórias são as de perder amigo como diz meu amigo Stein, mas estou ficando bom e preservando muitos deles.

 

sábado, 13 de outubro de 2012

Mcdonald's em Verde


Perto da Eco 92 ainda nem sabíamos direito o que era reciclável, reciclado e termos que hoje são tão conhecidos de todos nós.
Fiquei um pouco preocupado dias destes, quando descobri que perto de 70% dos brasileiros não sabem o que é atitude sustentável ou ação sustentável, mas chegaremos lá. As empresas e  as pessoas estão melhorando o entendimento do que o planeta necessita .
Dois dos personagens desta história são o Rogério Ruschel e a Vera Giangrande. Ele, hoje, consultor de Sustentabilidade, mas na época era planejamento  de uma grande agência de Relações Públicas , a AAB, do grupo Ogilvy, e a competentíssima Vera, já falecida, mas a personagem pioneiríssima de Relações Públicas no Brasil.
Era 1991 e eu, publisher da revista “Imprensa” no auge de sua credibilidade e da minha  como profissional. As ideias eram tantas e com os personagens  eram bem mais fácil de falar e  apresentar  nossas ideias -- não como hoje, que há dias tento marcar uma reunião com um profissional da publicidade;  já falei com o cliente dele e vou acabar mostrando o projeto antes ao cliente que a  ele. Mas a vida parece que anda rápido só para alguns e não para todos nós mortais  (rsrsrs...). 
Voltando à Eco 92 ,tive uma ideia maravilhosa para a época:  encartar na revista “Imprensa” um glossário de termos ecológicos em português e distribuirmos na Eco em inglês .  Convidamos o Rogério Ruschel para escrever, que atendeu prontamente nosso convite  -- sei que tem um exemplar em sua casa, único, pois nem a própria editora tem um exemplar sequer.
As redações teriam que conhecer aqueles termos tão comuns hoje, mas que na época eram “ecolomês”.
Aprontamos o projeto e lá fui eu vender, mas para minha sorte estávamos fazendo aniversário e na festa comentei com a Vera Giangrande e ela me falou que venderia aquela ideia ao McDonald’s. Eles, em 1991, ainda eram pequenos no Brasil e revista não seria a mídia ideal, mas a Vera era a dona do mercado de RP e fui na dela.
Passaram-se uns dois dias  e a Vera me ligou e me mandou falar com o diretor de MKT do McDonald’s, o Luiz Mario Bilenky, que tinha sido da Fotótica -- ele e o Marcos Gaiarça --  em cuja conta eu havia trabalhado quando era da DPZ e já nos conhecíamos.
Cheguei lá e o Bilenky  olhava, olhava e não falava nada. Ele era metido, mas certeiro, e disse:  “Se você fizer em papel reciclado eu aprovo já”. Disse que iria ver como faríamos e corri para a editora. Quando cheguei lá ainda liguei para perguntar se era reciclável ou reciclado e tomei uma bronca do Bilenky: “Reciclável todos são”,  quase me chamou de burro, o que, na real, eu naquele momento fui.
Corri atrás do fornecedor de papel reciclado, a Tanure, no Rio de Janeiro.  A gráfica Abril me disse que era a primeira vez que eles imprimiam em reciclado, o que foi uma aventura, pois papel rasgava muito fácil.
Fizemos a lição de casa e o cliente fez a dele e aprovou o projeto.
O Luiz Mário Bilenky  era daqueles que inovavam muito imprimiu a marca do McDonald’s  em verde em vez do vermelho -- foi a única vez que vi isso em se falando da multinacional dos sanduíches.
Tudo ia bem até a hora de colocar o grampo. As máquinas da gráfica Abril pipocaram e tivemos que correr para outra gráfica com as máquinas de grampear diferentes e que não rasgariam mais papéis.
Quem trabalha com revista sabe tudo: é na última hora e nós, para variar, estávamos a poucos dias de perder a data de faturamento.
Mandamos uma Kombi com a secretária do Comercial buscar e levar de volta à gráfica Abril. A   Adriana (ver história “Pomba Gira”), que no trajeto pega uma pagina e lê, justamente aquela em que o presidente do McDonald’s fazia a apresentação  --  e não é que havia erros de digitação ou datilografia? E tudo atrasado, ficou pior ainda.
Liguei na fabrica de papel, não tinha mais. Indicaram-me  a João Fortes Engenharia, que comprara um lote há poucos dias. Falei com um dos filhos do João, que me cedeu duas resmas que me salvaram a vida.
A Adriana ainda não era alcoólatra e me salvou a pele diversas vezes nos dezesseis anos que trabalhamos juntos.
Fomos os primeiros na imprensa nacional a imprimir  em papel reciclado. Os créditos são do Mcdonald's , Rogério Ruschel,  Luiz Mario Bilenky, Adriana Batistini, Gráfica Abril e, é lógico, com homenagem especial para Vera Giangrande, que  24 anos atrás já enxergava a importância da sustentabilidade, termo que nem estava no glossário, o ator principal deste texto. 

 

 

domingo, 7 de outubro de 2012

Dia de fúria em uma TV

Sempre digo que me arrependo do que não fiz, do que fiz não me arrependo. E esta história eu tinha que contar, mesmo com alguns nomes ficando de fora. Quem trabalhava neste período no mercado sabe de quem estamos falando.

Era já a terceira vez que o Luiz Fernando Taranto  – superintendente da Fundação Cásper Líbero – me chamava para trabalhar lá. O ano era 1996. Cheguei e fiz uma coisa que o Paulo Saad fez quando substituiu o Orlando Marques na Bandeirantes:  troquei todo mundo de sala e lugar e promovi a gerente três contatos, o Gilberto Corazza, o Marco Piccolo  e o Márcio Loducca – e o Luiz Carlos Stein de diretor, segurando a barra. Eu queria vê-los se matando; um era mais competitivo que o outro. O Piccolo brigava até no par ou ímpar; o Corazza, quem trabalhou com ele sabe; o Loducca também não era bonzinho. No dia seguinte, todos sabiam que a direção havia mudado.
Chegamos à CNT Gazeta o Stein e eu. O Stein quase me mata, pois falei que devia ter de um milhão e duzentos a um milhão e quinhentos por mês e na real tinha quatrocentos mil. Ele ia ganhar menos que na Editora Azul, com o Ênio Vergueiro, mas convenci o moço de que em dias estaríamos com um milhão e oitocentos a dois milhões. E não demorou muito – uns dois meses e já estávamos lá.
Naquela época, as televendas faziam a diferença, e eu era amigo de todos eles, a maioria convencida por mim a entrar no ar. Todos tinham uma cumplicidade comigo não falávamos de espaço, falávamos de dinheiro.
Mas a história foi uns seis meses depois que voltei e já todos estavam familiarizados comigo e com as gerências.  A disputa era ferrenha. O Stein e eu fomentávamos a competição entre as equipes e a coisa funcionava. Éramos um time, fazíamos festa todas as noites no Mexicano e tumultuávamos o mercado com a CNT Gazeta. A diferença eram o atendimento e os projetos. Nós podíamos tudo, era a época em que a Globo e o SBT não podiam nada, a Bandeirantes sempre cheia e não existia mais nada – a Ana Maria dava 1 ponto na Record  .Foi o ano que a J&J ganhou o ouro em mídia em Cannes anunciando no programa Mulheres um projeto nosso.
Em determinado dia, o Gersom Alvin, contato nosso, me diz que conseguira marcar uma reunião com o Rei das Televendas, de quem já falei aqui, numa história só sobre ele. Estava voltando mais uma vez, dentre tantas em que ele quebrava e voltava com outro sócio.
Imagine, ele já até estava anunciando com a gente e eu não sabia, nem ninguém!  Só soubemos quando estávamos com ele na reunião. Cheguei e lá estava seu Honor Rodrigues me esperando (ver O Rei do Televendas).
Pronto como sempre, montamos um plano enorme de veiculação e o Gerson, já contando a comissão. O novo sócio do Honor chama alguém para fazer os mapas e entra uma menina linda, jovem, ainda uns 24 anos e me apresentam a ela. Quando o Honor acabou de falar que eu era o diretor da CNT Gazeta, ela começa a gritar comigo sobre um concorrente dela que estava veiculando um desses pets de parar de fumar antes dela e com mais frequência, e eu, sem saber quem era aquela menina, ia mandar ela... Aí, o sócio do Rei do Televendas levanta e diz: “Não, é minha filha!”. Branco total, a menina gritando e eu nem sabia o porquê. Levantamos e fomos embora. O clima ferveu e a menina descontrolada continuou gritando.
Quando cheguei à Gazeta tinha telefonemas e até umas flores de agradecimento, pois ninguém reparou que eu ia falar um palavrão e passei ileso. Garantimos uma grana enorme no basquete do mês.
Naquela época, o Roberto Avallone estava doente e levava até a médica dele no “Mesa Redonda”, e também andava arrumando confusão no andar do Comercial. Naquele dia, mandei ele, doidão, embora, pois estava falando mau de mim na sala de uma das gerências e, como eram divisórias de biombos, eu estava atrás e escutei tudo. Eram umas 17 horas e, sorte, não havia contatos. O Avallone é amigo meu até hoje naquele momento estava bem doente mesmo.
Aquele dia não devia ter existido. Eram umas 19 horas e no grupo do Gerson o gerente dele ainda não sabia da nossa façanha com o Rei do Televendas. Estávamos conversando, quando ele chegou e falamos do que havíamos faturado. Ele também começou a gritar comigo e eu fui andando para minha sala e fechei a porta. E não é que ele derrubou a porta? Para minha surpresa, o Stein tinha ido tomar café na copa dentro da sala e quando a porta caiu ele estava lá dentro também.
Que merda de dia! Aquela pressão que impúnhamos dava certo no holerite, mas ferrou muitas amizades bacanas. Tudo aquilo foi muito punk. Comenta-se disso até hoje. Quando encontro subordinados de nossos contatos e gerentes, eles me falam sobre os métodos que são comuns até hoje, que seus chefes comentam (rsrsrs...).
A vida em uma televisão é uma tempestade em alto mar o tempo todo ,principalmente se você tem um barquinho para navegar dentro dela( CNT Gazeta) , se tiver um transatlântico como na Rede Globo é uma tempestade também com melhores condições de suportar.
Tive que mandar embora ou degolar, como falo desde o começo da profissão, um dos melhores amigos e profissionais que conheci. E, é lógico, nunca mais fomos amigos como éramos.