segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Pau no Curtume - Editora Globo 1992


Era 1992, antevéspera de Carnaval, quinta-feira. Fomos almoçar em um restaurante japonês ali na Leopoldina, um dos primeiros japas da cidade. Bem perto da editora Globo, na época, ali na Lapa.
A turma era grande:  Antonio Valério (o Tonhão), Pedro Barbastefano ,  Luiz Carlos Stein, Jeferson Teani  Fullen, Marcio Maffei,Izabel Amorin, Andréa Citrini ,  Alessandra Miguel, Luciana, Alessandra Miguel, Bel Borba, Márcia ­­­– me desculpe,  nessa, com certeza ,esqueci de alguém.  Acabou o almoço, as contatas foram trabalhar, nós ficamos no restaurante e tomamos mais de cinco garrafas de saquê – e aí rolou a ideia! Vamos fazer amanhã à tarde o Carnaval do Curtume!!.
Todos já bebaços  e a genialidade do Tonhão, que logo pegou um papel com o garçom, e dali em mais de 8 escrevemos um samba enredo,  “ Quem não gosta que se arrume - Pau no Curtume” – esse era,  só o refrão. O sambão saiu com quatro estrofes e muita alegria.
O Tonhão, nosso diretor de Marketing na editora, já rabiscou o estandarte da porta-bandeira, que foi a Alessandra Miguel (até hoje na editora; estes dias, vi que ela ganhou uma homenagem de seus 20 anos de contribuição), a faixa de abertura do bloco , éramos mais de cem e paramos a rua .Lembro de alguns além dos que estavam no restaurante um dia antes Renato Scolamieri, Wagner, Elazir do Egito, Sodré, Arlete, Brás, Ana Lucia, Marco Aurélio Cinque .
Quando acabou o almoço, eu tinha a função de arrumar o estandarte e as duas faixas, e saí na captura em São Paulo, quase parando para o Carnaval.
Para quem trabalhou lá na Lapa, os prédios onde ficava a editora tomavam a quadra toda, até o trailer, que era o bar da rua. Além da editora Globo, havia os funcionários da Maurício de Souza e uma parte nas duas extremidades da editora Abril, onde a Exame era a única em que o comercial funcionava ali ( e eles ficaram admirando a festa das janelas ). Ninguém desceu para participar; o pessoal da Maurício desceu e dançou com a gente.
Garantimos que o bar/trailer estaria funcionando . O Tonhão, um dos caras mais alegres que conheci , não merecia aquela covardia, anos depois, na Joaquim Floriano. A violência já imperava em São Paulo, e ele e o Barbastefano,  numa madrugada , ganharam um tiro cada um – o Tonhão morreu;  o mercado perdeu um gênio.
Como o José Roberto Sgarbi era o diretor-geral e os três que mandavam estavam ali  – o Stein, o Tonhão e o Pedro –,  as coisas funcionaram perfeitamente .
Lá pelas 17 horas, todos descemos e, é claro, que naquele dia ninguém faltou. Era uma época que até a véspera vestíamos terno e gravata.
Tomamos os cem metros como uma escola de samba e fomos e voltamos na rua.... até o trailer onde pegávamos as bebidas.
O Carnaval era completo, cada um com a letra na mão. Trouxeram um tambor, uns dois pandeiros e aí a festa rolou.
Como a editora era o paraíso da mulherada, a coisa ficou bonita, cheia de alegria e colírio.
Lembro que perdi até o blazer que vestia naquele dia.
Chegamos todos para lá de Bagdá em casa e, é lógico, poucos contaram às mulheres (rsrsrs...). Foi a véspera de Carnaval mais alegre que já vivi.
Fora este só me lembro de meu último ano de Salvador, em 2009. Meu escritório, o da TV Salvador, fora assaltado às 17 horas da sexta, véspera. Eu tinha acabado de chegar de São Paulo com a mala e uma linda mochila da Warner que o Mauricio Rollo Ribeiro me dera naquela semana, em São Paulo – e além de ficar duas horas com os funcionários, ainda fui refém no meu carro por mais duas horas daqueles dois loucos que entraram na TV Salvador pensando que era o andar do grupo Cheiro de Amor. Era dia de compra e entrega de Abadas e como assalto não dá para ser cancelado, os quatro funcionários que ainda estavam lá, eu e minha segunda ex-mulher fomos reféns. Passei o pior Carnaval de minha vida. A única coisa que consegui foi dividir com os bandidos as lança-perfumes argentinas que trazia de São Paulo e que estavam na minha mala. Meus amigos baianos achavam que havia perdido todas no assalto.
Ah, o ruim foi explicar à delegada aquele cheiro de perfume no meu carro, quando o sequestro acabou (rsrsrs...)!
Já o Carnaval do Curtume, agora, ficou registrado para a história. E duvido de que aquela rua cheia de armazéns e fábricas um dia repetirá a alegria de um dos melhores lugares em que trabalhei na minha vida.

 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Apareceu uma filha minha com 18 anos na TV.


Com minhas mudanças de emprego, cheguei a ficar uns oito anos sem tirar umas férias descentes; eram somente semanas e a emenda do Natal com o Ano Novo.
Não posso reclamar. Fazia o que gostava e quando queria sair ia a qualquer lugar do mundo.  Meu destino predileto era a Europa (e ainda o é), a Holanda em especial – tenho alguma coisa com esse país quem sabe os dois Hs no meu nome Hélcio Henrique. Fui em 2009 a última vez e a vontade de voltar é sem descrição. Tem gente que acha que é outra coisa, mas posso afirmar que não (rsrsrs...). Quem já foi lá sabe que a civilidade, os parques, as mulheres e os homens não têm igual no planeta. Olhar já enriquece a alma .
Viajar é o que acho de melhor na vida, seja para aonde for, e nossa história tem a ver com minhas aventuras de adolescente e pré-adulto totalmente duro, quando minhas idas a Visconde de Mauá, Maromba e Maringá (MG e RJ) praticamente mensais e nos feriados prolongados – com pouco mais de duas carteiras de cigarro no bolso e sem um tostão sequer – já me extasiavam. Comer era detalhe, eu pesava pouco mais de 56 quilos e sempre tinha uma casa de amigo para matar a fome ou a sede alcoólica.
Esta época de idas mensais incluiu Penedo também e posso afirmar que durante o período dos 17 aos 24 anos praticamente estava lá todos os fins de semana, tinha carona de ida e volta com meus amigos de fé na época, o Paulo Buzzato e o Jorge Malafronte  (o Mala), que tem até hoje um sitiozinho em Penedo, que era nosso abrigo e local de festas incríveis. Sauna, piscina natural e verde, muito verde – e meninas e meninos, é lógico.
O resultado de todas essas aventuras na serra da Mantiqueira aconteceu quando de minha terceira e última estada na TV Gazeta de SP, 19 anos depois.
Minha vida sempre foi ligada à região de Resende (RJ), onde morei poucos meses com meus pais quando era adolescente, tomei gosto pela região e tenho muitos amigos por lá até hoje. Para quem conhece as cidades que comento acima, são praticamente subdistritos dessa cidade fluminense. Onde tem a Academia Militar das Agulhas Negras onde meu pai serviu como oficial instrutor em 1974.
Estamos falando de 1996 aproximadamente, era uma sexta-feira e tínhamos sido convidadas, minha família e eu, para um aniversário da filha de um primo que não via havia muito tempo. Sabia que era festa de  15 anos de sua filha mais nova, mas como meus filhos não os conheciam bem e já eram quase adolescentes foi difícil convencê-los a ir.
Quando cheguei em casa, tocou o telefone e fui eu que atendi. Era uma menina que perguntou se o Hélcio estava e, prontamente, falei que era eu mesmo. Ela, sem cerimônia nenhuma, disse que se chamava Brenda e que sua mãe lhe havia dito há poucos dias que eu era seu pai biológico. Imagine! Minhas pernas começaram a tremer, eu estava ao lado da família inteira, aprontando-me para ir a uma festa e sem saber os problemas que aquilo me traria para o resto da vida. Quando desliguei o telefone, contei para a família inteira.
Chegamos umas duas horas atrasados à festa, na qual minha família toda estava. Fomos vestidos como estávamos, totalmente inadequados para a ocasião. Sentamo-nos os cinco – minha primeira esposa, meus três filhos e eu – numa mesa e praticamente não falamos com ninguém. Era difícil digerir aquilo.
No sábado, liguei novamente para a menina e conversei bastante com ela. Combinei de vê-la no outro fim de semana com a família em um hotel em Penedo . A partir dali, achei que tudo se resolveria normalmente.
Na segunda-feira, contei aquilo aos amigos na Gazeta e a história foi se espalhando. Para se ter uma ideia, até a produção do Fantástico me ligou. Como não havia deixado o Mulheres, da Gazeta, não deixei ninguém fazer matéria alguma. Eu, diretor de emissora, já estava preocupado com a repercussão.
Em uma reunião na semana com o Marcos Gouveia (o Rei do Varejo), contei a história com a agência presente. Marcamos outra reunião para depois do encontro e a diretora da agência, Clea Lana, pediu para eu chegar meia hora antes para contar . E quando o Marcos entrou na sala tive que contar tudo de novo. Não estava só o Luiz Stein estava comigo era o diretor de publicidade tanto na reunião antes como a depois do encontro com minha mais nova filha de 18 anos.
Fiquei muito tempo contando essa história e ela foi se avolumando. Até hoje encontro amigos que me perguntam como está a filha que apareceu. Posso dizer que essa filha me ajudou a vender muita publicidade .Rssrrssr
Muitas histórias são o melhor argumento de um vendedor de publicidade – nos 34 anos em que atuei na venda, funcionavam muito bem. Já nos dias de hoje poucos têm tempo para escutar propostas, quanto mais histórias. A vida de todos já é tão vasculhada e exposta na nova vida que se delineia com as redes sociais.
O que sei é que hoje, com seis filhos, dois paulistanos, uma mineira de BH, uma de Resende (RJ) e agora duas baianinhas soteropolitanas tenho que me reinventar sempre, pois posso me casar de novo e ser igual ao último casamento em que os dois dela moravam com a gente e não eram seis, mas oito, meu número de sorte (rsrsrs...).

domingo, 6 de janeiro de 2013

Serginho Groisman na TV a manhã inteira.


Nem me lembro do nome da história em que falei que pareço às vezes o personagem do filme indiano “Quem quer ser um milionário”. Hoje, vi no facebook o  Claudio Magnavita, o cara a quem dei minha primeira entrevista na TV, e conversamos um pouco via chat. Daqui a umas semanas vou contar algumas com ele, a quem conheço desde a revista Imprensa 1989 e com quem trabalhei na CNT/GAZETA  – ele, com o José Carlos Martinez e eu, na Fundação Cásper Líbero.
Mas o que me lembrei desta vez são coisas como o Serginho Groisman na Gazeta. Eu ainda trabalhava na Editora Globo, um dos lugares que mais amei na minha vida e já até falei isso aqui. O Rogério Brandão me chamou para um happy hour numa sexta-feira e, quando cheguei, vi na porta o Serginho, que eu conhecia dos shows do Equipe, mas na época, 1991 ou 1992, ninguém quase o conhecia.  Na sala do Rogério estava o Walter Silveira, diretor de Programação e artista plástico dos bons, o Marcos Coelho, jornalista e diretor de Jornalismo, e começamos a beber um wiskinho (eu ainda bebia). O dono da sala tinha uma decisão difícil: se iria ou não colocar o Serginho na apresentação no TV Mix nas manhãs de segunda a sexta na emissora – aquilo foi uma revolução na mídia; com pouca grana o Rogério criou, com aquela decisão, um marco na TV brasileira. Os cinegrafistas saíam sozinhos e foram batizados de  Abelhas, invadiam a Jovem Pan no momento do Jornal da Manhã, quando uma boa parcela dos paulistanos, indo para o trabalho, a ouviam. Eu mesmo sei disso, pois um dia estava escutando e os apresentadores falaram. Até a Câmara dos Deputados foi invadida, o que na época ainda era um tabu. O Sindicato dos Jornalistas arrumou, pois só ia um para a rua com a câmera – e para o Sindicato tinha que ser dois, imagine!
Era só para tomarmos unzinho, mas matamos a garrafa. O Rogério, então, abriu a porta e comunicou ao Serginho que ele ali iria virar “o cara”. Na segunda, seria o apresentador do programa.
Eu estava junto dos homens que decidiram uma coisa de nada, mas que hoje, um domingo, às 2h da manhã, entendo e me deu vontade de contar. Pois vi o Altas Horas cheio de personalidades e a história entrou na minha cabeça – e só vou dormir se escrever.
Depois de dois anos voltei para TV pelas mãos do Rogério, mas quando cheguei ele já estava em outra emissora, se não me engano, a Cultura. Mas fique atento, ainda tenho diversas histórias com o mandachuva da TV Brasil, que conheci em Belo Horizonte, em 1985.
Mas, como falei, os acontecimentos passam na minha vida. Um mês depois da minha primeira separação, aluguei um flat bem atrás do Café Photo. Meu escritório, para quem foi lá, era do lado também. Minha filha Luciana Vieira chef de cozinha supercompetente (comercial dela) foi até lá para jantarmos juntos e quando o elevador para no andar, estava dentro a Cicarrelli com um cachorro no colo e minha filha fala: “Pai, parece o filme que está no ar” (rsrsrs...).
Ou eu estar na sala de reunião da gráfica da Editora Abril na reunião de inauguração da ANER onde só havia donos. Mas eu estava lá com o Roberto Civita e todos os empresários de revistas da época .
Ou na Bandeirantes, na primeira reunião do CENP, onde conheci a Célia Fiasco, até hoje uma fiel da balança do mercado de veículos/publicitário – que recentemente encontrei depois de anos – e o Caio Barsotti , com quem trabalhei na Globo e no JB – eu era menino, ele, um garoto – hoje, presidente do CENP. Estes dias, até me ligou, pois mandei uma carta para a revista do CENP falando disso.
Nunca me satisfiz com o que estava nas tabelas de preços dos veículos em que trabalhei. São e foram os projetos e meu movimento via meu network que fizeram a diferença na minha vida profissional. Às vezes acho que hoje muita gente no mercado não quer confusão, e fazer projetos é confusão, mas são cases também. A tabela de preços não vai levar sua ideia ao delírio ou a um Leão de mídia em Cannes. E não são só os jovens. Estes dias apresentei o projeto da minha vida sobre WebTV e os dois que escutaram não vão topar, pois vai dar trabalho e confusão .
Ainda estou disposto a muitas histórias para contar. Minha astróloga disse que iria mudar minha vida toda há dois anos, quando resolvi sair da Bahia e voltar para São Paulo. Vou nela há uns vinte anos, de três em três anos mais ou menos, e numa das vezes ela me disse que sairia naquele mês de um karma de barulho – é, um karma de barulho. Morava na rua Periquito, em Moema, e quando compramos o apartamento só havia um prédio. Hoje tem uns 20 prédios, só que a rua tem um quarteirão só. Como ? Havia acabado de pôr janelas antirruídos em todo o apartamento  .Não terminou por causa das janelas novas e sim por que minha ex-mulher colocou o Rei do Coquetel (eu) para fora de casa.
Voltei para a universidade e estou terminando mestrado em Cinema e Audiovisual e vou fazer WebTV. Será que ainda aguento a barra com meus 55 anos, praticamente zerado, ou melhor, sarado (rsrsrs...)?  Tô ficando bom nisso. Se São Pedro não me levar cedo, ainda apronto um monte.

 

domingo, 30 de dezembro de 2012

Ganhavámos 5 vezes mais que a TV Globo.


Um dos grandes prêmio ou presentes da minha vida profissional foi uma pesquisa feita pela Trajano & Associados e o Meio& Mensagem em 1993/1994 e publicada no anuário de mídia .
Nela, apareço como o diretor de vendas de publicidade com o maior prestígio no mercado, trabalhando pela menor emissora, a CNT- Gazeta. Naquele momento já estava dirigindo a TV Bandeirantes-SP1 (capital) mas foi uma das causas de  minhas voltas sucessivas á Gazeta e o faturamento é logico .
Mas esta história não começa na publicação no anuário; ela começa na época em que estavam fazendo a pesquisa.
Coincidência , foi encomendada pelos donos da CNT e Gazeta de SP uma pesquisa para ver se tínhamos penetração no mercado por outro instituto de pesquisa no mesmo período  . Ficamos sabendo que o objetivo era avaliar o trabalho do comercial – a mulher de um dos nossos vendedores, que trabalhava em agência, descobriu para quem era a pesquisa e saiu falando mal do gerente do marido, coisa que era um desvio padrão no resultado em outros lugares. Como eram duas pesquisas, ela errou para quem falar (rsrsrs...).E acabei ficando sabendo.
 Além, é lógico, de uma tática nossa que eram os salários de nossos vendedores que, em oito meses, passaram de U$ 12 000,00; os dos gerentes, mais ainda; e eu, diretor, imagine! Antes, nem falo quanto era; sempre disse que os mercados não ajudam pobre.
A história é sobre os salários ; só falávamos que ganhávamos bem. Aos poucos, o mercado começou a ver nossos contatos almoçando nos lugares badalados ,com carros zero bala,ternos alinhados e  passamos a dar festas diárias nas permutas, chamando os fofoqueiros que espalhavam nosso slogan: “Ganhamos bem”. Eram 14 contatos falando isso, um monte de meninos inteligentes e bonitos. A mídia era  quase só mulher naquela época (rsrsrs...).
E eu é logico louco mandava alguns voltarem para casa e se trocarem se os trajes não fossem os adequados as nossas falações . E até trocar de carro fiz um uma vez trocar rsrsrs.
E as coisas foram tomando um grande volume. Demos sorte com a vinda do Clodovil, que  alavancou nossa grade; as novelas dos Martinez,  mexicanas, que não tinham o final, pois não pagaram a Televisa; o Alborguete,  que baixava a calça e punha a bunda no ar, batendo um cajado (o primeiro, tipo “Cidade Alerta”), logo substituído pelo Ratinho, que gritava meu nome no ar: “Hélcio, fatura aí, se não vou para a Record!” e acabou indo meses depois.
O Ratinho virou gênero e gerou comentários internacionais na época. Poucos sabem. Estive em Miami e falavam dele, no Canadá, em Toronto, e em Santiago, no Chile, falavam dele. O sucesso era grande!  Mas nos países que ouvi não tinha tanta baixaria como aqui. Ficou difícil copiar o modelo (rsrsrs...).
Naquele carnaval de 1994 fomos, Ratinho e eu, ao sambódromo no camarote do Amilcar, hoje RedeTV.Fui o primeiro a por no ar um projeto com a empresa de telefonia dele com sorteios via computador e prêmios em barras de ouro , por isso fui convidado para seu camarote o Ademar Monteiro superintendente da CNT que chegou com o convite. Era uma tietagem dos componentes das Escolas de Samba, gritando o nome do Ratinho em frente ao camarote.
Mas a grande história foi o que virou a mentira inicial do salário de nossos vendedores de publicidade. Até gerente da Globo queria um holerite nosso –  lembro-me de um na minha sala na Gazeta. Mas não achamos legal, a Gazeta ainda saía nos jornais como um dos maiores devedores do INSS.
Tudo começou em abril de 1993 e em dezembro os vendedores de publicidade ganhavam 12 mil dólares. Ai mandei-os sair com os holerites na carteira e, quando o papo era de salário, eles mostravam aquele robusto contracheque.
Não dava outra! O visitado, minutos depois, me ligava na Gazeta pedindo emprego. E, é lógico, ganhava um grande malho.rsrsrsr Fizemos de proposito sabíamos que isso ia acontecer um vendedor de publicidade da Globo São Paulo ganhava U$ 2 500,00 por mês.
Sobre a história da pesquisa, o melhor que posso fazer é não falar o nome dos envolvidos. Foi feio e partiu de pessoas sem ética e de baixo nível.
Já da equipe daqueles anos de CNT-Gazeta guardo muitas recordações. Lembro-me até da venda do patrocínio do carnaval do Rio no mesmo ano  à GM. Às 20h da sexta de Carnaval, todos os 15 do Comercial subimos em cima das mesas dos contatos e saímos em carreata pela Paulista de alegria, comemorando aquela venda aos 46 dos segundo tempo.   

sábado, 22 de dezembro de 2012

Rápido é o João Doria JR.


Lembrei-me desta história quando vi no semsura888 o Sílvio Lancellotti, um craque na cozinha e na televisão.
Na terceira ida minha para a TV Gazeta, o João Dória tinha uns três programas na grade, um deles era do Sílvio. Todos os programas eram muito bem feitos, mas tínhamos um problema: só o João faturava ou não faturava – imagine, falar isso do João; acho ele um dos caras mais competentes do mercado do business.
Estes dias, falando com o Pipoca – o Antonio Rebesco, na minha opinião, outro abençoado por Deus e um dos referenciais na TV pública brasileira – sobre o João Dória, ele me disse que até na FAAP, como aluno, ele era exemplar.
Esta história começa uns dois anos antes de 1995.  Minha primeira ex (não coloco o nome dela, se não é capaz de cobrar direitos de imagem) fazia um trabalho de assessoria de imprensa para a Brinks, na época em que os bandidos diariamente assaltavam um carro deles nas ruas de São Paulo. Ali, descobri que os carros-fortes no Brasil são os mais blindados do mundo, mas contra bazuca, AR-15 e outras armas de grosso calibre aquilo parecia papel – um dia, o Boris Casoy até falou isso no ar, no SBT.
Minha ex tinha um parceiro no atendimento da Brinks, ela fazia imprensa e ele uma newslettering. Um certo dia, ela convida a família dele para tomar um lanche e nos conhecermos. Os filhos dele eram da idade dos meus; foi muito legal. Brincaram e conversamos bastante, em um determinado momento o parceiro jornalista de minha ex me fala que eu, trabalhando em TV, deveria fazer um programa com os clientes de informática que estavam entrado no mercado. Tínhamos restrições na importação de computadores e impressoras. Mais ou menos em 1995 isso acabou e Epson, HP, Apple, entre outros, começaram a entrar no Brasil.
Eu e os meninos que na época estavam comigo na Band – Marco Piccolo, Gilberto Corazza e Mauricio Rollo Ribeiro – íamos a todos os clientes, e nos de informática a demanda era maior que a oferta. Nem queriam falar sobre publicidade, e foi o que disse para o jornalista parceiro de trabalho da minha ex.
Meses se passaram, eu volto para a Gazeta e uma semana depois sou convidado pelo João para uma festa lá no Banana Banana –  lembram, eles eram os reis da permuta (rsrsrs...).
Ganhei até um ursinho de pelúcia que dei pra ex, quando cheguei em casa. Contei a ela que o João Dória estava lançando um programa de informática aos domingos, dia em que a Gazeta praticamente só veiculava programas independentes. Nem me liguei no papo do jornalista, meses atrás.
Passaram-se umas três semanas, chego em casa, minha ex chorando. Havia tido uma reunião com seu parceiro jornalista, o cara gritou com ela, me chamando de charlatão, que eu havia copiado a ideia dele e acabaram com a parceria na Brinks. Disse ela que quase foi agredida. Expliquei a história do ursinho e ela se lembrou de que eu estava há um mês, se muito, na emissora.
Como o cara exagerou na dose, não dava nem para ligar e explicar que o João tinha já três programas e este era o quarto. Deixei barato.
No sábado daquela mesma semana passa de manhã o Sergio Monteiro em casa e me chama para irmos até uma produtora ali perto para ele aprovar um spot para a Trip – o Serginho trabalhou bastante tempo com o Paulinho Lima. E lá fui eu escutar o spot no estúdio de um japonês que era meu amigo também.
Na recepção do estúdio tinha uma Meio & Mensagem, eu peguei para ler e a matéria de capa era: “Esta semana estreiam 3 programas de informática na TV” uma na Manchete, uma na Bandeirantes e o do João Dória, na Gazeta.
Ah, não tive dúvida! Pedi a M&M ao japa, cheguei em casa e escrevi nos brancos do lado do jornal um monte de merda ao tal jornalista, chamei-o de desinformado e grosso. E mandei por fax, que ainda não havia internet.
Imagine, eu teria que ter dado a dica dele a todos no mercado e, pior que isso, nenhum dos programas durou mais de seis meses por falta de patrocínio.
Eu aprendi bastante com esse rolo todo. Sempre abri as minhas reuniões com produtores independentes contando essa história, sem falar o nome do tal jornalista, é claro, se não estaria divulgando o grosso no mercado (rsrsrs...).
Ah, e o João Dória nunca soube que um dia quase minha ex-mulher apanhou por uma das muitas ideias brilhantes dele.

 

 

domingo, 16 de dezembro de 2012

Estadão no Escuro


Estes dias estive com a minha amiga Adélia Franceschini e lembrei-me de uma das melhores histórias sobre administração familiar em veiculo de comunicação.
A Adélia saiu da Abril e foi para o Estadão com a equipe do Orlando Marques e do Augusto Nunes.

Foi a modernização do parque gráfico, assinaturas e muitas inovações e trapalhadas, mas o importante é que o jornal deu um salto – vinha apanhando da Folha e isso para o jornalismo não era bom.

Pouco tempo antes, a Folha lançou seu classificado. O Estadão percebeu que seus anúncios estavam sendo clonados e preparou uma armadilha, colocou um classificado com o telefone do próprio Estadão. A Folha caiu e publicou o anúncio, escancarando a farsa. Lembram? Foi um escândalo e ninguém da Folha falou um “a”.

A cartilha da Folha é perto da de Maquiavel, venderam até assinatura vitalícia na época do seu Frias, e não entregaram, é lógico.

Aí, começou uma batalha que chega à contratação desse time de peso na marginal Tietê.

O marketing atuante e remexendo tudo, criação, cor, anúncios, comercial, formatos e logística.

A entrega dos jornais, que começa na madrugada, com diversos caminhões nos píers, carregando os jornais para São Paulo e o resto do Brasil, e o pátio numa escuridão enorme. As luzes todas apagadas, e a equipe da Adélia, vendo aquilo, pergunta ao responsável:

– Senhor, estas luzes apagadas não atrapalham o carregamento dos jornais?

– Sim, senhora! Mas o seu Ruy Mesquita mandou que fosse feito assim.

O Ruy Mesquita  grande símbolo do  Grupo Estadão e durante muito tempo garantiu a ética e um tipo de governança editorial.

A Adélia, diretora de mkt, teria que perguntar ao seu Ruy o porquê daquela ordem. O Estadão era único, a família mandava, mas era muito desunida.

Até que o dia chegou, e ela, em reunião da qual o seu Ruy participava, perguntou:

– Seu Ruy, por que na saída do jornal nosso pátio, na madrugada, tem que estar no escuro?

E ele pergunta:

– Como, no escuro?

A Adélia explica e ele, atônito, conta:

– Adélia, há uns 20 anos fui lá no pátio às 11 horas da manhã e as luzes estavam todas acesas. Aí, mandei apagar.

A ordem foi cumprida até de noite durante esse tempo todo (rsrsrs...).

O Estadão hoje é outra empresa. Estamos falando de 1989 aproximadamente, mas acredito que muita gente ainda no mercado carrega seu conteúdo no escuro.

 

sábado, 8 de dezembro de 2012

Luma e Ike. Quase paguei a conta.


A casa de Ike Batista e Luma de Oliveira era o sonho de consumo de muita gente e acabou sendo uma briga entre meu sócio e eu.
Um dia, em 2003, cheguei de Salvador e meu sócio me disse que eu ficasse no escritório para conversarmos sobre um grande projeto ainda para aquele ano. Fiquei feliz, já era final de setembro e as surpresas são poucas para quem tem uma estrutura armada e cheia de repetições ano a ano.
Fiquei aguardando sua chegada e fomos almoçar. Já no caminho ele me conta que iria naquela semana ao Rio de Janeiro na casa da Luma e do Ike. A Editora Abril, em sua área de projetos, nos indicou para fazer com eles a revista da Princesa do Carnaval, a Luma de Oliveira.
Achei legal e perguntei se deveríamos aprontar algum projeto. Ele me disse que depois da reunião, que seria na próxima semana, faríamos o projeto.
O poderoso homem do petróleo e dos minérios ainda não era o mais rico – era quase. Ficamos dias falando do novo negócio, contatamos até alguns amigos para tentar ver se sairia alguma coisa de outubro a fevereiro e vimos que a coisa seria difícil, mas não impossível.
Enfim, chega o dia! O Ricardo Santos vai para o Rio, o irmão da Luma o pega no aeroporto, almoçam e vão pra reunião com a mulher dos sonhos. O Ricardo falou dela uns três meses – não falou mais pelo motivo desta história.
Tudo era uma maravilha na volta a São Paulo. A casa dos dois era num morro que tinha vista para Barra. Foi uma tarde inteira de reunião, um céu azul e a praia ao fundo, que fiquei até com água na boca. Fora o mulherão que esteve presente o tempo todo. Pelo que me lembro, o Ike não participou disse o Ricardo.
Tínhamos que ser rápidos. Já era meados de outubro e o Carnaval do próximo ano seria em meados de fevereiro. Tínhamos pouco mais de 60 dias para vender a revista da Princesa do Carnaval, e não seria fácil.
O projeto e mote comercial saíram rapidamente, e como era para uma das maiores fortunas do Brasil, caprichamos na apresentação. Em função do tempo e da qualidade, cobramos um fee mensal para garantir dedicação por 60 ou 70 dias com todo o vapor.
O meu sócio foi para o Rio e na volta me contou que eles não queriam ter lucro com a revista. Pagaríamos a Abril e o restante do dinheiro seria nosso. A responsa dos custos seria nossa também.
Não é a toa que o cara se tornou um dos mais ricos do mundo.  Ele estava fazendo a graça com a Luma e quem ia pagar, se desse errado, era eu (rsrsrs...).
Este assunto ficou uns 20 dias em pauta na HV2 /AEconomia, e até na TV Salvador correu o assunto. Luma e Ike não são para qualquer um! Vira até argumento de vendas.
O Ricardo queria até pôr um dinheiro bem pequeno de fee mensal. Até discutimos um dia, pois ele dizia que eu estava míope e respondi: “Você me garante dez páginas, que eu topo”. E ele disse: “Você sabe que não posso garantir”.
Mais uma ligação dele para o irmão da Luma e, aí, veio a notícia: o Ike não abriria mão de sua proposta. Nós não abrimos mão da nossa e o negócio não rolou. Brigamos várias vezes em novembro e dezembro sobre o caso Luma.
Sorte minha, que chegaram o Natal e as festas e fiquei de férias, trabalhando em Salvador (rsrsrs...). Só voltei lá pelo fim de janeiro.
Quando cheguei, nem lembrava mais da Luma, e o Ricardo levantou e jogou um jornal em cima da minha mesa. A manchete: “Bombeiro apaga o fogo na casa da Luma de Oliveira”. E a matéria conta todo o caso dela com o bombeiro.
Imagine! Nós estaríamos no olho do furacão, fazendo a revista sem receber nada e com o mico na mão, contrato com a Abril e a equipe que teríamos que formar.
Às vezes, os incêndios podem ser maiores do que imaginamos. E a sorte também! O Ike sempre tem sorte. Eu tenho às vezes.