sábado, 23 de fevereiro de 2013

Minha mãe vendia publicidade.


Para quem não é vendedor parece que vender é fácil –  vai lá e conta como é o produto e aí você vende (rsrsrs...).

Não é assim não na vida profissional.  Como diretor comercial deparei-me com diversas modalidades de vendas, e eu mesmo inventei algumas, mas posso dizer que nunca vendi a mãe. Ah, ela também foi vendedora de publicidade antes da golpe de 1964 e me diz sempre que era uma bagunça esse negócio da publicidade – coisa que já na minha profissão inteira foi com ética e honestidade.

Somos os formadores do CONAR,  ANER,   CENP e como pioneiros da indústria midiática fizemos o negócio ser respeitado e criativo. Já dizia um carioca que “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa” – eu o vi no Jô Soares uns anos atrás.

Já era um metido a vendedor quando o Jony Brito, do Jornal do Brasil, me mandou fazer um seminário da Catho, em 1988, no Sherathon Mofarrej e o palestrante era um tal de Emmanuel Barthler, um norte-americano  que tinha sido vice-presidente de vendas da General Motors  e fora contratado pelo governo de seu país para negociar com os aiatolás a saída dos últimos americanos do Irã.

O velhinho era o máximo! Foram quatro dias trancados com ele e uns cem outros executivos, e me lembro da primeira modalidade que aprendi: a soviética – no auge da guerra fria, ainda jovem, via nos telejornais e no próprio jornal as discussões de que os americanos e soviéticos iriam se reunir. Saía isso em toda a mídia e no dia após as negociações levavam minutos. Um dos lados levantava e ia embora. Ninguém entendia, e eu menos ainda. Era muito jovem e aí descobri o porquê?

Quando se sentavam os dois grupos, os americanos apresentavam sua proposta de retirada de 20% dos mísseis nucleares de cada lado. Os soviéticos queriam tirar 1%. Como os dois extremos eram muito longe um do outro, em poucos minutos acabava a reunião.

Com isso descobri que nunca poderia ficar muito longe do que o outro lado da mesa gostaria.

Aos poucos fui ficando mais arrojado e comecei a sentir o poder do network nas vendas, e com 30 anos de idade tinha tempo e vitalidade para todos os eventos, seminários , coquetéis , feiras e happy hours – todas as noites, após  seis reuniões  no dia. É, naquela época nem marcávamos horário; os compradores nos recebiam. Quando chegava em casa, meus filhos gritavam para minha primeira ex-esposa: “Mãe chegou o rei do coquetel”. E meu casamento não durou muito – também, com esse apelido familiar (rsrsrs...). 

Uma modalidade em que consegui alavancar muitas coisas, inventei para conseguir um dinheiro da parte fashion da Rodhia, lá por 1998, dez anos depois. Antes do SPFW – São Paulo Fashion Week, era o Morumbi Fashion, e queria porque queria arrumar esse evento para o canal no qual trabalhava na Direção Comercial .

Dois anos de reuniões com o manager do evento, com o Morumbi e com a Rodhia – na época o principal patrocinador. Era como hoje, dois eventos por ano, um no início janeiro ou fevereiro e outro em junho ou julho; vendas de verão e inverno.

O cara da Rodhia meio que mandava no evento, um tal de Padeiro. Havia sido diretor de marketing nos áureos tempos e naquele momento fazia consultoria para a marca AMI de tecidos.

Enchi tanto o saco deles que um determinado dia o Padeiro me ligou e disse para eu chegar com uma proposta diferente, que me colocaria na frente do presidente da área têxtil.

O presidente chorou mais que o tal do Padeiro. Disse que o dinheiro já ia todo para a organização do evento e que um outro canal a cabo e uma revista faziam de graça a cobertura.

Eu, no canal, faturava pouco mais de US$ 600 mil mensais, e mandei a seguinte proposta para os 6 próximos eventos: a  Rodhia me pagaria US$ 50 mil por evento se eu só fechasse uma cota, e cairia US$  10 mil por cota fechada a outro patrocinador .

Até o Padeiro ficou surpreso, e eu também: o presidente topou! No primeiro evento só foi a Rodhia, mas no quarto só pagaram US$ 10 mil – e para explicar ao Financeiro da emissora? Meu chefe sabia, mas havia saído para outra área da empresa. Foi difícil explicar, mas tinha um contrato com a assinatura do meu chefe e me livrei dessa.

As coisas nas vendas são quase que sem sentido. Quem fica com os louros são a produção, a programação, mas quem faz a coisa virar é a turma de vendas.

Este texto está longo, mas vou contar a venda mais louca que fiz e o modelo mais bem bolado que conheci. Foi perto de 2002 e não fui eu o inventor desse modelo, mas um dos profissionais mais inteligentes que conheci na publicidade.

Era um grande cliente, logo na entrada das novas mídias no mercado, e vinha batalhando a agência que o atendia há muito tempo. Já era minha empresa e tinha que fazer dinheiro para pagar aluguel, funcionários, telefone e impostos, muitos impostos.

Um dia, um grande mídia me chama e diz que tinha US$ 500 mil para meu representado , mas que para faturar essa grana teria que convencê-lo a devolver em mídia US$ 150 mil ao próprio cliente. Aí, comecei a notar o quanto as novas mídias já vinham para inovar. Fizemos o negócio. O mais difícil foi explicar isso ao meu representado. O tempo todo achei que ele tinha a impressão de que eu que inventei o negócio, mas não foi. Achei muito inteligente e criativo, mas não fui o pai dessa criança.

Leitores  o que mais quis contar aqui foi a criatividade sempre dentro da lei que me fez um vendedor íntegro e atento às novidades do mercado. Minha grande expertise sempre foram os projetos, e vejo no dom de vendas uma das minhas melhores qualidades. Neste mundo novo o computador não me substituirá jamais, escrevi esta semana  outra história que publicarei outra semana onde o computador também aparece mas quem manda e tem as ideias é o sujeito que fica entre a cadeira e o teclado !!!!!     

 

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Televisão. Já era grande mas conheci pequeno.


Era 1984 ou 1985 e eu morava em Belo Horizonte.  Naquela época, apesar de minha vida ser bem agitada, tinha tempo de diversão, futebol e muita aprontada. Trabalhava na TV Globo Minas, atendia o segmento de Cultura e Lazer e o de Moda e ainda tinha dúvida se minha vida ia ficar em BH ou se voltaria para São Paulo, minha cidade natal.
Ganhava bem, já tinha meu primeiro filho e aos fins de semana nossa diversão era almoçar fora e passear nas cidades perto de Belo Horizonte, conhecer grutas, obras de artistas mineiros e cidades históricas.Dizem que mineiro convida você para visita-lo mas não dá o endereço .rsrrsrs
As novidades naquele mercado eram feitas por nós da Globo Minas ,os Enduros , o Boom mineiro de moda , a Arrezzo  , Vide Bula , Divina Decadência e Cedro Cachoeira muitas outras mas estas se firmaram nacionais  . Naquela época nenhuma agência da maior cidade mineira comprava pesquisa. E nosso grande diferencial era fazer projetos para um mercado em formação. Tínhamos tudo de pesquisa e informação.
Eu vinha da DPZ, á época a maior agência do mercado, e apesar de ter ficado lá pouco mais de um ano aprendi horrores com o Reinaldo Postolachhi, Manoel Nascimento, Lucélia , Riva ,João Seraphico, Flavio Nara, Paulo Oncken , Osvaldo Marraccini , Fernando Salles (o boca) , Paulo Tamanara , Eliane Zacarias, Vandeirlei, Caubi Vasconcelos. Esse aprendizado me deu força na Gerência de Operações que assumi logo que cheguei a BH e depois, quando fui convidado para as vendas de publicidade e comecei a ganhar um dinheirinho de verdade.
Nosso marketing publicitário era muito bom em BH. Tínhamos a Silvana Doné, mulher de um contato que hoje é o cara lá, o Carlos Doné  big do grupo Itatiaia .E o gerente dela o Preto é nosso Preto aqui de São Paulo um craque e antes outro o Mario Bola foi muito bem em BH.
Para quem mora em Belo Horizonte, o Mario Neves  cacique mór do grupo Alterosa , outra lenda, também era nosso contato. Nem vou falar dos outros, que aí vão babar os mineiros (rsrsrs...) Ahhhh o Djair Toscano, vai ...na Paraíba e nosso amigo aqui no semsura888 , que equipe ehhhh. 
A história de hoje é sobre um dos fatos que marcaram minha vida e me ensinaram que, mesmo pequeno empresário e jovem numa cidade quase sem clientes grandes e sem dinheiro, um grande profissional faz a diferença em criatividade, ética e inovação.
Como disse acima, atendia o segmento de moda; fiz um trabalho muito grande de prospecção e já conhecia praticamente todas as indústrias e confecções. Como também atendia as feiras de moda, andava por diversos municípios além da capital: Divinópolis, Mariana, Valença (RJ, ao lado de Juiz de Fora) – até em Cachoeiro do Itapemirim (ES), era um louco por clientes.
Um dia me liga na Globo um tal de Rogério Brandão, indicado pelo Zezão, que havia conhecido nas baladas e botecos que frequentávamos.
Marquei e fui a seu encontro. Os dois jovens tinham uma pequena produtora de vídeo uma sala e um cliente para a mídia. Pediram-me para fazer uma planejamento para, se não me engano, umas oito praças para algo em torno de seis meses.
O Rogério, um dia, marca com o cliente, que era um fabricante de jeans chamado Witchcraft ( acessórios para bruxaria) , e me mostra o filme que há 30 atrás mexia com o assunto Halloween, coisa que só uns 15 anos mais tarde começou a despertar interesse no Brasil.
Trabalhamos legal, mostramos uma defesa maravilhosa, o cliente comprou a ideia e parecia um empresário centrado. Criou a marca, tinha sua linha bem fashion, havia encontrado um bom profissional no mercado e fechamos o negócio.
A Globo, mesmo Minas, tinha suas regras. Além da PIs (autorizações de programação), tínhamos que fazer um contrato que foi providenciado e entregue ao cliente.
As coisas iam muito bem e a campanha entrou no ar. Eram duas praças por mês, o resultado aconteceu e aí o cliente começou a querer mudar.  Aceitamos a primeira mudança, a segunda, e, é lógico, cada uma delas mudava o contrato.
O negócio que parecia muito bom começou a ficar chato e sem consistência mercadológica – e fora, internamente, os problemas que já estavam surgindo com a rigidez da Globo .
Marquei uma reunião com o único cliente do Rogério e coloquei o problema. Jamais imaginaria que ele falaria o que falou: “Este cara não merece o trabalho que fizemos. Tem como cancelar a campanha dele, Hélcio?”. E aí, vi que o glamour  também se faz com atitudes ruins .
Foi a primeira e única vez que  mandei  uma carta de cancelamento a um cliente. Normalmente, é o cliente que te manda, mas vi que um jovem em BH tinha algo mais importante que ganhar dinheiro: seu nome a zelar.
Esse cara encontrei anos depois em São Paulo. Como já disse em outra história, inventou o Serginho Groisman na minha frente. Hoje é um dos comandantes da TV Brasil, com mais de 500 emissoras Brasil afora e lá atrás, há perto de 30 anos, me mostrou que ser pequeno é só o início para um dia ser grande.

 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Digital .As filas do futuro .(Opinião)


Muita gente ainda nem se deu conta, a internet é uma grande fila e aprender a ficar no topo dela será cada dia mais difícil e poucos vão ser beneficiados desse status.
Conquistar seu lugar ao Sol dependerá dos grandes acertos de sua empresa, seus produtos. E até quem sabe você seja o merecedor de tamanha façanha com simples postagens, como a publicidade óbvia sempre funcionou – há tempos falado pelo nosso Washington Olivetto.
O importante daqui para frente será criar e produzir conteúdo e ter uma marca forte, ou melhor, ter sua marca no topo das listas. As velhas mídias ajudam e muito as novas mídias nesse sentido, mas não vemos as velhas mídias usando da força da audiência on-line. Vejo isso como uma miopia, pois é barato e sua sobrevivência é visível nos portais, sites e redes sociais.
É filas, quando falávamos de segmentação no passado, pensávamos em poucas, agora elas são milhões, bilhões, e uma letra a mais num título pode vir a significar seu sucesso ou seu fracasso.
As velhas mídias liam os vídeos, as novas ainda não leem e daqui a pouco as imagens significarão aderência. Ainda o que é escrito posiciona melhor os resultados.
Quando falo que somos uma grande fila, somos milhares de filas e elas dia a dia são importantes nas consultas, no porquê seu telefone vai tocar ou receber um e-mail para um orçamento, uma compra ou simplesmente uma consulta. Ou um amigo te achar.
E com a rapidez das contas e sua transparência, agora é difícil burlar qualquer atitude, esconder um resultado, um balanço de empresa, governos e países – em minutos ou segundos é falso ou verdadeiro como nas brincadeiras de criança.
Elencar os problemas ou as soluções é quase que imediato, on-line como estamos vivendo.
Observamos a todo tempo os mais jovens com facilidades infinitamente superiores que as dos mais velhos no manusear as ferramentas e aplicativos, cada dia em maiores quantidades e para diversos fins.
Os que se embrenharem em o que está nas suas mãos em poucos anos também terão seu cognitivo modificado como os jovens .
Ontem mesmo vi um aplicativo desenvolvido em Israel que dá oito tipos de diagnósticos médicos e os envia para seu médico em qualquer lugar do mundo. Minha mãe, de 78 anos, já queria saber onde encontrar e nem sabe mexer em seu celular direito.
O digital veio para toda a humanidade e, aplicável em qualquer circunstância, possibilita comparações, como os sites de compra em qualquer situação que imaginarmos.
Foi desenvolvido pelas Forças Armadas norte-americanas e sabemos que nas praças de guerra, ou melhor, nos tempos de guerra sempre floresceram as grandes invenções da humanidade.
Como diz o pensador francês Gilles Lipovetsk, o mundo estava ficando sem oxigênio para conduzir os sete bilhões de habitantes da Terra. Esse oxigênio podemos dizer que é o ar que respiramos, o H2O de que necessitamos, a natureza , os alimentos, a logística, a qualidade de vida das pessoas .
Alguma coisa tinha que vir para mudar o marasmo a que estávamos conduzindo a sociedade, ricos ou pobres. O fundo do poço já estava cavado.
Hoje não sabemos ainda o que nos reserva lá na frente, alguns como Lipovetsk ou Henry Jenkins, americano, editor de tecnologia e escritor respeitado sobre a “Cultura da Convergência”, arriscam e apresentam referencias  .
Mas temos certeza de que aquele mundo antes do avanço das novas ferramentas que temos hoje não mais sobreviveria; estamos vendo isso.
Sustentabilidade, o clima na Terra, a poluição do ar e dos rios, ainda não estão sendo corrigidos. A violência das grandes cidades, os desmandos governamentais – apenas nós, com o poder da informação, podemos mudar as coisas.
O que temos hoje é a possibilidade de gritarmos além das quatro paredes de nossos quartos e alimentarmos de informação parte da humanidade sem a interferência dos poderes constituídos. Vamos ainda aprender a conviver com este entupimento de conteúdo.  
Muitos ainda se negam a enxergar, a usar das novas ferramentas, ou tentar entender o porquê de tantas dúvidas.
Mas sabemos de uma coisa, cada um, dentro de nós: O MUNDO MUDOU e eu já estou na fila do futuro!!!!!

       

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Rubens Furtado as melhores histórias da TV


Em 1992 sai da editora Globo direto para a TV Gazeta, que vinha de uma associação com o grupo de Curitiba OM – Organizações Martinez, da era Collor de Mello. O negócio acabou e já contei aqui a questão das duplicatas, triplicatas.
Mas a TV Gazeta precisava não ser mais só São Paulo e naquele momento a fragilidade da rede de Curitiba podia ser um bom negócio para a Fundação Cásper Líbero. Para trabalhar lá acertei que o nome não mas poderia ser OM, e aí nasceu a CNT.
Fui e voltei três vezes para a Gazeta verão o por quê na história engraçada da qual um ícone da televisão brasileira participou quando estava no Canal 21, do Grupo Bandeirantes, e espalhou para o mercado todo no ano 2000.
Estava superbem no Canal 21, feliz, faturando bem – em 2000, foram dez milhões, e pagou a conta naquele ano .
A Gazeta e a CNT haviam se separado e o José Martinez já tinha seu canal em São Paulo há um ano. É quando começa minha crônica .
Eles da CNT, apesar de termos muitas diferenças, gostavam de trabalhar comigo e nos dávamos até aquele momento muito bem.
Fui convidado para uma conversa na sede deles ali na Alameda Santos. Quando cheguei, me colocaram em uma sala de reunião e logo foram entrando os familiares: Oscarzinho, Flávio e o Zé Martinez.
Brincamos, me contam que agora estavam superbem e que queriam me contratar. Ponderei que gostava bastante de onde estava e que para sair a proposta deveria ser muito boa. Sem pestanejar me perguntaram quanto ganhava e eu disse o valor. Pediram para eu sair e tomar um café e me chamaram me oferecendo U$ 50.000,00 mensais. Fiquei até emocionado. Ganhava 60% daquilo; era bastante dinheiro e pedi uns dias para pensar.
Na saída encontro um jornalista do trade entrando na emissora, que contou que eu estava lá para algumas pessoas e, aí, a “Rádio Rua” resolveu a enrascada em que me meti.
Naquela época, umas duas a três vezes por semana, almoçávamos juntos o Juca Silveira, diretor geral do 21 e meu chefe, o Rubens Furtado, às vezes a Cláudia Alcântara, diretora  administrativa, José Occhiuso, diretor de jornalismo, Luciano Cury – os diretores do 21 .
E em um desses almoços, na frente de todos, o Rubens me pergunta por que havia recebido uma proposta tão boa da CNT e não havia ido?
Eu, meio sem pensar, respondi que não podia não receber aquele dinheiro todo. Quem estava no almoço nem notou;  um ou outro deram risada e aquilo morreu ali.
O Rubens, grande contador de “causos”, falou até pro Johny Saad e a história percorreu todo mercado. Os CNTs tinham a fama de não cumprir os contratos, mandavam o dinheiro que fosse, mas para receber depois era um sufoco.
Lembro do início, em 1992, do Marcio Loducca e do Gilberto Corazza , oriundos da OM, na festa de inauguração da parceria, no teatro de Arame, com o Clodovil Hernandez dando início à parceria CNT-GAZETA. Hélio Sileman dirigindo, mais Eduardo Lafon, grande figura, na direção geral.
Ficaram para receber um cheque que só chegou a poucos minutos do embarque do avião para São Paulo. Quando estavam no avião, viram que a data era do ano anterior e aquele “borracha” nunca foi compensado (rsrsrs...).
Depois de anos, fui descobrir o motivo pelo qual o excepcional Rubens Furtado, parte da história da TV brasileira, achou aquilo tão engraçado, conforme meu amigo Juca me contou anos depois.
Rubens contava com muita graça, como sempre, uma história parecida.
Ele trabalhava na TV Tupi do Rio e o diretor geral era um pernambucano talentosíssimo e muito engraçado, Nereu Bastos. Nereu tinha um tique de bater seguidamente com o lápis sobre a mesa enquanto falava. Quanto mais nervoso, mais o lápis sofria... Pois na época em que se passa a história, verídica ¬– claro –, a Tupi já tinha problemas financeiros para manter os salários em dia.
O grande autor de teatro e televisão Paulo Pontes trabalhava lá e recebeu um convite para mudar-se para a Globo, que ainda não era a potência em que se transformou depois... Pontes, na Tupi, ganhava o equivalente a 10 mil dólares e o convite da Globo era para ele ganhar o dobro. Sabendo que Pontes sairia da Tupi, Nereu o chamou em sua sala e foi logo dizendo, gaguejando, como sempre fazia, e batendo o lápis como um pica-pau: “Ô, Lô Pontes (apelido maldoso dado pelos colegas, já que Paulo era casado com Bibi Ferreira e diziam que só havia restado o Lô...), rapaz, rapaz, rapaz você não vai sair da Tupi. Não rapaz! Que é isso? Isso é uma aventura. Fique aqui, rapaz, fique aqui que eu lhe pago os mesmos 20 mil dólares que te ofereceram”.
Paulo coçou a cabeça e respondeu, na lata: “Seu Nereu, não dá não... 10 mil dólares eu posso ficar sem receber, mas 20 mil dólares, não dá...”.
E lá foi o Lô para a Globo!
Muitos foram os almoços com o Rubens. Alguém deveria escrever um livro sobre as histórias dele. Engate uma primeira aí Juca, você tem  o repertório dele todo!

 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Pau no Curtume - Editora Globo 1992


Era 1992, antevéspera de Carnaval, quinta-feira. Fomos almoçar em um restaurante japonês ali na Leopoldina, um dos primeiros japas da cidade. Bem perto da editora Globo, na época, ali na Lapa.
A turma era grande:  Antonio Valério (o Tonhão), Pedro Barbastefano ,  Luiz Carlos Stein, Jeferson Teani  Fullen, Marcio Maffei,Izabel Amorin, Andréa Citrini ,  Alessandra Miguel, Luciana, Alessandra Miguel, Bel Borba, Márcia ­­­– me desculpe,  nessa, com certeza ,esqueci de alguém.  Acabou o almoço, as contatas foram trabalhar, nós ficamos no restaurante e tomamos mais de cinco garrafas de saquê – e aí rolou a ideia! Vamos fazer amanhã à tarde o Carnaval do Curtume!!.
Todos já bebaços  e a genialidade do Tonhão, que logo pegou um papel com o garçom, e dali em mais de 8 escrevemos um samba enredo,  “ Quem não gosta que se arrume - Pau no Curtume” – esse era,  só o refrão. O sambão saiu com quatro estrofes e muita alegria.
O Tonhão, nosso diretor de Marketing na editora, já rabiscou o estandarte da porta-bandeira, que foi a Alessandra Miguel (até hoje na editora; estes dias, vi que ela ganhou uma homenagem de seus 20 anos de contribuição), a faixa de abertura do bloco , éramos mais de cem e paramos a rua .Lembro de alguns além dos que estavam no restaurante um dia antes Renato Scolamieri, Wagner, Elazir do Egito, Sodré, Arlete, Brás, Ana Lucia, Marco Aurélio Cinque .
Quando acabou o almoço, eu tinha a função de arrumar o estandarte e as duas faixas, e saí na captura em São Paulo, quase parando para o Carnaval.
Para quem trabalhou lá na Lapa, os prédios onde ficava a editora tomavam a quadra toda, até o trailer, que era o bar da rua. Além da editora Globo, havia os funcionários da Maurício de Souza e uma parte nas duas extremidades da editora Abril, onde a Exame era a única em que o comercial funcionava ali ( e eles ficaram admirando a festa das janelas ). Ninguém desceu para participar; o pessoal da Maurício desceu e dançou com a gente.
Garantimos que o bar/trailer estaria funcionando . O Tonhão, um dos caras mais alegres que conheci , não merecia aquela covardia, anos depois, na Joaquim Floriano. A violência já imperava em São Paulo, e ele e o Barbastefano,  numa madrugada , ganharam um tiro cada um – o Tonhão morreu;  o mercado perdeu um gênio.
Como o José Roberto Sgarbi era o diretor-geral e os três que mandavam estavam ali  – o Stein, o Tonhão e o Pedro –,  as coisas funcionaram perfeitamente .
Lá pelas 17 horas, todos descemos e, é claro, que naquele dia ninguém faltou. Era uma época que até a véspera vestíamos terno e gravata.
Tomamos os cem metros como uma escola de samba e fomos e voltamos na rua.... até o trailer onde pegávamos as bebidas.
O Carnaval era completo, cada um com a letra na mão. Trouxeram um tambor, uns dois pandeiros e aí a festa rolou.
Como a editora era o paraíso da mulherada, a coisa ficou bonita, cheia de alegria e colírio.
Lembro que perdi até o blazer que vestia naquele dia.
Chegamos todos para lá de Bagdá em casa e, é lógico, poucos contaram às mulheres (rsrsrs...). Foi a véspera de Carnaval mais alegre que já vivi.
Fora este só me lembro de meu último ano de Salvador, em 2009. Meu escritório, o da TV Salvador, fora assaltado às 17 horas da sexta, véspera. Eu tinha acabado de chegar de São Paulo com a mala e uma linda mochila da Warner que o Mauricio Rollo Ribeiro me dera naquela semana, em São Paulo – e além de ficar duas horas com os funcionários, ainda fui refém no meu carro por mais duas horas daqueles dois loucos que entraram na TV Salvador pensando que era o andar do grupo Cheiro de Amor. Era dia de compra e entrega de Abadas e como assalto não dá para ser cancelado, os quatro funcionários que ainda estavam lá, eu e minha segunda ex-mulher fomos reféns. Passei o pior Carnaval de minha vida. A única coisa que consegui foi dividir com os bandidos as lança-perfumes argentinas que trazia de São Paulo e que estavam na minha mala. Meus amigos baianos achavam que havia perdido todas no assalto.
Ah, o ruim foi explicar à delegada aquele cheiro de perfume no meu carro, quando o sequestro acabou (rsrsrs...)!
Já o Carnaval do Curtume, agora, ficou registrado para a história. E duvido de que aquela rua cheia de armazéns e fábricas um dia repetirá a alegria de um dos melhores lugares em que trabalhei na minha vida.

 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Apareceu uma filha minha com 18 anos na TV.


Com minhas mudanças de emprego, cheguei a ficar uns oito anos sem tirar umas férias descentes; eram somente semanas e a emenda do Natal com o Ano Novo.
Não posso reclamar. Fazia o que gostava e quando queria sair ia a qualquer lugar do mundo.  Meu destino predileto era a Europa (e ainda o é), a Holanda em especial – tenho alguma coisa com esse país quem sabe os dois Hs no meu nome Hélcio Henrique. Fui em 2009 a última vez e a vontade de voltar é sem descrição. Tem gente que acha que é outra coisa, mas posso afirmar que não (rsrsrs...). Quem já foi lá sabe que a civilidade, os parques, as mulheres e os homens não têm igual no planeta. Olhar já enriquece a alma .
Viajar é o que acho de melhor na vida, seja para aonde for, e nossa história tem a ver com minhas aventuras de adolescente e pré-adulto totalmente duro, quando minhas idas a Visconde de Mauá, Maromba e Maringá (MG e RJ) praticamente mensais e nos feriados prolongados – com pouco mais de duas carteiras de cigarro no bolso e sem um tostão sequer – já me extasiavam. Comer era detalhe, eu pesava pouco mais de 56 quilos e sempre tinha uma casa de amigo para matar a fome ou a sede alcoólica.
Esta época de idas mensais incluiu Penedo também e posso afirmar que durante o período dos 17 aos 24 anos praticamente estava lá todos os fins de semana, tinha carona de ida e volta com meus amigos de fé na época, o Paulo Buzzato e o Jorge Malafronte  (o Mala), que tem até hoje um sitiozinho em Penedo, que era nosso abrigo e local de festas incríveis. Sauna, piscina natural e verde, muito verde – e meninas e meninos, é lógico.
O resultado de todas essas aventuras na serra da Mantiqueira aconteceu quando de minha terceira e última estada na TV Gazeta de SP, 19 anos depois.
Minha vida sempre foi ligada à região de Resende (RJ), onde morei poucos meses com meus pais quando era adolescente, tomei gosto pela região e tenho muitos amigos por lá até hoje. Para quem conhece as cidades que comento acima, são praticamente subdistritos dessa cidade fluminense. Onde tem a Academia Militar das Agulhas Negras onde meu pai serviu como oficial instrutor em 1974.
Estamos falando de 1996 aproximadamente, era uma sexta-feira e tínhamos sido convidadas, minha família e eu, para um aniversário da filha de um primo que não via havia muito tempo. Sabia que era festa de  15 anos de sua filha mais nova, mas como meus filhos não os conheciam bem e já eram quase adolescentes foi difícil convencê-los a ir.
Quando cheguei em casa, tocou o telefone e fui eu que atendi. Era uma menina que perguntou se o Hélcio estava e, prontamente, falei que era eu mesmo. Ela, sem cerimônia nenhuma, disse que se chamava Brenda e que sua mãe lhe havia dito há poucos dias que eu era seu pai biológico. Imagine! Minhas pernas começaram a tremer, eu estava ao lado da família inteira, aprontando-me para ir a uma festa e sem saber os problemas que aquilo me traria para o resto da vida. Quando desliguei o telefone, contei para a família inteira.
Chegamos umas duas horas atrasados à festa, na qual minha família toda estava. Fomos vestidos como estávamos, totalmente inadequados para a ocasião. Sentamo-nos os cinco – minha primeira esposa, meus três filhos e eu – numa mesa e praticamente não falamos com ninguém. Era difícil digerir aquilo.
No sábado, liguei novamente para a menina e conversei bastante com ela. Combinei de vê-la no outro fim de semana com a família em um hotel em Penedo . A partir dali, achei que tudo se resolveria normalmente.
Na segunda-feira, contei aquilo aos amigos na Gazeta e a história foi se espalhando. Para se ter uma ideia, até a produção do Fantástico me ligou. Como não havia deixado o Mulheres, da Gazeta, não deixei ninguém fazer matéria alguma. Eu, diretor de emissora, já estava preocupado com a repercussão.
Em uma reunião na semana com o Marcos Gouveia (o Rei do Varejo), contei a história com a agência presente. Marcamos outra reunião para depois do encontro e a diretora da agência, Clea Lana, pediu para eu chegar meia hora antes para contar . E quando o Marcos entrou na sala tive que contar tudo de novo. Não estava só o Luiz Stein estava comigo era o diretor de publicidade tanto na reunião antes como a depois do encontro com minha mais nova filha de 18 anos.
Fiquei muito tempo contando essa história e ela foi se avolumando. Até hoje encontro amigos que me perguntam como está a filha que apareceu. Posso dizer que essa filha me ajudou a vender muita publicidade .Rssrrssr
Muitas histórias são o melhor argumento de um vendedor de publicidade – nos 34 anos em que atuei na venda, funcionavam muito bem. Já nos dias de hoje poucos têm tempo para escutar propostas, quanto mais histórias. A vida de todos já é tão vasculhada e exposta na nova vida que se delineia com as redes sociais.
O que sei é que hoje, com seis filhos, dois paulistanos, uma mineira de BH, uma de Resende (RJ) e agora duas baianinhas soteropolitanas tenho que me reinventar sempre, pois posso me casar de novo e ser igual ao último casamento em que os dois dela moravam com a gente e não eram seis, mas oito, meu número de sorte (rsrsrs...).

domingo, 6 de janeiro de 2013

Serginho Groisman na TV a manhã inteira.


Nem me lembro do nome da história em que falei que pareço às vezes o personagem do filme indiano “Quem quer ser um milionário”. Hoje, vi no facebook o  Claudio Magnavita, o cara a quem dei minha primeira entrevista na TV, e conversamos um pouco via chat. Daqui a umas semanas vou contar algumas com ele, a quem conheço desde a revista Imprensa 1989 e com quem trabalhei na CNT/GAZETA  – ele, com o José Carlos Martinez e eu, na Fundação Cásper Líbero.
Mas o que me lembrei desta vez são coisas como o Serginho Groisman na Gazeta. Eu ainda trabalhava na Editora Globo, um dos lugares que mais amei na minha vida e já até falei isso aqui. O Rogério Brandão me chamou para um happy hour numa sexta-feira e, quando cheguei, vi na porta o Serginho, que eu conhecia dos shows do Equipe, mas na época, 1991 ou 1992, ninguém quase o conhecia.  Na sala do Rogério estava o Walter Silveira, diretor de Programação e artista plástico dos bons, o Marcos Coelho, jornalista e diretor de Jornalismo, e começamos a beber um wiskinho (eu ainda bebia). O dono da sala tinha uma decisão difícil: se iria ou não colocar o Serginho na apresentação no TV Mix nas manhãs de segunda a sexta na emissora – aquilo foi uma revolução na mídia; com pouca grana o Rogério criou, com aquela decisão, um marco na TV brasileira. Os cinegrafistas saíam sozinhos e foram batizados de  Abelhas, invadiam a Jovem Pan no momento do Jornal da Manhã, quando uma boa parcela dos paulistanos, indo para o trabalho, a ouviam. Eu mesmo sei disso, pois um dia estava escutando e os apresentadores falaram. Até a Câmara dos Deputados foi invadida, o que na época ainda era um tabu. O Sindicato dos Jornalistas arrumou, pois só ia um para a rua com a câmera – e para o Sindicato tinha que ser dois, imagine!
Era só para tomarmos unzinho, mas matamos a garrafa. O Rogério, então, abriu a porta e comunicou ao Serginho que ele ali iria virar “o cara”. Na segunda, seria o apresentador do programa.
Eu estava junto dos homens que decidiram uma coisa de nada, mas que hoje, um domingo, às 2h da manhã, entendo e me deu vontade de contar. Pois vi o Altas Horas cheio de personalidades e a história entrou na minha cabeça – e só vou dormir se escrever.
Depois de dois anos voltei para TV pelas mãos do Rogério, mas quando cheguei ele já estava em outra emissora, se não me engano, a Cultura. Mas fique atento, ainda tenho diversas histórias com o mandachuva da TV Brasil, que conheci em Belo Horizonte, em 1985.
Mas, como falei, os acontecimentos passam na minha vida. Um mês depois da minha primeira separação, aluguei um flat bem atrás do Café Photo. Meu escritório, para quem foi lá, era do lado também. Minha filha Luciana Vieira chef de cozinha supercompetente (comercial dela) foi até lá para jantarmos juntos e quando o elevador para no andar, estava dentro a Cicarrelli com um cachorro no colo e minha filha fala: “Pai, parece o filme que está no ar” (rsrsrs...).
Ou eu estar na sala de reunião da gráfica da Editora Abril na reunião de inauguração da ANER onde só havia donos. Mas eu estava lá com o Roberto Civita e todos os empresários de revistas da época .
Ou na Bandeirantes, na primeira reunião do CENP, onde conheci a Célia Fiasco, até hoje uma fiel da balança do mercado de veículos/publicitário – que recentemente encontrei depois de anos – e o Caio Barsotti , com quem trabalhei na Globo e no JB – eu era menino, ele, um garoto – hoje, presidente do CENP. Estes dias, até me ligou, pois mandei uma carta para a revista do CENP falando disso.
Nunca me satisfiz com o que estava nas tabelas de preços dos veículos em que trabalhei. São e foram os projetos e meu movimento via meu network que fizeram a diferença na minha vida profissional. Às vezes acho que hoje muita gente no mercado não quer confusão, e fazer projetos é confusão, mas são cases também. A tabela de preços não vai levar sua ideia ao delírio ou a um Leão de mídia em Cannes. E não são só os jovens. Estes dias apresentei o projeto da minha vida sobre WebTV e os dois que escutaram não vão topar, pois vai dar trabalho e confusão .
Ainda estou disposto a muitas histórias para contar. Minha astróloga disse que iria mudar minha vida toda há dois anos, quando resolvi sair da Bahia e voltar para São Paulo. Vou nela há uns vinte anos, de três em três anos mais ou menos, e numa das vezes ela me disse que sairia naquele mês de um karma de barulho – é, um karma de barulho. Morava na rua Periquito, em Moema, e quando compramos o apartamento só havia um prédio. Hoje tem uns 20 prédios, só que a rua tem um quarteirão só. Como ? Havia acabado de pôr janelas antirruídos em todo o apartamento  .Não terminou por causa das janelas novas e sim por que minha ex-mulher colocou o Rei do Coquetel (eu) para fora de casa.
Voltei para a universidade e estou terminando mestrado em Cinema e Audiovisual e vou fazer WebTV. Será que ainda aguento a barra com meus 55 anos, praticamente zerado, ou melhor, sarado (rsrsrs...)?  Tô ficando bom nisso. Se São Pedro não me levar cedo, ainda apronto um monte.