terça-feira, 5 de maio de 2020

Teoria do Perde-Perde - Ficção

Fui procurar e não encontrei algo que tem me intrigado, se existe uma teoria de quando todo mundo perde.
Lógico que os que vendem lenço numa pandemia são regra à parte e já faz tempo que tentaram tirar o lenço de pano do mercado e ele continua vendendo como a vida inteira.
Tem perde-ganha, ganha-ganha, agora perde-perde não encontrei e vou tentar emoldurar um tipo; teoria para o sucesso de um mundo inteiro derretendo.
Minha opinião é calcular a perda total de todo mundo e puxar a vírgula na mesma proporção nos números, em quantidades que não fujam de um desvio padrão que possa a vir deteriorar a sociedade a favor do erro.
Todos perderemos algo, pessoa física, jurídica e governos, para pagarmos a conta aos economistas, pelas vias contábeis, sustentáveis e de acessibilidade. Para já arrumarmos o mundo acertadamente. E um órgão como as Nações Unidas deveria levantar uma bandeira com tamanha importância.
Uma proposta que arrume as coisas como o bug do milênio, em que um indiano atrasou o relógio e destravou uma equação há anos não resolvida, o que causaria um desastre catastrófico na economia mundial.
Especialistas em finanças, matemática, engenharia de sistemas, managers digitais e empresas de dados muito bem auditadas – formando um comitê de notáveis mundiais, com tipo Obama de CEO – deveriam dar seu grande “finale” ao mundo de presente.
Tenho quase certeza lógica de que, se todos perdem muito, vamos cortar o supérfluo e deixar o necessário e oxigenar a Terra, passando a régua em exuberância, ganância, poder, durante um longo tempo.
Absoluta certeza de que, se não encontrarmos algo assim, vamos nos foder logo depois do apocalipse e nunca pintaremos o mundo da forma correta de se lidar com ele e quem sabe com universo, “criando um vírus global”.
Algo tipo o Nobel em qualquer área de análise poderia ser um fomentador desse novo modelo de equilibrar o mundo financeiramente e ecologicamente, para fazermos um bem e nos acertarmos com o Universo. 

Mundo 2020

 

quarta-feira, 1 de abril de 2020

O maior vendedor de Salvador

O maior vendedor de Salvador
Às vezes implico em ter vivido em Salvador por perto de 10 anos, mesclados com São Paulo, minha cidade natal, ajudaram bastante o andar da carruagem. Nem me lembro onde escrevi que ter vivido nas entranhas soteropolitanas me ensinaram que o inevitável e imponderável acontecem sim, o ócio criativo proposital tão comentado bem na época em que desembarquei na cidade por Domenico de Masi, em visita a Salvador, também existe e, apesar de tudo, não me arrependo, pois aprendi a ver o mundo por outros parâmetros e quebras de paradigmas diárias. Digo aos amigos que ter vivido intensamente a Bahia foi uma grande escola para minhas poesias.
Resolvi contar esta história, às 04h30min da madrugada, depois de ter lido o relato no Facebook de um conhecido baiano que adotou minha cidade e foi o cara que deu a palavra final na minha experiência na sua cidade, Salvador, em 2002. Ele que autorizou um desconhecido a ocupar nove horas da programação num canal em UHF da empresa que dirigia – a TV Salvador. Apesar de todos os pólices que a Rede Globo impõe a suas afiliadas.
Nunca mais o vi, escutei diversas boas histórias sobre ele, o tão poderoso superintendente de conteúdo da Rede Bahia (Globo), Maurício Magalhães , e lembrei de um acontecimento que resumirá todo esse preâmbulo que contei sobre a cidade dele, bem há 15 anos, quando nem imaginava que ele mudaria para São Paulo.
O primeiro e mais constante cliente que conquistei em Salvador foi “O” vendedor de carros Mário Silveira – da Mário Seminovos (“Mário vende, Mário compra, Mário financia, Mário, é quem mais entende de carros na Bahia), que acreditou naquilo que falei em nosso primeiro encontro e foi para o ar em seus comerciais apresentando ele mesmo suas ofertas, apesar do medo inicial de dona Celina, sua esposa, pela notoriedade que Mário começou a ter na cidade já nas primeiras semanas que foi ao ar. Lembro bem deles me contando que os dois estavam numa loja de material de construção e um senhor o olhava fixamente. Logo descobriram que era um fã da TV, para alívio de sua esposa. Vale falar da força que ele me deu ao apresentar seus amigos comerciantes e empresários locais, já devidamente catequizados pelos testemunhais de seu resultado em nosso programa. Obrigado Mário.
E onde entra o Maurício nesta história?
Certo dia encontrei o Mário e ele me conta que um certo Maurício, morador de um bairro chique (acho que na Vitória), ligou para ele e disse que precisava vender dois ou três carros, que as chaves estavam com o porteiro, que o conhecia, e que depois de vendido deveria depositar o dinheiro na conta tal do banco tal.
Pelo que sei, eles nem se viram e acho que fui eu que falei ao Mário quem era o Mauricio. Imaginem de em qualquer outra cidade do País alguém entrega carros a um homem que aparece na TV. Só na Bahia, especificamente, só em Salvador. Depois conto a história da compra de meu apartamento em Salvador.
Mário contou essa história para muita gente, teve cliente que veio nos procurar depois que escutou esse acontecimento. Mário e Maurício davam até uma dupla sertaneja, mas nunca se conheceram pessoalmente.
Depois desse aquartelamento obrigatório, vou ver se marco uma hora com meu amigo do Facebook que ama minha cidade. Pois não nos encontramos há 18 anos.
Ahh e quem é o melhor vendedor de Salvador? Sou eu, que convenci os dois , um uma vez e o outro pelo menos 9 anos consecutivos . rsrsrsr
Salvador, 2005.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Rolo compressor


Às vezes penso no tempo de trabalho em alta performance como diretor de publicidade e comercial de emissoras de TV e até dono que fui em Salvador, na TV Salvador. Foram perto de 21 anos como diretor que fizeram bem e mal para meu ego e estado emocional.
“Sem esquecer do aprendizado na agencia de publicidade DPZ como comprador de mídia do Banco Itaú, no ainda poderoso jornal do Brasil e nas revistas Imprensa e as revistas da editora Globo, onde criar projetos por anos fez a diferença para toda uma vida. “
Os melhores momentos eram os holerites e as notas fiscais dos fins de mês que faziam a diferença em relação aos dias de nervoso excessivo, quando chegar em casa às 22h era pouco, parar de tremer lá pela 1h da manhã. Nessa época, caía na cama e nem me lembrava do que sonhava, tamanha adrenalina.
O troca-troca de emissora me fez vítima de estresses doentios e de alegrias posso dizer também doentias. Saía de um emprego e a imprensa especializada publicava algo a meu respeito e, em duas a três semanas, publicava de novo para onde eu já sabia desde a outra matéria que estava indo.
O burburinho de quanto ganharia nas rádios corredores das agências de publicidade e da concorrência também agitavam minha serotonina, se é que pode algo assim nos deixar ansioso e com satisfação. Era a competição, o poder de trabalhar no topo e ser invejado por muitos.
Parece hoje coisa de louco, mas não é. Quando se está na linha de frente, a coisa aparenta ser gostosa e pouco importa o que naquela hora estão pensando sobre o grosseirismo dos fatos.Costumo dizer que tive síndrome de Deus e só percebi tempos depois.
Usei um termo durante muito tempo: “Nenhum mercado ajuda pobre”. Você no topo ganha whisky 18 anos, cestas de natal, canetas Mont Blanc. Se está fora, nem um telefonema.
Lembro das confusões monstros de minha vida profissional, largava tudo, entrava numa loja e comprava seis pares de terno, um carro novo, um ar-condicionado portátil, que na época custava uma fortuna. Tudo isso para acalmar minha ansiedade, acalmar o egocentrismo do cargo.
Minha família sofreu com minha falta constante em jogos dos filhos, apresentações de balé e feiras de ciência e se divertiu muito nas viagens em belos hotéis e resorts maravilhosos, mundo afora.
Foram tempos de conhecer artistas, ídolos e ditar moda naquele mundo doido e cheio de criatividade.
Os vendedores que trabalharam comigo ganhavam bem, trabalhavam muito e psicologicamente como eu sofriam um bocado.
Vejam os atletas de seleção, são massacrados nos treinamentos e na hora do jogo levam broncas enormes do técnico e até sem sentido na hora que erram. O mundo corporativo na minha época era assim.
Fico às vezes pensando se não exagerei na dose, chamava nosso método de Tupperware e nossos comportamentos de broncos. Tínhamos que faturar, inventar e o cliente precisava ter resultado para continuar.
Um dos meus superiores dizia que tinha meio milhão de dólares que andava atrás de mim. Já para mim, o método e a disciplina eram meus melhores requisitos.
No meio desta pandemia, lembrar, pôr no papel (tela de computador) alivia o nervoso e mostra o quão duro foram os anos de reinado de alguém que, quando criança, sonhava em ter um bom carro.
São Paulo/Belo Horizonte/Salvador, 1989-201

sexta-feira, 13 de março de 2020

Passaralho


Meu mais velho tinha 7 anos. Cheguei tarde e bravo em casa pelo erro de uma funcionária. Era fechamento da revista e pela segunda vez, em poucos meses, ela havia cometido o mesmo erro.
Sentamos no sofá e todos queriam saber por que eu estava chegando tão tarde. Contei o ocorrido e meu primogênito perguntou se o erro sobre o qual havia contado era a lápis ou à caneta. Logo respondi: “À caneta, filho”. E ele treplicou: “Então, não dá para apagar né, pai”.
A vida andava dura e acertar era nosso diferencial perante o mercado, que gostava do nosso produto e de nossa forma de mexer com vara curta com o 4º poder – a imprensa.
Este ensinamento contei em várias palestras e reuniões que fiz durante as milhares de conversas com clientes e contatos, os quais minha vida profissional em grande performance proporcionou.
Publicou, foi ao ar no rádio ou na TV, está escrito no blog, no site, além das críticas, um erro pode afetar a credibilidade de um veículo de mídia.
Nestes tempos de fake news, erros são tão comuns, lembrei de escrever depois que vi o Hermes Zambini postar esta pérola: “‘Entrarão na minha casa e roubarão tudo’. Corre lá e tira tudo. Depois faz umas aulas de português.”
Sempre lembro do Hermes das partidas de futebol que jogávamos aos domingos perto da Anhembi Morumbi, às 9 horas da manhã, até o dia em que cheguei em casa e minhas malas estavam na porta. Jogava até cinco vezes por semana e minha primeira esposa teve um surto quando cheguei às 15 horas.
Ah, errei muito pouco o gol adversário, e na vida profissional errar é humano, só não dá para persistir, o passaralho (uma das tantas gírias inventadas pela Raquel Folino e eu , que os contatos da Globo – Tarcísio Guimarães , Zelão e Walter Nise, espalharam pelo mercado ) logo te encontra.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Zé do Caixão - Uma história de arrepiar


Era 1963, meus pais haviam se separado em definitivo depois de um volta não volta que é meio apagado de minha memória.
Morei um tempo com a minha avó paterna. Minha mãe era dona de casa e, apesar de ter trabalhado muito na sua infância e adolescência, havia se casado com um filho de industrial que trocou tudo o que tinha por amantes, até indústrias de meias foram premiadas e nesta época ele já havia morrido e a família pagava dívidas com fornecedores e impostos Sem trocadilhos pelo teor do conto, minha mãe comeu o pão que o diabo amassou para nos criar, até se ajeitar profissionalmente pós separação.
De uma vida com Oldsmobiles e mansões na parte abastada do bairro Vila Monumento na avenida Dom Pedro no Ipiranga SP sobraram duas casas geminadas no subdistrito do Moinho Velho na parte pobre do bairro, onde morávamos nestes tempos.
A rua era a Marquês de Maricá, ainda de terra batida, e suas calçadas eram repletas de caminhões vermelhos da empresa de piche Cesari estacionados em todos as quadras ali perto . Eram tantos que imagino que a cidade vivia um boom de asfaltamentos, hoje penso isso. Na época, com pouco mais de 6 anos, aqueles trucks eram muito maiores, pareciam uns monstros.
Na rua sempre passava um homem barbudo, cabeludo e sério, incomum naqueles tempos, e as crianças morriam de medo, nem imaginavam o coração daquele moço, era o ainda não famoso José Mojica Marins .
Numa tarde de sol eu jogava bola com o vizinho do lado, sob a supervisão de minha avó e da mãe do menino. Quando a bola saiu da calçada entre dois caminhões monstros, saí correndo. Era uma rua sem trânsito e fui atropelado por dois cavalos que haviam sido roubados por meninos montados a pêlo, de um dos muitos terrenos baldios existentes naquela região.
Quando dei uma acordada cheio de poeira e sangue, estava no colo daquele moço do qual morríamos de medo. Ele estava me acariciando como se me conhecesse há anos e me entregou para a minha avó.
Dali, só acordei no Hospital Santa Paula, no Brooklin, bairro onde meu pai biológico era corretor de imóveis.
A vida tem dessas, só fui encontrar novamente o Zé 33 anos depois, indicado pelo amigo Rogerio Brandão, que já havia feito o Cine Trash sucesso na TV Bandeirantes com os filmes dele, antes de 1996, ano em que o reencontrei para tentarmos Uma parceria na TV Gazeta SP que dirigia.
Fizemos algumas reuniões , eu e o Luiz Carlos Stein diretor trabalhou comigo na emissora . Lembro-me que fumava diversos cigarros, de marcas diferentes, guardadas com simetria em diversos bolsos, pelo menos umas quatro , um mentolado, Minister ,Charme e Mistura Fina. Como também fumávamos, nossas reuniões no 6º andar da avenida Paulista eram um fumacê enorme.
Aquelas longas unhas, todas encaracoladas, me davam enjoo a ponto de quase vomitar , morria de vergonha de constrangê-lo ou magoá-lo, coisa que, graças a Deus, não aconteceu.
Cheguei a comentar sobre o atropelamento , agradecer e falar de como nunca nos vimos depois, com meses de cama e hospital, voltei a morar com minha mãe, e ele me disse “achei que tinha morrido” e rimos muito.
Vai aqui a minha história com este ícone do audiovisual brasileiro, que graças à sua maestria teve bons momentos e virou astro internacional com todo merecimento .
E que graças a ele estou contando está maravilhosa recordação ,que como um anjo com cara de ermitão me tirou quase morto do chão.
São Paulo, 1963- 1996

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Ligar para o caneta


No auge de minha carreira profissional tive um stress monstro, fiquei tão fraco que de cara veio uma pneumonia, fraqueza geral, perdi as forças. Tentei alopata, homeopata e no fim quem me devolveu as forças foi uma exotérica, via cristais.
Quando melhorei, fui chamado pela Denise Gomes por indicação do Jonhy Saad, dono da rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, para trabalhar no Canal 21, totalmente voltado para São Paulo, nos moldes City TV de Toronto.
Antes de assumir, pedi umas férias na Gazeta (última vez que trabalhei na casa) e fui passar três semanas na Praia do Forte, na Bahia, com a família – nem tinha ideia de que um dia moraria em Salvador.
Fomos para o ecoresort do alemão, com comida maravilhosa e serviços bem baianos. Lembro-me da primeira vez que fomos, quando chegamos, os meninos, ainda pequenos, queriam piscina e fomos os primeiros a chegar a ela. Demorou um bocado para vir uma garçonete, que anotou de cabeça os pedidos de suco de laranja. Ela demorou uma infinidade, largou a bandeja e saiu rápido. Fomos tomar e era de maracujá. A garçonete demorou outro monte e, quando chegou, falamos da troca. Ela pegou o copo deu um gole e disse: “Tem importância, é da mesma cor, dá pra tomar”.
Ainda havia uns acertos com o Jonhy e deixei com minha secretária, Tereza, onde estava. Certo dia, estou na piscina e passa um funcionário com uma plaquinha: “Sr. Hélcio, ligar para o Jonhy Saad”.
Imaginem a glória, rsrs, estar ali no chique danado, com CEOs, diretores executivos e alguns amigos. Arrumei de passar outras duas vezes, só que essas eram da minha cabeça maquiavélica.
Foram 21 dias maravilhosos, engordamos um monte e voltamos descansados para uma das maiores dificuldades que enfrentei na carreira: um canal local, numa época de início da internet global, numa empresa cheia de vícios e parentes.

São Paulo-Praia do Forte, 1996/1997.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Mudança de Hábitos

Há 9 anos, deixei de me meter a vender espaços comerciais em veículos de comunicação. O mercado fez um pacto em não atender os contatos e, para não ser criticado, marcava e desmarcava até você não marcar mais.
Vender é uma arte e ficar na iminência de olharem seu e-mail já não me adrenalizava mais. Eu mesclava e-mail,fax, telex  e visitas a  vida toda.
A coisa não deve ter mudado muito de uns anos pra cá no quesito atendimento , no resto mudou tudo. Direto tenho visto ad sales ( contatos) reclamando nas redes sociais, e a prática do marca e desmarca até piorou. Hoje o cara nem desmarca, apenas não aparece para atender quem marcou, pagou estacionamento e perdeu seu tempo.
Esses dias, fiquei sabendo que o Grupo Globo vai unificar todo seu staff de vendas, TV, internet, rádios, editora, jornais e outras plataformas e resolvi pensar no assunto.
Imagino que as agências de publicidade vão mexer em seus quadros, juntar seus cacos e cometer o suicídio em massa.
Posso apostar que o carro-chefe vai se dar  muito bem a TV e os outros vão acabar sendo aos poucos excluídos dos planejamentos, neste país dos 3 mercados – ricos, pobres e esquecidos. A TV ainda tem força, vejam os índices: Globo 2/3, SBT e Record 1/3 cada, grosseiramente, Band e RedeTV nem coçam no Kantar/Ibope, 60% da população ainda vê TV como antes da internet.
Lembro quando a Band bonificava sua melhor praça, o SP1, em detrimento de sua venda da Net. Crescemos quando desmembramos a emissora de São Paulo, 500% em menos de um ano.E olhem que o diretor comercial nacional da época o Dalton Machado na minha opinião foi um dos melhores de todos os tempos.
Vejam a RBS, que tentou isso e hoje dizem que tudo desmoronou no Sul do País. Vendeu Santa Catarina e o grupo vem acompanhando a decadência da matriz, dos R$ 16 bilhões de reais em 2014 para pouco mais de R$ 6 bilhões de reais previstos pelos entendidos em 2019.
O amigo Rodrigo Arnaut, que trabalhou na Vênus Platinada na área de inovação, até três anos atrás, me disse que em 2009 já estava tudo pronto (iOS, Android, web e smartTVs) para lançar o que hoje conhecemos como GloboPlay. Ele foi responsável pelos primeiros aplicativos lançados pela Globo, como o pioneiro app Central da Copa, que chegou a ser o mais baixado na loja da Apple (iTunes na época), mas quando ele procurou expandir a ideia a outras áreas da Globo, encontrou as tradicionais barreiras ao mexer no vespeiro e chegou a ser indagado sobre estar criando algo contra o modelo da empresa. Mas o Rodrigo estava, de forma visionária, tão empolgado com o futuro, que insistia na ideia, e acabaram o tratando como louco internamente, o que gerou muito estresse, inclusive chegando a ser internado em clínica psiquiatra pela pressão e ansiedade vividas naquele momento. O produto GloboPlay acabou sendo lançado em 2015, três anos após a Netflix no Brasil, e naquela época foi lançado praticamente com os mesmos conteúdos da TV. Apenas agora, em 2019, que surge com muitas séries originais ou compradas exclusivamente no on-line, as quais, segundo os anúncios, chegam a 100, enquanto a Netflix tem 7.500 séries. O pioneirismo da Netflix, três anos à frente, deixou a competição muito difícil, que nem podemos chamá-los de concorrentes.
Em pouco tempo a TV Globo mudou umas três vezes seus diretores comerciais, tem acertado nas vendas de merchandising, que chamo de infoshow em textos acadêmicos, e espero que acerte, pois o mercado cada dia sofre os efeitos do marca e desmarca e dos erros bobos de quem não topava nada e agora topa qualquer dinheiro.