sábado, 23 de junho de 2012

Pomba Gira...

Era 1996 ou 1997, e eu na Band em uma das tarefas mais difíceis que tive na vida, desmembrar o SP1 do nacional na casa em frente ao predião da Bandeirantes, ou melhor,na casa onde o Dalton Machado –diretor de publicidade nacional mandava muito, até então meu amigo quando fui para lá dividir seu mercado não gostou muito mas sempre me tratou  bem os outros é que faziam a diferença, seus funcionários.
 Orlando Marques me convida e fui da Gazeta SP para lá, ele mesmo me disse que a parada não seria fácil eu não imaginei a força do diretor daquela casa. Faturava muito mais que o nacional, merecia e tinha como tática usar o SP1 como alavanca (tanto nas negociações em desconto como em bonificações; aprendi isso lá com ele, mas não na turma dele, na minha turma). Não sou eu que vou questionar, pois usei desta tática lá e em outros lugares em que trabalhei depois.
Éramos uma equipe pequena, em Vendas, o Marco Piccolo, o Mauricio Rollo e o Gilberto Corazza(substituto do Pato, que ligava de casa às 10h30min da manhã dizendo que estava na JWT, com o cachorro latindo ao fundo). Usávamos o mkt da Band (o Paulo Oncken era o diretor). Tínhamos um boy meio assistente e meio parente da família e nossa secretária/assistente, a Adriana, que entra novamente na história, mas em outra emissora já contei uma dela na TV Gazeta SP.
A briga com a equipe do nacional começou a ficar boa uns quatro meses depois que entramos, pois tivemos que pagar durante quase o primeiro ano todo as bonificações que devíamos da equipe que vendia todos os canais. Já estava até ganhando pipoca da copeira, a dona Aurea, e me enturmando aos poucos com os que não eram diretamente subordinados à direção da casa.
Essa história tem a ver com a nossa secreta, a Adriana , que já não estava comigo há uns quatro anos e foi levada por mim á Band, pois ela era muito boa mesmo , mas no meio do caminho descobrimos que ela estava alcoólatra e, mesmo assim, dava de 10 em qualquer outra.
Mas com a chegada do meio boy , Paulinho ( filho do superintendente da PF), que entrou na nossa equipe .Íamos levando, mesmo que ás vezes as noitadas da Adriana  atrapalhassem sua chegada alguns dias do mês.
Não podíamos cometer nenhuma falha ali na casa, éramos praticamente vigiados, tínhamos um plantão que chegava todos os dias às 8h da manhã entre todos nós, inclusive eu.
Um determinado dia, quando já tínhamos uma certa moral na casa – pois nosso faturamento já era digno do Johnny passar lá no nosso escritório –,  chego umas 9h e o Marco Piccolo, que tinha chegado às 8h, estava com a Adriana na sala. Logo que entrei, ele me chama ao lado e diz: “A Dri tá bêbada”. Não precisava nem falar, ela estava com um vestido preto e blusa vermelha de noite, a maquiagem uns 10 cm para o lado esquerdo e falando alto . Queria ir de qualquer jeito bater o cartão, que era no prédio em frente, e o Picollo não deixava. Imagine, seria nosso fim, com a vigilância, estaríamos mortos .Ela cambaleando e parecendo uma Pomba Gira.
Não deu outra! Foi chegando o Mauricio Rollo, o Corazza e dávamos muita risada, mas estávamos bem preocupados. O Corazza rapidamente falou em levar a Adriana pra casa, e isso já com uns 45 minutos de risadas e ponderações. Aí, me entra a dona Aurea, da cozinha, e a Elisa Akikusa, do mkt, com a sacolinha da pipoca – era a primeira vez que alguém entrava lá. Sobre a pipoca, eu achava que quem pagava era a Band, rapidamente tirei cinco reais da carteira e dei às duas, pois queria que elas não notassem a situação, e foi o que aconteceu.
Quando comecei a escrever estas crônicas este ano 2012, a Elisa me lembrou de que naquele dia elas saíram da sala comemorando, pois dei dinheiro para uns quinze dias de pipoca e ainda pedi desculpas... rsrsrsrs.
Ficamos naquela saia justa por um ano e meio com a equipe do Dalton. Voltamos todos para a Gazeta e usamos da mesma tática ao sair.  Nós que vendíamos o veiculado no mês e não mais bonificávamos o SP1, saímos de lá com todos os programas vendidos, as quatro cotas, até o futebol dente de leite, que chamava Ping Pong,  e o Box, que nunca vendiam mais que duas cotas, deixamos vendidas as quatro. Apanhamos bastante, mas aprendemos muito bem, e o veneno que recebemos, devolvemos na mordida final. Não fizemos nada além do que recebemos, tenho a consciência tranquila, parte da moçada ainda esta aí para confirmar. E deixo uma homenagem ao Dalton que, na minha opinião, foi um dos melhores profissionais que conheci vendendo publicidade nas ruas de São Paulo.   

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Infarto profissional




Era início de 1996 ou por aí e acabara de ser contratado pela Nambei chilena e pelo grupo Meio e Mensagem para lançar a revista “América Economia” no Brasil (dezessete anos depois fui sócio da revista por nove anos – outras histórias).Nambei e Grupo  M&M eram sócios.

O Sales Neto arrumou de nossa agência de publicidade ser a DM9 e achei bem legal ter uma porta escancarada lá com meu amigo Paulo Queiroz o diretor geral de mídia  – o Nizan era detalhe naquele momento. A pressão era forte , era minha primeira experiência Full América Latina e posso dizer de um profissional do mercado publicitário.

Lembro-me de que poucos tinham celular e em uma reunião de briefing na DM9, da qual até o Nizan participou, meu celular tocou umas dez vezes. Isso era fim de janeiro e lançaríamos a revista em português em março, e estávamos pertíssimos do fechamento. O Sales Neto, na décima ligação, me dá uma bronca e pede para não mais atender celular. Fiquei bravo, mas entendi e desliguei. Duvido hoje que ele desligue o dele em reunião, mas patrão é patrão e gosto dele, que sempre me tratou muito bem, salvo aquele dia.

A campanha da agência foi um show e o lançamento da revista outro show de publicidade. A primeira página havíamos vendido dia 22 de dezembro 95 (fui contratado dia 12 12 95) para a Amex e quem autorizou foi o Luiz Carlos Pereira –  pagou antecipadamente três paginas, lembro-me de que quando fechamos a primeira edição , na segunda já tínhamos o dobro de páginas.Isabel Amorin craquissima  linda e ainda falava inglês . espanhol e francês, e a Rosa Helena a Gaúcha  muito relacionamento nas agencias cada uma era de um jeito as duas muitos boas .

As coisas iam bem e eu tinha porta aberta na agência do Paulo, mas nunca exagerei, apesar da insistência dos chefes (Sabe, né? Veículo, quando tem agência grande, chega a encher o saco dos mídias. Quem é ou foi patrão com agência grande sabe disso... rsrsrsrs.)

O bom ali eram as informação de um mundo novo, falar com o escritório de Miami quase todo dia em portunhol, ou com o Chile . Viajar! Ah, viajar... Estava indo para o lançamento em Miami com o Nils Strandeberg, o Sales Neto e nosso editor. Na porta do hotel o Neto tira uma comigo: “Fique bem perto da gente para te apresentarmos umas pessoas”. Mas já na fila do check in apresentei dois mídias para meu grupo, um era o Otávio, que tinha sido da Grey Brasil e estava numa grande agência em Nova York, o outro não me lembro era uma mídia de Chicago . No final, os vendedores de “América Economia” em Miami ficaram no meu pé para conhecerem meus amigos lá... rsrsrsrs.

Quem fez a palestra de abertura foi o Nizan Guanaes – que arrasou – para uma bela plateia de umas quinhentas pessoas full também. Ficamos apenas dois dias lá, mas foi minha primeira experiência internacional.

Tudo isso foi no início de janeiro e já estávamos no fechamento da primeira edição e nada de uma página da DM9. Marquei uma reunião com o com um dos diretores de mídia da agencia para pedir penico, não pela grana, mas pela pressão. (Entende, né? Estávamos bem de página, mas a da DM9 tinha que ter.)

Nunca tinha tomado uma  canseira na DM9, mas naquele dia, e eu ainda cliente, tomei uma brava, já era diretor e os contatos na recepção eram atendidos pelos outros mídias antes de mim. Isso sempre foi vergonha naquela época. Hoje, se chegar a uma agência dificilmente tem mais de um contato na recepção, ou nenhum. Por quê? ...rsrsrsrs.

E aí chega o diretor de mídia, me leva para a sala de reunião ainda ali na Cardoso de Almeida e meio respirando forte me diz uma frase que nunca esqueci:

– Hélcio, você conhece o termo ‘infarto profissional’?

– Eu, não!

 – Vou te explicar.  Aqui na DM9, um dia o Nizan pode vir a te encher tanto o saco que existe uma possibilidade de um infarto profissional.

Demos muitas risadas, contei para ele a pressão e ele chamou outro mídia (que um dia tomou uma chacoalhada do Nizan na frente do Gilberto Corazza em uma reunião na DM9. O Corazza chegou branco na Band com essa história e acredito ser verdade, conheço bem o jeito baiano de fazer as coisas funcionarem morei em Salvador nove anos). Eu dei muita chacoalhada em contato na minha vida profissional. Mas como sou pequeno, não levantei ninguém um metro, só fiz chorar. (Veneno... Lembre, é crônica, não maldade.)desculpem todos ...

O mídia me autorizou no outro dia a quarta capa de nossa primeira edição com a Boehmia. Lindo, né? Ter amigos... rsrsrsrs. E um produto bom é logico. E um desconto de pagina simples .Amigos são amigos negócios a parte .

Ah, o infarto profissional! Achei aquilo o máximo, contei pra muita gente durante uns quinze anos sobre aquelas frasezinhas do diretor de mídia  e pior o identificava  .

Em 2005 mais ou menos marquei uma reunião com o diretor de mídia que ainda estava na  DM9 e falamos de Salvador, do meu bar, da Bloomberg, da TV Salvador e quando chegamos à “América Economia” lembrei do infarto  profissional. E ele me disse: “Hélcio, nem eu lembrava. Se me recordo, só falei aquela frase para você, nunca pra mais ninguém.” Imagine, eu contei pra todo mundo aquela criação única do mídia como se ele falasse pra todo mundo.

Dei sorte, nunca ninguém contou ao Nizan minha trapalhada com o mídia. Hoje, depois de anos, posso contar, já não trabalha lá naquele prédio lindo da Brigadeiro.

E eu não corro o risco do Nizan me chacoalhar, virei também baiano.  Lícia Fabio também é minha mãe de santo. (Recurso poético, se é que posso chamar assim.)

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Faltam professores ,faltam alunos.





Muitos falam que ser vendedor é nato. Mentira. Ainda que fosse, aprende-se muito com bons professores. Alguns me ensinaram a arte de vender publicidade: Zelão, vinha da escola/agência Salles, era o boa pinta do mercado e mudava de voz ao falar com o presidente da Valisère ou com o português da Pullman. Um craque. Eu trabalhava como assistente seu e de mais três contatos e escutava tudo o que ele falava com agências e clientes. Lembro-me que, em um domingo, me ligou falando de uma matéria de capa na Veja sobre o primeiro “Criança Esperança”. Trabalhávamos há um mês e nada. Na segunda-feira fomos à rua e na quarta havíamos fechado todas as cotas. Aquilo mudou minha vida.

Outro professor foi Tarciso Guimarães, contato de classe ímpar, terno impecável e organização notável. Era o maior propagador de minhas gírias no mercado de agências e clientes: “degolou” (mandou embora) e “caiu balão” (chegou tudo ao mesmo tempo). Eu estava na Rede Globo, tinha 23 anos e só pensava em mulher e festa. Trabalhava feito um cão, 15 horas dia.  Não poderia deixar de registrar, ainda, Walter Nise, meu preferido. Esquecia de tudo, mas conhecia e agradava os clientes e agências com seu jeito de ser. Esses três homens ganhavam em salário e comissão um carro de luxo por mês, e eu os admirava, mas não só por isso.

Dispenso um parágrafo inteiro para dois de meus gerentes: Carlos Missiroli e Talardo José dos Santos. Carlos conhecia todo mundo. Vinha dos Associados, se vestia como um lord e sua equipe o amava, inclusive eu. Nos desentendemos por causa de uma garrafa de Wiborowa que ele havia tomado no almoço. Aliás, em todos os almoços. Aprendi tudo com ele, principalmente que não se deve beber no trabalho. Lembro-me também de Talardo. Éramos da Globo Minas, mas o mercado nos via como outra qualquer. No dia em que voltei a São Paulo, para a Record (ainda dos Machado de Carvalho), Talardo me perguntou o porquê. Disse-lhe, então, que eu queria seu cargo e isso era difícil, pois ninguém faturaria mais que ele. Teria que esperá-lo morrer para assumir a gerência. Desculpem-me Brito, Luiz Fernando, Cláudio Carramacho e Orlando Marques. Tivemos ótimas histórias e aprendi muito com todos. Um dia as conto em outro artigo.

Isso tudo para falar da necessidade de pensarmos em uma faculdade de Negócios & Vendas. É possível aprender a vender, bastam bons professores como os que nós tivemos. Hoje existem diversos sftwares de gestão de vendas, mas a figura do mestre sempre prevalecerá em nossas mentes. Cursos de vendas existem, mas me parecem caça-níqueis que, supostamente, em dois ou três dias, formam alguém.

Vamos ensinar a vender! Venho há tempos fazendo isso no mercado, mas acho que as faculdades podem e devem investir na oferta desse bacharelado, envolvendo disciplinas como Sociologia, Psicologia, Projetos, Marketing, Matemática, Pesquisa, Mercadologia entre outras.

E você leitor? Sua empresa precisa ou não de um de homem de negócios e vendas? Publicado em julho 2010 CDM-Revista Imprensa.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Leão em Cannes- Ouro , é lógico


Estávamos na TV Gazeta em 1996, a equipe era ótima e meu amigo de longa jornada, o Stein, era o diretor de Publicidade. Convidei-o para almoçar com o Paulo Oncken, na época diretor de Mídia da Johnson & Johnson na Lowe , para quem um ano antes havíamos apresentado um projetinho de veiculação no programa “Mulheres”.

 Estamos falando de 1996, na terceira e até então última vez que dirigi a TV Gazeta de São Paulo. Desta vez, quando fui convidado, não queria ir sozinho e fiz meu acordo com o Luiz Fernando Taranto, incluído o Luiz Carlos Stein como diretor de Publicidade, apostando que quem estava nesse posto pedisse a conta, e foi o que aconteceu.

Em menos de seis anos fui para a TV Gazeta tantas vezes e tantas vezes alavancamos seu faturamento acima dos dois milhões de dólares mensais. Os tempos eram outros. Na primeira vez, havia somente sete emissoras de TV e na última, em visita ao Paulo Camossa na Almap, ele fez as contas de quantas emissoras já tinham equipes nas agências vendendo: perto de quarenta, com as a cabo e as UHF já entrando para a disputa do dinheiro que sobra da compra na Rede Globo.

Logo que entramos, escrevi um projeto para a J&J, para a linha “Baby” de produtos para os nenéns, e levamos na mídia, que na época era o Paulo Oncken – a agência era o Lowe.

Não foi para frente e continuamos tocando nossa vida dentro da emissora paulistana, que não era fácil, e estava ainda pior.  Da vez anterior que havia saído, o programa “Mulheres” dava quatro pontos no ibope; quando voltei, dava só dois pontos e quem estava levando os outros dois pontos eram os clientes que foram para a Ana Maria Braga. Como assim? É, na minha saída resolveram tirar metade dos merchandisings do “Mulheres” e aí eles foram para o programa da Ana na Record, e a audiência também. Acho que nem a Ana Maria sabe quem foi que a alavancou no ibope (eu sei... rsrsrs).

Naquela mesma época, o Roberto Avallone (dois prêmios Esso de jornalismo), que apresentava o “Mesa Redonda”, nosso segundo programa em faturamento, ficou doente, e até a medica que cuidava dele participava do programa, e a coisa estava feia por lá.

Mas trabalhamos muito e continuamos a chegar às 8h da manhã, mantendo a regra do Claudio Carramacho, pela qual o mercado me dava o crédito. Eu posso afirmar que adoro acordar às 8h e chegar à emissora às 9h30min, mas regras são regras e quem chegava depois ia para o Pessoal, o RH.

Na TV Gazeta começamos a empregar o fechamento todos os dias e as coisas que eram semanais ou até mensais passaram a ter a rapidez dos jornais, que tinham seus fechamentos diários.

Nossa equipe era bem grande, tínhamos uns quinze vendedores, quatro gerentes, dez contatos, o Stein e eu, a equipe de Opec e Marketing – era um ótimo time. Vendíamos CNT-Gazeta, que significava, além de SP estado, mais dezenove emissoras da CNT.

A história é sobre o projeto para a linha “Baby” da J&J, que naquele primeiro ano não deu certo. Mas no ano seguinte, em um almoço sem pretensões, o Stein fala ao Paulo sobre o projeto apresentado um ano atrás, e ele disse que tinha sido bem lembrado e que seria o momento de apresentá-lo.

O projeto era simples: as enfermeiras-padrão do Einstein, já com um programa de apoio às mães com a J&J, iriam uma vez por semana ao programa “Mulheres” e em quinze minutos ensinariam conceitos e dariam dicas de como cuidar dos nenéns.

O Stein mandou de novo o projeto com os custos reajustados e no desconto praticado. Uns vinte dias depois, umas 9h da manhã, entram na minha sala o Gilberto Corazza e o Stein e dizem que o Paulo está na J&J com os gerentes de produto da conta e que não têm 52 pautas para as 52 semanas do ano. Neste momento, a equipe inteira na minha sala, eu perguntei quanto tempo ainda ia demorar a reunião na J&J, e me disseram uns quarenta minutos. Pedi para aguardarem que mandaria as pautas. Não deu outra! Na época, só tinha três filhos, mas eles tinham acabado de sair da idade do Hipoglos, das fraldas, dos cremes.  Peguei um papel e em pouco mais de vinte minutos escrevi as 52 pautas. Nem colocamos no computador, foi à mão mesmo, por fax, para a J&J.

Ah, durante essa confusão toda, um dos contatos, o Miro Modesto, atende o telefone e era a Adriana, assistente dos contatos, dizendo que não viria porque estava tirando a segunda via da identidade que perdera em um assalto, ninguém falou para mim.  Os contatos escondiam quando a Adriana faltava, ela era alcoólatra, mas ótima assistente, para marcar reunião dizia que seria mandada embora se não a conseguisse. E já havia sido minha secretária durante muitos anos, e estava com o “x” no peito comigo.

Quando estávamos mandando o fax para a J&J, todos foram embora, inclusive a Tereza, minha secretária, que estava na Opec passando o fax, e toca o meu telefone direto – o mesmo que o Miro havia atendido – e eu atendo. Do outro lado da linha, um senhor bem-educado e preocupado me diz: “Bom dia senhor! Eu aproveitei que sua funcionária saiu do meu bar e apertei o repetir e o senhor atendeu. É uma pena esta menina novinha aqui, jogada na calçada, bêbada e ninguém vai vir buscá-la”. Eu não entendi nada, mas logo chamei o Miro e matamos a charada: era a Adriana! (É lógico que o Miro tomou uma bronca e todos se viraram contra mim. Era a culpa do time e não de um só, e eu era o bobão e só.)

Chamei um deles, o Ricardo Santos, e pedi para ele ir buscar a Adriana e levá-la em casa. Coisa que fiquei sabendo dez anos depois: quando ele chegou lá, ela ficou gritando e para que a polícia não aparecesse, o Ricardo foi embora e ela ficou bêbada na Avenida da Consolação.

A história não termina aí. O projeto J&J para a linha “Baby” no “Mulheres” foi comprado e com ele a equipe do Paulo Oncken desenvolveu um case para Cannes no primeiro ano em que foi dado um Leão para a mídia, e quem ganhou foi o Paulo Oncken na categoria TV e também na categoria revista, com outro projeto na Vejinha .

É, sempre disse aos meus funcionários que não basta trabalhar, e em publicidade temos que explicar tudo nos mínimos detalhes antes de ir ao ar ou ser publicado, pode dar “dinamite”(leia o texto Dinamite) ou um ouro em Cannes em um projeto bem resolvido como este . 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Trânsito Livre

Estamos falando dos anos 1997 e 1998, no começo da melhor parte do Canal 21 e sua programação. A Denise Gomes conseguiu algumas vitórias, mas morreu na praia – não por sua culpa. Trabalhar na Bandeirantes  (hoje Band) era difícil,  e ainda deve ser, mas a própria Band conseguiu algumas vitórias e posso dizer que o Canal 21 mostrou em sua composição com a City TV canadense como usar a mesma plataforma para diversas TV em um mesmo lugar. Competência total do Johnny Saad e de relatórios da equipe que foi mapear as emissoras do grupo Davison, a Cyti TV: o modelo de TV Local (o 21), CP 24 horas (a Band News), além de BandSport, Terra Viva e a grandeza que se tornou a multimídia  Rádio  e TV Bandeirantes.

Na época já fazíamos convergência. Transição midiática – e nem o nome era esse ainda. Lembro-me de um laptop Apple, recebimento de um cliente, que ficou na minha sala por quatro meses.  Sem querer, um dia, o Luciano Cury, nosso diretor de Design e Criação pegou o laptop para me ajudar e descobriu que aquele Macintosh poderia enviar imagens que seriam recebidas em cinco minutos. Estava criado o SP On-line no jornalismo.
O José Occhiuso e o Ricardo Kotscho aprovaram de primeira. Depois, vieram no SP On-line para os comerciais, que tinham o mesmo modelo do jornalismo, com flashes diários das salas dos clientes. Conforme vou contando as histórias, vou falando um pouco sobre as aventuras do 21, canal que na minha opinião foi a única coisa legal que se fez nos últimos dez anos de TV, os críticos que me xinguem.
A história começa agora e trata de um projeto com o Scaringela – ele mesmo, o do trânsito de São Paulo – e um profissional da área comercial, o Zeca Pinto, superconhecido do Rio Grande do Sul a São Paulo, ele pode dizer que tem repercussão no Norte e Nordeste (mas acho que acabou conhecendo alguns gaúchos no DF da época ainda do ex do Jânio... rsrsrsrs).
O Scaringela já havia me levado o Trânsito Livre, nome que o Marcelo Capassi inventou na hora, pois o projeto não tinha nome. Na verdade, tinha uma vontade imensa e uma boa ideia do Homem do Trânsito. O resto, o Marcelo do marketing estava me trazendo, e como já havia visto uns dois anos atrás era a cara do 21. No meio da reunião, toca o telefone e a Tereza  me diz que o Zeca tinha tido um infarto. Nem contei para os outros. Em reunião boa não se conta coisa ruim.
Eu havia tomado Xenical – lembra-se do remédio que emagrecia, mas se desse um punzinho, ferrava –  e tinha dado alguns punzinhos minutos depois de ter ligado para o Juca Silveira, que havia entrado no lugar da Competente Denise Gomes. O projeto ia de vento em popa, mas eu não mais podia ir à sala do chefe. O Zeca com infarto e eu preocupado com a cadeira, meu terno, a merda que eu teria que fazer para ninguém notar (pelo menos, naquele dia, pois a cadeira era vermelha e tive que trocar). Ah, a maior preocupação, o infarto do Zeca, não por ele, por mim! O Gaúcho eu sabia que ia sobreviver, mas os dois mídias que me ligaram para saber do Zeca já tinham me perguntado se eu não estava batendo forte demais no menino (o menino é dez anos mais velho que eu). Minha fama era forte, o Zeca tinha que sobreviver para metade dos gaúchos não me linchar. O Marco Aurélio, na época na Nazca, me ligou bravo. “Gordinho matou o velho”, demos risadas, mas fiquei uns dias sem dormir, uns dias por estas palavras.
Ah, fui o último a sair naquele dia! Era comum, mas o estado da cadeira ia me denunciar no outro dia. Minha sorte é que a Claudia Alcântara, minha amiga diretora administrativa, me salvaria. Demorei uns três a quatro dias para contar a ela, mesmo saindo com os diretores várias vezes por semana para almoçar.
O programa foi de vento em poupa. Trouxemos o Osvaldo Oliva da Gazeta, que dirigiu lá o “Gincana Estrela” (outra história).  O único problema: começava às 5h e ia até às 7h, hoje seria um show. Qual era o problema? O Comercial e eu não faturávamos nada na hora, mas ele me alavancava das 7h em diante. O Juca entendia, mas o financeiro queria o dinheiro do horário. Mas conseguimos levar esse programa uns dois anos e pouco no ar. No fim, o Scaringela, mal sabendo que não tínhamos dinheiro para ele, estava ficando bravo – o financeiro também –, mas quando sai de lá ele ainda estava de pé, ou melhor, no ar.
O Zeca ainda ficou uns trinta dias em casa. Sorte minha que não morreu! O Zeca sempre foi bom de papo, um dos poucos a vender o canal – o Márcio Loducca e o Marcelo Capassi também vendiam bem. Quando mandei um e-mail ao Zeca, dizendo que ia contar essa história, ele me mandou um e-mail dizendo que eu era um lord com ele, e que o canal era difícil de vender, mas vendíamos. Imagina se ele morre (estes dias esteve mal de novo; pelo menos, tenho prova de comunicação dele... rsrsrs. Desculpa Gaúcho, perco o amigo, mas aqui fica engraçado!).
Com aquela correria toda e a baixa resistência do Xenical, ainda tínhamos um acordo com o secretário do Esporte da Prefeitura de São Paulo com o Cássio Calazans, hoje na Record, que estava me deixando louco. Não tinha estrutura de logística para o evento. Eu mesmo levava as bandeirolas e os banners do 21 nos eventos. Comprei uma Ranger cabine dupla porque tinha uma caçamba. Ah, um dia ainda levei uma gozação do Johnny Saad, que me perguntou se eu era fazendeiro. Imagina, só tinha um apartamento em Moema!
Uns dez dias depois do Scaringela, que gerou um trabalho de trinta dias para pôr no ar, teve uma corrida de bike da qual tínhamos a exclusividade e os patrocinadores, poucos. Eu na Ranger, na chuva, em frente ao Detran, tinha esquecido a carteira, mas tinha os crachás . Eu em cima do viaduto, colocando os banners e as bandeirolas, um guarda de trânsito me chama e pede os documentos. Rapidamente, mostrei o crachá, e ele nem tchum. Falei para ele que estávamos transmitindo a corrida, que a transmissão já tinha começado. Ele não acreditou. Eu tinha uma TV daquelas Cassio e fui mostrar. Quando sintonizei no UHF 21, não vi os flashes. Liguei para o jornalismo e não sabiam de nada. Aí, peguei o celular – aquela coisa Motorola que não pegava e era um tijolo – e liguei na frente do guarda para o Occhiuso, que me disse que os flashes estavam no ar. Eu disse que não. O guarda, puto, achou que era papo meu. Eu tentando sozinho ver se tinha alguém da Secretaria, mas no viaduto em frente ao Detran, só eu e o mal-humorado guarda. A equipe estava gravando lá no aeroporto, as meninas da redação não viram a ordem e eu na chuva e quase guinchado.
Aí, o super José Occhiuso me salva. Põe a primeira chamada – que deveria ir às 8h, às 10h30min. Mas nem o guarda, nem a Prefeitura, nem os patrocinadores viram nada. E eu  ainda fui no carro do Detran até o aeroporto, com a av. 23 de Maio fechada, com o banner do 21 no carro do Detran. Que lindo o quarto poder! (Meu carro ficou em cima do viaduto do Detran.)
A merda é que peguei uma pneumonia daquelas! Fiquei amigo do supervisor, que me indicou uns amigos no Detran que me ajudaram sempre durante minha estada no 21.


O fim desta história ficou bem legal, salvo a pneumonia. As moças da redação viraram brodinhas. Fizemos ainda uns quatro ou cinco passeios ciclísticos – fomos os primeiros. E eu nunca mais tive multas naquela Ranger e o Johnny tinha razão. Eu nem sabia dirigir direito, por causa do stress daqueles tempos acabei vendendo a Ford ao Cesar de Almeida (que viabilizava na operações nossas ideias), pois achava que ela estava me dando umas dores no braço.


Publicitário sem estrutura é fogo. Tem que inventar e ter em seu CV uma linha escrita: “Tenho muita sorte sempre”. Ah, e o Zeca Pinto esta vivo até hoje, graças a Deus!   

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Futebol na TV Globo SP sempre foi coisa séria.


No final de 1979, fui contratado pela TV Globo São Paulo pelo André Barroso, novo gerente de Opec – Operações Comerciais, que substituía o Fernando D’Avila, e estava implantando as reservas dos comerciais por computadores da CMA – empresa que terceirizava os serviços de informática .Todo o processo era feito manualmente e estávamos ali para tirar o trabalho daqueles que achavam o computador um bicho de sete cabeças. Começava ali minha convergência cognitiva na esfera digital, mas não tínhamos a menor ideia sobre onde iríamos chegar.

Diariamente bombardeados pela antiga equipe sobre os efeitos do computador na vida de todos, criávamos paralelamente uma nova forma de controlar os dados de reservas, checking, falhas, financeiros da já líder de audiência do país.

Os novos contratados, o Galdino (se dizia filho de uma famosa combatente do regime militar), o Ugo Santiago, hoje diretor da Globo, e eu,  jovens e cheios de vontade de aprender e trabalhar, dávamos a vida por aquilo que acreditávamos ser o futuro e nem ligávamos para as falácias dos antigos funcionários da era manual. Lembro-me muito do supervisor que alimentava as fofocas: o Marcos Wilson, grande conquistador das garotas da época, Bozó que vivia falando que se o encontrássemos abraçado a mulher feia, podíamos apartar que era briga. Um dia, depois de anos, parei minha Brasília na porta do parque Trianon e o encontrei abraçado com a mulher mais feia que já havia visto, e gritei: “Vou descer e apartar!”. Perdi o amigo, mas não perdi a frase.

Não posso me esquecer da equipe de suporte de informática da época, que era só de mulheres lindas e cheias de amor para dar. Só não me lembro do nome delas e, por felicidade, comandadas pelo Celso Colli, o primeiro profissional que vi programando um computador.

Em pouco mais de seis meses implantamos as reservas pelo computador. O Marcos Wilson foi mandado embora e todos os outros foram adaptados a suas novas funções. O departamento em vez de encolher dobrou em poucos meses e nós todos fomos sendo promovidos e assumindo cargos dentro da nova estruturação da gerência de Opec.

A Globo São Paulo era divertida, mas com muito trabalho e competitividade. Não era por menos, estávamos na emissora que se preparava para o ano 2000, na época, até no ar com sua campanha SP 2000. Isso significava cursos, conhecimento, network e muita concorrência interna, que faz parte do meu conto.

O RH (Recursos Humanos) organizava um campeonato de futebol de salão nas quadras do Sesc, superconcorrido. Todos os departamentos da Globo SP tinham times e alguns muito competitivos, como do José Carlos Peleias, gerente do Checking, que tinha em sua equipe o Medina e o Silvestre, da Seleção Brasileira, entre outros craques, como o José Eduardo Salerno, o Bomba, que tinha esse apelido por ser explosivo e seu chute, forte e matador .No departamento do Peleias ninguém precisava entender de publicidade –  futebol era o  requisito básico para trabalhar no departamento de Checking da emissora paulista. O Peleias, com bom mineiro, tinha o uniforme de seu time, o Atlético Mineiro, impecável e completo, que fazia seus adversários tremer na base. E com aquele time cheio de craques, todos tinham muitas dificuldades em vencê-lo. Salvo um time da Praça Marechal Hermes, onde ficava a produção da Globo SP, ninguém   fazia frente àquele timão do Checking.

O comercial estava crescendo, já era um prédio na Alameda Santos, ao lado do prédio da Sabesp, e tinha um português, o Sérgio Fernandez, como responsável pelos serviços gerais. Ele começou como garçom nas Organizações Vitor Costa, a emissora em São Paulo comprada pela Globo. Sua histórias do inicio da Globo com o Walter Clark , o Buzzoni,  entre tantos outros, eram de deliciar os novos pretensores desta vida cheia de emoções de uma emissora de TV.

O Sergião, como era chamado, montou um time bem forte do qual eu fazia parte (sempre fui um craque... rsrsrsrs).  Estávamos treinando uns seis meses antes do inicio do campeonato interno e escutando as histórias divertidas do Sergião. Até hoje, o faturamento de muitas emissoras é chamado de basquete, sabe por quê? Na mesa do Walter Clark havia uma cestinha na qual os contatos colocavam as PIs (Pedidos de Inserção ) dos clientes e agências de publicidade. Cada PI que chegava era arremessada na cesta --  a prática em pouco tempo  passou a ser chamada de basquete. Dizia o Sergião que foi o próprio Walter que inventou o nome.

Mas vamos voltar à história do futebol. Acabara de chegar o comunicado do RH sobre as inscrições e o campeonato começaria em poucos dias.

Nas primeiras partidas, tudo lindo. Ganhamos as três primeiras de goleada e nossa quarta partida seria com o poderoso Atlético Mineiro, ou melhor, o time do Peleias. Foi uma semana cheia de intrigas. Apesar do Checking ficar em outro prédio, a guerra estava declarada. Insinuações de lá, insinuações de cá, até o dia do jogo.

Nosso time se chamava Globo Star; nossa tática era que o nosso maior adversário também deveria tremer na base.

E o jogo tão esperado começou. Dez minutos, nenhum gol, quando o Miltinho, com um passe meu, fez o primeiro. Vibramos! A torcida viu na gente um adversário capaz, mas antes de  terminar o primeiro tempo já estávamos perdendo de 2 a 1. Aquilo na cabeça do nosso time foi uma enxurrada. O técnico Sergião trocou dois de nós, incluindo a mim, e desmanchou nosso esquema. Perdemos de 11 a 2. Brigamos entre nós mesmos, e para mim foi o último jogo no Globo Star.

O Globo Star se classificou para a final, e adivinhe com quem? Com o Atlético Mineiro. Eu fora desde a fase de classificação, nem queria saber do campeonato.

A final seria num domingo.  Na véspera, sai com o Ugo Santiago e combinamos de trabalhar no domingo, pois estávamos cheios de reservas e o sistema funcionava mais rapidamente que nos dias úteis, com todos trabalhando ao mesmo tempo.

Marcamos para chegar ao escritório às 12h. Chegamos no horário. O Ugo digitava e eu montava as planilhas para digitação manualmente. Ele, mais rápido que eu, lá pelas 16h resolveu tirar uma soneca debaixo da mesa dos contatos, que era tripla. Eu, que sempre bebi menos que ele, continuei na toada manual de preenchimento. Só nós dois no domingo e o porteiro no térreo até que, o Ugo dormindo, abre-se a porta da sala e eu, branco, cumprimentei: “Boa tarde, Sr. Athaide!”.   Era o diretor nacional de Opec, chefe do chefe do nosso chefe, e o Ugo dormindo debaixo da mesa. Como ele era muito poderoso, não abriu a porta inteira e não viu o Ugo Santiago deitado no carpete, debaixo das mesas. Eu tremi e gaguejei, mas o Antonio Athaide nem percebeu. Imagine, ser mandado embora por estar trabalhando no domingo, ou melhor, um de nós dormindo no trabalho!

Mas a história não termina aí. Era o dia da final do campeonato nas quadras do Sesc. O Atlético fez 1 a 0 no Globo Star e o tempo fechou na quadra. Virou uma briga sem tamanho. Contaram-me que a torcida era toda do Globo Star. Os torcedores fecharam o portão da quadra e o pau comeu. Na segunda-feira, diversos machucados, enfaixados e advertidos. Minha sorte por não ter perdido o emprego naquele domingo foi dupla: se estivesse no jogo, estaria na briga; trabalhando, quase fui flagrado dormindo, pois quando o Ugo acordasse eu iria dormir um pouco também.

Continuei muito amigo do Sergião. Fiquei muito triste quando a Globo o mandou embora, poucos anos antes de sua aposentadoria integral. Eu mesmo o contratei na revista Imprensa. Saí antes dele, e há uns dois anos perdi o contato.

Escutei muitas histórias e outras vivi com o português. Dedico esta história a ele, que me ensinou as loucuras dos bastidores de uma TV. Mesmo sendo o responsável pelos serviços gerais, sabia muito sobre os assuntos internos do inicio da história da, até hoje, campeã de audiência. 

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Havaianas em BH




Uma das coisas boas na minha vida profissional e familiar foram as mudanças de cidades e estados que, por ser filho de militar, fui obrigado a aceitar, e, na minha opinião, me deu esta facilidade de conviver sempre com novas aventuras . Tinha que fazer amigos rapidamente na adolescência. Não tinha tempo a perder, pois mudávamos de dois em dois anos.

Na vida profissional morei, além de São Paulo, em Belo Horizonte e Salvador – e também costumo dizer DF, onde fica a Secom (Secretaria de comunicações  do Governo Federal).Todos que trabalhamos no comercial temos que ser local lá, caso contrário não atendemos o maior cliente do mercado (temos representantes, mas na maioria das vezes é DF, é assim, mentirosa até na publicidade e propaganda... rsrsrsrs). Quem vende somos nós – desculpe-me os representantes. (Para um deles até devo uma grana. Vendi muito para ele, perdi o representado e ele não, pois já o atendia depois de mim.)

Esta história se passou em BH, na Globo Minas: Ives Alves, diretor regional; Placeres, diretor de programação, e Sinval de Itacarambi Leão, diretor de mercado anunciante.

Fui para lá convidado pelo André Barroso, com o aval do Evandro Guimarães. Quem me levou lá foi o Evandro, um bom amigo, poderoso, mas se encontrar no aeroporto é um lorde. E o Andre, já era a segunda vez que me contratava.

Um dia, a Diana da Opec São Paulo me chama na sala dela quando estava fazendo um estágio – na Globo SP com a Opec do Celso Coli, na época – e me diz: “Ninguém quis ir para BH. Encontraram você que não está sabendo dos problemas da saída do Marco Aurelio para a cabeça da rede no Rio, e no lugar dele promoveram o Nova Lima.” Lá tem um baita problema, imaginei. Cheguei até a ligar para o Magrão da DPZ, mas, sorte, ele não estava. Nem tinha ido e já queria voltar para a DPZ.

Fiquei uma semana ou duas em São Paulo na Alameda Santos, ainda ali do lado da Sabesp, e fui com a família para a Globo Minas,  do Ives para muitos e do Sinval para o mercado. Me dei super bem com todos lá e o problema é que o Nova Lima (apelido do segundo do Marco e nome de  uma cidade dormitório de BH)não peitava o comercial,  tudo ele ia resolvendo e ninguém na época fazia nada errado. Ele fazia o que mandavam. Tínhamos os protocolos, as regras – e quando passamos a implementá-las conforme a bíblia  da Globo , as coisas foram melhorando.  Éramos o desconto mais alto de toda a Globo. Juro! Apareciam nos relatórios uns 53%. Quando arrumamos tudo, fomos naquele ano o menor desconto do mercado, uns 7% em média. (Ah! Desconto alto na Globo é pior que falar mal do chefe... rsrsrsrsr) Era assim quando trabalhei lá. Ninguém estava fazendo nada de errado lá em BH. O Nova Lima é que com a inteligência dele burlava o Cpultador (computador) –  chamei assim alguns dias,  assim, pois sepultou a vida do Nova Lima.

Mas a história é sobre o maior varejista de calçados daqueles anos de Diretas Já. O Sinval, como todo bom anarquista, levou a equipe inteira do comercial da Globo Minas de terno e gravata para ver o discurso do Tancredo na Praça Sete, em BH.Lá no palanque, o Osmar Santos, Fernando Henrique ,Lula  e todos que fizeram deste país uma democracia.Esse discurso passa sempre na TV e eu falo aos meus filhos que eu estava lá.

Mas vamos à história. A Elmo mandou no mercado de calçados no Brasil durante anos. Para se ter ideia da força deles, nenhuma fábrica de calçados fazia um lançamento antes de estar nas lojas da Elmo, da família Ballesteros. Os grandes fabricantes de calçados, mesmo sendo em Novo Hamburgo ou qualquer outra cidade do país, tinham suas agências de publicidade em BH: Grandene , Kildare, Francesinha, Piccadilly entre muitos outros fabricantes. Ah... as agências eram a Setembro, do Almir; a Arte Vendas; A MPM de BH – do Petronio, mas em BH do Zé Luiz, o mídia da agência.

A prepotência da Elmo era maior que a da Globo na época. Para se ter uma noção do poderio deles, dividiam a verba de publicidade em TV da seguinte forma:  25% Globo, 25% SBT, 25% Manchete e 25% Bandeirantes .

Puseram-me para atender a Elmo. Eu escutava deles que um paulista estava tirando o emprego de um mineiro. Era brincadeira, mas tinha um fundo de verdade, ironia e provocação. Mas fui “ganhando eles”. Jogava bola com eles no sábado na casa de um dos filhos, o Heloi. O Paulinho, que cuidava da publicidade, também cuidava do bolão semanal da Loteria Esportiva, para a qual logo entrei com uma cota. E fui ganhando os caras.

Convenci a direção da Globo de que deveríamos arriscar e vender para eles algo grande, com um desconto enorme (não dávamos desconto à Elmo). Ao mesmo tempo, peguei o maior inimigo deles, a calçados Itapuã, de Cachoeiro de Itapemirim, do Espírito Santo, fabricante e varejista. Fiz uma enorme defesa e vendi para o seu Severino, único dono e o caneta lá, o patrocínio do Cassino do Chacrinha nacional. Por sorte, ele era da mesma cidade do Abelardo Barbosa, o Chacrinha, e patrocinou o Cassino  durante uns oito anos, até o Chacrinha sair do ar. Eu só estive quatro anos em BH.

Com isso, vendi em dezembro, janeiro, fevereiro umas dez inserções diárias à Elmo, o que significou tirar a verba da concorrência dali pra frente. Coisa de ex-mídia da DPZ, frequência e cobertura um dia, frequência e cobertura a vida toda naqueles tempos. Se não as vendas caíam. Eles tentaram, mas aí era tarde. 

Mas vamos para a Elmo! Um determinado dia, como fazia sempre antes da reunião, para arrumar argumentos sólidos, corri à loja onde ficava a sede – até escadas rolantes tinham nas lojas de calçados – e procurei uma sandália Havaiana. Não achei.

Quando estava na reunião com o Paulinho do marketing, perguntei onde ficavam as Havaianas, e ele me respondeu que vender aquelas sandálias de dedo denegriam a imagem da Elmo e que era um produto sem expressão comercial.

Quase a minha vida profissional fiquei na minha  sobre esse assunto. Em BH tinha 27 anos então, 27 anos atrás.  Há uns anos me disseram que a Elmo praticamente não existe em Minas e que a Calçados Itapuã “comeu eles” em Minas e no Espírito Santo – o forte deles eram aquelas sandálias de couro, até hoje vendidas bem na Bahia.

Imaginei que aquele grupo poderoso e dominador nunca seria batido, mas foi. E melhor ainda, as sandálias de dedo passaram a ser moda mundial e a SPASA, antes Argentina, agora tira sarro dos argentinos na publicidade da Havaiana, em vez de tirar uma com quem nem os comprava.