quarta-feira, 24 de maio de 2023

O bom e o ótimo mídia.

Era 1982 e eu fazia um ano estava em Belo Horizonte trabalhando de gerente de operações comerciais da Globo Minas , vinha da DPZ- SP onde aprendi a ser mídia profissional  com o Reinaldo Postolachi  - o Magrão  coisa que sempre me agrada muito rememorar.

Almoçando estes dias com o  JR, ex-publicitário inclusive trabalhou comigo no Canal 21 do grupo Band,  advogado de mão cheia, especializado em processos digitais e filho mais  velho do Magrão. Conversa vai , conversa vem lembrei em uma bela história vou começar a contar a vocês.

Já disse inúmeras vezes o quanto trabalhar duas vezes na TV Globo foi importante na minha vida profissional, além de sua ética e regras de lisura na “ÈPOCA”, lá fiz inúmeros cursos e seminários que só enriqueceram minha carreira.

Com 27 anos fui convidado pelo departamento de RH nacional a participar de uma série de workshops que chamavam Desenvolvimento Profissional Globo 2000 no Rio de Janeiro, eles aconteciam na cobertura do lindo hotel Sheraton na av Niemayer , uma lindeza a gente via o mar 280 graus e os outros 80 graus a favela do Vidigal , com o ar condicionado na última e toda a comodidade um novo gerente poderia sonhar.

O palestrante era o Eurico Carvalho marido da ainda desconhecida Marluce Dias, que entregava as pastas aos participantes, entre uma atividade e outra. Marluce anos mais tarde veio a ser a substituta do famoso Boni na direção geral da Rede Globo.

Um dos diferencias era que o palestrante mor era cego e dava show de habilidade e conhecimentos do início ao fim dos 3 dias de cada modulo . 

Abria o evento pedindo que cada um de nós novos diretores e gerentes da organização Globo, se apresentassem ( erámos uns 40 ) e logo após cada um que se dirigia a ele, éramos tratados pelo nome e a cidade de onde vínhamos. Um expert na arte de ensinar.

Posso garantir que os dois módulos estive foram dos mais proveitosos e glamorosos na minha vida de trabalho, pelos amigos conheci e pelo conteúdo desenvolvemos juntos.

Não lembro bem quanto tempo foi um do outro uns 6 meses imagino, ficávamos incomunicáveis durante os dias de trabalho no hotel com a equipe nos assistia e nos cativava e não é que eu acabei sendo um que foi chamado para atender uma ligação telefônica.

Um dos dias a tarde a Marluce chega por atrás da minha poltrona e diz que havia um diretor da DPZ que já havia me ligado inúmeras vezes e por ser importante haviam ligado a meus superiores em  São Paulo e BH  e feito uma consulta se  eu deveria  atender. Fiquei morrendo de vergonha.

E imaginem era o Reinaldo/ Magrão   precisava de uma informação minha que não consegui na hora mais quando cheguei a BH prontamente o atendi , ahh ele precisava de uma indicação de uma agencia de publicidade em BH para fazer uma parceria com a DPZ na conta da Cervejaria  Kaiser, lembram do baixinho, foi criação da DPZ  ,   e eu indiquei a DNA  do amigo Daniel – conhecida nacionalmente muito anos mais tarde no escândalo do mensalão e do Marcos Valério que naquela época acho nem imaginaria um dia ia trabalhar / roubar em publicidade.

O bom de escrever está crônica além de falar de profissionais dos mais capacitados passaram no mercado de comunicação foi lembrar que o Magrão sempre dizia que o bom mídia acha tudo e o ótimo mídia achava o impossível.

SP 1981, BH 1982 e Rio de Janeiro 1983         

 

 

sábado, 29 de abril de 2023

Vendedor não, comprador em potencial

Hoje, depois de uns bons anos, fui a uma concessionária VW buscar um carro novo e resolvi contar uma bela história de meados da década de 90 sobre a mesma  empresa.

Fui chamado pelo Luiz Viscardi, o fundador da grande concessionária de veículos de São Paulo, a Sorana, para uma reunião na Casa Verde, na Rua Brás Leme, com o amigo e vendedor Renato Baptista. Em uma hora de conversa, em vez de vender o patrocínio do “Mesa Redonda” do famoso apresentador Roberto Avallone , motivo pelo qual me chamou, fui eu que acabei comprando uma perua Santana preta zero-quilômetro. Ele me pedia um desconto muito alto e eu acabei dizendo que ele não me daria o mesmo desconto na compra de um veículo da loja, e não é que ele deu.

Naquele dia, o sr. Luiz comprou o patrocínio do programa, por seis meses. Ele estava contente, a loja também passou a vender Audi, dias antes de nossa reunião. Na sala dele, ainda havia balões da festinha que deu para a diretoria sobre a nova aquisição de sua bela empresa.

Menos de um mês depois, ele não sabia, troquei de canal, literalmente. Fui convidado pelo Jhonhy Saad para dirigir o canal 13, em São Paulo – SP1, da TV Bandeirantes, e fui lá na Sorana, agora como diretor da Band, e vendi o patrocínio do “Show dos Esportes” para a Audi.

Muitos dizem que tenho memória de elefante e só caiu a ficha sobre esta história quando estava comprando meu T-Cross. Cheguei até a comentar com a vendedora Aide, mas a venda foi tão diferente e complicada que acho que ela nem prestou atenção.

Lá atrás, com seu Luiz, dei a maior sorte, era a transição da URV- Unidade real de valor, para o real e o banco em que tinha conta, o BCN, em sua tesouraria, cometeu o erro de dividir em duas vezes a traquitana inventada pelo então ministro da Economia, Fernando Henrique Cardoso, em seu caixa e só depois de 90 dias foi debitado de minha conta. Apesar de minhas insistentes reclamações, a Sorana recebeu no dia combinado e à vista.  

Seu Luiz Viscardi e o Renato Baptista já se foram e devem estar aprontando alguma lá no céu. Aproveitei para fazer esta homenagem a meus amigos, que hoje devem ter visto lá de cima meu possante zero bala, não o carro mais caro da loja, ele tinha, na década de 90, antes de começar a vender os caríssimos Audi. E por que não deixar uma pulguinha atrás da orelha de nossos leitores com a pergunta: quem vende por último vende melhor?

São Paulo, 1995 e 2023.

 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

A ordem das coisas

 

O digital veio para ordenar, não no conceito de dar ordem, e sim no de priorizar. Imaginem alimentar todos esses oito bilhões de habitantes do planeta sem um bom programa de reservas em silos, mundo afora, dos elementos prioritários para solver a fome. Gente, animais, plantas e lavouras carecem de nutrientes e isso se replica em todas as cadeias de suprimentos que fazem a vida ser mais ordenada.

A partir da hora que dispomos de tecnologia, ela acaba sendo viciante e edificante no trabalho, no lazer, em casa e na rua. Hoje somos guiados por ela. GPS é pouco para o quanto somos e seremos vigiados daqui para frente.

Ninguém se livra do cadastramento. Outro dia escrevi que a qualquer momento na hora de acordar um sistema vai fazer nosso cadastro, senão não comemos, bebemos, nos transportamos e nada fazemos.

A cada dia entram novos apps, inovações visuais e de conteúdo, um mundo diferente de ano em ano. Antes eram décadas até  se mudar algo.

Leis novas precisam ser elaboradas, senão vamos trombar uns com os outros o tempo todo. A vida vai prescrevendo e nascendo vertiginosamente.

Inteligência artificial, realidade aumentada, metaverso, ChatGPT já colocaram no chinelo termos comuns de dois anos atrás.

Um universo inteiro de mudanças passa à nossa porta e sobe quem pode e entende. Muitos de nós tentamos. Esses poucos neurônios do futuro fazem de muitas gerações bobos da corte dos jovens. Sorte ainda têm os velhinhos (as) com o pau duro na ciência, mesmo sendo ela de inovação.

Ganhar espaço, pensar e escrever como nós humanos, ou quase como, imaginar o mundo em N dimensões e fazer pesquisas por conta própria será um estalo dos próximos dois anos e o que vem por aí ainda nem foi inventado.

 

São Paulo,  fevereiro 2023.

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Caiu da rede era peixe! Agora é on-demand.


Há cerca de uns 20 dias, em reunião on-line com o executivo responsável pela operadora de TV paga de um dos maiores grupos de comunicação do País, descobri ser verdade que de 2018 para cá o número de assinantes caiu de mais de 20 milhões (20.000.000) de domicílios para pouco mais de 13,7 milhões em 2022 e, com uma grave ressalva, os assinantes ininterruptamente tentam negociar para baixo o valor de suas assinaturas.

Dezoito anos antes, em um congresso de TV paga, em Florianópolis – dei uma palestra no Congresso Brasileiro de Pay TVs, convidado pela Associação Brasileira de Televisão Universitária –, quando o secretário nacional do setor palestrou, a discrepância era de perto de 2 milhões do número dele e o do mercado, que era de cerca de 5 milhões, e a plateia suspirava a cada enxadada errada discursada em cima do palco do teatro da universidade federal de Floripa. Esse é um dos motivos dos quais ainda suspeitava de tal derrocada. Há tempos atrás, era nítida a sonegação de impostos ou o velho golpe de mentir nas circulações (revistas faziam isso) para captar mais recursos no mercado publicitário. Não dava para distinguir qual era o truque da época, mas que tinha um truque era óbvio.

Podemos pôr a culpa em que quisermos, na economia, nos jovens, mas a grande janela que se abriu, ou se fechou, são as diversas formas de se assistir a audiovisuais, se entreter com videogames e a infinidade de exposição de conteúdo, que levou os consumidores a outras praias, antes inexistentes.

Fico aqui pensando no tamanho do dinheiro movimentado de uma janela para outra em pouco tempo, numa indústria que paga tecnologia em dólar.

O mais importante a se registrar é o tempo em que isso ocorreu. Antes qualquer mudança durava 10 anos, 20 anos. Hoje, em 2 anos, muda-se tudo.

Bilhões são arremessados às moscas, em equipamentos obsoletos, formação e treinamentos de pessoal, ideias que gastam sem sair das telas de computador.

Muito se fala em engenharia reversa para a indústria de foguetes, mas sem computadores e os apps ela não funciona, e os computadores é que fazem da comunicação a forma de entretenimento do momento.

Logo, logo, encontraremos elos perdidos em todos os lugares, inclusive, ao abrirmos o refrigerador com a tão falada internet das coisas e nos depararmos com a realidade aumentada do que hoje chamamos de peixe grande (on-demand), que rouba a cena neste atabalhoado mundo sem fronteiras que não espera mais nada.   

São Paulo, agosto de 2022.

terça-feira, 19 de julho de 2022

A publicidade nunca vai acabar, muito pelo contrário.

 Cada dia que passa, os breaks comercias têm ficado menores e quem ainda não descobriu que o público não se incomoda em ver coisas bem articuladas dentro do editorial vai conhecer derrotas e derrotas.

Sempre lembro da TV Gazeta da década de 90 quando falo desse assunto, nossos carros-chefes na programação eram os programas “Mulheres” e “Mesa Redonda”, que eram  recheados de testemunhais e merchandisings. E numa das minhas três saídas da emissora, o diretor que me substituiu resolveu determinar um número máximo de 20 por dia, tínhamos até 50 nos meus momentos de diretor.

Moral da história: o programa que dava quatro pontos de audiência no Ibope, em pouco tempo, apresentou um ponto, e o outro caiu de cinco para dois.

Quem se deu bem foi a Ana Maria Braga que na época tinha seu programa na Record dando traço e com a debandada dos clientes da Gazeta SP, os recebeu e quadruplicou sua audiência.   

O rei do telemarketing na época e nosso maior anunciante dizia que as mulheres faziam a xepa na feira para economizar uma graninha e comprar coisas por telefone e receber em casa pelos Correios.

Mas, voltando ao nosso assunto, hoje o Faustão come o Panetonne e, em breve, o William Bonner, ou quem o substituir, comerá também. A Rede Globo já tem hoje gente que vende espaços dentro de seus telejornais. Ah, é amiga minha, inclusive.

Em 2012, apresentei ao presidente da FAAP, uma das principais faculdades de Comunicação do País, um projeto que sugeria que todos os cursos deveriam ter a oportunidade de ensinar matérias que habilitassem o aluno em publicidade, podia até ser extracurricular. O presidente adorou, já o dono da cadeira de Comunicação quase me matou na hora – mas, matou depois.

Eu ia contra o marasmo que era o curso dele e aquilo iria dar trabalho, o que ele certamente não queria.

A publicidade continua sendo a alma do negócio, vejam Google, Facebook, Youtube entre outros, que desavergonhadamente colocam mensagens de vendas a torto e à direita a nossa frente o dia todo. O OOH já faz isso a tempos, jornais salvo o The New York Times com seus mais de 8 milhões de assinantes não se reinventaram, já os brasileiros um outro texto longo, e as rádios um dia vão chegar nisso, elas são rápidas.

Metaverso, realidade aumentada, transmidia, segmentações ao extremo e quem sabe lá os alienígenas prometem coisas do outro mundo. 

Bendita publicidade venha a nós, que estamos todos esperando seus próximos passos e consumir.

São Paulo julho 2022

 

terça-feira, 26 de outubro de 2021

Televisão, muitos lugares, muitos assitirão.

Comento bastante sobre minhas aventuras nos diversos canais de televisão em que trabalhei, que construí e modifiquei.

Televisão, na minha opinião, hoje é qualquer espaço em que exibimos audiovisuais, na empena de um edifício, no celular, no laptop, no aparelho de televisão, na grade de TV paga, no videogame, em sites e em uma infinidade de opções de lugares.

Num país como o Brasil, ela ainda brilhará durante muito tempo nas suas mais diferentes formas e formatos, canais e lugares, e é fácil de explicar: somos um país continental com a população em diversas camadas sociais, quase, a grosso modo, 1/3 em cada uma, por exemplo, 1/3 vive como se vive na Europa e EUA, 1/3 vive como se vive em países do terceiro mundo e o 1/3 restante não vive e passa a vida como se morasse nos países mais miseráveis do mundo, como na África, Haiti e muitos outros mundo afora.

Essa imensa legião de cidadãos vive nesse mundo disforme, vive conforme vivem seus bons e maus exemplos.

Salvo exceções, vivemos três partes distintas num país colossal e isso é nítido num veículo, aparelho ,que já foi o responsável por  homogeneizar uma cultura.  Já nossa sociedade é formada por castas quase que como na Índia, onde praticamente não se atravessam limites, os cidadãos compõem cada uma delas quase que do início ao fim da vida.

Com isso posto, dá para entender como o termo “televisão” ainda perdura forte para, pelo menos, 140 milhões de brasileiros no século 21, em 2021, no topo da era digital e da hipermodernidade, um aparelho quase que obsoleto no primeiro mundo.

Já há tempos falo que a TV vai viver transformações enormes e isso vem acontecendo nos nossos moldes e possibilidades.

A TV aberta perdeu, em 15 anos, 50% de sua audiência, e a TV paga, em 5 anos, 30% de seus assinantes e consequentemente de audiência.

Do ponto de vista do faturamento publicitário, a queda foi muito mais vertiginosa. Em 7 anos, perdeu 50% de suas receitas – é bem interessante ressaltar o advento digital, redes sociais, Google e Youtube levaram e levarão bastante ainda.

E não posso me esquecer que esses dois anos de pandemia e uma militância de direita que dividiu o país, com o aparecimento de vieses jornalísticos , fizeram surgir dois candidatos a investir dinheiro numa nomenclatura ultrapassada chamada “TV”. Lembrem-se das diversas formas de nos referirmos à TV.

E não é que surge a CNN, parecendo ser de direita, e enganou a todos. Não é que ela vendeu que seria. Eu que procuro notícias nunca a procurei no laptop em consulta ao Google, YouTube ou qualquer lugar. Começou bem comercialmente com a força de uma equipe conhecida e com pedigree e logo ( menos que uma pandemia ) foi se esfacelando e dando passagem a outros personagens tanto no editorial como no comercial e MKT.

Pensem que a líder ( GloboNews entre todas as pagas) nas últimas pesquisas fiz ao ranking  deTV paga é a maior concorrente da CNN Brasil , e sua audiência varia de 0,25 a 0,69 pontos, ou melhor um quarto de 1 ponto e pouco mais que metade de uma ponto. E se podemos aferir, a líder está em todas as operadoras por assinatura e a concorrente (CNN Brasil)  hoje é a 15ª colocada com uma audiência entre 0,08 a 0,22 pontos, perto de 11 vezes menos que 1 ponto e pouco menos de um quarto e 1 ponto, e espero esteja em todas as operadoras de assinatura.

E só para fazer uma comparação entre campos distintos uma rede como a Band deve faturar perto de  R$ 400 milhões ano ,com média de 2 pontos e uma cobertura perfeita nacional com quase 97 % do país. Gostaria de saber quanto custa colocar uma emissora com 100% de sua grade de jornalismo no ar, e quanto os donos pretendem faturar.         

   Ah, e minha pérola daqui a uns dias: vem aí a TV Jovem Pan. Pelo que sei dessa vez fez um caminho interessante, começou na produção de conteúdo audiovisual para disputar espaço nas redes sociais e agora batiza sua segunda aventura tele jornalística de oposição a tudo que se apresenta hoje nas grades televisivas/alternativas  no País.

Precisamos ver se o malfadado dinheiro que hoje existe no mercado anunciante dá para ser dividido com tantas opções, vai fazer chover no investimento desses dois novos “CANAIS” que foram inaugurados na pandemia.

O governo atual não vai bancar , enxergo que essa era a aposta da CNN Brasil e não aconteceu, e duvido a TV Jovem Pan  vai ser agraciada com verbas superiores a suas audiências, sem  estar nas principais operadoras de TV por assinatura ,lógico que na estreia virão os incautos e os amigos apoiarão.

Acredito que fizeram estudos sobre o quanto vai valer seu investimento e um tempo de retorno, sabendo é lógico que uma rádio não banca uma TV.

Existem inúmeros espaços a serem comercializados que jamais irão afetar a credibilidade de um jornalismo com pedigree , desde que a empresa inteira fale a língua que sobreviver com dignidade é a primeira opção a ser alcançada. 

Posso dizer que estou sempre na torcida por novos investimentos no mercado de conteúdo e sempre vejo caminhos a seguir e para viabilizar projetos novos. Hoje o comercial e o editorial dividem espaço na grade de programação e quem tiver o feeling de saber equilibrar esses pratos chega com folga a suas metas e pagará suas contas.

 

 

Brasil, 2020-2021.                 

     

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Celulares, emissoras de televisão, vacinas e o Marcos Tolentino

Gosto bastante de minha vida, para cada lugar que olho tem uma história para contar, para cada coisa que acontece tem um causo, uma constatação ou simplesmente um acontecimento que vivenciei como cidadão. Já devo ter contado que nossa equipe comercial da TV Gazeta de São Paulo foi a primeira em que cada um teve um celular. O meu comprei do Marcos Tolentino, sim, o mesmo da CPI das Vacinas e dono da Rede Brasil de Televisão. Poucos assistem porque as emissoras são em UHF e não estão nas plataformas de TV paga ( Net , Vivo, SKY , etc). Em 2006/2007, já falava para ele que emissoras de TV em breve teriam sua derrocada. Não entendi bem seus motivos de colocar dinheiro num poço sem fundo; na real seus cacifes políticos e seus sócios tiram dinheiro não põem . Lembro que morava no Brooklin Velho, bairro de SP, e era tão caro que o próprio Marcos levou o tijolo da Motorola em casa, a um preço de 1.500 dólares e já vinha com a linha da Telesp. Tolentino era anunciante da nossa TV e um batalhador. Pelo que sei, quebrou diversas vezes até ir para Curitiba e trabalhar numa banca de advocacia que hoje é sua. Desde que o reencontrei em meados de 2006, em Salvador, na companhia do Celso Russomano, hospedados com a família no chiquérrimo Hotel Pestana no Rio Vermelho, notei a mudança de classe social. Na primeira vez, logo após almoçarmos, fomos ver a construção de um apartamento que havia comprado na cidade, com 360° de visão do mar. Como já sabia de sua fixação nas emissoras, falei que aquilo que estava comprando não seria um bom negócio comercial em poucos anos e ele, em vez de querer falar comigo, se aproximou de minha mulher, que era nossa melhor apresentadora, mas não entendia nada de televisão. Em 2010, eu e minha ex rachamos, e Tolentino e ela tentaram uma parceria, primeiro em Salvador, num canal UHF da rede dele que nem satélite bom tinha, a emissora saía do ar dia sim dia também. E logo após, a mandou com salário de top de linha para Campo Grande MS, casa e carro alugado pela empresa. Em dois anos, ela já estava fora. Certo dia me ligou para perguntar, em sua primeira gravação de programa, o que eram os caracteres. Pediram para ela digitar. Em 2013, o Vagner Oliveira amigo meu e dono da NBC – Bureau de Mídia, me chamou para dar uma consultoria em Salvador e, para minha surpresa, fomos no avião do Tolentino fazer uma reunião com o dono, coronel e médico Luiz Macedo e também ex-deputado federal, apoiado pela igreja Universal do Edir Macedo e por Luiz Antônio Magalhães, que o colocou na Comissão de Telecomunicações. O coronel, além da TV, saiu com duas emissoras de rádio na região de Salvador (BA). Nesta reunião, acabei me aproximando do militar e, em poucos minutos de conversa, descobrimos que moramos na mesma casa na vila militar do Guarujá (SP) na praia das Pitangueiras, só que ele 10 anos antes de eu e meus pais. A minha vida deu tantas voltas e continua dando. O celular que comprei do Marcos Tolentino nunca deu problema e adiantou o lado nosso numa época em que ter celular era um luxo e agilidade para uma equipe pequena e que precisava de muita movimentação. Apesar de ser aposentado na vida comercial, virei um escritor de poesias, causos e projetos audiovisuais. As histórias ainda batem à minha porta. Sorte ao Marcos Tolentino nesta CPI dos horrores, nada que alguns empréstimos de seu avião de 6 lugares a políticos não possa lhe ajudar. Já a vacina Covacxin acho que não vai pro ar , bem parecida com a Rede Brasil que hora vai, hora não vai. Desta vez, pelas manchetes do jornalismo marrom, hoje tão comum nos noticiários das emissoras de televisão. São Paulo, 1996. Salvador, 2007. Brasília, 2021.

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Luciano Huck- Não vou esperar a mãe Diná voltar para arriscar.

Nessa noite de domingo, jogando Texas Poker (gratuito) via computador no escritório em casa, escutei o Luciano Huck dar uma entrevista para a Renata Ceribelli, no “Fantástico”, sobre sua nova jornada semana que vem aos domingos à tarde e começo da noite, na Rede Globo. Senti vontade de escrever quanto o apresentador-mor, em ar de menino (50 anos de idade) despretensioso e com o universo sendo seu orientador, mostrou seu lado capcioso ao telespectador. Não é candidato, nunca se proclamou a uma disputa eleitoral e a televisão foi um acaso em sua vida. Em anos, veremos se tenho razão, ou não. Certamente tem um pouco de tudo nessa falácia. Seu pai, conceituado advogado, jurista e professor de grandes estrelas do show business, deu-lhe uma volumosa quantia, pagando sua entrada e seu estrear na TV pela porta do comercial, e não pelos seus dotes artísticos, que, sejamos honestos, ele posteriormente conquistou. Demérito algum o próprio Faustão começou assim em 1984 nas madrugadas da Gazetinha de São Paulo, com o seu famoso Perdidos na Noite. Huck começou negociando espaço na CNT com a família Martinez, empresários da indústria de comunicação e líder na política do Paraná, que tinha como parceira a TV Gazeta em São Paulo, a qual eu era diretor comercial para inclusive arrumar dinheiro para está união. Na realidade, ele alugou durante uns tempos espaço nas madrugadas pelas mãos do José Carlos Martinez – presidente do PTB, que morreu em 2003 em desastre de avião, quando chegava a São Paulo, ele próprio pilotando. Zé seu irmão Flávio e seu então superintendente Ademar Monteiro foram os grandes visionários, dizem os políticos, era o caixa do caixa do Collor de Mello (PC Farias), ano antes e não deu certo, tentou montar uma nova rede de TV, a OM- Organizações Martinez, e responsáveis em pôr no ar Ratinho, Huck, Alborguetti (o precursor dos programas do gênero que o Datena concretizou e o próprio começo do Ratinho), ou de colocar no ar às 20h a um preço inimaginável igrejas como a da Graça e, logo em seguida, a própria Universal, que nem imaginava ir ao ar em outras emissoras como faz nos dias de hoje, a partir da CNT. Posso dizer que seus métodos eram diferenciados para alguém como eu, que sempre pensou em como repercutiria no mercado publicitário. Já o Zé era um grande fazedor de grana, pela necessidade de pôr no ar sua pequena rede e sua imensa capacidade de transformações, que hoje enxergo como inovação. Como o Huck veio pelo Paraná, nunca sentei com ele nessa época. Fui o conhecer em 1996, na Band. Estava eu, ele e o Johnny Saad ( vice presidente da Band), um ou dois meses antes de sua saída para a Rede Globo, quando eu acabava de chegar para mudar a trajetória comercial do Canal 21- emissora UHF do grupo Band em SP, que tinha na época dois clientes que pagavam realmente, uma concessionária Volkswagen do Ipiranga, a Sorrana, na Av. Nazaré em São Paulo, e o centro auditivo Telex. Ele ( Huck) queria colocar no ar uma reprise condensada do seu programa, o “H”. Eu disse aos dois que nem tinha dinheiro para bancar. Ele só queria R$ 15.000, mas a emissora naquele dia tinha em seu faturamento apenas R$ 10.000. Nunca esqueci desses valores pela forma que ele tentou me constranger. Não foi uma boa chegada minha na frente do futuro presidente da Rede Bandeirantes nem do apresentador, que após poucos dias mudou de emissora. Vou aqui dar uma de mãe Diná, na época frequente em nossa CNT Gazeta: Huck tão logo na Globo alcance audiência e relevante prestígio será candidato a presidente do Brasil. Sorte a minha, não devo estar aqui para contar essa história, que escutei hoje de rabo de ouvido ser negada. São Paulo, 1993 a 1997

terça-feira, 9 de março de 2021

João Bobo

Lembro que foi meu primeiro brinquedo com alguma tecnologia um joão bobo , minha mãe diz que o primeiro mesmo eu na hora que ganhei e dei uma mordida, estamos então falando do segundo, rsrsrs. Comecei esse texto assim para falar um pouco de nosso governador. Um dia lá atrás, perto de 1995, na frente de um monte de funcionários meus, disse que um dia queria trabalhar com ele e ele totalmente educado respondeu: “Quando quiser”. Acompanhei o João desde a faculdade, o Pipoca, que dava aula para ele – aluno da FAAP –Fundação Armando Alvares Penteado , estudava comigo na Anhembi, vale um dia contar essa história. Vou ficar devendo também a história de um texto meu que ele copiou e publicou como editorial na revista dele. Na formação dele tem algo estranho, ele cursou Jornalismo e Publicidade, hoje é a mesma coisa quase, mas durante anos foram ferrenhos adversários. Imagina o Jornal da Band fazer um publi-informe dentro do telejornal do Fernando Mitre, vi isso esta semana no noticiário das 19h20min. Vamos voltar ao governador, tem fama de acordar o funcionário às 4h da madruga e pedir um projeto para as 8h pronto, na mesa dele. Quando eu era workaholic, nem achava isso ruim, eu esfolava o pessoal de vendas e era muito querido pela OPEC – operações comerciais – e merchandising, que me arrumavam tudo. Ah, e olhem que eu manjava muito de OPEC, pra quem não sabe é quem põe no ar os breaks da emissora. Com 25 anos, era gerente de operações da TV Globo. O cliente João era complicado, tinha programa de tudo, cozinha com o Silvio Lancelotti (quebrou o cara), de informática e de entrevistas, que existe até hoje com a Sônia Racy na Band, e outros. E tenham certeza, ele não paga nada. O nosso protagonista tem um papo e nunca vi um tostão dele, sorte minha que sempre chegava à emissora o faturamento crescia e em meses tinha que tirar ele do ar, aquele espaço cedido eu já vendia para outro. Nunca ficou bravo comigo, sabia que ali a grana o colocava pra fora. Lembro que ele me deu até uma camisa de presente, disse que as minhas estavam apertadas, meio mal educado, mas nem levei para esse lado, aceitei e pronto (estava mais apertada que as minhas). Sempre fui desleixado, esses dias numa foto achei que estava muito arrumado, nem parecia eu. Esse João não é bobo e ainda vai dar trabalho, pelo menos para os paulistas e paulistanos. Se não for presidente, senador não tenho dúvidas. São Paulo, 1990-2009.

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Ganhamos o Prêmio Esso com um anúncio!

Ontem, conversando com o amigo Marcos Capitani, falamos da faculdade, da época em que ele era o todo-poderoso gerente no MKT do Bradesco, com 26 anos de idade, e continuamos até chegar aos dias de hoje. Uma das coisas que ele lembrou foi de ter anunciado na revista Imprensa, no especial “Os 80 anos da imigração dos japoneses no Brasil”. Nosso foco eram os nisseis e japoneses jornalistas e os veículos feitos no Brasil na língua japonesa, tipo o São Paulo Shimbun, e eu era supervisor de mim mesmo, meus ajudantes eram os donos Sinval Itacarambi Leão, com muita frequência, e o Paulo Markun, em ações bem pontuais e gloriosas – vejam que dei sorte desde sempre com meus ajudantes. E o anúncio era uma página dupla do banco, a primeira do anunciante na editora e bem-vinda por ser meu primeiro mês trabalhando lá. Eu trabalhava no Jornal do Brasil, ainda em sua fase implacável, seus especiais eram maravilhosos, acho até que gastavam mais do que faturávamos – o Jonhy Brito era gerente comercial e os clientes confundiam o Britão com a família dona do jornal os Brito. Meu último trabalho no jornal foi o especial “Os 80 anos da imigração japonesa”, com o qual faturei bastante. Quando cheguei à editora, lembro que, na minha primeira reunião de pauta na vida com Paulo Markun, Gabriel Prioli e Luiz Carlos Cabral, eu fiz de uma matéria um especial. O Markun me bancou com os experientes jornalistas, que tiraram gozação. Em poucos meses, já havia passado lá uns três diretores e ninguém tinha vendido nada. Esta coincidência e um produto feito por jornalistas de verdade – para quem conhece, o Gerson Sintoni e a Astrid Fontenelle eram focas. Como digo há muitos anos, a palavra “sorte” sempre fez parte de meu CV – ah, e muito trabalho também. Para finalizar e não escrever uma novela que poucos têm saco para ler, matei a pau naquela primorosa edição com inúmeros anúncios, ganhamos um Prêmio Esso com um branded content para a General Motors – GM –, com um belíssimo texto do Gabriel e um conto do Fernando Pessoa, se não me engano. Nem sei se os responsáveis pelo prêmio enxergaram isso. E vai aí meu abraço para o mercado que logo enxergou na época um produto bom e novo para anunciar. São Paulo, 1988.

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Game Hover

O mundo precisa de uma rapidez ainda maior que o digital já proporcionou. Perder tempo depois da pandemia será fatal, centenas e dezenas de dias parados serão ou, melhor, farão falta, desperdiçar será incorrigível. Meetings virtuais resolvem sem baixar budgets; gerar carbono perde-se tempo. Agilidade futuramente será sem limites e acanhamento. Chamar um terceiro ou quarto para se fazer tratativas sem reservas de agenda será normal, simples assim. Quem estiver fora desta onda em um ano estará também fora do mercado, a rapidez de soluções poderá derreter uma empresa em horas (já é assim). Temos que abortar o acanhamento e o politicamente correto e partir para o informal. Lógico, haverá chatos e mal-intencionados, como no presencial. Recentemente fui convidado para participar de uma virada de noite épica rsrs. Seis amigos iriam produzir conteúdo para um edital de R$ 750 000,00 em fomento, numa virada de noite – entrei, notei por experiência que o edital seria prorrogado, dei um pitaco, que a 10 mãos não dariam, sugeri um método e fui embora, curto e grosso. Ah, o edital já estava adiado desde o dia anterior e terminaram no meu método – fiquei sabendo. Agilizar ainda mais para poder compensar perdas, cuidar do planeta, ter vida saudável e incluir o máximo que pudermos seres humanos nos próximos anos será primordial. Se não escutarmos este aviso nu e cru da Terra, com esse monte de perdas, somos mesmo idiotas. Turbinar a forma de nossas tratativas acontecerem convergirá em progresso sustentável e sem agredir, sem explorar danificando. Extrativistas conscientes são novos revolucionários. Focar seu segmento com qualidade, bom gosto, ética e liberdade fará a diferença daqui pra frente, senhores. 2020-2021

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Vem aí um mundo tecnológico, cheio de passado escondido.


A pedido do amigo Jorge Medauar, vou me aventurar num texto com muitas indagações e reflexões sobre para onde caminha o mercado profissional pós-pandemia.
Vivemos, na minha opinião, os piores cinco anos da história corporativa do país, a confusão que o digital produziu na cabeça dos gestores seniores fez com que a juniorização dos cargos e salários chegasse a índices muito superiores em relação a qualquer momento anterior.
Em casa, com possibilidades de se faltar o pão, ninguém tem “razão”. Os efeitos são devastadores na economia, duas ou três gerações foram sacrificadas, perdendo seus empregos ou, até mais cruel, seu status financeiro, buscando outros totalmente fora de sua zona de conforto.
Outros como eu foram buscar ainda mais conhecimento e tentar descobrir em que erraram, coisa que tem tantas respostas que não valem a pena se aprofundar.
Fiz uma conversa com amigos esses dias, as chamadas “lives”, e descobri ser muito mais fácil entreter os convidados do que mexer nos apps disponíveis. Vi muitos tentarem entrar nos espaços reservados e, por pura falta de habilidade com a tecnologia, o tal maker/make ainda é um bicho de sete cabeças para muitos.
Pois bem, o assunto deste são as experiências dos tais seniores que acima comentei. Viveremos um tempo com minúsculas oportunidades de erros, totalmente diferente do que vínhamos vivendo, em que errar muito era ocupar espaços pelo simples fato de alcançar algo que ninguém descobriu ainda se é preciso, ou melhor se é comercialmente viável.
Quanto dinheiro desperdiçamos em nome da tecnologia e da ignorância. Quanto tempo perdemos formando profissionais que tiveram pouca duração em nossas empresas. 
Em um determinado momento em 2013, eu e um grupo tentamos falar com o diretor de produto dos celulares Samsung e, juro, em pouco mais de um ano, eles mudaram o infeliz umas cinco vezes, ou eles mudaram de empresa atrás de um pequeno acréscimo salarial.
Este mundo, e seu verdadeiro normal, vai precisar de experiência comprovada e já procurada, com lupa.
Muitos de nós prolixos e ultrapassados vivemos momentos de inflação de 80%, dinheiro duro de conseguir e nenhuma falta de decoro, hoje tão revolucionário quanto o feminismo e as generalizações.
Vem aí um mundo tecnológico, cheio de passado escondido e sem um grande tapete para jogarmos lixo e desperdícios de baixo.    

segunda-feira, 22 de junho de 2020

A derrocada de um elefante.

Abri portas que jamais imaginaria conseguir, pulei etapas que nem sabia que existiam, vivi histórias que muitos gostariam de ter participado.
Estudei os caminhos como em jogos de xadrez, pela direita, esquerda, alto e no zigue-zague, em que as damas podem influenciar a vitória e a derrota.
Fui louco o suficiente para ter seis filhos e os criar com todo o amor que pude externar e bens e ensinamentos consegui por meio de muito trabalho e perseverança.
Nunca subornei nem denegri meus pares e sempre fui a favor do certo, mesmo que viessem a prejudicar minha relação com as empresas em que trabalhei.
Vivi planos econômicos, inflação de quase 100% ao mês, chefes sádicos e que me ensinaram a ser correto e disciplinado junto ao mercado que tanto me apoiou.
Um de meus diferencias foi a adaptação às mudanças e o cumprimento de metas e regras. Muitas delas aprendi na primeira empresa de comunicação em que trabalhei e sempre fui muito grato.
Hoje resolvi bater de frente com minha grande inspiração profissional, um oásis que até pouco tempo defendia com unhas e dentes, pela seriedade nos negócios comerciais e pela sua isenção editorial e a qualidade de seus produtos.
Há menos de um ano fiz referência ao mal do tal do BV – bonificação de volume –, tão endeusado por agências de publicidade. Essas práticas contaminaram a seriedade do mercado e impuseram uma relação de submissão e de corrupção, desdenhando os valores e as pesquisas que faziam o mercado da publicidade ser idôneo e honesto com seus clientes.
Agora com este texto abomino a forma criminosa e marrom como um jornalismo grandioso desde os idos de 1966, na grande enchente no Rio de Janeiro e em inúmeros momentos da república brasileira veio a se tornar um escravo de mentiras e ataques desqualificados contra o presidente da república, usando da liberdade e direito de expressão.
Nosso país é muito maior que a rede de emissoras de televisão e até mesmo que o presidente eleito pela maioria da população votante.
Venho por este demonstrar a indignação de um único eleitor, pai de muitos filhos e pobre a ponto de ter de trabalhar mesmo depois de aposentado para cumprir obrigações que aprendi a respeitar.
Usar de uma audiência avassaladora de um bem concedido pelo estado para difamar e odiar o mandatário do Poder Executivo do País é no mínimo amoral e fora de qualquer ética, quando as notícias são endireitadas e arrumadas a bel-prazer daqueles que são apenas porta-vozes de quem realmente quer o poder a qualquer custo, mesmo este seja a derrocada da nação. Ou porque uma elefanta perdeu o rumo e vai sacrificar toda manada.       

terça-feira, 5 de maio de 2020

Teoria do Perde-Perde - Ficção

Fui procurar e não encontrei algo que tem me intrigado, se existe uma teoria de quando todo mundo perde.
Lógico que os que vendem lenço numa pandemia são regra à parte e já faz tempo que tentaram tirar o lenço de pano do mercado e ele continua vendendo como a vida inteira.
Tem perde-ganha, ganha-ganha, agora perde-perde não encontrei e vou tentar emoldurar um tipo; teoria para o sucesso de um mundo inteiro derretendo.
Minha opinião é calcular a perda total de todo mundo e puxar a vírgula na mesma proporção nos números, em quantidades que não fujam de um desvio padrão que possa a vir deteriorar a sociedade a favor do erro.
Todos perderemos algo, pessoa física, jurídica e governos, para pagarmos a conta aos economistas, pelas vias contábeis, sustentáveis e de acessibilidade. Para já arrumarmos o mundo acertadamente. E um órgão como as Nações Unidas deveria levantar uma bandeira com tamanha importância.
Uma proposta que arrume as coisas como o bug do milênio, em que um indiano atrasou o relógio e destravou uma equação há anos não resolvida, o que causaria um desastre catastrófico na economia mundial.
Especialistas em finanças, matemática, engenharia de sistemas, managers digitais e empresas de dados muito bem auditadas – formando um comitê de notáveis mundiais, com tipo Obama de CEO – deveriam dar seu grande “finale” ao mundo de presente.
Tenho quase certeza lógica de que, se todos perdem muito, vamos cortar o supérfluo e deixar o necessário e oxigenar a Terra, passando a régua em exuberância, ganância, poder, durante um longo tempo.
Absoluta certeza de que, se não encontrarmos algo assim, vamos nos foder logo depois do apocalipse e nunca pintaremos o mundo da forma correta de se lidar com ele e quem sabe com universo, “criando um vírus global”.
Algo tipo o Nobel em qualquer área de análise poderia ser um fomentador desse novo modelo de equilibrar o mundo financeiramente e ecologicamente, para fazermos um bem e nos acertarmos com o Universo. 

Mundo 2020

 

quarta-feira, 1 de abril de 2020

O maior vendedor de Salvador

O maior vendedor de Salvador
Às vezes implico em ter vivido em Salvador por perto de 10 anos, mesclados com São Paulo, minha cidade natal, ajudaram bastante o andar da carruagem. Nem me lembro onde escrevi que ter vivido nas entranhas soteropolitanas me ensinaram que o inevitável e imponderável acontecem sim, o ócio criativo proposital tão comentado bem na época em que desembarquei na cidade por Domenico de Masi, em visita a Salvador, também existe e, apesar de tudo, não me arrependo, pois aprendi a ver o mundo por outros parâmetros e quebras de paradigmas diárias. Digo aos amigos que ter vivido intensamente a Bahia foi uma grande escola para minhas poesias.
Resolvi contar esta história, às 04h30min da madrugada, depois de ter lido o relato no Facebook de um conhecido baiano que adotou minha cidade e foi o cara que deu a palavra final na minha experiência na sua cidade, Salvador, em 2002. Ele que autorizou um desconhecido a ocupar nove horas da programação num canal em UHF da empresa que dirigia – a TV Salvador. Apesar de todos os pólices que a Rede Globo impõe a suas afiliadas.
Nunca mais o vi, escutei diversas boas histórias sobre ele, o tão poderoso superintendente de conteúdo da Rede Bahia (Globo), Maurício Magalhães , e lembrei de um acontecimento que resumirá todo esse preâmbulo que contei sobre a cidade dele, bem há 15 anos, quando nem imaginava que ele mudaria para São Paulo.
O primeiro e mais constante cliente que conquistei em Salvador foi “O” vendedor de carros Mário Silveira – da Mário Seminovos (“Mário vende, Mário compra, Mário financia, Mário, é quem mais entende de carros na Bahia), que acreditou naquilo que falei em nosso primeiro encontro e foi para o ar em seus comerciais apresentando ele mesmo suas ofertas, apesar do medo inicial de dona Celina, sua esposa, pela notoriedade que Mário começou a ter na cidade já nas primeiras semanas que foi ao ar. Lembro bem deles me contando que os dois estavam numa loja de material de construção e um senhor o olhava fixamente. Logo descobriram que era um fã da TV, para alívio de sua esposa. Vale falar da força que ele me deu ao apresentar seus amigos comerciantes e empresários locais, já devidamente catequizados pelos testemunhais de seu resultado em nosso programa. Obrigado Mário.
E onde entra o Maurício nesta história?
Certo dia encontrei o Mário e ele me conta que um certo Maurício, morador de um bairro chique (acho que na Vitória), ligou para ele e disse que precisava vender dois ou três carros, que as chaves estavam com o porteiro, que o conhecia, e que depois de vendido deveria depositar o dinheiro na conta tal do banco tal.
Pelo que sei, eles nem se viram e acho que fui eu que falei ao Mário quem era o Mauricio. Imaginem de em qualquer outra cidade do País alguém entrega carros a um homem que aparece na TV. Só na Bahia, especificamente, só em Salvador. Depois conto a história da compra de meu apartamento em Salvador.
Mário contou essa história para muita gente, teve cliente que veio nos procurar depois que escutou esse acontecimento. Mário e Maurício davam até uma dupla sertaneja, mas nunca se conheceram pessoalmente.
Depois desse aquartelamento obrigatório, vou ver se marco uma hora com meu amigo do Facebook que ama minha cidade. Pois não nos encontramos há 18 anos.
Ahh e quem é o melhor vendedor de Salvador? Sou eu, que convenci os dois , um uma vez e o outro pelo menos 9 anos consecutivos . rsrsrsr
Salvador, 2005.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Rolo compressor


Às vezes penso no tempo de trabalho em alta performance como diretor de publicidade e comercial de emissoras de TV e até dono que fui em Salvador, na TV Salvador. Foram perto de 21 anos como diretor que fizeram bem e mal para meu ego e estado emocional.
“Sem esquecer do aprendizado na agencia de publicidade DPZ como comprador de mídia do Banco Itaú, no ainda poderoso jornal do Brasil e nas revistas Imprensa e as revistas da editora Globo, onde criar projetos por anos fez a diferença para toda uma vida. “
Os melhores momentos eram os holerites e as notas fiscais dos fins de mês que faziam a diferença em relação aos dias de nervoso excessivo, quando chegar em casa às 22h era pouco, parar de tremer lá pela 1h da manhã. Nessa época, caía na cama e nem me lembrava do que sonhava, tamanha adrenalina.
O troca-troca de emissora me fez vítima de estresses doentios e de alegrias posso dizer também doentias. Saía de um emprego e a imprensa especializada publicava algo a meu respeito e, em duas a três semanas, publicava de novo para onde eu já sabia desde a outra matéria que estava indo.
O burburinho de quanto ganharia nas rádios corredores das agências de publicidade e da concorrência também agitavam minha serotonina, se é que pode algo assim nos deixar ansioso e com satisfação. Era a competição, o poder de trabalhar no topo e ser invejado por muitos.
Parece hoje coisa de louco, mas não é. Quando se está na linha de frente, a coisa aparenta ser gostosa e pouco importa o que naquela hora estão pensando sobre o grosseirismo dos fatos.Costumo dizer que tive síndrome de Deus e só percebi tempos depois.
Usei um termo durante muito tempo: “Nenhum mercado ajuda pobre”. Você no topo ganha whisky 18 anos, cestas de natal, canetas Mont Blanc. Se está fora, nem um telefonema.
Lembro das confusões monstros de minha vida profissional, largava tudo, entrava numa loja e comprava seis pares de terno, um carro novo, um ar-condicionado portátil, que na época custava uma fortuna. Tudo isso para acalmar minha ansiedade, acalmar o egocentrismo do cargo.
Minha família sofreu com minha falta constante em jogos dos filhos, apresentações de balé e feiras de ciência e se divertiu muito nas viagens em belos hotéis e resorts maravilhosos, mundo afora.
Foram tempos de conhecer artistas, ídolos e ditar moda naquele mundo doido e cheio de criatividade.
Os vendedores que trabalharam comigo ganhavam bem, trabalhavam muito e psicologicamente como eu sofriam um bocado.
Vejam os atletas de seleção, são massacrados nos treinamentos e na hora do jogo levam broncas enormes do técnico e até sem sentido na hora que erram. O mundo corporativo na minha época era assim.
Fico às vezes pensando se não exagerei na dose, chamava nosso método de Tupperware e nossos comportamentos de broncos. Tínhamos que faturar, inventar e o cliente precisava ter resultado para continuar.
Um dos meus superiores dizia que tinha meio milhão de dólares que andava atrás de mim. Já para mim, o método e a disciplina eram meus melhores requisitos.
No meio desta pandemia, lembrar, pôr no papel (tela de computador) alivia o nervoso e mostra o quão duro foram os anos de reinado de alguém que, quando criança, sonhava em ter um bom carro.
São Paulo/Belo Horizonte/Salvador, 1989-201

sexta-feira, 13 de março de 2020

Passaralho


Meu mais velho tinha 7 anos. Cheguei tarde e bravo em casa pelo erro de uma funcionária. Era fechamento da revista e pela segunda vez, em poucos meses, ela havia cometido o mesmo erro.
Sentamos no sofá e todos queriam saber por que eu estava chegando tão tarde. Contei o ocorrido e meu primogênito perguntou se o erro sobre o qual havia contado era a lápis ou à caneta. Logo respondi: “À caneta, filho”. E ele treplicou: “Então, não dá para apagar né, pai”.
A vida andava dura e acertar era nosso diferencial perante o mercado, que gostava do nosso produto e de nossa forma de mexer com vara curta com o 4º poder – a imprensa.
Este ensinamento contei em várias palestras e reuniões que fiz durante as milhares de conversas com clientes e contatos, os quais minha vida profissional em grande performance proporcionou.
Publicou, foi ao ar no rádio ou na TV, está escrito no blog, no site, além das críticas, um erro pode afetar a credibilidade de um veículo de mídia.
Nestes tempos de fake news, erros são tão comuns, lembrei de escrever depois que vi o Hermes Zambini postar esta pérola: “‘Entrarão na minha casa e roubarão tudo’. Corre lá e tira tudo. Depois faz umas aulas de português.”
Sempre lembro do Hermes das partidas de futebol que jogávamos aos domingos perto da Anhembi Morumbi, às 9 horas da manhã, até o dia em que cheguei em casa e minhas malas estavam na porta. Jogava até cinco vezes por semana e minha primeira esposa teve um surto quando cheguei às 15 horas.
Ah, errei muito pouco o gol adversário, e na vida profissional errar é humano, só não dá para persistir, o passaralho (uma das tantas gírias inventadas pela Raquel Folino e eu , que os contatos da Globo – Tarcísio Guimarães , Zelão e Walter Nise, espalharam pelo mercado ) logo te encontra.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Zé do Caixão - Uma história de arrepiar


Era 1963, meus pais haviam se separado em definitivo depois de um volta não volta que é meio apagado de minha memória.
Morei um tempo com a minha avó paterna. Minha mãe era dona de casa e, apesar de ter trabalhado muito na sua infância e adolescência, havia se casado com um filho de industrial que trocou tudo o que tinha por amantes, até indústrias de meias foram premiadas e nesta época ele já havia morrido e a família pagava dívidas com fornecedores e impostos Sem trocadilhos pelo teor do conto, minha mãe comeu o pão que o diabo amassou para nos criar, até se ajeitar profissionalmente pós separação.
De uma vida com Oldsmobiles e mansões na parte abastada do bairro Vila Monumento na avenida Dom Pedro no Ipiranga SP sobraram duas casas geminadas no subdistrito do Moinho Velho na parte pobre do bairro, onde morávamos nestes tempos.
A rua era a Marquês de Maricá, ainda de terra batida, e suas calçadas eram repletas de caminhões vermelhos da empresa de piche Cesari estacionados em todos as quadras ali perto . Eram tantos que imagino que a cidade vivia um boom de asfaltamentos, hoje penso isso. Na época, com pouco mais de 6 anos, aqueles trucks eram muito maiores, pareciam uns monstros.
Na rua sempre passava um homem barbudo, cabeludo e sério, incomum naqueles tempos, e as crianças morriam de medo, nem imaginavam o coração daquele moço, era o ainda não famoso José Mojica Marins .
Numa tarde de sol eu jogava bola com o vizinho do lado, sob a supervisão de minha avó e da mãe do menino. Quando a bola saiu da calçada entre dois caminhões monstros, saí correndo. Era uma rua sem trânsito e fui atropelado por dois cavalos que haviam sido roubados por meninos montados a pêlo, de um dos muitos terrenos baldios existentes naquela região.
Quando dei uma acordada cheio de poeira e sangue, estava no colo daquele moço do qual morríamos de medo. Ele estava me acariciando como se me conhecesse há anos e me entregou para a minha avó.
Dali, só acordei no Hospital Santa Paula, no Brooklin, bairro onde meu pai biológico era corretor de imóveis.
A vida tem dessas, só fui encontrar novamente o Zé 33 anos depois, indicado pelo amigo Rogerio Brandão, que já havia feito o Cine Trash sucesso na TV Bandeirantes com os filmes dele, antes de 1996, ano em que o reencontrei para tentarmos Uma parceria na TV Gazeta SP que dirigia.
Fizemos algumas reuniões , eu e o Luiz Carlos Stein diretor trabalhou comigo na emissora . Lembro-me que fumava diversos cigarros, de marcas diferentes, guardadas com simetria em diversos bolsos, pelo menos umas quatro , um mentolado, Minister ,Charme e Mistura Fina. Como também fumávamos, nossas reuniões no 6º andar da avenida Paulista eram um fumacê enorme.
Aquelas longas unhas, todas encaracoladas, me davam enjoo a ponto de quase vomitar , morria de vergonha de constrangê-lo ou magoá-lo, coisa que, graças a Deus, não aconteceu.
Cheguei a comentar sobre o atropelamento , agradecer e falar de como nunca nos vimos depois, com meses de cama e hospital, voltei a morar com minha mãe, e ele me disse “achei que tinha morrido” e rimos muito.
Vai aqui a minha história com este ícone do audiovisual brasileiro, que graças à sua maestria teve bons momentos e virou astro internacional com todo merecimento .
E que graças a ele estou contando está maravilhosa recordação ,que como um anjo com cara de ermitão me tirou quase morto do chão.
São Paulo, 1963- 1996

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Ligar para o caneta


No auge de minha carreira profissional tive um stress monstro, fiquei tão fraco que de cara veio uma pneumonia, fraqueza geral, perdi as forças. Tentei alopata, homeopata e no fim quem me devolveu as forças foi uma exotérica, via cristais.
Quando melhorei, fui chamado pela Denise Gomes por indicação do Jonhy Saad, dono da rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, para trabalhar no Canal 21, totalmente voltado para São Paulo, nos moldes City TV de Toronto.
Antes de assumir, pedi umas férias na Gazeta (última vez que trabalhei na casa) e fui passar três semanas na Praia do Forte, na Bahia, com a família – nem tinha ideia de que um dia moraria em Salvador.
Fomos para o ecoresort do alemão, com comida maravilhosa e serviços bem baianos. Lembro-me da primeira vez que fomos, quando chegamos, os meninos, ainda pequenos, queriam piscina e fomos os primeiros a chegar a ela. Demorou um bocado para vir uma garçonete, que anotou de cabeça os pedidos de suco de laranja. Ela demorou uma infinidade, largou a bandeja e saiu rápido. Fomos tomar e era de maracujá. A garçonete demorou outro monte e, quando chegou, falamos da troca. Ela pegou o copo deu um gole e disse: “Tem importância, é da mesma cor, dá pra tomar”.
Ainda havia uns acertos com o Jonhy e deixei com minha secretária, Tereza, onde estava. Certo dia, estou na piscina e passa um funcionário com uma plaquinha: “Sr. Hélcio, ligar para o Jonhy Saad”.
Imaginem a glória, rsrs, estar ali no chique danado, com CEOs, diretores executivos e alguns amigos. Arrumei de passar outras duas vezes, só que essas eram da minha cabeça maquiavélica.
Foram 21 dias maravilhosos, engordamos um monte e voltamos descansados para uma das maiores dificuldades que enfrentei na carreira: um canal local, numa época de início da internet global, numa empresa cheia de vícios e parentes.

São Paulo-Praia do Forte, 1996/1997.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Mudança de Hábitos

Há 9 anos, deixei de me meter a vender espaços comerciais em veículos de comunicação. O mercado fez um pacto em não atender os contatos e, para não ser criticado, marcava e desmarcava até você não marcar mais.
Vender é uma arte e ficar na iminência de olharem seu e-mail já não me adrenalizava mais. Eu mesclava e-mail,fax, telex  e visitas a  vida toda.
A coisa não deve ter mudado muito de uns anos pra cá no quesito atendimento , no resto mudou tudo. Direto tenho visto ad sales ( contatos) reclamando nas redes sociais, e a prática do marca e desmarca até piorou. Hoje o cara nem desmarca, apenas não aparece para atender quem marcou, pagou estacionamento e perdeu seu tempo.
Esses dias, fiquei sabendo que o Grupo Globo vai unificar todo seu staff de vendas, TV, internet, rádios, editora, jornais e outras plataformas e resolvi pensar no assunto.
Imagino que as agências de publicidade vão mexer em seus quadros, juntar seus cacos e cometer o suicídio em massa.
Posso apostar que o carro-chefe vai se dar  muito bem a TV e os outros vão acabar sendo aos poucos excluídos dos planejamentos, neste país dos 3 mercados – ricos, pobres e esquecidos. A TV ainda tem força, vejam os índices: Globo 2/3, SBT e Record 1/3 cada, grosseiramente, Band e RedeTV nem coçam no Kantar/Ibope, 60% da população ainda vê TV como antes da internet.
Lembro quando a Band bonificava sua melhor praça, o SP1, em detrimento de sua venda da Net. Crescemos quando desmembramos a emissora de São Paulo, 500% em menos de um ano.E olhem que o diretor comercial nacional da época o Dalton Machado na minha opinião foi um dos melhores de todos os tempos.
Vejam a RBS, que tentou isso e hoje dizem que tudo desmoronou no Sul do País. Vendeu Santa Catarina e o grupo vem acompanhando a decadência da matriz, dos R$ 16 bilhões de reais em 2014 para pouco mais de R$ 6 bilhões de reais previstos pelos entendidos em 2019.
O amigo Rodrigo Arnaut, que trabalhou na Vênus Platinada na área de inovação, até três anos atrás, me disse que em 2009 já estava tudo pronto (iOS, Android, web e smartTVs) para lançar o que hoje conhecemos como GloboPlay. Ele foi responsável pelos primeiros aplicativos lançados pela Globo, como o pioneiro app Central da Copa, que chegou a ser o mais baixado na loja da Apple (iTunes na época), mas quando ele procurou expandir a ideia a outras áreas da Globo, encontrou as tradicionais barreiras ao mexer no vespeiro e chegou a ser indagado sobre estar criando algo contra o modelo da empresa. Mas o Rodrigo estava, de forma visionária, tão empolgado com o futuro, que insistia na ideia, e acabaram o tratando como louco internamente, o que gerou muito estresse, inclusive chegando a ser internado em clínica psiquiatra pela pressão e ansiedade vividas naquele momento. O produto GloboPlay acabou sendo lançado em 2015, três anos após a Netflix no Brasil, e naquela época foi lançado praticamente com os mesmos conteúdos da TV. Apenas agora, em 2019, que surge com muitas séries originais ou compradas exclusivamente no on-line, as quais, segundo os anúncios, chegam a 100, enquanto a Netflix tem 7.500 séries. O pioneirismo da Netflix, três anos à frente, deixou a competição muito difícil, que nem podemos chamá-los de concorrentes.
Em pouco tempo a TV Globo mudou umas três vezes seus diretores comerciais, tem acertado nas vendas de merchandising, que chamo de infoshow em textos acadêmicos, e espero que acerte, pois o mercado cada dia sofre os efeitos do marca e desmarca e dos erros bobos de quem não topava nada e agora topa qualquer dinheiro.