segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Gincana Estrela produção independente na TV


Esta é uma história de superação , oportunidade e criatividade e um monte de aventuras dentro de uma emissora de TV que muitos até duvidariam se escutassem os acontecidos por alguém que não tivesse totalmente envolvido na produção, criação e contratação de todos os participantes desta façanha de programação e publicidade em meados de 1996.
É tudo começou na obra de um apartamento na rua Periquito em Moema, é conheci meu companheiro de projeto na construção de nossos apartamentos . Em um sábado visitando a obra conheci outro publicitário que também viria a morar lá eu no 2 andar e ele no 5 andar.
Ele trabalhava como VP de criação da agencia Better que atendia a brinquedos Estrela e eu estava me mudando para a TV Gazeta pela terceira e última  vez que trabalhei lá.
Começamos a discutir uma ideia sobre um breefing que ele havia recebido sobre um grande estoque no seu cliente e eu e o meu futuro vizinho o Fabio Quinteiro  começamos um dos projetos mais felizes e criativos que participei, a pena é que a emissora não dava a menor atenção as nossas prioridades e necessidades para que um projeto como aquele durasse não somente 12 meses e sim uma década ou até mais.
Em 100 dias pusemos um programa de 3 horas diárias no ar  , o diretor que formatou o projeto foi o Rogério Brandão hoje o big da TV Brasil mas logo foi contratado pelo canal 21 e o Fabio assumiu a direção e contratou o Osvaldo Oliva como seu segundo  , os apresentadores a Eliana Fonseca  a Lilly e o Juarez Malavazi o Jujuba ambos vindos da TV Cultura ,o diretor de marketing  Ayres e o Carlos Tilkiam , presidente  da Estrela.
A mecânica era simples os apresentadores com as crianças brincavam com os brinquedos da Estrela e a plateia era com as crianças que eram convidadas pela produção umas 250 de escolas de São Paulo .A esqueci da Jana linda que estava no operacional e mkt da Estrela.
Por trás disso simples é que estavam as histórias engraçadas, dinheiro tínhamos a TV a Estrela nos pagava religiosamente. Mas só quem trabalhou neste projeto sabe que as fitas não chegavam nunca na hora do programa , os camarins normalmente não eram abertos para os apresentadores e convidados se aprontarem.
No programa piloto as crianças aprontaram tanto que quase a Estrela cancelou o projeto , é nossos filhos e convidados com seus filhos é que estavam lá  Gateza, Estrela  , Agencia e amigos . Eles bagunçaram tanto, tinha um filho da RH da Estrela que até pedra jogava na Av Paulista de um jardim que tinha no lob do teatro.
Parece fácil mas não é, um dia o atendimento/contato o Gilberto Corazza me tira de uma reunião e diz que todos estavam indo embora por que o estoque não liberava a fita para gravação por causa que alguém não tinha feito um memorando para sua liberação e não chegaria naquele dia para faze-lo , eu e o Gil fomos até a porta do almoxarifado e ameacei pular a porta e retirar as fitas pois não iria deixar as 250 crianças e a produção , artistas e cliente saberem do que estava acontecendo.
Nosso programa ia bem chegava a dar 4 pontos de audiência, além da Estrela dona do programa lembro  da Panco e a Ninho fazendo ações dentro do programa.
Para se ter uma ideia de produção independente tínhamos uma produção dependente rsrsrsrs. Como parceiros cliente , agencia e TV o comercial dependia do bom humor dos funcionários da emissora , e brincávamos se um dia isso aqui for privatizada( Fundação) ai vamos ser profissionais .Mas não deixávamos a peteca cair quem vende tem que entregar. O cliente só recebia elogios rsrsrsrs.
Este tipo de coisa acontece até hoje nas emissoras , estes dias dando uma palestra na Belas Artes para pós graduados uma das ouvintes me perguntou por que a emissora que transmite programas musicais e clips deu um atendimento de merda para um merchandising que eles haviam contratado, é amigos o outro lado da mesa na emissora acha fácil vender e é assim até hoje  .
Na época os brinquedos chineses já atordoavam a vida da maior fabricante de brinquedos do Brasil e aquilo era um bom argumento para a Estrela conseguir junto a seus  cliente e fornecedores condições para superar os problemas que o mercado vinha lhe causando ter 3 horas diárias na TV naquela época era o máximo , hoje só as Igrejas conseguem.
Produzir 3 horas diárias era fácil para quem via mas para quem trabalhava todos os dias os bastidores da emissora nos arrumava um turbilhão de problemas.
Tínhamos a Gincana no ar e a Gincana na emissora rsrsrsrrs só quem viveu isso sabe a tormenta , a alegria era na hora da comissão só o Programa significava 5% do nosso faturamento. E posso dizer só nós tínhamos verba da Estrela durante o ano todo.
Lendo isso parece que sou louco , como? Com verba espaço e gente como dava problema?
E muitos , as vezes acho que vendi problemas e não ideias rsrsrrsrs .
O que posso dizer é que estes problemas são para eu as grandes lembranças do meu passado e sem elas não estaria dando risadas neste futuro onde a internet de minha casa faz mais de 3000 pessoas lerem minhas histórias todas as semanas sem eu sequer sair de minha escrivaninha.
A Estrela , agradeço seus lideres na época terem confiado na minha equipe, está ai e nós fizemos história mesmo nossos chefes na época não darem a menor atenção para o lúdico que estávamos distribuído a todas as crianças que nos assistiam em 1996 e 1997 hoje elas se divertem nos computadores de sua casa.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Jovem Guarda , Família Trapo histórias na Record


Em 1986, voltando de Belo Horizonte para a Record ainda dos Machado de Carvalho, comecei a ter a minha primeira experiência em vendas de publicidade em São Paulo. Ficara quatro anos em BH, na Globo Minas, numa equipe que fez coisas incríveis e de repercussão nacional, como os enduros da Independência e da Liberdade, existentes até hoje, e a alavancagem do grupo mineiro de moda, que até hoje tem a Arezzo, Cedro Cachoeira e a Vide Bula, entre outros bons nomes do país.
Chegando à TV Record São Paulo em julho de 1986, tinha como meu gerente o Ricardo Cury (o Minhoca), o Ivandir Kotait na direção comercial o Alfredinho Machado de Carvalho no mkt e o Jair, também como gerente comercial.
A equipe era pequena e ainda estavam lá uns remanescentes da formosíssima turma que vendeu Jovem Guarda, Circo do Arrelia e Família Trapo, o Dilo e a Lita. Eu vinha para o lugar do Ramon, que havia se aposentado.
O Dilo e a Lita eram dois lordes, muito educados e sempre muito bem apresentados, tinham as melhores carteiras de contatos e faturavam ainda muito bem.
Meu primeiro dia de trabalho foi numa segunda-feira e como era início do mês, o Jair tinha a tarefa de entregar as reservas que já haviam chegado do mercado e, é lógico, todos receberam seus mapas e autorizações de suas aberturas de mês ainda éramos da era manual na Record é lógico. Como não recebi nenhum, achei que era porque estava chegando naquele dia, mas, na verdade, quando perguntei ao Minhoca,  meu gerente, ele deu a má notícia: não havia reserva nenhuma e minha meta era igual à dos outros do meu grupo.
As coisas iam ser difíceis, vindo com dois filhos de mala e cuia para minha cidade. Fui à luta. Lembro-me de uma força que o Edson Shinohaha me deu na JWT e do Wellington Barros. Como antes de ir para BH eu era assistente na Globo e atendia bem as coisas da JWT e em todas as agencias tinha um bom relacionamento, eles reuniram a mídia toda e me enturmaram com quem eu não conhecia. Lembro-me do João, Almir, Rato e Amauri Iori. Até a recepção fazia a mídia atender todo mundo.
Minhas primeiras reservas foram da Alice Orlando, na época na Norton e hoje na AGEISOBAR. Mandou-me uns mapas para o interior de São Paulo – tinha uma boa cobertura a Record no SP2(interior de SP) era um  cliente agrícola (acho que a Quimio) – e eu fiz uma festa enorme na agência. Conversamos sobre isso dias depois, mas ela não entendeu na hora. Era tão pouco dinheiro e eu tão empolgado, foi minha primeira venda em São Paulo ou melhor alguém havia me comprado.
Em cinco meses já batia minha meta. Lembro-me de que o Marcelo Assumpção, hoje diretor nacional comercial da Globo, era contato e fez um trabalho lindo no mercado imobiliário ,pois ele até ali só anunciava em jornal. Tinha no ar na Globo todas as imobiliárias e construtores e nós na Record, nenhum .
O Ricardo Cury deu uma missão à equipe, teríamos que ter alguém no ar e lá fui eu visitar, e nada, reunião após reunião! Um dia, vejo na Globo uma tal de Varella Imóveis e Construtora. O escritório era em Moema, e fui lá sem marcar.
Quando falei em Record, a secretária já me rifou para o outro dia. Eu ainda jovem e com gás total, perguntei se o seu Varella estava lá. Ela me disse que o Mercedes no estacionamento era dele.
Voltei para a emissora e no dia seguinte armei uma prontidão na frente do carro do seu Varella. Passei a manhã inteira e almocei na padaria em frente.  Umas três da tarde um jovem senhor se aproxima do Mercedes, e lá vou eu abordar aquele empresário. Só tinha um tiro: o futebol da Record com o Sílvio Luiz. Dávamos sete pontos e eu sabia que se vendesse não decepcionaria o cliente.
Ele me atendeu meio de olho virado, mas me mandou estar no outro dia às 8h da manhã, achando que eu não chegaria. Apareci no horário e já me dei bem, pois ele se atrasou mais de uma hora e para quem tinha ficado praticamente dois dias lá uma hora não era nada.
Quando o homem chegou, apresentei o futebol na recepção mesmo, nem sentamos e ele adorou o preço que, perto da Globo, era um troco.
Fechamos um dinheiro que era minha meta mensal por três meses; o Ricardo e o Ivandir  ficaram contentíssimos, e eu também.
Uma semana depois, tinha marcado na Leo Burnet com o Oscar Osawa, logo depois do almoço. Dormi na recepção e quem me acordou foi o Jony Brito, do Jornal do Brasil, que em poucos minutos me contratou.
O Minhoca ficou bravo comigo, mas passei uns quatro a cinco meses  com o dinheiro do aluguel no líquido do holerite. Sorte que um Big Mac custava R$ 1,00 e muitas vezes era meu almoço (rsrsrs...).
O bom dessa história foi que aprendi bastante com o senhor e a senhora que venderam a Jovem Guarda e ainda os vi anos com suas pastas nas agências e clientes sem a menor prepotência e com a satisfação de terem sido contatos por cinquenta anos.  

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Gotas no break da garagem.


Prospectar é o que todos que trabalham em vendas de publicidade fazem todos os dias em suas vidas , olhar aquilo que está exposto, aquilo que ninguém enxerga – nós da publicidade temos que ver. Nossos gerentes, diretores e nós próprios estamos o tempo todo atentos aos concorrentes, uma tortura que só percebemos se um dia sairmos dessa. Ou, se nunca sairmos, até na aposentadoria acho que este negócio de ser full mkt nos fará trabalhar como se estivéssemos em veículos de comunicação na área de vendas ou mkt. É um sem fim de tentar entender todos os segmentos e todos os produtos e serviços que estão no mercado ou, ainda melhor, os que estão por vir ao mercado (rsrsrs...).

Um dos profissionais que me ensinaram a fazer prospecção foi o Walter Nise, no tempo em que eu era seu assistente, em 1981. Quando a coisa pegava, íamos para o Sé Supermercados, ali na Alameda Santos, em frente ao Conjunto Nacional, e revirávamos as prateleiras para ver o que de novo existia ali para, com o aval e a grife  TV Globo, conseguir uma reunião e tentar trazer um cliente novo para veiculação .

Esta história é sobre um cliente que chegou num desses momentos, mas que não veio por intermédio de nossas visitas ao supermercado. O Walter, numa dessas prospecções, chegou a um cliente que eram as Gotas de Pinho Alabarda – um saquinho de balas redondas com sabor de pinho, bem tradicional no mercado.

A produtora de um amigo nosso que está na luta até hoje fez o filme com uma modelo que, por coincidência, tinha estudado na minha sala de aula. O dono da produtora estudava na minha faculdade e um dia, na frente dele, minha primeira mulher, sem saber de quem se tratava, perguntou se o quebradinho que a modelo tinha no dente da frente tinha sido causado pelas balas de pinho. Quase perdi o amigo – se não perdi naquela época, vou, com certeza, perder aqui, apesar de não o ter citado (rsrsrs...).

Mas o melhor da história não é esse episódio e sim o dia seguinte da visita do cliente e do fechamento das reservas.

Quando saí para ir à faculdade, o Walter e o cliente ainda ficaram consultando os espaços e fazendo os mapas reservas. Éramos já informatizados, e quando isso acontecia o contato  deixava na minha mesa os mapas para que eu os processasse logo no outro dia, no primeiro horário .

Quando cheguei, os mapas não estavam em cima da mesa e achei que algo estava errado. Liguei para a casa do Waltinho, como o chamava, e perguntei sobre os mapas. Ele me disse que estavam em cima da mesa; vasculhei tudo e nada! Liguei novamente e ele me disse que achava que estavam em cima da mesa, na antessala.  Aí, já era, pois as faxineiras já tinham jogado os mapas no lixo.

Como ainda era cedo, liguei para o Serviços Gerais e perguntei se o lixeiro havia passado. “Ainda não”, foi a resposta. E lá fui eu para a garagem da Alameda Santos procurar naquele monte de sacos de lixos de papéis – é, o computador já estava operando, mas a quantidade de papel era cada vez maior!

Para meu infortúnio, chegou o superintendente, o Dionísio Poli, que me viu no meio daqueles sacos lixo e me perguntou o que eu estava fazendo ali. Para não entregar ninguém, falei que havia perdido umas anotações. Ele me mandou sair dali, o que fiz rapidamente. Mas logo que ele saiu, voltei e achei a papelada – por sorte minha e do Waltinho.

Depois dessa, ainda tomei outra bronca do seu Dionísio por estar remexendo o lixo. A mesma história, só que desta vez eram mapas da Alpargatas cujas reservas o Edson Shinohara havia feito com o Waltinho.

Foram poucas as oportunidades que tive com o homem que mandava no comercial na Globo da Alameda Santos. E em duas delas parecia que estava pegando lixo para reciclar, quando, na real, estava salvando clientes para faturarmos. Nunca perdemos nenhum mapa, apesar do computador na época ser um bicho quase de sete cabeças e do Waltinho nunca lembrar onde estavam as reservas.

                   

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Primeira ação de internet na TV 1998


Estes foram os anos em que começamos a experimentar as novas tecnologias que ainda não faziam a diferença nem estavam assustando as pessoas. No final de 1998 tínhamos pouco mais de nove milhões de celulares, a internet começava a ser importante, mas ainda não fundamental para o dia a dia do trabalho das instituições.

Estávamos no canal 21 e nossa equipe era estupenda, Ricardo Kotscho, Denise Gomes depois Juca Silveira,Cesar de Almeida, José Occhiuso,Rogério Brandão, Luciano Cury,Bia Perreira, Maria Cristina Poli, Renata Falzoni, Salomão Shwartzman, Suely Valente,Marco Damianni entre outros bons profissionais que nos acompanhavam e nós acompanhávamos (rsrsrsrs...).

Havíamos acabado de lançar o “Circular”, um ônibus que andava pela cidade com seus entrevistados, com o patrocínio do recém-lançado cartão de débito da Visa, o Visa Eletron.Que o Luiz Cassio Oliveira gerente de marketing na época aprovou de primeira.

No mesmo período, o Luciano descobre que um laptop da Apple que estava na minha sala há uns quatro meses enviava conteúdo de TV (áudio e vídeo) e permitia que em cinco minutos conseguíssemos colocar no ar quase um link (não o era por cinco minutos). Daí, saiu o projeto “SP Online” do jornalismo.

Mandamos desenhar três ou quatro Paratis com um layout maravilhoso no Mosca, o mesmo cara que fazia os capacetes do Airton Senna, e nossos repórteres saíam com o laptop e enviavam noticias pela internet para a redação.

Como éramos um time, este mesmo projeto virou comercial e fazíamos um cross-mídia, assinando os carros e ônibus com as logos dos clientes, usando desta tecnologia para que os clientes enviassem comerciais diretamente de seus escritórios. E esta é a história de um deles. O outro caso faz parte de outra história envolvendo a Web Motors e o IG, na época do Nizan Guanaes.

Mas esta daqui é sobre o banco Santander, que estava começando a ser uma grande instituição financeira no Brasil, a agência Grey, seu atendimento, o Andreas Wilcken Junior nosso gerente de publicidade, o Márcio Loducca.

Tanto o projeto com o Santander como o com a Web Motors foram os primeiros a transmitir via internet seus conteúdos no Brasil.

Tínhamos ótimas ideias, mas o sistema UHF ainda não dispunha de uma visibilidade de audiência. Um dado exemplifica bem isso: no ano 2000 alcançamos a marca de dez milhões de aparelhos de TV vendidos no Brasil. Foi só então que eles começaram a vir com o sistema UHF de fábrica e com as sintonias automáticas na instalação.

Lembro-me de que fizemos de tudo para difundir o UHF, campanhas e permutas com a SPTV no Ipiranga, a loja que fazia para nós as instalações de UHF nas casas dos mídias, clientes, hospitais e bares e restaurantes.  Em troca, a loja anunciava um karaokê que havia trazido da China.

Mas voltando ao Santander, o Márcio, ótimo vendedor, juntamente com o atendimento da Grey, que tinha vindo da Mccann e era seu amigo, convenceram o cliente, através da Beatriz (que foi a primeira a entender o que era a internet ou o que seria). Ela tinha um belo argumento, seus economistas eram novos e ela queria dar visibilidade a eles (malho do Andreas). Ela comprou, e nada mais apropriado que eles mesmos passassem seus conteúdos diretamente do escritório do Santander, diariamente e praticamente ao vivo.

O Marcelo Cesário, nosso assistente de mkt, foi lá ensinar a equipe do banco e fizemos até uma festa na torre da antena da Band, onde penduramos um dos carros do projeto com um guindaste, como um grande outdoor (a equipe era muito trabalhadora e criativa).

As coisas eram tão difíceis que no dia da festa o Márcio e eu brigamos. Era comum, não tínhamos estrutura, grana, gente e audiência, apesar de produtos de ponta.

No dia em que fomos ao Santander fazer uma entrevista com o VP de MKT, o VP da agência brigou com o atendimento na nossa frente porque achava uma loucura transmitirmos diretamente do banco para a TV, que éramos loucos e que aquilo não seria possível jamais. Quem acreditou fomos a diretora de MKT do banco, o atendimento da agência e nós.

E não é que quando vejo o economista Rappaport dando entrevista na Globo News ou Jornal Nacional me lembro desse projeto? O Rappaport era o chefe dos economistas (“mirins”) do Santander naquela época. Hoje não sai da TV. Parece que deu certo!!!

Desculpe-me por não lembrar seu nome completo: Bia, era assim que chamávamos  a diretora de mkt do banco, você foi a primeira anunciante no Brasil a colocar um produto transmitido pela internet; Andreas  e Marcio, os primeiros que compraram  e venderam essa briga chamada online ou quase online via web.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O Rei do Televendas


Todos acham que o mercado publicitário sempre foi um mar de rosas em qualidade de vida e muito dinheiro posso dizer que tive os dois casos em minha vida profissional , já os de pressão e pouco dinheiro foram difíceis mas tão engraçados e divertidos quanto .
Esta história teve seu começo em 1993 – para ser mais preciso, em 23 de abril de 1993 –,quando fui contratado pela TV Gazeta de São Paulo para montar o comercial da nova rede da qual iríamos  fazer parte, a CNT-Gazeta,  sociedade entre a rede OM de TV, da família Martinês de Curitiba, e a Fundação  Casper  Líbero de São Paulo .
A denominação nova era uma exigência minha, pois estávamos com muitos problemas com a dissolução da rede OM – uma parte, pois ela fazia parte do espólio Collor; a outra eram as triplicatas emitidas da Lever a outros clientes menores (rsrsrsrs...),  que se confundiam nas agências e clientes com as emitidas na mesma época pela rede Manchete. Coincidência ou não, tínhamos apenas sete emissoras no ar e a confusão das triplicatas só eu e os financeiros das agências da época sabemos como arrumamos. Não posso deixar de lado o Claudio Carramacho, que foi um ótimo parceiro nas confusões das triplicatas na Fundação.
Uma das estratégias para se ter uma boa equipe foi pagar uma comissão alta, mas era preciso faturar. E lá fomos nós ao mercado com um discurso fabuloso que eram as audiências que a união antiga da Gazeta com a OM tinham dado nas transmissões da Libertadores da América com o Galvão Bueno, e a sorte que tivemos com a vinda do Clodovil e do Hélio Sileman que segurava o moço em um programa diário, de segunda a sexta, das 22h às 23h30min, que emplacava quatro pontos de audiência e já vinha com o patrocínio das cafeteiras Wallita ( mais oi menos assim rsrsrsr), na época do poderoso Ricardo Adans, diretor e depois VP de Marketing, um craque.

Éramos doze contatos, eu e o Carramacho, que às vezes dava uns pequenos probleminhas (rsrsrsrs...), mas sempre foi parceiro da equipe.

Uma de suas estratégias foi fazer a equipe chegar diariamente às 8h da manhã para uma reunião no oitavo andar na sala Casper Líbero, que ficava ao lado da administração da Fundação e do RH, cujo pessoal só chegava às 9h, mas via a equipe comercial trabalhando todos os dias uma hora antes. Isso nos ajudou bastante, ninguém falava que éramos folgados e sim uns workaholics.
As instalações eram um horror e aos poucos, com grana na casa, fomos também fazendo a cabeça dos diretores e a Fundação foi melhorando sua cara, até festa demos lá.
Em seis meses, os contatos que ganhavam R$1.000,00 por mês já ganhavam perto de U$ 5.000,00 e , em um ano , U$ 12.000,00. Que proeza! E tudo começou logo na segunda semana, com uma ligação.
A secretária me passa uma ligação e a pessoa diz que queria anunciar no programa “Mulheres” e eu perguntei a verba. Em abril daquele ano o faturamento da TV tinha sido  de U$ 200.000, e só aquela consulta seria de U$ 400.000 ao mês (tinha algo errado ali). Achei que era uma brincadeira um amigo tirando uma com a minha cara, perguntei o endereço e a pessoa me disse que era Rua Barão do Triunfo. Eu morava na Barão do Triunfo  e falei para a pessoa se identificar e a pessoa disse o nome Honor Rodrigues, e a pessoa me disse que não era brincadeira. Ficamos uns segundos nessa conversa mole até que descobri que era uma cliente mesmo, na época o dono da Company Publicidade ,o rei das televendas, seu produtos davam diversos problemas no Procon, na Saúde Publica e vira e mexe tínhamos um boato de que ele iria quebrar ( um dia vou contar uma história só sobre as façanhas deste Honor).
Esse cliente ajudou a levantar a moral da equipe. Imagine, do dia para a noite consegui, ou melhor, caiu do céu um faturamento que era o dobro do que tínhamos.
Muitas histórias aconteceram sobre e com esse cliente na minha vida de vendedor de TV. Uma delas foi a própria sorte de estar na emissora ás 8h, horário em que ele ligou e em que normalmente ninguém ainda chegou aos departamentos comerciais das emissoras.
Outra foi: apesar de sua falta de ética, com a qual tentava nos impregnar, não termos nos curvado e, com isso, passamos ilesos por suas trapalhadas e tentativas de nos corromper ( Decon, Procon e até Justiça).
Perguntem ao Osvaldo Marraccini ele atendeu muito o Honor rsrsr
A última vez que ouvi falar do Honor foi no dossiê Uruguai, aquele que o Collor tentou forjar em Miami  – e acho que o Honor acabou caindo na Justiça de lá. E o que posso dizer é que nunca levei um balão do homem e ganhamos muito dinheiro com as veiculações daqueles produtos para crescer cabelo, cartilagem de tubarão e os primeiros pets para parar de fumar do mercado.
Honor Rodrigues foi o vilão de muita gente, mas posso dizer com convicção que salvei minhas metas com  aquele dinheiro nas horas mais difíceis de minhas gestões na Band ,Gazeta SP e Canal 21, e garanto, se houve um “Rei do Televendas”, foi ele. Pena que sua ética estava abaixo das 8h da manhã.       




domingo, 8 de julho de 2012

Churrasquinho de paginas.


Um dos lados da mesa que me deram muito trabalho foram as vezes que me aventurei na área de circulação, especificamente nas assinaturas de revistas. Era o ano de 1989, e eu na Feeling Editorial – editora da revista “Imprensa”, na época uma estupenda publicação que fazia só de publicidade umas cinquenta páginas mensais. Vendíamos bem em banca e as assinaturas eram um problema.
Éramos bem organizados, tínhamos representantes em todos os estados, mas em São Paulo as grandes editoras não deixavam espaço para os pequenos e, por mais que procurássemos, com uma só publicação ninguém queria nos representar na maior cidade do país, e nós teríamos que resolver esse problema.
Em 1990, tivemos um dos planos econômicos, o plano Collor, e aí as coisas pioraram.  Fazíamos um evento no Ceasar Park uma vez por mês, e chamamos os melhores especialistas em assinaturas, lembro que uma delas era a Adélia Francisquini(era diretora de mkt da editora Abril )e todos falavam que estavam parando seus departamentos, pois vender era ter prejuízo mês a mês. As empresas não tinham dinheiro no caixa, pois a ministra Zélia tinha tirado o dinheiro da conta de todos. Estávamos num dilema, vivíamos de publicidade e ela havia parado também.
Tínhamos uma permuta monstruosa com a Vasp que a Rosana Roque nossa gerente de publicidade  fechou e até nós achamos muito alta( a Rosana vendia muito). Foi a última vez que fiz permuta com uma companhia aérea (acho que a Rosana exagerou, rsrsrsrs...). Nosso melhor representante no Brasil estava em Porto Alegre, um ex-gerente de assinaturas da Visão em São Paulo, gaúcho dos machos, vendia o dobro de todos os outros estados.
Conversando com ele um dia por telefone, descubro que acabara de perder seu melhor cliente de assinaturas em Porto Alegre( a Editora Globo) e seus vendedores estavam indo embora. Fiz-lhe uma proposta de trazer sua equipe para São Paulo de avião. Imaginem vendedores de assinatura viajando de avião e não é que deu certo.
Dois dias depois, o gaúcho me liga topando, só teria que conseguir um hotel baratinho em São Paulo. Mandei nosso “resolve tudo” para a região da Major Sertório e no fim do dia já tínhamos um andar para os gaúchos. Vieram doze e o dono da empresa.
Aquilo foi minha salvação e meu desastre diário. O ex-gerente da Visão, o dono, ficou uma semana e depois eu fiquei com a gauchada. No hotel eles arrumaram todas as confusões possíveis; fui lá tirar prostitutas com faca no pescoço de um dos gaúchos; um dia, todos saíram pela porta dos fundos sem pagar, achando que daria certo, e lá fui eu resolver; no Estadão, fui buscar um, preso pela segurança, troquei  eles de hotel e ai me chamam as pressas num domingo lá no hotel eles quase puseram fogo fazendo um churrasco num dos quartos e o que estavam usando de bucha as paginas da revista Imprensa, e um sem fim de histórias que estes gaúchos me arrumaram em São Paulo.
Mas uma coisa aconteceu, venderam perto de 22000 assinaturas de dois anos, façam as contas!  Salvaram a editora e a revista. Se íamos entregar, era outra coisa. A “Folha” na década de 50 ou 60 vendeu assinatura vitalícia e não entregou. Mas naquele momento era o que precisávamos e acabamos entregando.
Tínhamos outros problemas, como não sermos roubados na própria revista. Não tínhamos estrutura para aquela logística de depósitos e controles, ou os cheques que os clientes, depois do malho dos vendedores, não entendiam por que haviam emitido e assinado aquele tipo de revista. Tudo era problema, mas eram muitos, e a grana era à vista na conta.
Os gaúchos ficaram com a editora por muitos anos. Lembro-me de que dois anos depois ainda tínhamos dois deles e um que havia ido para Goiás e engravidado uma moça lá – e o pai dela me ligou para ver como resolveria aquele problema, que não resolvi, é lógico!
Fico imaginando o pepino que deve ser nos departamentos de assinaturas das editoras com a internet, aquele mundo de gente que tira a meia sem tirar o sapato e vende revista para quem não sabe ler. Ah, será que as vendas on-line resolvem estes problemas?  Rsrsrsrsrrsrs. 


domingo, 1 de julho de 2012

Cassino do Chacrinha


Quando fui morar em BH, em 1983, meu primeiro filho Caio havia acabado de nascer.Vida difícil  de pai fresco e sem experiência nossa diversão era trabalhar e cuidar de filho. Os dois primeiros anos foram na Opec – Operações Comerciais, da Globo Minas, a área que coloca os comerciais que foram vendidos no ar (não é só isso, mas dá para entender assim). Como já contei em outra história, fui como gerente e dois anos depois fui convidado pelo Talardo José dos Santos, gerente de venda de publicidade, e o diretor de mercado, Sinval Itacarambi Leão, para ser contato de publicidade e topei logo. Ganhava uns oito salários mínimos e iria ganhar uns quarenta, era naquele momento o que eu enxergava. Percebi o quanto iria ganhar quando minha mãe me ligou, perguntou o salário e eu falei; logo em seguida, ligou meu pai perguntando se eu não estava fazendo nada errado. Eu disse que o dinheiro vinha no holerite  ou contracheque. E aí ele sossegou.

Quando fui para a venda de publicidade já sabia como era o mercado. A Opec tem a visão geral de tudo, quanto é o desconto, a verba anual, quais as periodicidades dos clientes, é o mapear da mina. Poucos dias antes de passar para vendas, já olhava o segmento de mercado que iria atender. Poucos anos atrás, o Comercial na Globo era recortado por atividades de mercado, varejo, indústria, cultura e lazer, vestuário e têxtil, agropecuário, bebidas, automóveis, imobiliário. E eu iria atender os setores de vestuário e têxtil, cultura e lazer. Dei-me superbem, fiz umas parcerias entre as confecções, os donos de shows e atrações top de linha. “A Divina Decadência”, uma das grifes pioneiras de moda despojada, com o BB King, e coisas dessa natureza. As feiras de moda, no setor de cultura e lazer, davam coisas alegres e divertidas o ano todo com o TV Mulher – em moda da Amalia Rocha e no Jornal Hoje com a Cristina Franco , ambas minhas brodinhas na época de BH. Festas e bebedeiras em nossos stands com free geral até de manhãzinha todos os dias. Vida dura aquela! Mas fazia dez visitas por dia e o Talardo ainda ligava para ver se tínhamos ido às agências e clientes, era duro .Tive dois gerentes assim o mineiro e o Jony Brito no Jornal do Brasil os mídias dos dois estados devem se lembrar.

Mas nossa história hoje diz respeito ao Espírito Santo, especificamente a Cachoeiro do Itapemirim, cidade do Roberto Carlos, da Itapemirim. Mas para mim, o importante foi a Calçados Itapuã e Tupã, que está firme e forte até hoje na indústria e no varejo de calçados e que estava começando uma briga entre sua indústria e o varejo da grande Elmo de BH, padrão de organização na época (pelo visto, a Itapuã ganhou a briga, como já contei em outra história neste blog).

Quando comecei a atender, a indústria de Cachoeiro do Itapemirim eu era baseado em BH e a Itapuã já anunciava com a TV Globo, mas só em Salvador, um flat de uns três meses por ano, de junho a agosto.

Fiz um planejamento estratégico com  à agência e uma defesa bem estruturada e fomos a uma reunião com o dono de lá, Sr. Severino. Imagine, logo que fui apresentado, ele me disse que não gostava de surpresas e me perguntou se ficaria para almoçar. Respondi que sim, e contei o que eu havia preparado para a reunião (rsrsrsrs...): o patrocínio do Cassino do Chacrinha nacional. Ele me respondeu: “Ah! Ele e eu somos da mesma cidade, em Pernambuco”.

Todo mundo que estava tomando cafezinho parou; eu senti que ali já havia indícios de nós vendermos pro homem o patrocínio.

Fizemos a apresentação dos números, das adequações e quando terminamos fomos discutir a proposta no almoço, que foi na beira da estrada, num sujinho, com as toalhas de mesa com manchas do tamanho da mesa, com a moqueca capixaba mais gostosa que comi na vida, de lagostim. Eu, as atendimentos, duas lindas meninas, e um assessor do seu Severino. (comemos as lagostins com as mãos e foi isso que ele gostou na gente)

Em um determinado momento no almoço o próprio Severino, faz sua defesa do Chacrinha. Nas tardes de sábado, logo após o almoço, tinha a sessão Bang Bang,  e das 16h às 18h o Abelardo Barbosa com seu tradicional alvoroço. “É isso sim”, falou seu Severino. Depois do almoço, dormimos no sofá e acordamos com a barulheira do Velho Guerreiro, todos os presentes deram risadas e partimos para a negociação.

No fim do almoço, quase só falamos de coisas engraçadas, e aí veio a mordida do comprador, se em vez de seis meses fosse um ano e o desconto, de 7% para 12%. Chorei em 10% e acabamos em 11% por um ano. Para se ter uma ideia, o homem ficou oito anos patrocinando o programa, até o seu fim. Eu mesmo só trabalhei em BH por quatro anos.

Ter todos os meses um faturamento que só vinha três vezes ao ano era uma glória; e uma façanha, descobrir um cliente nacional em Cachoeiro do Itapemirim.

Ah! Na volta daquele dia, ainda estourou o pneu do carro da moça da agência de Vitória e tivemos que dormir em uma praia entre Vitória e Cachoeiro , Guarapari . Foi bem legal. (bobão)

Duas coisas na minha vida me ligaram ao Chacrinha minha mãe me conta que meu avô José Gamarano  tinha uma fabrica de meias que se chamava Tatu e que foi a primeira patrocinadora do programa e a outra é  surreal,  nos meus contatos com o Sr. Severino uns dez anos depois. É nós só trocávamos cartões de Natal durante este período  e um dia, quando dirigia a TV Gazeta de São Paulo, pedi para minha secretária ligar para ver como o homem andava. Então, entra a Tereza branca em minha sala e diz que aquele dia era o velório do meu patrocinador e do Chacrinha. Não me despedi do senhor que patrocinou a alegria do Velho Guerreiro. Liguei um dia depois e até hoje penso porque não liguei alguns dias antes. Foram muitas coincidências em nossas vidas e por um dia não falei com ele mais uma vez.