quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Dois do Mensalão

 

Esta história se torna atualíssima, pois estão envolvidos nela dois personagens que nestes dias não saem dos noticiários políticos e policiais. São publicitários mineiros que eram meus clientes na década de 1980, em Belo Horizonte, e jamais imaginariam, na época, em que iriam se meter na história da publicidade e da propaganda.

Estamos falando de 1986 ou 1985, eu, contato na Globo Minas. Era o começo do desmoronamento da guerra fria, e isso é importante, pois falaremos dos Jogos da Amizade que aconteceram na Rússia, em Moscou, e em Los Angeles, nos EUA.

Os Jogos da Amizade faziam parte da aproximação dos dois países poderosos, que acertaram fazer uma Olimpíada particular para comemorar o sucesso de suas negociações políticas.

A Rede Globo comprou o evento e nós tínhamos que vendê-lo, e foi o que eu armei com o único cliente em condições de comprar algo valendo na época um milhão de dólares, a Tecelagens Santa Rosa.

A agência era a SMP&B, na época, donos, o Cristiano Paz e o Mauricio (que alguns anos depois sofreu um acidente de moto numa trilha e foi decapitado por um arame farpado ). O Ramon Hollerbach  era na época o diretor de atendimento da agência do Cristiano e do Maurício.

A SMP&B naquele ano ia mal das pernas e a salvação era vender os jogos à Santa Rosa  – tarefa difícil de enfrentar naquele momento.  O diretor de mkt, o Vicrota, genro do fundador da empresa, acabara de se separar da filha dele e a confusão estava até nos jornais de BH e Rio, com histórias de sequestro da neta e uma lavagem de roupa enorme para os costumes de uma família do interior do estado do Rio, na cidadezinha de Valença.

O fundador da Santa Rosa nos receberia, mas teríamos que levar o diretor de mercado da Globo Minas, o Sinval de Itacarambi Leão, que, justamente no dia marcado, tinha sido convidado para um almoço com o então governador de Minas, Tancredo Neves – ao qual, em hipótese alguma, faltaria. Estávamos na iminência de ele ser o futuro presidente do Brasil, e o Sinval, como bom partidário das esquerdas, me disse que eu arrumasse outro dia. Tentamos, mas o cliente estava cheio de compromissos e aquele dia era perfeito, pois no dia anterior haveria um leilão de cavalos na fazenda onde o Sr. Santa Rosa iria nos receber.

Numa sacada rápida, convenci o Cristiano Paz e o Maurício a alugar um avião, sairíamos de manhã cedinho e entregaríamos o Sinval no palácio para o almoço, às 12h30min. Eles relutaram, pois estavam sem grana, mas eu os convenci de que não seria o aluguel de um Comander (nome do avião alugado da Líder Táxi Aéreo) que iria fazer diferença para quem estava com falta de grana. Se fechássemos o negócio, os 20% e o BV salvariam a SMP&B.

Quem pode imaginar a agência do mensalão sem grana, em 1985.  Quem sabe, se esse negócio não saísse, eles estariam fora desse imbróglio político em que hoje estão?

Bem, às seis horas da manhã subimos no avião, o Sinval, o Cristiano, o Ramom, o atendimento, o Rodrigo Simões, e eu. Viagem agradável; descemos no aeroporto de terra de um quartel do Exército em Valença, e lá já nos esperava um carro da Santa Rosa.

Desculpe, não me lembro do nome do dono da cidade (rsrsrs...) , que, naquele dia, estava feliz da vida, havia comprado um cavalo por quinhentos mil dólares, que era seu sonho de consumo.

Logo que chegamos, lembro-me daquela casa linda e cheia de quadros de cavalos. Não vimos a compra, mas em sua sala já estava a escultura do garanhão comprado no dia anterior que o ex-dono deu de presente ao comprador.

Conversamos bastante e em um determinado momento o Sinval fala do almoço com o Tancredo naquele mesmo dia e da oportunidade de a Santa Rosa comprar o patrocínio de um evento internacional. Disse que a Globo estava levando duzentos profissionais e que a cobertura seria um sucesso.

O Sr. Santa Rosa fala de seus problemas sem o mkt e os rolos que isso estava causando em sua família e em sua empresa. O Sinval compara os valores do patrocínio com a compra do cavalo na noite anterior.

Em um determinado momento, o Sinval fala que até alugou um avião para ver seu amigo empresário, coisa que era mentira – quem havia alugado era a SMP&B.

Tínhamos uma hora “x” para sair dali, para o avião chegar antes do almoço com o Tancredo. As coisas não foram fáceis. Não saímos de lá com o patrocínio fechado, ainda sofreríamos dias para aquilo acontecer.

Foi difícil para os pilotos decolar o avião daquele aeroporto de terra. Arremetemos umas duas vezes antes de subir.

Na semana posterior, o Cristiano ligava diariamente para o Sinval. E eu era convocado o dia todo na SMP&B, na sala do Cristiano.

Foram tantas as ligações para Valença que seis dias depois fechamos o patrocínio do evento. No nacional, só a Santa Rosa (BH) e a Bacardi (RJ).

O evento para o qual falamos que mandaríamos duzentos profissionais na maioria das transmissões deixava vazar o off em inglês; os esportes coletivos do Brasil, vôlei, futebol, basquete, trouxeram quase nada de medalhas. Um fiasco!

Para o cliente, foi mais ou menos. As audiências foram boas para a agência e a Globo – uma salvou sua pele e nós batemos a meta.

Como já disse acima, imagine se esse negócio não sai e a SMP&B quebra! Não haveria mensalão e Marcos Valério, que, naquela época, devia ser vendedor de imóveis ou coisa assim, nem existiria hoje.

Em 1986, voltei para São Paulo. Nunca mais vi a Santa Rosa no ar, mas o Cristiano e o Ramon são personagens da história mais negativa da publicidade brasileira. Estão no Jornal Nacional todos os dias.  O Marcos Valério foi publicitário só no mensalão; antes, ninguém havia conhecido o tal careca.  




segunda-feira, 27 de agosto de 2012

150 por hora


Morei quatro anos em Belo Horizonte na época em que a Fernão Dias era um lixo. Quando vinha a São Paulo de carro com a família, não dormia direito uns três dias antes – a estrada me dava medo. Sei exatamente quantas vezes a peguei: dezessete idas e dezessete voltas.
Esta história tem a ver com velocidade, compromisso e negligência ao volante e se passou entre 1982 e 1986 na volta de um Carnaval que vim passar com a família em São Paulo.
Trabalhava na Globo Minas  – anos bons,  dos enduros da Liberdade e Independência, patrocinados pelo brim Santa Rosa, desenvolvidos pela equipe de mkt da emissora e seus diretores (já falamos disso em outra história). Nosso gerente de vendas era o Talardo José dos Santos. Pegava forte com a equipe e uma das coisas que o irritavam era a volta do Carnaval. O RH mandava estarmos às 12h da Quarta de Cinzas na emissora, e o Talardo lembrava isso uma semana antes do feriado.
Nós, bons contatos, em diversas oportunidades chegamos às 14h e ele ficava muito bravo. A equipe era ótima: Carlos Doné (hoje, na Rádio Itatiaia), Jorge Calabria, Dejair de Almeida Toscano e o Mario Neves (hoje, SBT Minas). Desafiar o Talardo era para macho e quem esteve lá sabe que mesmo com o bom salário que tínhamos éramos fortes e de opinião, na maioria dos carnavais chegamos às 14h.
Quando chegamos às 12h, ele fez reunião até às 14h e queria que visitássemos as agências que emendavam a Quarta. Foi um desastre os quatro carnavais que passei quando trabalhava em  BH.
Como falei acima, tinha medo da estrada e para chegar de São Paulo em BH na quarta-feira saía às 4 da manhã e corria que nem um louco naquela estrada capenga e sem a menor condição de viagem – imagine a 150 km/h.
Num desses carnavais fiz o recorde na Fernão Dias – seis horas – e fui personagem logo à tarde em uma agência que, descobri, não emendaria o feriado. Era a Staff, do José Maria Vargas, hoje um dos diretores da ANP, onde eu tinha as portas abertas. Naquela quarta de cinzas só o Zé trabalhava.
Quando estava lá, chegou o contato da Rádio Globo, o Carlos Henrique Nascimento – que o mercado conhece, trabalha na TV Globo SP, transferido  a muitos anos de  Minas – e me perguntou se eu estava na estrada pela manhã.
Eu disse que sim e ele meio sem jeito me falou: “Hélcio, trabalhamos no mesmo prédio e você tem dois filhos, não era melhor não correr tanto na estrada? Estava com meus pais e vi você ultrapassar uma ‘cegonha’ (caminhão que transporta carros) e mais quinze a vinte veículos atrás dela em uma subida, a uns 150 por hora”.
Eu, sem jeito pela travessura sem sentido, tentei minimizar o que não dava para minimizar (tipo batom na cueca), e falei que a culpa era do Talardo, como todos no mercado o conheciam, e passei batido com o jovem Carlos Henrique na época.
Os meninos do sistema Globo de radio BH, fizeram história em São Paulo o Carlos Murilo Moreno ( ex Fiat  hoje Nissam )também veio de lá.
Até hoje, quando estou em estrada, lembro-me desse momento, de uns anos para cá não pego estrada longa, pois corro muito, fico ansioso e sem responsabilidade.
O meu gerente na época não tinha culpa de nada. Eu é que sempre corri nas estradas.
Hoje não pego estrada de mais de duzentos quilômetros, mas, mesmo assim, ainda corro mais que o normal.
Mas sempre lembro que posso passar a vergonha que passei na Staff, a única agência aberta na quarta de cinzas e cheia de contatos de outros veículos na recepção excepcionalmente naquele dia.

sábado, 18 de agosto de 2012

O Homem de 6 milhões de dólares


Muitos podem falar o que quiserem sobre o grupo Bandeirantes, o que eu sei é que hoje é o grupo mais multiplataforma do mercado, tem em seu currículo diversos experimentos nos mais variados meios e veículos de comunicação e fez muitos investimentos em novas tecnologias e mídias .
Desde o Sr. João Saad ao Johnny, a Bandeirantes, hoje Band, sobrevive muito bem e lançou muitos profissionais no mercado, tanto nos bastidores como na linha de frente do vídeo. Praticamente, todo mundo que faz sucesso passou por lá.
Minha história se passa em 1997, quando fui convidado pelo Orlando Marques para, pela primeira vez, trabalhar no Morumbi.
No início daquele ano, a chefia me chama em sua sala e me oferece outro produto para que minha equipe trabalhasse. Tínhamos feito um excelente trabalho( Marco Picollo, Mauricio Rollo e Gilberto Corazza) no desmembramento do SP1 (emissora de São Paulo) da rede – já contei em outra história – e estava ganhando o preto do vídeo, que aparece nos comerciais locais quando estamos assistindo a TV via parabólica.
O Orlando, naquele momento, me dá uma missão e até uma ideia, a de começar a mapear aquela emissora com uma empresa de televendas, que vendia um controle remoto universal.
Eram perto de quatro milhões de parabólicas no Brasil vezes quatro pessoas por domicílio, uma emissora um pouco maior que a cidade de São Paulo.
Não tinha verba e comecei a divulgar isso junto aos jornalistas do meio, e o primeiro a sair com uma matéria foi o Adonis Alonso, meu caro amigo até hoje, que também foi o primeiro a divulgar meu blog, o “semsura888”.
Foi fácil explicar para o Adonis, ainda não conhecíamos a Sky e era comum irmos a um sítio ou uma pousada na praia, locais em que a parabólica era a forma de assistirmos a TV.
Outros jornalistas na época do trade me ligaram, mas não entenderam do que se tratava.
Dei a entrevista ao Adonis e o que ele sempre me perguntava era quanto aquela emissora existente, mas não explorada, valeria. Eu, que já conhecia sua tabuada, tinha um número na cabeça, que era o faturamento do SP1 da Band, que eu mesmo dirigia, e falei seis milhões de dólares.
Não me preocupei. O Adonis sempre foi ponta firme comigo, nunca saiu nada que pudesse me ferrar quando dei alguma entrevista a ele.
Tinha tanto trabalho que nem fui conferir a Caderno Propaganda. Na segunda, logo cedo, tínhamos reunião de Diretoria. Eram umas 11 horas da manhã, toca meu telefone e a secretária me manda ir à sala do Johnny Saad. Achei o máximo presidente me chamando! Que legal (rsrsrs...)!
Quando cheguei lá, ele estava com o Caderno Propaganda na mão e me mostrou a chamada da matéria: “O Homem de 6 milhões de dólares” com minha foto do lado . Não me deu bronca nem elogio, só me disse que, em poucos meses, minha meta seria seis milhões de dólares.
Eu era metido e continuei dando entrevistas e cavando motes para vendermos mais. O que posso dizer é que a partir dali comecei a me preocupar mais com os números que um dia poderiam me comprometer.
Ah, o que sai das mãos do Adonis pega! Até a Globo, que na época não vendia o preto das parabólicas para não concorrer com os mercados locais, hoje vende e bastante. Tem até telejornal que só vai nas parabólicas .     

domingo, 12 de agosto de 2012

Nunca embarquei na Naútica, na Trip atropelei.


Conheci meu companheiro de história ainda na revista Imprensa 1987, quando formamos um grupo para vender assinaturas em um pool de anúncios em todas as revistas e nos reuníamos para tentar alavancar pequenas editoras , Ernani, Joana Woo, Peter Milko,Paulo Lima e Cães e Gatos ( desculpe-me se esqueci de alguém).
Conforme os anos iam se passando, amadureci uma amizade com o Ernani, da Náutica e do Boat Show.
Eu, avido por mudanças e promoções, conforme fui evoluindo no mercado, conseguia uma boa repercussão na mídia do trade, na saída de onde estava e na entrada, dias depois.
E entre elas, sempre recebia uma ligação do meu amigo Ernani, com uma bela oferta de emprego para vender Náutica e até um determinado momento o Boat Show. Mas sempre, com a maior delicadeza, declinava de seu convite.  
Eram tempos muito bons! Lembro-me também do amigo Paulo Lima – a Trip também me convidou algumas vezes. Lembro-me de que um dia me chamou para um almoço e fui buscá-lo na Trip, ali do lado da Runner da Juscelino. Quando estávamos na esquina com um dos sinais, dois ladrões se dividiram atrás do meu carro e eu engatei uma primeira, atropelei um deles e passei no meio dos carros.  O Marco Picollo e o Paulo Lima gritaram: “Você atropelou um cara, não corra, estão os dois armados”. Foi uma loucura! Não almocei e fiquei com uma dor de barriga incrível, tremendo muito tempo.
Meu pai ainda era vivo e, como bom militar, me fez ligar para um amigo dele no Copom 190 para relatar o acontecido. O próprio major, que era amigo dele, me disse: “Você acha que o ladrão vai dar queixa?”.
Na noite daquela própria sexta –feira meus filhos assistindo o programa da radio rock  Trip 89 escutaram o Paulo Lima contando a história dos bandidos tentando me assaltar “é o meu amigo super homem Hélcio Vieira mais rápido que os ladrões atropelou os dois ”virei herói para meus filhos é lógico.
Voltando ao Ernani, a cada movimento ele me convidava e eu, além de gostar muito dele, e não querer perder o amigo, não contava os verdadeiros motivos de eu nunca aceitar seu convite.
Ah! Quando fui para morar na Califórnia, o Ernani me ligou. Na minha volta, quase viramos sócios, mas eu declinei novamente.
Passaram-se uns anos e eu um dia marco um almoço com ele na editora – linda, ali na Faria Lima, a Náutica e o Boat Show são produtos ótimos e conceituados. E o Ernani me perguntou por que nunca havia aceitado trabalhar com ele.
Aí, falei a verdade.  Eu não ando de barco todas as vezes que você ele me convidava e dizia para pegarmos seu barco de um monte de pés eu já enjoava na conversa. Imagine o vexame na frente dos clientes (rsrsrs...)!
De quatro em quatro anos acabo caindo na do passeio de barco. Há uns três anos fui ver os fogos e a virada do ano na Bahia em Salvador. Aluguei com um grupo de amigos uma grande traineira, com bebida e comida maravilhosas. Eu até fui bem enquanto navegávamos. Mas quando paramos para acompanhar a passagem de ano, ferrou. Sinto enjoo até hoje quando penso. Dei o maior vexame no meio de diversos arquitetos, donos de lojas de decoração e estilistas da Bahia. Parecia que o veado era eu.rsrsrsrsr

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Gincana Estrela produção independente na TV


Esta é uma história de superação , oportunidade e criatividade e um monte de aventuras dentro de uma emissora de TV que muitos até duvidariam se escutassem os acontecidos por alguém que não tivesse totalmente envolvido na produção, criação e contratação de todos os participantes desta façanha de programação e publicidade em meados de 1996.
É tudo começou na obra de um apartamento na rua Periquito em Moema, é conheci meu companheiro de projeto na construção de nossos apartamentos . Em um sábado visitando a obra conheci outro publicitário que também viria a morar lá eu no 2 andar e ele no 5 andar.
Ele trabalhava como VP de criação da agencia Better que atendia a brinquedos Estrela e eu estava me mudando para a TV Gazeta pela terceira e última  vez que trabalhei lá.
Começamos a discutir uma ideia sobre um breefing que ele havia recebido sobre um grande estoque no seu cliente e eu e o meu futuro vizinho o Fabio Quinteiro  começamos um dos projetos mais felizes e criativos que participei, a pena é que a emissora não dava a menor atenção as nossas prioridades e necessidades para que um projeto como aquele durasse não somente 12 meses e sim uma década ou até mais.
Em 100 dias pusemos um programa de 3 horas diárias no ar  , o diretor que formatou o projeto foi o Rogério Brandão hoje o big da TV Brasil mas logo foi contratado pelo canal 21 e o Fabio assumiu a direção e contratou o Osvaldo Oliva como seu segundo  , os apresentadores a Eliana Fonseca  a Lilly e o Juarez Malavazi o Jujuba ambos vindos da TV Cultura ,o diretor de marketing  Ayres e o Carlos Tilkiam , presidente  da Estrela.
A mecânica era simples os apresentadores com as crianças brincavam com os brinquedos da Estrela e a plateia era com as crianças que eram convidadas pela produção umas 250 de escolas de São Paulo .A esqueci da Jana linda que estava no operacional e mkt da Estrela.
Por trás disso simples é que estavam as histórias engraçadas, dinheiro tínhamos a TV a Estrela nos pagava religiosamente. Mas só quem trabalhou neste projeto sabe que as fitas não chegavam nunca na hora do programa , os camarins normalmente não eram abertos para os apresentadores e convidados se aprontarem.
No programa piloto as crianças aprontaram tanto que quase a Estrela cancelou o projeto , é nossos filhos e convidados com seus filhos é que estavam lá  Gateza, Estrela  , Agencia e amigos . Eles bagunçaram tanto, tinha um filho da RH da Estrela que até pedra jogava na Av Paulista de um jardim que tinha no lob do teatro.
Parece fácil mas não é, um dia o atendimento/contato o Gilberto Corazza me tira de uma reunião e diz que todos estavam indo embora por que o estoque não liberava a fita para gravação por causa que alguém não tinha feito um memorando para sua liberação e não chegaria naquele dia para faze-lo , eu e o Gil fomos até a porta do almoxarifado e ameacei pular a porta e retirar as fitas pois não iria deixar as 250 crianças e a produção , artistas e cliente saberem do que estava acontecendo.
Nosso programa ia bem chegava a dar 4 pontos de audiência, além da Estrela dona do programa lembro  da Panco e a Ninho fazendo ações dentro do programa.
Para se ter uma ideia de produção independente tínhamos uma produção dependente rsrsrsrs. Como parceiros cliente , agencia e TV o comercial dependia do bom humor dos funcionários da emissora , e brincávamos se um dia isso aqui for privatizada( Fundação) ai vamos ser profissionais .Mas não deixávamos a peteca cair quem vende tem que entregar. O cliente só recebia elogios rsrsrsrs.
Este tipo de coisa acontece até hoje nas emissoras , estes dias dando uma palestra na Belas Artes para pós graduados uma das ouvintes me perguntou por que a emissora que transmite programas musicais e clips deu um atendimento de merda para um merchandising que eles haviam contratado, é amigos o outro lado da mesa na emissora acha fácil vender e é assim até hoje  .
Na época os brinquedos chineses já atordoavam a vida da maior fabricante de brinquedos do Brasil e aquilo era um bom argumento para a Estrela conseguir junto a seus  cliente e fornecedores condições para superar os problemas que o mercado vinha lhe causando ter 3 horas diárias na TV naquela época era o máximo , hoje só as Igrejas conseguem.
Produzir 3 horas diárias era fácil para quem via mas para quem trabalhava todos os dias os bastidores da emissora nos arrumava um turbilhão de problemas.
Tínhamos a Gincana no ar e a Gincana na emissora rsrsrsrrs só quem viveu isso sabe a tormenta , a alegria era na hora da comissão só o Programa significava 5% do nosso faturamento. E posso dizer só nós tínhamos verba da Estrela durante o ano todo.
Lendo isso parece que sou louco , como? Com verba espaço e gente como dava problema?
E muitos , as vezes acho que vendi problemas e não ideias rsrsrrsrs .
O que posso dizer é que estes problemas são para eu as grandes lembranças do meu passado e sem elas não estaria dando risadas neste futuro onde a internet de minha casa faz mais de 3000 pessoas lerem minhas histórias todas as semanas sem eu sequer sair de minha escrivaninha.
A Estrela , agradeço seus lideres na época terem confiado na minha equipe, está ai e nós fizemos história mesmo nossos chefes na época não darem a menor atenção para o lúdico que estávamos distribuído a todas as crianças que nos assistiam em 1996 e 1997 hoje elas se divertem nos computadores de sua casa.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Jovem Guarda , Família Trapo histórias na Record


Em 1986, voltando de Belo Horizonte para a Record ainda dos Machado de Carvalho, comecei a ter a minha primeira experiência em vendas de publicidade em São Paulo. Ficara quatro anos em BH, na Globo Minas, numa equipe que fez coisas incríveis e de repercussão nacional, como os enduros da Independência e da Liberdade, existentes até hoje, e a alavancagem do grupo mineiro de moda, que até hoje tem a Arezzo, Cedro Cachoeira e a Vide Bula, entre outros bons nomes do país.
Chegando à TV Record São Paulo em julho de 1986, tinha como meu gerente o Ricardo Cury (o Minhoca), o Ivandir Kotait na direção comercial o Alfredinho Machado de Carvalho no mkt e o Jair, também como gerente comercial.
A equipe era pequena e ainda estavam lá uns remanescentes da formosíssima turma que vendeu Jovem Guarda, Circo do Arrelia e Família Trapo, o Dilo e a Lita. Eu vinha para o lugar do Ramon, que havia se aposentado.
O Dilo e a Lita eram dois lordes, muito educados e sempre muito bem apresentados, tinham as melhores carteiras de contatos e faturavam ainda muito bem.
Meu primeiro dia de trabalho foi numa segunda-feira e como era início do mês, o Jair tinha a tarefa de entregar as reservas que já haviam chegado do mercado e, é lógico, todos receberam seus mapas e autorizações de suas aberturas de mês ainda éramos da era manual na Record é lógico. Como não recebi nenhum, achei que era porque estava chegando naquele dia, mas, na verdade, quando perguntei ao Minhoca,  meu gerente, ele deu a má notícia: não havia reserva nenhuma e minha meta era igual à dos outros do meu grupo.
As coisas iam ser difíceis, vindo com dois filhos de mala e cuia para minha cidade. Fui à luta. Lembro-me de uma força que o Edson Shinohaha me deu na JWT e do Wellington Barros. Como antes de ir para BH eu era assistente na Globo e atendia bem as coisas da JWT e em todas as agencias tinha um bom relacionamento, eles reuniram a mídia toda e me enturmaram com quem eu não conhecia. Lembro-me do João, Almir, Rato e Amauri Iori. Até a recepção fazia a mídia atender todo mundo.
Minhas primeiras reservas foram da Alice Orlando, na época na Norton e hoje na AGEISOBAR. Mandou-me uns mapas para o interior de São Paulo – tinha uma boa cobertura a Record no SP2(interior de SP) era um  cliente agrícola (acho que a Quimio) – e eu fiz uma festa enorme na agência. Conversamos sobre isso dias depois, mas ela não entendeu na hora. Era tão pouco dinheiro e eu tão empolgado, foi minha primeira venda em São Paulo ou melhor alguém havia me comprado.
Em cinco meses já batia minha meta. Lembro-me de que o Marcelo Assumpção, hoje diretor nacional comercial da Globo, era contato e fez um trabalho lindo no mercado imobiliário ,pois ele até ali só anunciava em jornal. Tinha no ar na Globo todas as imobiliárias e construtores e nós na Record, nenhum .
O Ricardo Cury deu uma missão à equipe, teríamos que ter alguém no ar e lá fui eu visitar, e nada, reunião após reunião! Um dia, vejo na Globo uma tal de Varella Imóveis e Construtora. O escritório era em Moema, e fui lá sem marcar.
Quando falei em Record, a secretária já me rifou para o outro dia. Eu ainda jovem e com gás total, perguntei se o seu Varella estava lá. Ela me disse que o Mercedes no estacionamento era dele.
Voltei para a emissora e no dia seguinte armei uma prontidão na frente do carro do seu Varella. Passei a manhã inteira e almocei na padaria em frente.  Umas três da tarde um jovem senhor se aproxima do Mercedes, e lá vou eu abordar aquele empresário. Só tinha um tiro: o futebol da Record com o Sílvio Luiz. Dávamos sete pontos e eu sabia que se vendesse não decepcionaria o cliente.
Ele me atendeu meio de olho virado, mas me mandou estar no outro dia às 8h da manhã, achando que eu não chegaria. Apareci no horário e já me dei bem, pois ele se atrasou mais de uma hora e para quem tinha ficado praticamente dois dias lá uma hora não era nada.
Quando o homem chegou, apresentei o futebol na recepção mesmo, nem sentamos e ele adorou o preço que, perto da Globo, era um troco.
Fechamos um dinheiro que era minha meta mensal por três meses; o Ricardo e o Ivandir  ficaram contentíssimos, e eu também.
Uma semana depois, tinha marcado na Leo Burnet com o Oscar Osawa, logo depois do almoço. Dormi na recepção e quem me acordou foi o Jony Brito, do Jornal do Brasil, que em poucos minutos me contratou.
O Minhoca ficou bravo comigo, mas passei uns quatro a cinco meses  com o dinheiro do aluguel no líquido do holerite. Sorte que um Big Mac custava R$ 1,00 e muitas vezes era meu almoço (rsrsrs...).
O bom dessa história foi que aprendi bastante com o senhor e a senhora que venderam a Jovem Guarda e ainda os vi anos com suas pastas nas agências e clientes sem a menor prepotência e com a satisfação de terem sido contatos por cinquenta anos.  

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Gotas no break da garagem.


Prospectar é o que todos que trabalham em vendas de publicidade fazem todos os dias em suas vidas , olhar aquilo que está exposto, aquilo que ninguém enxerga – nós da publicidade temos que ver. Nossos gerentes, diretores e nós próprios estamos o tempo todo atentos aos concorrentes, uma tortura que só percebemos se um dia sairmos dessa. Ou, se nunca sairmos, até na aposentadoria acho que este negócio de ser full mkt nos fará trabalhar como se estivéssemos em veículos de comunicação na área de vendas ou mkt. É um sem fim de tentar entender todos os segmentos e todos os produtos e serviços que estão no mercado ou, ainda melhor, os que estão por vir ao mercado (rsrsrs...).

Um dos profissionais que me ensinaram a fazer prospecção foi o Walter Nise, no tempo em que eu era seu assistente, em 1981. Quando a coisa pegava, íamos para o Sé Supermercados, ali na Alameda Santos, em frente ao Conjunto Nacional, e revirávamos as prateleiras para ver o que de novo existia ali para, com o aval e a grife  TV Globo, conseguir uma reunião e tentar trazer um cliente novo para veiculação .

Esta história é sobre um cliente que chegou num desses momentos, mas que não veio por intermédio de nossas visitas ao supermercado. O Walter, numa dessas prospecções, chegou a um cliente que eram as Gotas de Pinho Alabarda – um saquinho de balas redondas com sabor de pinho, bem tradicional no mercado.

A produtora de um amigo nosso que está na luta até hoje fez o filme com uma modelo que, por coincidência, tinha estudado na minha sala de aula. O dono da produtora estudava na minha faculdade e um dia, na frente dele, minha primeira mulher, sem saber de quem se tratava, perguntou se o quebradinho que a modelo tinha no dente da frente tinha sido causado pelas balas de pinho. Quase perdi o amigo – se não perdi naquela época, vou, com certeza, perder aqui, apesar de não o ter citado (rsrsrs...).

Mas o melhor da história não é esse episódio e sim o dia seguinte da visita do cliente e do fechamento das reservas.

Quando saí para ir à faculdade, o Walter e o cliente ainda ficaram consultando os espaços e fazendo os mapas reservas. Éramos já informatizados, e quando isso acontecia o contato  deixava na minha mesa os mapas para que eu os processasse logo no outro dia, no primeiro horário .

Quando cheguei, os mapas não estavam em cima da mesa e achei que algo estava errado. Liguei para a casa do Waltinho, como o chamava, e perguntei sobre os mapas. Ele me disse que estavam em cima da mesa; vasculhei tudo e nada! Liguei novamente e ele me disse que achava que estavam em cima da mesa, na antessala.  Aí, já era, pois as faxineiras já tinham jogado os mapas no lixo.

Como ainda era cedo, liguei para o Serviços Gerais e perguntei se o lixeiro havia passado. “Ainda não”, foi a resposta. E lá fui eu para a garagem da Alameda Santos procurar naquele monte de sacos de lixos de papéis – é, o computador já estava operando, mas a quantidade de papel era cada vez maior!

Para meu infortúnio, chegou o superintendente, o Dionísio Poli, que me viu no meio daqueles sacos lixo e me perguntou o que eu estava fazendo ali. Para não entregar ninguém, falei que havia perdido umas anotações. Ele me mandou sair dali, o que fiz rapidamente. Mas logo que ele saiu, voltei e achei a papelada – por sorte minha e do Waltinho.

Depois dessa, ainda tomei outra bronca do seu Dionísio por estar remexendo o lixo. A mesma história, só que desta vez eram mapas da Alpargatas cujas reservas o Edson Shinohara havia feito com o Waltinho.

Foram poucas as oportunidades que tive com o homem que mandava no comercial na Globo da Alameda Santos. E em duas delas parecia que estava pegando lixo para reciclar, quando, na real, estava salvando clientes para faturarmos. Nunca perdemos nenhum mapa, apesar do computador na época ser um bicho quase de sete cabeças e do Waltinho nunca lembrar onde estavam as reservas.