segunda-feira, 23 de julho de 2012

Gotas no break da garagem.


Prospectar é o que todos que trabalham em vendas de publicidade fazem todos os dias em suas vidas , olhar aquilo que está exposto, aquilo que ninguém enxerga – nós da publicidade temos que ver. Nossos gerentes, diretores e nós próprios estamos o tempo todo atentos aos concorrentes, uma tortura que só percebemos se um dia sairmos dessa. Ou, se nunca sairmos, até na aposentadoria acho que este negócio de ser full mkt nos fará trabalhar como se estivéssemos em veículos de comunicação na área de vendas ou mkt. É um sem fim de tentar entender todos os segmentos e todos os produtos e serviços que estão no mercado ou, ainda melhor, os que estão por vir ao mercado (rsrsrs...).

Um dos profissionais que me ensinaram a fazer prospecção foi o Walter Nise, no tempo em que eu era seu assistente, em 1981. Quando a coisa pegava, íamos para o Sé Supermercados, ali na Alameda Santos, em frente ao Conjunto Nacional, e revirávamos as prateleiras para ver o que de novo existia ali para, com o aval e a grife  TV Globo, conseguir uma reunião e tentar trazer um cliente novo para veiculação .

Esta história é sobre um cliente que chegou num desses momentos, mas que não veio por intermédio de nossas visitas ao supermercado. O Walter, numa dessas prospecções, chegou a um cliente que eram as Gotas de Pinho Alabarda – um saquinho de balas redondas com sabor de pinho, bem tradicional no mercado.

A produtora de um amigo nosso que está na luta até hoje fez o filme com uma modelo que, por coincidência, tinha estudado na minha sala de aula. O dono da produtora estudava na minha faculdade e um dia, na frente dele, minha primeira mulher, sem saber de quem se tratava, perguntou se o quebradinho que a modelo tinha no dente da frente tinha sido causado pelas balas de pinho. Quase perdi o amigo – se não perdi naquela época, vou, com certeza, perder aqui, apesar de não o ter citado (rsrsrs...).

Mas o melhor da história não é esse episódio e sim o dia seguinte da visita do cliente e do fechamento das reservas.

Quando saí para ir à faculdade, o Walter e o cliente ainda ficaram consultando os espaços e fazendo os mapas reservas. Éramos já informatizados, e quando isso acontecia o contato  deixava na minha mesa os mapas para que eu os processasse logo no outro dia, no primeiro horário .

Quando cheguei, os mapas não estavam em cima da mesa e achei que algo estava errado. Liguei para a casa do Waltinho, como o chamava, e perguntei sobre os mapas. Ele me disse que estavam em cima da mesa; vasculhei tudo e nada! Liguei novamente e ele me disse que achava que estavam em cima da mesa, na antessala.  Aí, já era, pois as faxineiras já tinham jogado os mapas no lixo.

Como ainda era cedo, liguei para o Serviços Gerais e perguntei se o lixeiro havia passado. “Ainda não”, foi a resposta. E lá fui eu para a garagem da Alameda Santos procurar naquele monte de sacos de lixos de papéis – é, o computador já estava operando, mas a quantidade de papel era cada vez maior!

Para meu infortúnio, chegou o superintendente, o Dionísio Poli, que me viu no meio daqueles sacos lixo e me perguntou o que eu estava fazendo ali. Para não entregar ninguém, falei que havia perdido umas anotações. Ele me mandou sair dali, o que fiz rapidamente. Mas logo que ele saiu, voltei e achei a papelada – por sorte minha e do Waltinho.

Depois dessa, ainda tomei outra bronca do seu Dionísio por estar remexendo o lixo. A mesma história, só que desta vez eram mapas da Alpargatas cujas reservas o Edson Shinohara havia feito com o Waltinho.

Foram poucas as oportunidades que tive com o homem que mandava no comercial na Globo da Alameda Santos. E em duas delas parecia que estava pegando lixo para reciclar, quando, na real, estava salvando clientes para faturarmos. Nunca perdemos nenhum mapa, apesar do computador na época ser um bicho quase de sete cabeças e do Waltinho nunca lembrar onde estavam as reservas.

                   

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Primeira ação de internet na TV 1998


Estes foram os anos em que começamos a experimentar as novas tecnologias que ainda não faziam a diferença nem estavam assustando as pessoas. No final de 1998 tínhamos pouco mais de nove milhões de celulares, a internet começava a ser importante, mas ainda não fundamental para o dia a dia do trabalho das instituições.

Estávamos no canal 21 e nossa equipe era estupenda, Ricardo Kotscho, Denise Gomes depois Juca Silveira,Cesar de Almeida, José Occhiuso,Rogério Brandão, Luciano Cury,Bia Perreira, Maria Cristina Poli, Renata Falzoni, Salomão Shwartzman, Suely Valente,Marco Damianni entre outros bons profissionais que nos acompanhavam e nós acompanhávamos (rsrsrsrs...).

Havíamos acabado de lançar o “Circular”, um ônibus que andava pela cidade com seus entrevistados, com o patrocínio do recém-lançado cartão de débito da Visa, o Visa Eletron.Que o Luiz Cassio Oliveira gerente de marketing na época aprovou de primeira.

No mesmo período, o Luciano descobre que um laptop da Apple que estava na minha sala há uns quatro meses enviava conteúdo de TV (áudio e vídeo) e permitia que em cinco minutos conseguíssemos colocar no ar quase um link (não o era por cinco minutos). Daí, saiu o projeto “SP Online” do jornalismo.

Mandamos desenhar três ou quatro Paratis com um layout maravilhoso no Mosca, o mesmo cara que fazia os capacetes do Airton Senna, e nossos repórteres saíam com o laptop e enviavam noticias pela internet para a redação.

Como éramos um time, este mesmo projeto virou comercial e fazíamos um cross-mídia, assinando os carros e ônibus com as logos dos clientes, usando desta tecnologia para que os clientes enviassem comerciais diretamente de seus escritórios. E esta é a história de um deles. O outro caso faz parte de outra história envolvendo a Web Motors e o IG, na época do Nizan Guanaes.

Mas esta daqui é sobre o banco Santander, que estava começando a ser uma grande instituição financeira no Brasil, a agência Grey, seu atendimento, o Andreas Wilcken Junior nosso gerente de publicidade, o Márcio Loducca.

Tanto o projeto com o Santander como o com a Web Motors foram os primeiros a transmitir via internet seus conteúdos no Brasil.

Tínhamos ótimas ideias, mas o sistema UHF ainda não dispunha de uma visibilidade de audiência. Um dado exemplifica bem isso: no ano 2000 alcançamos a marca de dez milhões de aparelhos de TV vendidos no Brasil. Foi só então que eles começaram a vir com o sistema UHF de fábrica e com as sintonias automáticas na instalação.

Lembro-me de que fizemos de tudo para difundir o UHF, campanhas e permutas com a SPTV no Ipiranga, a loja que fazia para nós as instalações de UHF nas casas dos mídias, clientes, hospitais e bares e restaurantes.  Em troca, a loja anunciava um karaokê que havia trazido da China.

Mas voltando ao Santander, o Márcio, ótimo vendedor, juntamente com o atendimento da Grey, que tinha vindo da Mccann e era seu amigo, convenceram o cliente, através da Beatriz (que foi a primeira a entender o que era a internet ou o que seria). Ela tinha um belo argumento, seus economistas eram novos e ela queria dar visibilidade a eles (malho do Andreas). Ela comprou, e nada mais apropriado que eles mesmos passassem seus conteúdos diretamente do escritório do Santander, diariamente e praticamente ao vivo.

O Marcelo Cesário, nosso assistente de mkt, foi lá ensinar a equipe do banco e fizemos até uma festa na torre da antena da Band, onde penduramos um dos carros do projeto com um guindaste, como um grande outdoor (a equipe era muito trabalhadora e criativa).

As coisas eram tão difíceis que no dia da festa o Márcio e eu brigamos. Era comum, não tínhamos estrutura, grana, gente e audiência, apesar de produtos de ponta.

No dia em que fomos ao Santander fazer uma entrevista com o VP de MKT, o VP da agência brigou com o atendimento na nossa frente porque achava uma loucura transmitirmos diretamente do banco para a TV, que éramos loucos e que aquilo não seria possível jamais. Quem acreditou fomos a diretora de MKT do banco, o atendimento da agência e nós.

E não é que quando vejo o economista Rappaport dando entrevista na Globo News ou Jornal Nacional me lembro desse projeto? O Rappaport era o chefe dos economistas (“mirins”) do Santander naquela época. Hoje não sai da TV. Parece que deu certo!!!

Desculpe-me por não lembrar seu nome completo: Bia, era assim que chamávamos  a diretora de mkt do banco, você foi a primeira anunciante no Brasil a colocar um produto transmitido pela internet; Andreas  e Marcio, os primeiros que compraram  e venderam essa briga chamada online ou quase online via web.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O Rei do Televendas


Todos acham que o mercado publicitário sempre foi um mar de rosas em qualidade de vida e muito dinheiro posso dizer que tive os dois casos em minha vida profissional , já os de pressão e pouco dinheiro foram difíceis mas tão engraçados e divertidos quanto .
Esta história teve seu começo em 1993 – para ser mais preciso, em 23 de abril de 1993 –,quando fui contratado pela TV Gazeta de São Paulo para montar o comercial da nova rede da qual iríamos  fazer parte, a CNT-Gazeta,  sociedade entre a rede OM de TV, da família Martinês de Curitiba, e a Fundação  Casper  Líbero de São Paulo .
A denominação nova era uma exigência minha, pois estávamos com muitos problemas com a dissolução da rede OM – uma parte, pois ela fazia parte do espólio Collor; a outra eram as triplicatas emitidas da Lever a outros clientes menores (rsrsrsrs...),  que se confundiam nas agências e clientes com as emitidas na mesma época pela rede Manchete. Coincidência ou não, tínhamos apenas sete emissoras no ar e a confusão das triplicatas só eu e os financeiros das agências da época sabemos como arrumamos. Não posso deixar de lado o Claudio Carramacho, que foi um ótimo parceiro nas confusões das triplicatas na Fundação.
Uma das estratégias para se ter uma boa equipe foi pagar uma comissão alta, mas era preciso faturar. E lá fomos nós ao mercado com um discurso fabuloso que eram as audiências que a união antiga da Gazeta com a OM tinham dado nas transmissões da Libertadores da América com o Galvão Bueno, e a sorte que tivemos com a vinda do Clodovil e do Hélio Sileman que segurava o moço em um programa diário, de segunda a sexta, das 22h às 23h30min, que emplacava quatro pontos de audiência e já vinha com o patrocínio das cafeteiras Wallita ( mais oi menos assim rsrsrsr), na época do poderoso Ricardo Adans, diretor e depois VP de Marketing, um craque.

Éramos doze contatos, eu e o Carramacho, que às vezes dava uns pequenos probleminhas (rsrsrsrs...), mas sempre foi parceiro da equipe.

Uma de suas estratégias foi fazer a equipe chegar diariamente às 8h da manhã para uma reunião no oitavo andar na sala Casper Líbero, que ficava ao lado da administração da Fundação e do RH, cujo pessoal só chegava às 9h, mas via a equipe comercial trabalhando todos os dias uma hora antes. Isso nos ajudou bastante, ninguém falava que éramos folgados e sim uns workaholics.
As instalações eram um horror e aos poucos, com grana na casa, fomos também fazendo a cabeça dos diretores e a Fundação foi melhorando sua cara, até festa demos lá.
Em seis meses, os contatos que ganhavam R$1.000,00 por mês já ganhavam perto de U$ 5.000,00 e , em um ano , U$ 12.000,00. Que proeza! E tudo começou logo na segunda semana, com uma ligação.
A secretária me passa uma ligação e a pessoa diz que queria anunciar no programa “Mulheres” e eu perguntei a verba. Em abril daquele ano o faturamento da TV tinha sido  de U$ 200.000, e só aquela consulta seria de U$ 400.000 ao mês (tinha algo errado ali). Achei que era uma brincadeira um amigo tirando uma com a minha cara, perguntei o endereço e a pessoa me disse que era Rua Barão do Triunfo. Eu morava na Barão do Triunfo  e falei para a pessoa se identificar e a pessoa disse o nome Honor Rodrigues, e a pessoa me disse que não era brincadeira. Ficamos uns segundos nessa conversa mole até que descobri que era uma cliente mesmo, na época o dono da Company Publicidade ,o rei das televendas, seu produtos davam diversos problemas no Procon, na Saúde Publica e vira e mexe tínhamos um boato de que ele iria quebrar ( um dia vou contar uma história só sobre as façanhas deste Honor).
Esse cliente ajudou a levantar a moral da equipe. Imagine, do dia para a noite consegui, ou melhor, caiu do céu um faturamento que era o dobro do que tínhamos.
Muitas histórias aconteceram sobre e com esse cliente na minha vida de vendedor de TV. Uma delas foi a própria sorte de estar na emissora ás 8h, horário em que ele ligou e em que normalmente ninguém ainda chegou aos departamentos comerciais das emissoras.
Outra foi: apesar de sua falta de ética, com a qual tentava nos impregnar, não termos nos curvado e, com isso, passamos ilesos por suas trapalhadas e tentativas de nos corromper ( Decon, Procon e até Justiça).
Perguntem ao Osvaldo Marraccini ele atendeu muito o Honor rsrsr
A última vez que ouvi falar do Honor foi no dossiê Uruguai, aquele que o Collor tentou forjar em Miami  – e acho que o Honor acabou caindo na Justiça de lá. E o que posso dizer é que nunca levei um balão do homem e ganhamos muito dinheiro com as veiculações daqueles produtos para crescer cabelo, cartilagem de tubarão e os primeiros pets para parar de fumar do mercado.
Honor Rodrigues foi o vilão de muita gente, mas posso dizer com convicção que salvei minhas metas com  aquele dinheiro nas horas mais difíceis de minhas gestões na Band ,Gazeta SP e Canal 21, e garanto, se houve um “Rei do Televendas”, foi ele. Pena que sua ética estava abaixo das 8h da manhã.       




domingo, 8 de julho de 2012

Churrasquinho de paginas.


Um dos lados da mesa que me deram muito trabalho foram as vezes que me aventurei na área de circulação, especificamente nas assinaturas de revistas. Era o ano de 1989, e eu na Feeling Editorial – editora da revista “Imprensa”, na época uma estupenda publicação que fazia só de publicidade umas cinquenta páginas mensais. Vendíamos bem em banca e as assinaturas eram um problema.
Éramos bem organizados, tínhamos representantes em todos os estados, mas em São Paulo as grandes editoras não deixavam espaço para os pequenos e, por mais que procurássemos, com uma só publicação ninguém queria nos representar na maior cidade do país, e nós teríamos que resolver esse problema.
Em 1990, tivemos um dos planos econômicos, o plano Collor, e aí as coisas pioraram.  Fazíamos um evento no Ceasar Park uma vez por mês, e chamamos os melhores especialistas em assinaturas, lembro que uma delas era a Adélia Francisquini(era diretora de mkt da editora Abril )e todos falavam que estavam parando seus departamentos, pois vender era ter prejuízo mês a mês. As empresas não tinham dinheiro no caixa, pois a ministra Zélia tinha tirado o dinheiro da conta de todos. Estávamos num dilema, vivíamos de publicidade e ela havia parado também.
Tínhamos uma permuta monstruosa com a Vasp que a Rosana Roque nossa gerente de publicidade  fechou e até nós achamos muito alta( a Rosana vendia muito). Foi a última vez que fiz permuta com uma companhia aérea (acho que a Rosana exagerou, rsrsrsrs...). Nosso melhor representante no Brasil estava em Porto Alegre, um ex-gerente de assinaturas da Visão em São Paulo, gaúcho dos machos, vendia o dobro de todos os outros estados.
Conversando com ele um dia por telefone, descubro que acabara de perder seu melhor cliente de assinaturas em Porto Alegre( a Editora Globo) e seus vendedores estavam indo embora. Fiz-lhe uma proposta de trazer sua equipe para São Paulo de avião. Imaginem vendedores de assinatura viajando de avião e não é que deu certo.
Dois dias depois, o gaúcho me liga topando, só teria que conseguir um hotel baratinho em São Paulo. Mandei nosso “resolve tudo” para a região da Major Sertório e no fim do dia já tínhamos um andar para os gaúchos. Vieram doze e o dono da empresa.
Aquilo foi minha salvação e meu desastre diário. O ex-gerente da Visão, o dono, ficou uma semana e depois eu fiquei com a gauchada. No hotel eles arrumaram todas as confusões possíveis; fui lá tirar prostitutas com faca no pescoço de um dos gaúchos; um dia, todos saíram pela porta dos fundos sem pagar, achando que daria certo, e lá fui eu resolver; no Estadão, fui buscar um, preso pela segurança, troquei  eles de hotel e ai me chamam as pressas num domingo lá no hotel eles quase puseram fogo fazendo um churrasco num dos quartos e o que estavam usando de bucha as paginas da revista Imprensa, e um sem fim de histórias que estes gaúchos me arrumaram em São Paulo.
Mas uma coisa aconteceu, venderam perto de 22000 assinaturas de dois anos, façam as contas!  Salvaram a editora e a revista. Se íamos entregar, era outra coisa. A “Folha” na década de 50 ou 60 vendeu assinatura vitalícia e não entregou. Mas naquele momento era o que precisávamos e acabamos entregando.
Tínhamos outros problemas, como não sermos roubados na própria revista. Não tínhamos estrutura para aquela logística de depósitos e controles, ou os cheques que os clientes, depois do malho dos vendedores, não entendiam por que haviam emitido e assinado aquele tipo de revista. Tudo era problema, mas eram muitos, e a grana era à vista na conta.
Os gaúchos ficaram com a editora por muitos anos. Lembro-me de que dois anos depois ainda tínhamos dois deles e um que havia ido para Goiás e engravidado uma moça lá – e o pai dela me ligou para ver como resolveria aquele problema, que não resolvi, é lógico!
Fico imaginando o pepino que deve ser nos departamentos de assinaturas das editoras com a internet, aquele mundo de gente que tira a meia sem tirar o sapato e vende revista para quem não sabe ler. Ah, será que as vendas on-line resolvem estes problemas?  Rsrsrsrsrrsrs. 


domingo, 1 de julho de 2012

Cassino do Chacrinha


Quando fui morar em BH, em 1983, meu primeiro filho Caio havia acabado de nascer.Vida difícil  de pai fresco e sem experiência nossa diversão era trabalhar e cuidar de filho. Os dois primeiros anos foram na Opec – Operações Comerciais, da Globo Minas, a área que coloca os comerciais que foram vendidos no ar (não é só isso, mas dá para entender assim). Como já contei em outra história, fui como gerente e dois anos depois fui convidado pelo Talardo José dos Santos, gerente de venda de publicidade, e o diretor de mercado, Sinval Itacarambi Leão, para ser contato de publicidade e topei logo. Ganhava uns oito salários mínimos e iria ganhar uns quarenta, era naquele momento o que eu enxergava. Percebi o quanto iria ganhar quando minha mãe me ligou, perguntou o salário e eu falei; logo em seguida, ligou meu pai perguntando se eu não estava fazendo nada errado. Eu disse que o dinheiro vinha no holerite  ou contracheque. E aí ele sossegou.

Quando fui para a venda de publicidade já sabia como era o mercado. A Opec tem a visão geral de tudo, quanto é o desconto, a verba anual, quais as periodicidades dos clientes, é o mapear da mina. Poucos dias antes de passar para vendas, já olhava o segmento de mercado que iria atender. Poucos anos atrás, o Comercial na Globo era recortado por atividades de mercado, varejo, indústria, cultura e lazer, vestuário e têxtil, agropecuário, bebidas, automóveis, imobiliário. E eu iria atender os setores de vestuário e têxtil, cultura e lazer. Dei-me superbem, fiz umas parcerias entre as confecções, os donos de shows e atrações top de linha. “A Divina Decadência”, uma das grifes pioneiras de moda despojada, com o BB King, e coisas dessa natureza. As feiras de moda, no setor de cultura e lazer, davam coisas alegres e divertidas o ano todo com o TV Mulher – em moda da Amalia Rocha e no Jornal Hoje com a Cristina Franco , ambas minhas brodinhas na época de BH. Festas e bebedeiras em nossos stands com free geral até de manhãzinha todos os dias. Vida dura aquela! Mas fazia dez visitas por dia e o Talardo ainda ligava para ver se tínhamos ido às agências e clientes, era duro .Tive dois gerentes assim o mineiro e o Jony Brito no Jornal do Brasil os mídias dos dois estados devem se lembrar.

Mas nossa história hoje diz respeito ao Espírito Santo, especificamente a Cachoeiro do Itapemirim, cidade do Roberto Carlos, da Itapemirim. Mas para mim, o importante foi a Calçados Itapuã e Tupã, que está firme e forte até hoje na indústria e no varejo de calçados e que estava começando uma briga entre sua indústria e o varejo da grande Elmo de BH, padrão de organização na época (pelo visto, a Itapuã ganhou a briga, como já contei em outra história neste blog).

Quando comecei a atender, a indústria de Cachoeiro do Itapemirim eu era baseado em BH e a Itapuã já anunciava com a TV Globo, mas só em Salvador, um flat de uns três meses por ano, de junho a agosto.

Fiz um planejamento estratégico com  à agência e uma defesa bem estruturada e fomos a uma reunião com o dono de lá, Sr. Severino. Imagine, logo que fui apresentado, ele me disse que não gostava de surpresas e me perguntou se ficaria para almoçar. Respondi que sim, e contei o que eu havia preparado para a reunião (rsrsrsrs...): o patrocínio do Cassino do Chacrinha nacional. Ele me respondeu: “Ah! Ele e eu somos da mesma cidade, em Pernambuco”.

Todo mundo que estava tomando cafezinho parou; eu senti que ali já havia indícios de nós vendermos pro homem o patrocínio.

Fizemos a apresentação dos números, das adequações e quando terminamos fomos discutir a proposta no almoço, que foi na beira da estrada, num sujinho, com as toalhas de mesa com manchas do tamanho da mesa, com a moqueca capixaba mais gostosa que comi na vida, de lagostim. Eu, as atendimentos, duas lindas meninas, e um assessor do seu Severino. (comemos as lagostins com as mãos e foi isso que ele gostou na gente)

Em um determinado momento no almoço o próprio Severino, faz sua defesa do Chacrinha. Nas tardes de sábado, logo após o almoço, tinha a sessão Bang Bang,  e das 16h às 18h o Abelardo Barbosa com seu tradicional alvoroço. “É isso sim”, falou seu Severino. Depois do almoço, dormimos no sofá e acordamos com a barulheira do Velho Guerreiro, todos os presentes deram risadas e partimos para a negociação.

No fim do almoço, quase só falamos de coisas engraçadas, e aí veio a mordida do comprador, se em vez de seis meses fosse um ano e o desconto, de 7% para 12%. Chorei em 10% e acabamos em 11% por um ano. Para se ter uma ideia, o homem ficou oito anos patrocinando o programa, até o seu fim. Eu mesmo só trabalhei em BH por quatro anos.

Ter todos os meses um faturamento que só vinha três vezes ao ano era uma glória; e uma façanha, descobrir um cliente nacional em Cachoeiro do Itapemirim.

Ah! Na volta daquele dia, ainda estourou o pneu do carro da moça da agência de Vitória e tivemos que dormir em uma praia entre Vitória e Cachoeiro , Guarapari . Foi bem legal. (bobão)

Duas coisas na minha vida me ligaram ao Chacrinha minha mãe me conta que meu avô José Gamarano  tinha uma fabrica de meias que se chamava Tatu e que foi a primeira patrocinadora do programa e a outra é  surreal,  nos meus contatos com o Sr. Severino uns dez anos depois. É nós só trocávamos cartões de Natal durante este período  e um dia, quando dirigia a TV Gazeta de São Paulo, pedi para minha secretária ligar para ver como o homem andava. Então, entra a Tereza branca em minha sala e diz que aquele dia era o velório do meu patrocinador e do Chacrinha. Não me despedi do senhor que patrocinou a alegria do Velho Guerreiro. Liguei um dia depois e até hoje penso porque não liguei alguns dias antes. Foram muitas coincidências em nossas vidas e por um dia não falei com ele mais uma vez.   

sábado, 23 de junho de 2012

Pomba Gira...

Era 1996 ou 1997, e eu na Band em uma das tarefas mais difíceis que tive na vida, desmembrar o SP1 do nacional na casa em frente ao predião da Bandeirantes, ou melhor,na casa onde o Dalton Machado –diretor de publicidade nacional mandava muito, até então meu amigo quando fui para lá dividir seu mercado não gostou muito mas sempre me tratou  bem os outros é que faziam a diferença, seus funcionários.
 Orlando Marques me convida e fui da Gazeta SP para lá, ele mesmo me disse que a parada não seria fácil eu não imaginei a força do diretor daquela casa. Faturava muito mais que o nacional, merecia e tinha como tática usar o SP1 como alavanca (tanto nas negociações em desconto como em bonificações; aprendi isso lá com ele, mas não na turma dele, na minha turma). Não sou eu que vou questionar, pois usei desta tática lá e em outros lugares em que trabalhei depois.
Éramos uma equipe pequena, em Vendas, o Marco Piccolo, o Mauricio Rollo e o Gilberto Corazza(substituto do Pato, que ligava de casa às 10h30min da manhã dizendo que estava na JWT, com o cachorro latindo ao fundo). Usávamos o mkt da Band (o Paulo Oncken era o diretor). Tínhamos um boy meio assistente e meio parente da família e nossa secretária/assistente, a Adriana, que entra novamente na história, mas em outra emissora já contei uma dela na TV Gazeta SP.
A briga com a equipe do nacional começou a ficar boa uns quatro meses depois que entramos, pois tivemos que pagar durante quase o primeiro ano todo as bonificações que devíamos da equipe que vendia todos os canais. Já estava até ganhando pipoca da copeira, a dona Aurea, e me enturmando aos poucos com os que não eram diretamente subordinados à direção da casa.
Essa história tem a ver com a nossa secreta, a Adriana , que já não estava comigo há uns quatro anos e foi levada por mim á Band, pois ela era muito boa mesmo , mas no meio do caminho descobrimos que ela estava alcoólatra e, mesmo assim, dava de 10 em qualquer outra.
Mas com a chegada do meio boy , Paulinho ( filho do superintendente da PF), que entrou na nossa equipe .Íamos levando, mesmo que ás vezes as noitadas da Adriana  atrapalhassem sua chegada alguns dias do mês.
Não podíamos cometer nenhuma falha ali na casa, éramos praticamente vigiados, tínhamos um plantão que chegava todos os dias às 8h da manhã entre todos nós, inclusive eu.
Um determinado dia, quando já tínhamos uma certa moral na casa – pois nosso faturamento já era digno do Johnny passar lá no nosso escritório –,  chego umas 9h e o Marco Piccolo, que tinha chegado às 8h, estava com a Adriana na sala. Logo que entrei, ele me chama ao lado e diz: “A Dri tá bêbada”. Não precisava nem falar, ela estava com um vestido preto e blusa vermelha de noite, a maquiagem uns 10 cm para o lado esquerdo e falando alto . Queria ir de qualquer jeito bater o cartão, que era no prédio em frente, e o Picollo não deixava. Imagine, seria nosso fim, com a vigilância, estaríamos mortos .Ela cambaleando e parecendo uma Pomba Gira.
Não deu outra! Foi chegando o Mauricio Rollo, o Corazza e dávamos muita risada, mas estávamos bem preocupados. O Corazza rapidamente falou em levar a Adriana pra casa, e isso já com uns 45 minutos de risadas e ponderações. Aí, me entra a dona Aurea, da cozinha, e a Elisa Akikusa, do mkt, com a sacolinha da pipoca – era a primeira vez que alguém entrava lá. Sobre a pipoca, eu achava que quem pagava era a Band, rapidamente tirei cinco reais da carteira e dei às duas, pois queria que elas não notassem a situação, e foi o que aconteceu.
Quando comecei a escrever estas crônicas este ano 2012, a Elisa me lembrou de que naquele dia elas saíram da sala comemorando, pois dei dinheiro para uns quinze dias de pipoca e ainda pedi desculpas... rsrsrsrs.
Ficamos naquela saia justa por um ano e meio com a equipe do Dalton. Voltamos todos para a Gazeta e usamos da mesma tática ao sair.  Nós que vendíamos o veiculado no mês e não mais bonificávamos o SP1, saímos de lá com todos os programas vendidos, as quatro cotas, até o futebol dente de leite, que chamava Ping Pong,  e o Box, que nunca vendiam mais que duas cotas, deixamos vendidas as quatro. Apanhamos bastante, mas aprendemos muito bem, e o veneno que recebemos, devolvemos na mordida final. Não fizemos nada além do que recebemos, tenho a consciência tranquila, parte da moçada ainda esta aí para confirmar. E deixo uma homenagem ao Dalton que, na minha opinião, foi um dos melhores profissionais que conheci vendendo publicidade nas ruas de São Paulo.   

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Infarto profissional




Era início de 1996 ou por aí e acabara de ser contratado pela Nambei chilena e pelo grupo Meio e Mensagem para lançar a revista “América Economia” no Brasil (dezessete anos depois fui sócio da revista por nove anos – outras histórias).Nambei e Grupo  M&M eram sócios.

O Sales Neto arrumou de nossa agência de publicidade ser a DM9 e achei bem legal ter uma porta escancarada lá com meu amigo Paulo Queiroz o diretor geral de mídia  – o Nizan era detalhe naquele momento. A pressão era forte , era minha primeira experiência Full América Latina e posso dizer de um profissional do mercado publicitário.

Lembro-me de que poucos tinham celular e em uma reunião de briefing na DM9, da qual até o Nizan participou, meu celular tocou umas dez vezes. Isso era fim de janeiro e lançaríamos a revista em português em março, e estávamos pertíssimos do fechamento. O Sales Neto, na décima ligação, me dá uma bronca e pede para não mais atender celular. Fiquei bravo, mas entendi e desliguei. Duvido hoje que ele desligue o dele em reunião, mas patrão é patrão e gosto dele, que sempre me tratou muito bem, salvo aquele dia.

A campanha da agência foi um show e o lançamento da revista outro show de publicidade. A primeira página havíamos vendido dia 22 de dezembro 95 (fui contratado dia 12 12 95) para a Amex e quem autorizou foi o Luiz Carlos Pereira –  pagou antecipadamente três paginas, lembro-me de que quando fechamos a primeira edição , na segunda já tínhamos o dobro de páginas.Isabel Amorin craquissima  linda e ainda falava inglês . espanhol e francês, e a Rosa Helena a Gaúcha  muito relacionamento nas agencias cada uma era de um jeito as duas muitos boas .

As coisas iam bem e eu tinha porta aberta na agência do Paulo, mas nunca exagerei, apesar da insistência dos chefes (Sabe, né? Veículo, quando tem agência grande, chega a encher o saco dos mídias. Quem é ou foi patrão com agência grande sabe disso... rsrsrsrs.)

O bom ali eram as informação de um mundo novo, falar com o escritório de Miami quase todo dia em portunhol, ou com o Chile . Viajar! Ah, viajar... Estava indo para o lançamento em Miami com o Nils Strandeberg, o Sales Neto e nosso editor. Na porta do hotel o Neto tira uma comigo: “Fique bem perto da gente para te apresentarmos umas pessoas”. Mas já na fila do check in apresentei dois mídias para meu grupo, um era o Otávio, que tinha sido da Grey Brasil e estava numa grande agência em Nova York, o outro não me lembro era uma mídia de Chicago . No final, os vendedores de “América Economia” em Miami ficaram no meu pé para conhecerem meus amigos lá... rsrsrsrs.

Quem fez a palestra de abertura foi o Nizan Guanaes – que arrasou – para uma bela plateia de umas quinhentas pessoas full também. Ficamos apenas dois dias lá, mas foi minha primeira experiência internacional.

Tudo isso foi no início de janeiro e já estávamos no fechamento da primeira edição e nada de uma página da DM9. Marquei uma reunião com o com um dos diretores de mídia da agencia para pedir penico, não pela grana, mas pela pressão. (Entende, né? Estávamos bem de página, mas a da DM9 tinha que ter.)

Nunca tinha tomado uma  canseira na DM9, mas naquele dia, e eu ainda cliente, tomei uma brava, já era diretor e os contatos na recepção eram atendidos pelos outros mídias antes de mim. Isso sempre foi vergonha naquela época. Hoje, se chegar a uma agência dificilmente tem mais de um contato na recepção, ou nenhum. Por quê? ...rsrsrsrs.

E aí chega o diretor de mídia, me leva para a sala de reunião ainda ali na Cardoso de Almeida e meio respirando forte me diz uma frase que nunca esqueci:

– Hélcio, você conhece o termo ‘infarto profissional’?

– Eu, não!

 – Vou te explicar.  Aqui na DM9, um dia o Nizan pode vir a te encher tanto o saco que existe uma possibilidade de um infarto profissional.

Demos muitas risadas, contei para ele a pressão e ele chamou outro mídia (que um dia tomou uma chacoalhada do Nizan na frente do Gilberto Corazza em uma reunião na DM9. O Corazza chegou branco na Band com essa história e acredito ser verdade, conheço bem o jeito baiano de fazer as coisas funcionarem morei em Salvador nove anos). Eu dei muita chacoalhada em contato na minha vida profissional. Mas como sou pequeno, não levantei ninguém um metro, só fiz chorar. (Veneno... Lembre, é crônica, não maldade.)desculpem todos ...

O mídia me autorizou no outro dia a quarta capa de nossa primeira edição com a Boehmia. Lindo, né? Ter amigos... rsrsrsrs. E um produto bom é logico. E um desconto de pagina simples .Amigos são amigos negócios a parte .

Ah, o infarto profissional! Achei aquilo o máximo, contei pra muita gente durante uns quinze anos sobre aquelas frasezinhas do diretor de mídia  e pior o identificava  .

Em 2005 mais ou menos marquei uma reunião com o diretor de mídia que ainda estava na  DM9 e falamos de Salvador, do meu bar, da Bloomberg, da TV Salvador e quando chegamos à “América Economia” lembrei do infarto  profissional. E ele me disse: “Hélcio, nem eu lembrava. Se me recordo, só falei aquela frase para você, nunca pra mais ninguém.” Imagine, eu contei pra todo mundo aquela criação única do mídia como se ele falasse pra todo mundo.

Dei sorte, nunca ninguém contou ao Nizan minha trapalhada com o mídia. Hoje, depois de anos, posso contar, já não trabalha lá naquele prédio lindo da Brigadeiro.

E eu não corro o risco do Nizan me chacoalhar, virei também baiano.  Lícia Fabio também é minha mãe de santo. (Recurso poético, se é que posso chamar assim.)