sábado, 22 de setembro de 2012

Ou lia mão ou vendia televisão- em Salvador


Em 2002, fui convidado para montar uma operação em Salvador com a Rede Bahia, afiliada da Globo  com a TV Bahia. O convite foi para um canal em UHF, a TV Salvador, que na época não tinha o menor sucesso comercial e de audiência.
Imagine, quando fui ver no mercado (rua) como era a opinião dos varejistas sobre a TV, de dez visitados, nove me diziam que a TV não existia e que era um golpe de paulista!
E fomos para lá ver como seriam as coisas. Na verdade, o que eles queriam era uma sociedade numa produção de pequenos clientes, pois os grandes ainda não viam o UHF com bons olhos. Acabamos fechando uma sociedade em nove horas de operação diária e as outras nove com programação local, produzida para a TV Bahia, que era reprisada na TV Salvador. Até chegarmos a fazer a gestão das dezoito horas diárias da TV.
Tivemos muita dificuldade até chegar ao fechamento, pois os custos eram muito altos e, quando já achávamos que não aconteceria, fechamos uma permuta com passagens aéreas e viabilizamos o fechamento do contrato.
Eu, como bom exotérico, achei que haveria algo do destino e, já na primeira ida para entrevistar um batalhão de possíveis vendedores, produtores e apresentadores, conheci no avião uma senhora benzedeira que estava se mudando de São Bernardo (SP) para Barreira (BA), de mala e cuia com a família para montar uma pousada. Naqueles papos de avião, me disse para procurar alguém em Salvador que pudesse me dar um panorama astral do porquê estava começando uma jornada em Salvador.
O RH da Rede Bahia, me ajudando, montou uma série de entrevistas com mais de trezentas pessoas. Fiquei quatro dias sem pôr o pé para fora do hotel Othon, do quarto para duas salas no térreo e ao quarto novamente. Eu não conhecia ninguém em Salvador e um amigo, o Luiz Carlos Foz, me indicou uma paulista que em um dos dias foi almoçar comigo e acabou sendo contratada para a produção, a Rita.
Imagine o desgaste que foi! Sozinho, passava um vídeo sobre o que seria nosso projeto para umas quarenta pessoas e contava as condições de contratação. Depois, quem tivesse interesse ficava para uma entrevista pessoal. Cheguei a São Paulo doente, uma loucura! O espiritual na Bahia é sem igual, de dor de barriga a mandingas mil, só morando lá para entender o estado de espírito dos baianos.
Na tardinha do terceiro dia me liga a tal da Rita e me fala de uma amiga dela – que também tinha uma filha hiperativa, sobre quem conversamos no almoço –, que era vidente, morava há anos na Itália e estava de passagens por Salvador. Seu sucesso, me disse a Rita, era enorme como vidente, tanto em Salvador como na Itália.
Eu que já havia no avião ficado interessado, naquela hora liguei para a vidente e marquei um horário para a noite daquele mesmo dia.
A Lúcia me atendeu como todos os videntes, leu os búzios, o tarô e bem no finalzinho da consulta tirou uma carta, dizendo que era um Mago da Lua. Eu perguntei o que era aquilo e ela me disse que eu deveria fazer algo exotérico. E não é que já fazia? Eu lia mão.
Quando sai do Canal 21, fui estudar inglês e MKT na Califórnia e uma aluna brasileira, senhora já, esposa do mestre cervejeiro da Schincariol, ganhou da filha um chaveiro que tinha as linhas da vida e começamos a ler uns a mãos dos outros em inglês. Imagine, até hoje, meu inglês é “meia boca”, e todos diziam que eu acertava tudo sobre a vida dos outros – e em inglês! Li mão de alemão, japonês, suíço.
Quando cheguei dos EUA, comecei a ler a mão das mulheres. Estava separado e isso me ajudou a namorar uma meia dúzia de três ou quatro.
Voltando à Bahia, quando disse à Lúcia, a vidente, que lia mão, ela me pediu que lesse a dela, e também me disse que acertara tudo.
No outro dia, ainda tinha na parte da manhã um papo com os possíveis contratados e à tarde, um encontro com a diretora da TV Salvador, a Cláudia Lima, que eu já conhecia, pois havia feito um estágio comigo em São Paulo no Canal 21 – e foi por isso que as coisas aconteceram em Salvador.
A Cláudia me pegou no hotel e fomos até o apartamento dela e do marido espanhol, diretor da Vivo para o Norte e Nordeste, que estava com uma paulista e a assessora de imprensa. Conversaríamos um pouco, pois eles também estavam indo para o aeroporto.
Cláudia e eu chegamos no mesmo instante em que o grupo que estava com o marido e, por coincidência do destino,  a paulista que os acompanhava era conhecida minha a quem não via há muitos anos, o que facilitou as coisas e as conversas naquele momento.
Contei todas as histórias daqueles dias maçantes, das entrevistas e, é lógico, sobre a vidente e sobre ler mãos.
Ah, todos ali pediram para eu ler as mãos! E não sei como falei para minha conhecida que ela poderia vir a ter uma doença. Ela, pálida, na mesma hora me disse que no carro, vindo para a casa da Cláudia, recebeu uma ligação do médico dela com a notícia de que estava com aquela doença, e todo mundo se calou.
Tomamos um belo vinho espanhol, fumamos um charuto cubano e fomos ao aeroporto. Ninguém mais falou de ler mão. A partir dali, só falamos de coisas leves e para cima com o astral.
Quando voltei a Salvador, quinze dias depois, já era para fazer o start up das vendas e descobri que todo mundo sabia dos meus dotes exotéricos.
Nas reuniões, sempre tinha o cliente, sua mulher, as filhas – e no fim da história acabava lendo a mão de todos e fechando o negócio, é lógico. Como disse acima, a maioria não acreditava no resultado do canal, mas na Bahia o exotérico te impulsiona para o futuro e saí ileso. Sorte, se não poderia ser taxado de charlatão e ser preso! O canal, no início, não dava resultado, mas a leitura das mãos ... (rsrsrs...)
Isso aconteceu durante bastante tempo, até que me casei com uma delas em Salvador.
Foram dez anos de TV Salvador e, se tivesse cobrado cinquenta reais de todas a mãos que li por lá, com certeza estaria rico ou com um turbante na cabeça, agora, em São Paulo.
Antes de começar a fazer sua venda fale de sexo, drogas e rock’n’ roll. Ah, e ler mão também funciona (rsrsrs...)!

domingo, 16 de setembro de 2012

Bati de frente com o Nizan . Será que ele soube?


Estamos falando do fim da década de 1990. José Claudio Maluf( jornalista do trade publicitário) e eu em minha sala no Canal 21, onde era o diretor-comercial, mas dirigia o “Imprensa na TV”, e ele tinha um quadro de humor no programa, que ia ao ar todos os domingos às 23h, produzido pela Vídeo In, do Ricardo Narchi e do Durval, e pela revista “Imprensa”.
Lembro-me bem da piada que estava contando, sobre um fato real que aconteceu na TV Gazeta  de São Paulo, em 1993.( eu contava para ele as piadas que ele contava num quadro de 4 minutos no “Imprensa na TV”)o Maluf era mau humorado e era perfeito para aquele quadro de piadas sobre publicidade ou fatos engraçados no mercado .
Logo que cheguei à Gazeta, perguntei quem era o “financeiro” da Fundação Cásper Líbero, e minha gerente de operações disse que era o Bertulli, um descendente de italianos, grande e tão grosso como seu tamanho, que não falava com o Comercial. Fiquei intrigado, pois uma boa relação com ele seria maravilhosa. A Gazeta, na época, faturava pouco mais de 200 mil dólares mensais. Era abril e o ano mal estava começando. Eu, voltando para TV depois de dez anos em revista, não podia fazer muito carnaval.E fiquei na minha até reverter o quadro e ganhar a confiança do Bertullão.200 mil dólares por mês ele não tinha comercial rsrsrsr.
Aí, tocou o telefone e pedi ao Maluf para atender. Era o diretor comercial do IG, que estava falando em nome do Nizan Guanaes. Eu me senti superimportante. O tal diretor era meu amigo, se é que na publicidade temos amigos.
 – Hélcio, o Nizan me mandou colocar uns comerciais da WebMotors no Canal 21 de graça.  
  Como?
– É, sim! De graça. Nós temos um acordo com o grupo Bandeirantes e o Nizan mandou e temos que fazer.
– Como?
– È, sim! Ele tem visto seu canal e me chamou lá e me pediu isso.
Aí, entrei com minha frase celebre da época:
– De graça é no quarto andar, onde fica o Johnny Saad. Aqui no primeiro andar, onde fica o Comercial e o 21, tem que pagar.
O tal diretor, meu amigo, ficou bravo e me disse:
 – Você vai medir força com o Nizan? Deve estar louco!
-Vai bater de frente com o cara?
– Não, querido! O que o Nizan quer são os comerciais que fazemos pela internet, quase em tempo real.
– Hélcio, agora você quer pensar pelo Nizan?
 – Não! Se o Nizan mandou para a Webmotors e viu nosso canal, deve ser o produto que temos aqui, que chama “SP Online”. Com um laptop Apple mandamos de qualquer lugar de São Paulo imagens e colocamos no ar em três minutos.
– Não é isso!
– É isso!
 Vai não vai, convenci-o a entrar na sala do Nizan para perguntar.
– Tá bom – disse ele. Já te ligo.
Imagine, o Maluf escutou toda essa conversa sem pé nem cabeça e me disse:
 Este burro do IG vai ver escrito o nome dele na segunda na minha coluna do Caderno Propaganda. Isso é transição midiática, é convergência.
Foi a primeira vez que escutei essas palavras. Eu disse:
 Nem a pau, Maluf! Vou perder o amigo e ele não entendeu por não ter UHF em casa, tenho certeza!
Meu amigo do IG era bom demais. Era diretor do SBT e tinha sido chamado pelo Nizan para compor sua equipe no IG. Um craque!
Um dia conversando com o Osvaldo Marraccini na época diretor da Band , me disse que a pressão lá era igualzinha. 
Maluf me disse, fazendo seu tipo mau humor cínico:
– Esta não vai me passar, nem fodendo!
Demorei uns dez minutos a convencê-lo,  e, aí,  me disse:
– Tá bom menino, vamos trabalhar. Não ganho nada para fazer esta coluna( 4 minutos semanais), mesmo. Não posso perder tempo.
Voltamos à piada da TV Gazeta e ele me perguntou se eu tinha conseguido falar com o Bertulli.
– Lógico, em julho!
– Em julho, por quê?
– Porque já estávamos faturando um milhão do dólares e o Bertulli já era meu amigo.
– Qual é a piada?  
Tocou o telefone de novo. Era o meu amigo, diretor-comercial do Nizan, e não do IG (rsrsrs...). Já estava até preocupado, pois o Maluf não tinha papas na língua e ele não iria deixar de publicar na sua coluna o resultado do telefonema, de jeito nenhum!  Mesmo que me perdesse como amigo e contratante.
Mas, para minha felicidade, meu amigo falou com o Nizan e viabilizamos, por seis meses, seis entradas diárias direto do WebMotors, de três minutos, em tempo real. O Marcelo Cesário hoje na HBO é que treinou os editores do Webmotors foi a primeira ação via internet na TV . Os meninos da WebMortors faziam as ofertas quinze minutos antes das horas cheias como se fossem as cheias, e entrávamos no ar ao quase ao vivo – tipo, ao vivo motoboy (motolink com delay de 15 minutos), coisa que já tinha feito muito em outros canais. Mas em 1998, pela internet, era um luxo.
Maluf adorou. Acreditou que meu amigo era bom mesmo e não falamos mais sobre o assunto – e ainda me viu faturar  15 mil dólares mensais do Nizan. Eu, que já era uma craque para o Maluf, virei herói. Só fiquei com medo de ele ir até o IG e tentar tomar o dele também – coisa que não aconteceu; ele me respeitou e não foi lá.
– Mas Hélcio, que piada é essa que não acaba, sobre o tal Bertulli? – perguntou Maluf, impaciente. Acabei de escutar a melhor do dia e você não vai me deixar publicar. A da TV Gazeta tem que ser boa mesmo.
– Em julho do mesmo ano em que entrei na TV Gazeta – respondi – minha equipe já faturava o milhão de dólares por mês, como já te disse.
E continuei:
– Estava na JWT com o financeiro, negociando um BV. Ainda não havia celular, e como os contatos deixavam o roteiro do dia com a secretária, a Tereza recebeu uma ligação do Bertulli, puto, que estava no Banco Safra negociando umas promissórias e o gerente não as queria descontar. A secreta, preocupada, sabendo da truculência do Bertulão, passou o telefone da JWT.  Aí, começa a piada:
“ – Hélcio, eu estou aqui no Safra com umas promissórias e o gerente não quer descontar. Você vendeu 40 mil dólares para uma lanchonete o mês passado?
– Eu, não!
Ele, que me chamava carinhosamente de Gordinho, mudou o tratamento.
– Sim, Hélcio!
Pensei comigo: ‘Como vou explicar esta loucura para alguém na Fundação’.
– Mas como chama essa lanchonete?
– Pera aí, vou ver – disse Bertulli
Dois minutos depois, Bertulli entra novamente na linha e fala bem baixinho o nome da tal lanchonete:
– Restco, Indústria e Comércio de Alimentos.
– Restco é o McDonald’s – respondi baixinho também.
E ele me disse, baixinho:
– Tá bom, Gordinho – e desligou.”
No cadastro de clientes da TV Gazeta, eles nunca haviam faturado o McDonald’s. 
O Maluf não deu risada. Ainda queria publicar a história que havia escutado sobre o Nizan.
Moral da história: morri em 2000 reais por mês com aquele quadrinho de quatro minutos no “Imprensa na TV”, que, até então, não pagava nada. Justíssimo , acho que eu fui o único cara que o Maluf trabalhou uns seis meses de graça.
Burro não era, o tal diretor comercial do IG, o competentíssimo Mauricio Palermo, e sim eu,  que o deixei  o Maluf escutar minha conversa com o pupilo do Nizan.
Achava-me o bom por vender  lebre por gato, mas o Maluf, no jornalismo e na publicidade, era colunista da velha guarda,  que  para sobreviver   produzia  e vendia  gato por gato e lebre por lebre, em seu jeito ético, sabendo  a medida exata e o limite entre as duas vertentes do negócio jornalismo e publicidade.
Bem, amigos, tive a oportunidade de viver com grandes pessoas na comunicação. São 4h30min da manhã, e a Rose de Almeida(pupila do Maluf e jornalista do trade publicitário)  me pediu este comentário sobre nosso querido Maluf à 1h30min. Vi no Facebook que ela estava on-line e a mandei dormir, que o Cascão marido dela e publicitário também, estava bravo com ela. Logo em seguida, na segunda frase de minha conversa,  escrevi uma das cem melhores frases do meu  falecido amigo Otto Lara Resende: “Não sou imbecil por completo porque tenho insônia”.
Por isso, estou aqui, fazendo esta homenagem ao nosso querido JC Maluf. E acabando às 4h30min da manhã.
Meu dia amanhã vai ter o humor do Maluf. Parabéns, meu querido,onde você estiver! E para a Rose, que está buscando histórias lindas a respeito de um pensador ilustre com quem tivemos a oportunidade de viver e aprender neste mundo competitivo da propaganda e do jornalismo.
Hélcio Henrique Vieira, 54 anos, foi diretor-comercial de diversos veículos em diversos meios e publisher em diversas empresas de comunicação. Hoje, se reinventa estudando mestrado em Cinema para justificar sua tese “Convergência Social pelos Processos e Linguagens Audiovisuais”.
E esta foi a primeira história que escrevi e virou este blog semrura888 que tem milhares de pessoas que leem todas as semanas há 24 semanas. Quase 6 meses .  Obrigado Rose de Almeida.

Valeu Maluf !!!!! .

domingo, 9 de setembro de 2012

Presidente acordadão e eu dormindo na recepção.



Esta história deve ter acontecido em meados de 1999. O mercado já tilintava com e-mails e as primeiras comunicações via web e não mais por fax – eu sou da época do telex e sempre  arrumava tempo para, semanalmente, conversar com o mercado sobre projetos e informação. Eu chamava isso de “mídia no mídia” (rsrsrs...). Muitos ou quase todos os meus amigos são dos negócios e amizades à parte. Já disse um publicitário carioca: “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”. (Eu o vi no Jô um dia, ficou famoso por isso.)

Mantive durante toda a vida profissional uma newsletter que enviava de onde estivesse, da revista Imprensa 1988, por Telex, e já no Canal 21, AmericaEconomia /Bloomberg  e TV Salvador( 1996 a 2011), via Web.

Muitos me falam que não sabiam que escrevia, e eu escrevo desde sempre com a ajuda de um revisor, é lógico. Imagine, fiz vestibular para publicidade quando era 1 para 1 (rsrsrs...). Foram meus revisores: Gabriel Priolli, Ricardo Kotscho, Paulo Marcun, Manoel Canabarro, Carlos Nascimento, Marcos Coelho, José Occhiuso ,Ana Maria Tahan  entre outros – um dia eu tinha que aprender a escrever.

Lembro-me de ter marcado uma reunião com o então diretor de Mídia da agência Leo Burnet, o Paulo Gregoraci.  A patroa dele, a Verinha, e eu trabalhamos juntos na DPZ ( 1983), e sempre tive uma admiração incrível por ele, sem falar na competência do cara.

A propósito, a Leo tem uma história bem legal. Foi fundada nos EUA em plena crise de 1929 Seu dono, o próprio Leo, já famoso e criativo, chamou a mídia do trade para sua inauguração e como não tinha grana colocou umas maçãs numa cesta para receber os convidados. Um dos jornalistas escreveu no dia seguinte que a agência viveria até que as maçãs se estragassem, e não foi assim, né?Até hoje quando você visita a Leo tem uma cesta de maças lindas na recepção.

No meio da reunião, percebi o quanto o Paulo sabia de meus passos. Ele comentou sobre minha forma de trabalhar com as news, que sempre me ajudaram nas conversações com o mercado de mídia e os clientes dos departamentos de publicidade das empresas. Eu era ligado nele, mas não o imaginava ligado em mim.

Recentemente, descobri que esse diretor começou a trabalhar com treze anos de idade, com um curso no Senai. Imagine, o cara hoje é um dos presidentes da McCann, uma das maiores do mercado.

Como tenho insônia há muito tempo, sempre dormi nas recepções de agências. Já contei aqui dos dois gerentes que tive e que ligavam para ver se tinha ido às reuniões. E quem me contratou quando dormia na Leo depois do almoço (rsrsrs...).

Costumo usar uma das cem melhores frases do meu amigo Otto Lara Resende: “Não sou imbecil por completo porque tenho insônia”. O Otto era do conselho editorial da revista Imprensa e eu, menino de trinta anos, convivi com ele. Todos se lembram de um monte de frases dele, eu me lembro dessa.

 

E tanto na Leo quanto na McCann tive o desprazer de ser pego dormindo na recepção – é, foram anos e anos de recepção (rsrsrs...)!

Uma das melhores dormidas foi na DM9, ainda no Itaim, quando as recepcionistas eram duas gêmeas negras e uma delas me acorda e eu pergunto onde estava.

Quando cheguei à TV Gazeta de São Paulo, o Roberto Avallone,  apresentador do “Mesa Redonda”, me chamava de Jack Nicholson, pois ainda tinha os óculos escuro que disfarçavam minhas dormidas nas agências e congressos (rsrsrs...). 

Na Leo, arrumei um emprego com o Jonhy Brito, do JB. Já falei disso, sempre o Oscar Osawa dava canseira na recepção (mas atendia sempre, o querido Oscar).

Estes dias estive com ele (agosto 2012), o Paulo Gregoraci, e o achei o mesmo cara que conheci muitos anos atrás. Tão logo cheguei à reunião, falou-me deste blog, que daqui a três semanas fará seis meses, que encho o saco de todos vocês do mercado publicitário e alguns amigos de outras áreas. E para não ficar para trás, contei da primeira vez que ele me falou da forma como converso, desde o JB e a Imprensa, e que quando estou escrevendo sempre me lembro dele, e é verdade.

O mercado hoje fala da importância dos mailings/data base que a era digital nos proporciona e seus cruzamentos e as particularidades do consumidor e como falar diretamente com quem compra .Isso não é novidade para nós. 

Grande Paulo Gregoraci, e eu nem imaginava que você começou a trabalhar com treze anos!  

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Dois do Mensalão

 

Esta história se torna atualíssima, pois estão envolvidos nela dois personagens que nestes dias não saem dos noticiários políticos e policiais. São publicitários mineiros que eram meus clientes na década de 1980, em Belo Horizonte, e jamais imaginariam, na época, em que iriam se meter na história da publicidade e da propaganda.

Estamos falando de 1986 ou 1985, eu, contato na Globo Minas. Era o começo do desmoronamento da guerra fria, e isso é importante, pois falaremos dos Jogos da Amizade que aconteceram na Rússia, em Moscou, e em Los Angeles, nos EUA.

Os Jogos da Amizade faziam parte da aproximação dos dois países poderosos, que acertaram fazer uma Olimpíada particular para comemorar o sucesso de suas negociações políticas.

A Rede Globo comprou o evento e nós tínhamos que vendê-lo, e foi o que eu armei com o único cliente em condições de comprar algo valendo na época um milhão de dólares, a Tecelagens Santa Rosa.

A agência era a SMP&B, na época, donos, o Cristiano Paz e o Mauricio (que alguns anos depois sofreu um acidente de moto numa trilha e foi decapitado por um arame farpado ). O Ramon Hollerbach  era na época o diretor de atendimento da agência do Cristiano e do Maurício.

A SMP&B naquele ano ia mal das pernas e a salvação era vender os jogos à Santa Rosa  – tarefa difícil de enfrentar naquele momento.  O diretor de mkt, o Vicrota, genro do fundador da empresa, acabara de se separar da filha dele e a confusão estava até nos jornais de BH e Rio, com histórias de sequestro da neta e uma lavagem de roupa enorme para os costumes de uma família do interior do estado do Rio, na cidadezinha de Valença.

O fundador da Santa Rosa nos receberia, mas teríamos que levar o diretor de mercado da Globo Minas, o Sinval de Itacarambi Leão, que, justamente no dia marcado, tinha sido convidado para um almoço com o então governador de Minas, Tancredo Neves – ao qual, em hipótese alguma, faltaria. Estávamos na iminência de ele ser o futuro presidente do Brasil, e o Sinval, como bom partidário das esquerdas, me disse que eu arrumasse outro dia. Tentamos, mas o cliente estava cheio de compromissos e aquele dia era perfeito, pois no dia anterior haveria um leilão de cavalos na fazenda onde o Sr. Santa Rosa iria nos receber.

Numa sacada rápida, convenci o Cristiano Paz e o Maurício a alugar um avião, sairíamos de manhã cedinho e entregaríamos o Sinval no palácio para o almoço, às 12h30min. Eles relutaram, pois estavam sem grana, mas eu os convenci de que não seria o aluguel de um Comander (nome do avião alugado da Líder Táxi Aéreo) que iria fazer diferença para quem estava com falta de grana. Se fechássemos o negócio, os 20% e o BV salvariam a SMP&B.

Quem pode imaginar a agência do mensalão sem grana, em 1985.  Quem sabe, se esse negócio não saísse, eles estariam fora desse imbróglio político em que hoje estão?

Bem, às seis horas da manhã subimos no avião, o Sinval, o Cristiano, o Ramom, o atendimento, o Rodrigo Simões, e eu. Viagem agradável; descemos no aeroporto de terra de um quartel do Exército em Valença, e lá já nos esperava um carro da Santa Rosa.

Desculpe, não me lembro do nome do dono da cidade (rsrsrs...) , que, naquele dia, estava feliz da vida, havia comprado um cavalo por quinhentos mil dólares, que era seu sonho de consumo.

Logo que chegamos, lembro-me daquela casa linda e cheia de quadros de cavalos. Não vimos a compra, mas em sua sala já estava a escultura do garanhão comprado no dia anterior que o ex-dono deu de presente ao comprador.

Conversamos bastante e em um determinado momento o Sinval fala do almoço com o Tancredo naquele mesmo dia e da oportunidade de a Santa Rosa comprar o patrocínio de um evento internacional. Disse que a Globo estava levando duzentos profissionais e que a cobertura seria um sucesso.

O Sr. Santa Rosa fala de seus problemas sem o mkt e os rolos que isso estava causando em sua família e em sua empresa. O Sinval compara os valores do patrocínio com a compra do cavalo na noite anterior.

Em um determinado momento, o Sinval fala que até alugou um avião para ver seu amigo empresário, coisa que era mentira – quem havia alugado era a SMP&B.

Tínhamos uma hora “x” para sair dali, para o avião chegar antes do almoço com o Tancredo. As coisas não foram fáceis. Não saímos de lá com o patrocínio fechado, ainda sofreríamos dias para aquilo acontecer.

Foi difícil para os pilotos decolar o avião daquele aeroporto de terra. Arremetemos umas duas vezes antes de subir.

Na semana posterior, o Cristiano ligava diariamente para o Sinval. E eu era convocado o dia todo na SMP&B, na sala do Cristiano.

Foram tantas as ligações para Valença que seis dias depois fechamos o patrocínio do evento. No nacional, só a Santa Rosa (BH) e a Bacardi (RJ).

O evento para o qual falamos que mandaríamos duzentos profissionais na maioria das transmissões deixava vazar o off em inglês; os esportes coletivos do Brasil, vôlei, futebol, basquete, trouxeram quase nada de medalhas. Um fiasco!

Para o cliente, foi mais ou menos. As audiências foram boas para a agência e a Globo – uma salvou sua pele e nós batemos a meta.

Como já disse acima, imagine se esse negócio não sai e a SMP&B quebra! Não haveria mensalão e Marcos Valério, que, naquela época, devia ser vendedor de imóveis ou coisa assim, nem existiria hoje.

Em 1986, voltei para São Paulo. Nunca mais vi a Santa Rosa no ar, mas o Cristiano e o Ramon são personagens da história mais negativa da publicidade brasileira. Estão no Jornal Nacional todos os dias.  O Marcos Valério foi publicitário só no mensalão; antes, ninguém havia conhecido o tal careca.  




segunda-feira, 27 de agosto de 2012

150 por hora


Morei quatro anos em Belo Horizonte na época em que a Fernão Dias era um lixo. Quando vinha a São Paulo de carro com a família, não dormia direito uns três dias antes – a estrada me dava medo. Sei exatamente quantas vezes a peguei: dezessete idas e dezessete voltas.
Esta história tem a ver com velocidade, compromisso e negligência ao volante e se passou entre 1982 e 1986 na volta de um Carnaval que vim passar com a família em São Paulo.
Trabalhava na Globo Minas  – anos bons,  dos enduros da Liberdade e Independência, patrocinados pelo brim Santa Rosa, desenvolvidos pela equipe de mkt da emissora e seus diretores (já falamos disso em outra história). Nosso gerente de vendas era o Talardo José dos Santos. Pegava forte com a equipe e uma das coisas que o irritavam era a volta do Carnaval. O RH mandava estarmos às 12h da Quarta de Cinzas na emissora, e o Talardo lembrava isso uma semana antes do feriado.
Nós, bons contatos, em diversas oportunidades chegamos às 14h e ele ficava muito bravo. A equipe era ótima: Carlos Doné (hoje, na Rádio Itatiaia), Jorge Calabria, Dejair de Almeida Toscano e o Mario Neves (hoje, SBT Minas). Desafiar o Talardo era para macho e quem esteve lá sabe que mesmo com o bom salário que tínhamos éramos fortes e de opinião, na maioria dos carnavais chegamos às 14h.
Quando chegamos às 12h, ele fez reunião até às 14h e queria que visitássemos as agências que emendavam a Quarta. Foi um desastre os quatro carnavais que passei quando trabalhava em  BH.
Como falei acima, tinha medo da estrada e para chegar de São Paulo em BH na quarta-feira saía às 4 da manhã e corria que nem um louco naquela estrada capenga e sem a menor condição de viagem – imagine a 150 km/h.
Num desses carnavais fiz o recorde na Fernão Dias – seis horas – e fui personagem logo à tarde em uma agência que, descobri, não emendaria o feriado. Era a Staff, do José Maria Vargas, hoje um dos diretores da ANP, onde eu tinha as portas abertas. Naquela quarta de cinzas só o Zé trabalhava.
Quando estava lá, chegou o contato da Rádio Globo, o Carlos Henrique Nascimento – que o mercado conhece, trabalha na TV Globo SP, transferido  a muitos anos de  Minas – e me perguntou se eu estava na estrada pela manhã.
Eu disse que sim e ele meio sem jeito me falou: “Hélcio, trabalhamos no mesmo prédio e você tem dois filhos, não era melhor não correr tanto na estrada? Estava com meus pais e vi você ultrapassar uma ‘cegonha’ (caminhão que transporta carros) e mais quinze a vinte veículos atrás dela em uma subida, a uns 150 por hora”.
Eu, sem jeito pela travessura sem sentido, tentei minimizar o que não dava para minimizar (tipo batom na cueca), e falei que a culpa era do Talardo, como todos no mercado o conheciam, e passei batido com o jovem Carlos Henrique na época.
Os meninos do sistema Globo de radio BH, fizeram história em São Paulo o Carlos Murilo Moreno ( ex Fiat  hoje Nissam )também veio de lá.
Até hoje, quando estou em estrada, lembro-me desse momento, de uns anos para cá não pego estrada longa, pois corro muito, fico ansioso e sem responsabilidade.
O meu gerente na época não tinha culpa de nada. Eu é que sempre corri nas estradas.
Hoje não pego estrada de mais de duzentos quilômetros, mas, mesmo assim, ainda corro mais que o normal.
Mas sempre lembro que posso passar a vergonha que passei na Staff, a única agência aberta na quarta de cinzas e cheia de contatos de outros veículos na recepção excepcionalmente naquele dia.

sábado, 18 de agosto de 2012

O Homem de 6 milhões de dólares


Muitos podem falar o que quiserem sobre o grupo Bandeirantes, o que eu sei é que hoje é o grupo mais multiplataforma do mercado, tem em seu currículo diversos experimentos nos mais variados meios e veículos de comunicação e fez muitos investimentos em novas tecnologias e mídias .
Desde o Sr. João Saad ao Johnny, a Bandeirantes, hoje Band, sobrevive muito bem e lançou muitos profissionais no mercado, tanto nos bastidores como na linha de frente do vídeo. Praticamente, todo mundo que faz sucesso passou por lá.
Minha história se passa em 1997, quando fui convidado pelo Orlando Marques para, pela primeira vez, trabalhar no Morumbi.
No início daquele ano, a chefia me chama em sua sala e me oferece outro produto para que minha equipe trabalhasse. Tínhamos feito um excelente trabalho( Marco Picollo, Mauricio Rollo e Gilberto Corazza) no desmembramento do SP1 (emissora de São Paulo) da rede – já contei em outra história – e estava ganhando o preto do vídeo, que aparece nos comerciais locais quando estamos assistindo a TV via parabólica.
O Orlando, naquele momento, me dá uma missão e até uma ideia, a de começar a mapear aquela emissora com uma empresa de televendas, que vendia um controle remoto universal.
Eram perto de quatro milhões de parabólicas no Brasil vezes quatro pessoas por domicílio, uma emissora um pouco maior que a cidade de São Paulo.
Não tinha verba e comecei a divulgar isso junto aos jornalistas do meio, e o primeiro a sair com uma matéria foi o Adonis Alonso, meu caro amigo até hoje, que também foi o primeiro a divulgar meu blog, o “semsura888”.
Foi fácil explicar para o Adonis, ainda não conhecíamos a Sky e era comum irmos a um sítio ou uma pousada na praia, locais em que a parabólica era a forma de assistirmos a TV.
Outros jornalistas na época do trade me ligaram, mas não entenderam do que se tratava.
Dei a entrevista ao Adonis e o que ele sempre me perguntava era quanto aquela emissora existente, mas não explorada, valeria. Eu, que já conhecia sua tabuada, tinha um número na cabeça, que era o faturamento do SP1 da Band, que eu mesmo dirigia, e falei seis milhões de dólares.
Não me preocupei. O Adonis sempre foi ponta firme comigo, nunca saiu nada que pudesse me ferrar quando dei alguma entrevista a ele.
Tinha tanto trabalho que nem fui conferir a Caderno Propaganda. Na segunda, logo cedo, tínhamos reunião de Diretoria. Eram umas 11 horas da manhã, toca meu telefone e a secretária me manda ir à sala do Johnny Saad. Achei o máximo presidente me chamando! Que legal (rsrsrs...)!
Quando cheguei lá, ele estava com o Caderno Propaganda na mão e me mostrou a chamada da matéria: “O Homem de 6 milhões de dólares” com minha foto do lado . Não me deu bronca nem elogio, só me disse que, em poucos meses, minha meta seria seis milhões de dólares.
Eu era metido e continuei dando entrevistas e cavando motes para vendermos mais. O que posso dizer é que a partir dali comecei a me preocupar mais com os números que um dia poderiam me comprometer.
Ah, o que sai das mãos do Adonis pega! Até a Globo, que na época não vendia o preto das parabólicas para não concorrer com os mercados locais, hoje vende e bastante. Tem até telejornal que só vai nas parabólicas .     

domingo, 12 de agosto de 2012

Nunca embarquei na Naútica, na Trip atropelei.


Conheci meu companheiro de história ainda na revista Imprensa 1987, quando formamos um grupo para vender assinaturas em um pool de anúncios em todas as revistas e nos reuníamos para tentar alavancar pequenas editoras , Ernani, Joana Woo, Peter Milko,Paulo Lima e Cães e Gatos ( desculpe-me se esqueci de alguém).
Conforme os anos iam se passando, amadureci uma amizade com o Ernani, da Náutica e do Boat Show.
Eu, avido por mudanças e promoções, conforme fui evoluindo no mercado, conseguia uma boa repercussão na mídia do trade, na saída de onde estava e na entrada, dias depois.
E entre elas, sempre recebia uma ligação do meu amigo Ernani, com uma bela oferta de emprego para vender Náutica e até um determinado momento o Boat Show. Mas sempre, com a maior delicadeza, declinava de seu convite.  
Eram tempos muito bons! Lembro-me também do amigo Paulo Lima – a Trip também me convidou algumas vezes. Lembro-me de que um dia me chamou para um almoço e fui buscá-lo na Trip, ali do lado da Runner da Juscelino. Quando estávamos na esquina com um dos sinais, dois ladrões se dividiram atrás do meu carro e eu engatei uma primeira, atropelei um deles e passei no meio dos carros.  O Marco Picollo e o Paulo Lima gritaram: “Você atropelou um cara, não corra, estão os dois armados”. Foi uma loucura! Não almocei e fiquei com uma dor de barriga incrível, tremendo muito tempo.
Meu pai ainda era vivo e, como bom militar, me fez ligar para um amigo dele no Copom 190 para relatar o acontecido. O próprio major, que era amigo dele, me disse: “Você acha que o ladrão vai dar queixa?”.
Na noite daquela própria sexta –feira meus filhos assistindo o programa da radio rock  Trip 89 escutaram o Paulo Lima contando a história dos bandidos tentando me assaltar “é o meu amigo super homem Hélcio Vieira mais rápido que os ladrões atropelou os dois ”virei herói para meus filhos é lógico.
Voltando ao Ernani, a cada movimento ele me convidava e eu, além de gostar muito dele, e não querer perder o amigo, não contava os verdadeiros motivos de eu nunca aceitar seu convite.
Ah! Quando fui para morar na Califórnia, o Ernani me ligou. Na minha volta, quase viramos sócios, mas eu declinei novamente.
Passaram-se uns anos e eu um dia marco um almoço com ele na editora – linda, ali na Faria Lima, a Náutica e o Boat Show são produtos ótimos e conceituados. E o Ernani me perguntou por que nunca havia aceitado trabalhar com ele.
Aí, falei a verdade.  Eu não ando de barco todas as vezes que você ele me convidava e dizia para pegarmos seu barco de um monte de pés eu já enjoava na conversa. Imagine o vexame na frente dos clientes (rsrsrs...)!
De quatro em quatro anos acabo caindo na do passeio de barco. Há uns três anos fui ver os fogos e a virada do ano na Bahia em Salvador. Aluguei com um grupo de amigos uma grande traineira, com bebida e comida maravilhosas. Eu até fui bem enquanto navegávamos. Mas quando paramos para acompanhar a passagem de ano, ferrou. Sinto enjoo até hoje quando penso. Dei o maior vexame no meio de diversos arquitetos, donos de lojas de decoração e estilistas da Bahia. Parecia que o veado era eu.rsrsrsrsr