quarta-feira, 11 de julho de 2012

O Rei do Televendas


Todos acham que o mercado publicitário sempre foi um mar de rosas em qualidade de vida e muito dinheiro posso dizer que tive os dois casos em minha vida profissional , já os de pressão e pouco dinheiro foram difíceis mas tão engraçados e divertidos quanto .
Esta história teve seu começo em 1993 – para ser mais preciso, em 23 de abril de 1993 –,quando fui contratado pela TV Gazeta de São Paulo para montar o comercial da nova rede da qual iríamos  fazer parte, a CNT-Gazeta,  sociedade entre a rede OM de TV, da família Martinês de Curitiba, e a Fundação  Casper  Líbero de São Paulo .
A denominação nova era uma exigência minha, pois estávamos com muitos problemas com a dissolução da rede OM – uma parte, pois ela fazia parte do espólio Collor; a outra eram as triplicatas emitidas da Lever a outros clientes menores (rsrsrsrs...),  que se confundiam nas agências e clientes com as emitidas na mesma época pela rede Manchete. Coincidência ou não, tínhamos apenas sete emissoras no ar e a confusão das triplicatas só eu e os financeiros das agências da época sabemos como arrumamos. Não posso deixar de lado o Claudio Carramacho, que foi um ótimo parceiro nas confusões das triplicatas na Fundação.
Uma das estratégias para se ter uma boa equipe foi pagar uma comissão alta, mas era preciso faturar. E lá fomos nós ao mercado com um discurso fabuloso que eram as audiências que a união antiga da Gazeta com a OM tinham dado nas transmissões da Libertadores da América com o Galvão Bueno, e a sorte que tivemos com a vinda do Clodovil e do Hélio Sileman que segurava o moço em um programa diário, de segunda a sexta, das 22h às 23h30min, que emplacava quatro pontos de audiência e já vinha com o patrocínio das cafeteiras Wallita ( mais oi menos assim rsrsrsr), na época do poderoso Ricardo Adans, diretor e depois VP de Marketing, um craque.

Éramos doze contatos, eu e o Carramacho, que às vezes dava uns pequenos probleminhas (rsrsrsrs...), mas sempre foi parceiro da equipe.

Uma de suas estratégias foi fazer a equipe chegar diariamente às 8h da manhã para uma reunião no oitavo andar na sala Casper Líbero, que ficava ao lado da administração da Fundação e do RH, cujo pessoal só chegava às 9h, mas via a equipe comercial trabalhando todos os dias uma hora antes. Isso nos ajudou bastante, ninguém falava que éramos folgados e sim uns workaholics.
As instalações eram um horror e aos poucos, com grana na casa, fomos também fazendo a cabeça dos diretores e a Fundação foi melhorando sua cara, até festa demos lá.
Em seis meses, os contatos que ganhavam R$1.000,00 por mês já ganhavam perto de U$ 5.000,00 e , em um ano , U$ 12.000,00. Que proeza! E tudo começou logo na segunda semana, com uma ligação.
A secretária me passa uma ligação e a pessoa diz que queria anunciar no programa “Mulheres” e eu perguntei a verba. Em abril daquele ano o faturamento da TV tinha sido  de U$ 200.000, e só aquela consulta seria de U$ 400.000 ao mês (tinha algo errado ali). Achei que era uma brincadeira um amigo tirando uma com a minha cara, perguntei o endereço e a pessoa me disse que era Rua Barão do Triunfo. Eu morava na Barão do Triunfo  e falei para a pessoa se identificar e a pessoa disse o nome Honor Rodrigues, e a pessoa me disse que não era brincadeira. Ficamos uns segundos nessa conversa mole até que descobri que era uma cliente mesmo, na época o dono da Company Publicidade ,o rei das televendas, seu produtos davam diversos problemas no Procon, na Saúde Publica e vira e mexe tínhamos um boato de que ele iria quebrar ( um dia vou contar uma história só sobre as façanhas deste Honor).
Esse cliente ajudou a levantar a moral da equipe. Imagine, do dia para a noite consegui, ou melhor, caiu do céu um faturamento que era o dobro do que tínhamos.
Muitas histórias aconteceram sobre e com esse cliente na minha vida de vendedor de TV. Uma delas foi a própria sorte de estar na emissora ás 8h, horário em que ele ligou e em que normalmente ninguém ainda chegou aos departamentos comerciais das emissoras.
Outra foi: apesar de sua falta de ética, com a qual tentava nos impregnar, não termos nos curvado e, com isso, passamos ilesos por suas trapalhadas e tentativas de nos corromper ( Decon, Procon e até Justiça).
Perguntem ao Osvaldo Marraccini ele atendeu muito o Honor rsrsr
A última vez que ouvi falar do Honor foi no dossiê Uruguai, aquele que o Collor tentou forjar em Miami  – e acho que o Honor acabou caindo na Justiça de lá. E o que posso dizer é que nunca levei um balão do homem e ganhamos muito dinheiro com as veiculações daqueles produtos para crescer cabelo, cartilagem de tubarão e os primeiros pets para parar de fumar do mercado.
Honor Rodrigues foi o vilão de muita gente, mas posso dizer com convicção que salvei minhas metas com  aquele dinheiro nas horas mais difíceis de minhas gestões na Band ,Gazeta SP e Canal 21, e garanto, se houve um “Rei do Televendas”, foi ele. Pena que sua ética estava abaixo das 8h da manhã.       




domingo, 8 de julho de 2012

Churrasquinho de paginas.


Um dos lados da mesa que me deram muito trabalho foram as vezes que me aventurei na área de circulação, especificamente nas assinaturas de revistas. Era o ano de 1989, e eu na Feeling Editorial – editora da revista “Imprensa”, na época uma estupenda publicação que fazia só de publicidade umas cinquenta páginas mensais. Vendíamos bem em banca e as assinaturas eram um problema.
Éramos bem organizados, tínhamos representantes em todos os estados, mas em São Paulo as grandes editoras não deixavam espaço para os pequenos e, por mais que procurássemos, com uma só publicação ninguém queria nos representar na maior cidade do país, e nós teríamos que resolver esse problema.
Em 1990, tivemos um dos planos econômicos, o plano Collor, e aí as coisas pioraram.  Fazíamos um evento no Ceasar Park uma vez por mês, e chamamos os melhores especialistas em assinaturas, lembro que uma delas era a Adélia Francisquini(era diretora de mkt da editora Abril )e todos falavam que estavam parando seus departamentos, pois vender era ter prejuízo mês a mês. As empresas não tinham dinheiro no caixa, pois a ministra Zélia tinha tirado o dinheiro da conta de todos. Estávamos num dilema, vivíamos de publicidade e ela havia parado também.
Tínhamos uma permuta monstruosa com a Vasp que a Rosana Roque nossa gerente de publicidade  fechou e até nós achamos muito alta( a Rosana vendia muito). Foi a última vez que fiz permuta com uma companhia aérea (acho que a Rosana exagerou, rsrsrsrs...). Nosso melhor representante no Brasil estava em Porto Alegre, um ex-gerente de assinaturas da Visão em São Paulo, gaúcho dos machos, vendia o dobro de todos os outros estados.
Conversando com ele um dia por telefone, descubro que acabara de perder seu melhor cliente de assinaturas em Porto Alegre( a Editora Globo) e seus vendedores estavam indo embora. Fiz-lhe uma proposta de trazer sua equipe para São Paulo de avião. Imaginem vendedores de assinatura viajando de avião e não é que deu certo.
Dois dias depois, o gaúcho me liga topando, só teria que conseguir um hotel baratinho em São Paulo. Mandei nosso “resolve tudo” para a região da Major Sertório e no fim do dia já tínhamos um andar para os gaúchos. Vieram doze e o dono da empresa.
Aquilo foi minha salvação e meu desastre diário. O ex-gerente da Visão, o dono, ficou uma semana e depois eu fiquei com a gauchada. No hotel eles arrumaram todas as confusões possíveis; fui lá tirar prostitutas com faca no pescoço de um dos gaúchos; um dia, todos saíram pela porta dos fundos sem pagar, achando que daria certo, e lá fui eu resolver; no Estadão, fui buscar um, preso pela segurança, troquei  eles de hotel e ai me chamam as pressas num domingo lá no hotel eles quase puseram fogo fazendo um churrasco num dos quartos e o que estavam usando de bucha as paginas da revista Imprensa, e um sem fim de histórias que estes gaúchos me arrumaram em São Paulo.
Mas uma coisa aconteceu, venderam perto de 22000 assinaturas de dois anos, façam as contas!  Salvaram a editora e a revista. Se íamos entregar, era outra coisa. A “Folha” na década de 50 ou 60 vendeu assinatura vitalícia e não entregou. Mas naquele momento era o que precisávamos e acabamos entregando.
Tínhamos outros problemas, como não sermos roubados na própria revista. Não tínhamos estrutura para aquela logística de depósitos e controles, ou os cheques que os clientes, depois do malho dos vendedores, não entendiam por que haviam emitido e assinado aquele tipo de revista. Tudo era problema, mas eram muitos, e a grana era à vista na conta.
Os gaúchos ficaram com a editora por muitos anos. Lembro-me de que dois anos depois ainda tínhamos dois deles e um que havia ido para Goiás e engravidado uma moça lá – e o pai dela me ligou para ver como resolveria aquele problema, que não resolvi, é lógico!
Fico imaginando o pepino que deve ser nos departamentos de assinaturas das editoras com a internet, aquele mundo de gente que tira a meia sem tirar o sapato e vende revista para quem não sabe ler. Ah, será que as vendas on-line resolvem estes problemas?  Rsrsrsrsrrsrs. 


domingo, 1 de julho de 2012

Cassino do Chacrinha


Quando fui morar em BH, em 1983, meu primeiro filho Caio havia acabado de nascer.Vida difícil  de pai fresco e sem experiência nossa diversão era trabalhar e cuidar de filho. Os dois primeiros anos foram na Opec – Operações Comerciais, da Globo Minas, a área que coloca os comerciais que foram vendidos no ar (não é só isso, mas dá para entender assim). Como já contei em outra história, fui como gerente e dois anos depois fui convidado pelo Talardo José dos Santos, gerente de venda de publicidade, e o diretor de mercado, Sinval Itacarambi Leão, para ser contato de publicidade e topei logo. Ganhava uns oito salários mínimos e iria ganhar uns quarenta, era naquele momento o que eu enxergava. Percebi o quanto iria ganhar quando minha mãe me ligou, perguntou o salário e eu falei; logo em seguida, ligou meu pai perguntando se eu não estava fazendo nada errado. Eu disse que o dinheiro vinha no holerite  ou contracheque. E aí ele sossegou.

Quando fui para a venda de publicidade já sabia como era o mercado. A Opec tem a visão geral de tudo, quanto é o desconto, a verba anual, quais as periodicidades dos clientes, é o mapear da mina. Poucos dias antes de passar para vendas, já olhava o segmento de mercado que iria atender. Poucos anos atrás, o Comercial na Globo era recortado por atividades de mercado, varejo, indústria, cultura e lazer, vestuário e têxtil, agropecuário, bebidas, automóveis, imobiliário. E eu iria atender os setores de vestuário e têxtil, cultura e lazer. Dei-me superbem, fiz umas parcerias entre as confecções, os donos de shows e atrações top de linha. “A Divina Decadência”, uma das grifes pioneiras de moda despojada, com o BB King, e coisas dessa natureza. As feiras de moda, no setor de cultura e lazer, davam coisas alegres e divertidas o ano todo com o TV Mulher – em moda da Amalia Rocha e no Jornal Hoje com a Cristina Franco , ambas minhas brodinhas na época de BH. Festas e bebedeiras em nossos stands com free geral até de manhãzinha todos os dias. Vida dura aquela! Mas fazia dez visitas por dia e o Talardo ainda ligava para ver se tínhamos ido às agências e clientes, era duro .Tive dois gerentes assim o mineiro e o Jony Brito no Jornal do Brasil os mídias dos dois estados devem se lembrar.

Mas nossa história hoje diz respeito ao Espírito Santo, especificamente a Cachoeiro do Itapemirim, cidade do Roberto Carlos, da Itapemirim. Mas para mim, o importante foi a Calçados Itapuã e Tupã, que está firme e forte até hoje na indústria e no varejo de calçados e que estava começando uma briga entre sua indústria e o varejo da grande Elmo de BH, padrão de organização na época (pelo visto, a Itapuã ganhou a briga, como já contei em outra história neste blog).

Quando comecei a atender, a indústria de Cachoeiro do Itapemirim eu era baseado em BH e a Itapuã já anunciava com a TV Globo, mas só em Salvador, um flat de uns três meses por ano, de junho a agosto.

Fiz um planejamento estratégico com  à agência e uma defesa bem estruturada e fomos a uma reunião com o dono de lá, Sr. Severino. Imagine, logo que fui apresentado, ele me disse que não gostava de surpresas e me perguntou se ficaria para almoçar. Respondi que sim, e contei o que eu havia preparado para a reunião (rsrsrsrs...): o patrocínio do Cassino do Chacrinha nacional. Ele me respondeu: “Ah! Ele e eu somos da mesma cidade, em Pernambuco”.

Todo mundo que estava tomando cafezinho parou; eu senti que ali já havia indícios de nós vendermos pro homem o patrocínio.

Fizemos a apresentação dos números, das adequações e quando terminamos fomos discutir a proposta no almoço, que foi na beira da estrada, num sujinho, com as toalhas de mesa com manchas do tamanho da mesa, com a moqueca capixaba mais gostosa que comi na vida, de lagostim. Eu, as atendimentos, duas lindas meninas, e um assessor do seu Severino. (comemos as lagostins com as mãos e foi isso que ele gostou na gente)

Em um determinado momento no almoço o próprio Severino, faz sua defesa do Chacrinha. Nas tardes de sábado, logo após o almoço, tinha a sessão Bang Bang,  e das 16h às 18h o Abelardo Barbosa com seu tradicional alvoroço. “É isso sim”, falou seu Severino. Depois do almoço, dormimos no sofá e acordamos com a barulheira do Velho Guerreiro, todos os presentes deram risadas e partimos para a negociação.

No fim do almoço, quase só falamos de coisas engraçadas, e aí veio a mordida do comprador, se em vez de seis meses fosse um ano e o desconto, de 7% para 12%. Chorei em 10% e acabamos em 11% por um ano. Para se ter uma ideia, o homem ficou oito anos patrocinando o programa, até o seu fim. Eu mesmo só trabalhei em BH por quatro anos.

Ter todos os meses um faturamento que só vinha três vezes ao ano era uma glória; e uma façanha, descobrir um cliente nacional em Cachoeiro do Itapemirim.

Ah! Na volta daquele dia, ainda estourou o pneu do carro da moça da agência de Vitória e tivemos que dormir em uma praia entre Vitória e Cachoeiro , Guarapari . Foi bem legal. (bobão)

Duas coisas na minha vida me ligaram ao Chacrinha minha mãe me conta que meu avô José Gamarano  tinha uma fabrica de meias que se chamava Tatu e que foi a primeira patrocinadora do programa e a outra é  surreal,  nos meus contatos com o Sr. Severino uns dez anos depois. É nós só trocávamos cartões de Natal durante este período  e um dia, quando dirigia a TV Gazeta de São Paulo, pedi para minha secretária ligar para ver como o homem andava. Então, entra a Tereza branca em minha sala e diz que aquele dia era o velório do meu patrocinador e do Chacrinha. Não me despedi do senhor que patrocinou a alegria do Velho Guerreiro. Liguei um dia depois e até hoje penso porque não liguei alguns dias antes. Foram muitas coincidências em nossas vidas e por um dia não falei com ele mais uma vez.   

sábado, 23 de junho de 2012

Pomba Gira...

Era 1996 ou 1997, e eu na Band em uma das tarefas mais difíceis que tive na vida, desmembrar o SP1 do nacional na casa em frente ao predião da Bandeirantes, ou melhor,na casa onde o Dalton Machado –diretor de publicidade nacional mandava muito, até então meu amigo quando fui para lá dividir seu mercado não gostou muito mas sempre me tratou  bem os outros é que faziam a diferença, seus funcionários.
 Orlando Marques me convida e fui da Gazeta SP para lá, ele mesmo me disse que a parada não seria fácil eu não imaginei a força do diretor daquela casa. Faturava muito mais que o nacional, merecia e tinha como tática usar o SP1 como alavanca (tanto nas negociações em desconto como em bonificações; aprendi isso lá com ele, mas não na turma dele, na minha turma). Não sou eu que vou questionar, pois usei desta tática lá e em outros lugares em que trabalhei depois.
Éramos uma equipe pequena, em Vendas, o Marco Piccolo, o Mauricio Rollo e o Gilberto Corazza(substituto do Pato, que ligava de casa às 10h30min da manhã dizendo que estava na JWT, com o cachorro latindo ao fundo). Usávamos o mkt da Band (o Paulo Oncken era o diretor). Tínhamos um boy meio assistente e meio parente da família e nossa secretária/assistente, a Adriana, que entra novamente na história, mas em outra emissora já contei uma dela na TV Gazeta SP.
A briga com a equipe do nacional começou a ficar boa uns quatro meses depois que entramos, pois tivemos que pagar durante quase o primeiro ano todo as bonificações que devíamos da equipe que vendia todos os canais. Já estava até ganhando pipoca da copeira, a dona Aurea, e me enturmando aos poucos com os que não eram diretamente subordinados à direção da casa.
Essa história tem a ver com a nossa secreta, a Adriana , que já não estava comigo há uns quatro anos e foi levada por mim á Band, pois ela era muito boa mesmo , mas no meio do caminho descobrimos que ela estava alcoólatra e, mesmo assim, dava de 10 em qualquer outra.
Mas com a chegada do meio boy , Paulinho ( filho do superintendente da PF), que entrou na nossa equipe .Íamos levando, mesmo que ás vezes as noitadas da Adriana  atrapalhassem sua chegada alguns dias do mês.
Não podíamos cometer nenhuma falha ali na casa, éramos praticamente vigiados, tínhamos um plantão que chegava todos os dias às 8h da manhã entre todos nós, inclusive eu.
Um determinado dia, quando já tínhamos uma certa moral na casa – pois nosso faturamento já era digno do Johnny passar lá no nosso escritório –,  chego umas 9h e o Marco Piccolo, que tinha chegado às 8h, estava com a Adriana na sala. Logo que entrei, ele me chama ao lado e diz: “A Dri tá bêbada”. Não precisava nem falar, ela estava com um vestido preto e blusa vermelha de noite, a maquiagem uns 10 cm para o lado esquerdo e falando alto . Queria ir de qualquer jeito bater o cartão, que era no prédio em frente, e o Picollo não deixava. Imagine, seria nosso fim, com a vigilância, estaríamos mortos .Ela cambaleando e parecendo uma Pomba Gira.
Não deu outra! Foi chegando o Mauricio Rollo, o Corazza e dávamos muita risada, mas estávamos bem preocupados. O Corazza rapidamente falou em levar a Adriana pra casa, e isso já com uns 45 minutos de risadas e ponderações. Aí, me entra a dona Aurea, da cozinha, e a Elisa Akikusa, do mkt, com a sacolinha da pipoca – era a primeira vez que alguém entrava lá. Sobre a pipoca, eu achava que quem pagava era a Band, rapidamente tirei cinco reais da carteira e dei às duas, pois queria que elas não notassem a situação, e foi o que aconteceu.
Quando comecei a escrever estas crônicas este ano 2012, a Elisa me lembrou de que naquele dia elas saíram da sala comemorando, pois dei dinheiro para uns quinze dias de pipoca e ainda pedi desculpas... rsrsrsrs.
Ficamos naquela saia justa por um ano e meio com a equipe do Dalton. Voltamos todos para a Gazeta e usamos da mesma tática ao sair.  Nós que vendíamos o veiculado no mês e não mais bonificávamos o SP1, saímos de lá com todos os programas vendidos, as quatro cotas, até o futebol dente de leite, que chamava Ping Pong,  e o Box, que nunca vendiam mais que duas cotas, deixamos vendidas as quatro. Apanhamos bastante, mas aprendemos muito bem, e o veneno que recebemos, devolvemos na mordida final. Não fizemos nada além do que recebemos, tenho a consciência tranquila, parte da moçada ainda esta aí para confirmar. E deixo uma homenagem ao Dalton que, na minha opinião, foi um dos melhores profissionais que conheci vendendo publicidade nas ruas de São Paulo.   

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Infarto profissional




Era início de 1996 ou por aí e acabara de ser contratado pela Nambei chilena e pelo grupo Meio e Mensagem para lançar a revista “América Economia” no Brasil (dezessete anos depois fui sócio da revista por nove anos – outras histórias).Nambei e Grupo  M&M eram sócios.

O Sales Neto arrumou de nossa agência de publicidade ser a DM9 e achei bem legal ter uma porta escancarada lá com meu amigo Paulo Queiroz o diretor geral de mídia  – o Nizan era detalhe naquele momento. A pressão era forte , era minha primeira experiência Full América Latina e posso dizer de um profissional do mercado publicitário.

Lembro-me de que poucos tinham celular e em uma reunião de briefing na DM9, da qual até o Nizan participou, meu celular tocou umas dez vezes. Isso era fim de janeiro e lançaríamos a revista em português em março, e estávamos pertíssimos do fechamento. O Sales Neto, na décima ligação, me dá uma bronca e pede para não mais atender celular. Fiquei bravo, mas entendi e desliguei. Duvido hoje que ele desligue o dele em reunião, mas patrão é patrão e gosto dele, que sempre me tratou muito bem, salvo aquele dia.

A campanha da agência foi um show e o lançamento da revista outro show de publicidade. A primeira página havíamos vendido dia 22 de dezembro 95 (fui contratado dia 12 12 95) para a Amex e quem autorizou foi o Luiz Carlos Pereira –  pagou antecipadamente três paginas, lembro-me de que quando fechamos a primeira edição , na segunda já tínhamos o dobro de páginas.Isabel Amorin craquissima  linda e ainda falava inglês . espanhol e francês, e a Rosa Helena a Gaúcha  muito relacionamento nas agencias cada uma era de um jeito as duas muitos boas .

As coisas iam bem e eu tinha porta aberta na agência do Paulo, mas nunca exagerei, apesar da insistência dos chefes (Sabe, né? Veículo, quando tem agência grande, chega a encher o saco dos mídias. Quem é ou foi patrão com agência grande sabe disso... rsrsrsrs.)

O bom ali eram as informação de um mundo novo, falar com o escritório de Miami quase todo dia em portunhol, ou com o Chile . Viajar! Ah, viajar... Estava indo para o lançamento em Miami com o Nils Strandeberg, o Sales Neto e nosso editor. Na porta do hotel o Neto tira uma comigo: “Fique bem perto da gente para te apresentarmos umas pessoas”. Mas já na fila do check in apresentei dois mídias para meu grupo, um era o Otávio, que tinha sido da Grey Brasil e estava numa grande agência em Nova York, o outro não me lembro era uma mídia de Chicago . No final, os vendedores de “América Economia” em Miami ficaram no meu pé para conhecerem meus amigos lá... rsrsrsrs.

Quem fez a palestra de abertura foi o Nizan Guanaes – que arrasou – para uma bela plateia de umas quinhentas pessoas full também. Ficamos apenas dois dias lá, mas foi minha primeira experiência internacional.

Tudo isso foi no início de janeiro e já estávamos no fechamento da primeira edição e nada de uma página da DM9. Marquei uma reunião com o com um dos diretores de mídia da agencia para pedir penico, não pela grana, mas pela pressão. (Entende, né? Estávamos bem de página, mas a da DM9 tinha que ter.)

Nunca tinha tomado uma  canseira na DM9, mas naquele dia, e eu ainda cliente, tomei uma brava, já era diretor e os contatos na recepção eram atendidos pelos outros mídias antes de mim. Isso sempre foi vergonha naquela época. Hoje, se chegar a uma agência dificilmente tem mais de um contato na recepção, ou nenhum. Por quê? ...rsrsrsrs.

E aí chega o diretor de mídia, me leva para a sala de reunião ainda ali na Cardoso de Almeida e meio respirando forte me diz uma frase que nunca esqueci:

– Hélcio, você conhece o termo ‘infarto profissional’?

– Eu, não!

 – Vou te explicar.  Aqui na DM9, um dia o Nizan pode vir a te encher tanto o saco que existe uma possibilidade de um infarto profissional.

Demos muitas risadas, contei para ele a pressão e ele chamou outro mídia (que um dia tomou uma chacoalhada do Nizan na frente do Gilberto Corazza em uma reunião na DM9. O Corazza chegou branco na Band com essa história e acredito ser verdade, conheço bem o jeito baiano de fazer as coisas funcionarem morei em Salvador nove anos). Eu dei muita chacoalhada em contato na minha vida profissional. Mas como sou pequeno, não levantei ninguém um metro, só fiz chorar. (Veneno... Lembre, é crônica, não maldade.)desculpem todos ...

O mídia me autorizou no outro dia a quarta capa de nossa primeira edição com a Boehmia. Lindo, né? Ter amigos... rsrsrsrs. E um produto bom é logico. E um desconto de pagina simples .Amigos são amigos negócios a parte .

Ah, o infarto profissional! Achei aquilo o máximo, contei pra muita gente durante uns quinze anos sobre aquelas frasezinhas do diretor de mídia  e pior o identificava  .

Em 2005 mais ou menos marquei uma reunião com o diretor de mídia que ainda estava na  DM9 e falamos de Salvador, do meu bar, da Bloomberg, da TV Salvador e quando chegamos à “América Economia” lembrei do infarto  profissional. E ele me disse: “Hélcio, nem eu lembrava. Se me recordo, só falei aquela frase para você, nunca pra mais ninguém.” Imagine, eu contei pra todo mundo aquela criação única do mídia como se ele falasse pra todo mundo.

Dei sorte, nunca ninguém contou ao Nizan minha trapalhada com o mídia. Hoje, depois de anos, posso contar, já não trabalha lá naquele prédio lindo da Brigadeiro.

E eu não corro o risco do Nizan me chacoalhar, virei também baiano.  Lícia Fabio também é minha mãe de santo. (Recurso poético, se é que posso chamar assim.)

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Faltam professores ,faltam alunos.





Muitos falam que ser vendedor é nato. Mentira. Ainda que fosse, aprende-se muito com bons professores. Alguns me ensinaram a arte de vender publicidade: Zelão, vinha da escola/agência Salles, era o boa pinta do mercado e mudava de voz ao falar com o presidente da Valisère ou com o português da Pullman. Um craque. Eu trabalhava como assistente seu e de mais três contatos e escutava tudo o que ele falava com agências e clientes. Lembro-me que, em um domingo, me ligou falando de uma matéria de capa na Veja sobre o primeiro “Criança Esperança”. Trabalhávamos há um mês e nada. Na segunda-feira fomos à rua e na quarta havíamos fechado todas as cotas. Aquilo mudou minha vida.

Outro professor foi Tarciso Guimarães, contato de classe ímpar, terno impecável e organização notável. Era o maior propagador de minhas gírias no mercado de agências e clientes: “degolou” (mandou embora) e “caiu balão” (chegou tudo ao mesmo tempo). Eu estava na Rede Globo, tinha 23 anos e só pensava em mulher e festa. Trabalhava feito um cão, 15 horas dia.  Não poderia deixar de registrar, ainda, Walter Nise, meu preferido. Esquecia de tudo, mas conhecia e agradava os clientes e agências com seu jeito de ser. Esses três homens ganhavam em salário e comissão um carro de luxo por mês, e eu os admirava, mas não só por isso.

Dispenso um parágrafo inteiro para dois de meus gerentes: Carlos Missiroli e Talardo José dos Santos. Carlos conhecia todo mundo. Vinha dos Associados, se vestia como um lord e sua equipe o amava, inclusive eu. Nos desentendemos por causa de uma garrafa de Wiborowa que ele havia tomado no almoço. Aliás, em todos os almoços. Aprendi tudo com ele, principalmente que não se deve beber no trabalho. Lembro-me também de Talardo. Éramos da Globo Minas, mas o mercado nos via como outra qualquer. No dia em que voltei a São Paulo, para a Record (ainda dos Machado de Carvalho), Talardo me perguntou o porquê. Disse-lhe, então, que eu queria seu cargo e isso era difícil, pois ninguém faturaria mais que ele. Teria que esperá-lo morrer para assumir a gerência. Desculpem-me Brito, Luiz Fernando, Cláudio Carramacho e Orlando Marques. Tivemos ótimas histórias e aprendi muito com todos. Um dia as conto em outro artigo.

Isso tudo para falar da necessidade de pensarmos em uma faculdade de Negócios & Vendas. É possível aprender a vender, bastam bons professores como os que nós tivemos. Hoje existem diversos sftwares de gestão de vendas, mas a figura do mestre sempre prevalecerá em nossas mentes. Cursos de vendas existem, mas me parecem caça-níqueis que, supostamente, em dois ou três dias, formam alguém.

Vamos ensinar a vender! Venho há tempos fazendo isso no mercado, mas acho que as faculdades podem e devem investir na oferta desse bacharelado, envolvendo disciplinas como Sociologia, Psicologia, Projetos, Marketing, Matemática, Pesquisa, Mercadologia entre outras.

E você leitor? Sua empresa precisa ou não de um de homem de negócios e vendas? Publicado em julho 2010 CDM-Revista Imprensa.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Leão em Cannes- Ouro , é lógico


Estávamos na TV Gazeta em 1996, a equipe era ótima e meu amigo de longa jornada, o Stein, era o diretor de Publicidade. Convidei-o para almoçar com o Paulo Oncken, na época diretor de Mídia da Johnson & Johnson na Lowe , para quem um ano antes havíamos apresentado um projetinho de veiculação no programa “Mulheres”.

 Estamos falando de 1996, na terceira e até então última vez que dirigi a TV Gazeta de São Paulo. Desta vez, quando fui convidado, não queria ir sozinho e fiz meu acordo com o Luiz Fernando Taranto, incluído o Luiz Carlos Stein como diretor de Publicidade, apostando que quem estava nesse posto pedisse a conta, e foi o que aconteceu.

Em menos de seis anos fui para a TV Gazeta tantas vezes e tantas vezes alavancamos seu faturamento acima dos dois milhões de dólares mensais. Os tempos eram outros. Na primeira vez, havia somente sete emissoras de TV e na última, em visita ao Paulo Camossa na Almap, ele fez as contas de quantas emissoras já tinham equipes nas agências vendendo: perto de quarenta, com as a cabo e as UHF já entrando para a disputa do dinheiro que sobra da compra na Rede Globo.

Logo que entramos, escrevi um projeto para a J&J, para a linha “Baby” de produtos para os nenéns, e levamos na mídia, que na época era o Paulo Oncken – a agência era o Lowe.

Não foi para frente e continuamos tocando nossa vida dentro da emissora paulistana, que não era fácil, e estava ainda pior.  Da vez anterior que havia saído, o programa “Mulheres” dava quatro pontos no ibope; quando voltei, dava só dois pontos e quem estava levando os outros dois pontos eram os clientes que foram para a Ana Maria Braga. Como assim? É, na minha saída resolveram tirar metade dos merchandisings do “Mulheres” e aí eles foram para o programa da Ana na Record, e a audiência também. Acho que nem a Ana Maria sabe quem foi que a alavancou no ibope (eu sei... rsrsrs).

Naquela mesma época, o Roberto Avallone (dois prêmios Esso de jornalismo), que apresentava o “Mesa Redonda”, nosso segundo programa em faturamento, ficou doente, e até a medica que cuidava dele participava do programa, e a coisa estava feia por lá.

Mas trabalhamos muito e continuamos a chegar às 8h da manhã, mantendo a regra do Claudio Carramacho, pela qual o mercado me dava o crédito. Eu posso afirmar que adoro acordar às 8h e chegar à emissora às 9h30min, mas regras são regras e quem chegava depois ia para o Pessoal, o RH.

Na TV Gazeta começamos a empregar o fechamento todos os dias e as coisas que eram semanais ou até mensais passaram a ter a rapidez dos jornais, que tinham seus fechamentos diários.

Nossa equipe era bem grande, tínhamos uns quinze vendedores, quatro gerentes, dez contatos, o Stein e eu, a equipe de Opec e Marketing – era um ótimo time. Vendíamos CNT-Gazeta, que significava, além de SP estado, mais dezenove emissoras da CNT.

A história é sobre o projeto para a linha “Baby” da J&J, que naquele primeiro ano não deu certo. Mas no ano seguinte, em um almoço sem pretensões, o Stein fala ao Paulo sobre o projeto apresentado um ano atrás, e ele disse que tinha sido bem lembrado e que seria o momento de apresentá-lo.

O projeto era simples: as enfermeiras-padrão do Einstein, já com um programa de apoio às mães com a J&J, iriam uma vez por semana ao programa “Mulheres” e em quinze minutos ensinariam conceitos e dariam dicas de como cuidar dos nenéns.

O Stein mandou de novo o projeto com os custos reajustados e no desconto praticado. Uns vinte dias depois, umas 9h da manhã, entram na minha sala o Gilberto Corazza e o Stein e dizem que o Paulo está na J&J com os gerentes de produto da conta e que não têm 52 pautas para as 52 semanas do ano. Neste momento, a equipe inteira na minha sala, eu perguntei quanto tempo ainda ia demorar a reunião na J&J, e me disseram uns quarenta minutos. Pedi para aguardarem que mandaria as pautas. Não deu outra! Na época, só tinha três filhos, mas eles tinham acabado de sair da idade do Hipoglos, das fraldas, dos cremes.  Peguei um papel e em pouco mais de vinte minutos escrevi as 52 pautas. Nem colocamos no computador, foi à mão mesmo, por fax, para a J&J.

Ah, durante essa confusão toda, um dos contatos, o Miro Modesto, atende o telefone e era a Adriana, assistente dos contatos, dizendo que não viria porque estava tirando a segunda via da identidade que perdera em um assalto, ninguém falou para mim.  Os contatos escondiam quando a Adriana faltava, ela era alcoólatra, mas ótima assistente, para marcar reunião dizia que seria mandada embora se não a conseguisse. E já havia sido minha secretária durante muitos anos, e estava com o “x” no peito comigo.

Quando estávamos mandando o fax para a J&J, todos foram embora, inclusive a Tereza, minha secretária, que estava na Opec passando o fax, e toca o meu telefone direto – o mesmo que o Miro havia atendido – e eu atendo. Do outro lado da linha, um senhor bem-educado e preocupado me diz: “Bom dia senhor! Eu aproveitei que sua funcionária saiu do meu bar e apertei o repetir e o senhor atendeu. É uma pena esta menina novinha aqui, jogada na calçada, bêbada e ninguém vai vir buscá-la”. Eu não entendi nada, mas logo chamei o Miro e matamos a charada: era a Adriana! (É lógico que o Miro tomou uma bronca e todos se viraram contra mim. Era a culpa do time e não de um só, e eu era o bobão e só.)

Chamei um deles, o Ricardo Santos, e pedi para ele ir buscar a Adriana e levá-la em casa. Coisa que fiquei sabendo dez anos depois: quando ele chegou lá, ela ficou gritando e para que a polícia não aparecesse, o Ricardo foi embora e ela ficou bêbada na Avenida da Consolação.

A história não termina aí. O projeto J&J para a linha “Baby” no “Mulheres” foi comprado e com ele a equipe do Paulo Oncken desenvolveu um case para Cannes no primeiro ano em que foi dado um Leão para a mídia, e quem ganhou foi o Paulo Oncken na categoria TV e também na categoria revista, com outro projeto na Vejinha .

É, sempre disse aos meus funcionários que não basta trabalhar, e em publicidade temos que explicar tudo nos mínimos detalhes antes de ir ao ar ou ser publicado, pode dar “dinamite”(leia o texto Dinamite) ou um ouro em Cannes em um projeto bem resolvido como este .